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Jeremias 6:9 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Assim diz o Senhor dos Exércitos: Diligentemente respigarão os resíduos de Israel como uma vinha; torna a tua mão, como o vindimador, aos cestos. "

Jeremias 6:9

menu_book Versículo no contexto

7 Como a fonte produz as suas águas, assim ela produz a sua malícia; violência e estrago se ouvem nela; enfermidade e feridas há diante de mim continuamente.

8 Corrige-te, ó Jerusalém, para que a minha alma não se aparte de ti, para que não te torne em assolação e terra não habitada.

9 Assim diz o Senhor dos Exércitos: Diligentemente respigarão os resíduos de Israel como uma vinha; torna a tua mão, como o vindimador, aos cestos.

10 A quem falarei e testemunharei, para que ouça? Eis que os seus ouvidos estão incircuncisos, e não podem ouvir; eis que a palavra do Senhor é para eles coisa vergonhosa, e não gostam dela.

11 Por isso estou cheio do furor do Senhor; estou cansado de o conter; derramá-lo-ei sobre os meninos pelas ruas e na reunião de todos os jovens; porque até o marido com a mulher serão presos, e o velho com o que está cheio de dias.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Os títulos e temas aqui permanecem os mesmos da seção anterior, porque a Escritura ensina “mandamento sobre mandamento, regra sobre regra”. Em primeiro lugar, é novamente ameaçada a ruína de Judá e Jerusalém. Antes vimos com que rapidez o exército caldeu, isto é, o exército babilônico, se lançou à guerra (Jeremias 6:4-5). Agora vemos a destruição que ficaria para trás depois da sua passagem.

A devastação é descrita em detalhes dolorosos. O inimigo permaneceria entre eles por tanto tempo, e com tanta sede de sangue e de riqueza, que tomaria tudo quanto encontrasse. Aquilo que escapasse uma vez cairia em suas mãos depois (Jeremias 6:9). Iriam respigar completamente o restante de Israel, como um vindimador que volta repetidas vezes à videira até não restar um só cacho, tomando até mesmo os que estavam espalhados ou escondidos. O povo havia amado a cobiça (Jeremias 6:13) e, talvez, tivesse desprezado a lei de Deus que proibia rapar totalmente a vinha (Levítico 19:10). Agora eles mesmos seriam respigados a fundo, mortos à espada ou levados cativos.

Isso é explicado em Jeremias 6:11-12, onde Deus diz que sua fúria e sua mão estão sendo derramadas e estendidas por meio dos caldeus. Mesmo gente ímpia é muitas vezes usada como mão de Deus (Salmo 17:14); assim, na ira deles podemos ver a ira de Deus. Sua fúria recai plenamente até sobre as crianças que brincam nas ruas ou correm inocentemente (Zacarias 8:5). A espada impiedosa dos caldeus não as poupará (Jeremias 9:21). As crianças sofrem por causa dos pecados de seus pais.

O juízo também alcança o ajuntamento dos jovens, seus encontros festivos e seus grupos formados para se fortalecerem mutuamente no mal. Serão todos cortados juntos. Não somente os que se reúnem para a impiedade (Jeremias 5:7) cairão nas mãos do inimigo, mas até marido e mulher, deitados juntos na cama, serão ambos levados. O inimigo não terá piedade dos fracos e belos, nem compaixão dos velhos e avançados em dias, cujas vidas já não podem nem ajudar nem prejudicar. Suas casas passarão a outros (Jeremias 6:12). Os conquistadores morarão em seus lares, usarão seus bens e se alimentarão de seus mantimentos. Seus campos e vinhas também cairão nas mãos do inimigo, como havia sido advertido em Deuteronômio 28:30 e seguintes. Quando Deus estende a mão contra o povo da terra, ninguém pode escapar.

O profeta então se defende por falar com tanta dureza. Ele declara que está cheio da fúria do Senhor, cheio do peso e da visão desse juízo, e levado pelo Espírito a falar com tanta força (Jeremias 6:11). Ele não sentia prazer em ameaçar as pessoas, nem tinha satisfação em deixar inquietos os que o cercavam. Mesmo assim, não podia guardar silêncio. Contivera-se o quanto pôde, mas estava tão cheio de poder pelo Espírito do Senhor dos Exércitos, que precisava falar, quisessem eles ouvir ou não. Quando os ministros anunciam os terrores do Senhor conforme a Escritura, não há razão para ressentimento contra eles. São apenas mensageiros e precisam entregar a mensagem, agradável ou não.

Ele também condena os falsos profetas que falavam de maneira suave e agradável, pois adulavam o povo e eram infiéis (Jeremias 6:13-14). O sacerdote e o profeta, que deveriam ser sentinelas e atalaias, procederam falsamente. Não foram fiéis ao seu dever. Deveriam ter mostrado ao povo seus pecados e o perigo em que se encontravam, mas agiram como médicos que matam seus pacientes deixando-os fazer a própria vontade. Diziam: “Paz, paz”, isto é, que tudo iria bem, e silenciavam quem estivesse inquieto ou desperto para o perigo. Afirmavam ousadamente que nem a comunidade religiosa nem o estado corriam risco algum. Mas não havia paz, porque o povo prosseguia na idolatria e em pecados ousados. Aqueles que nos lisonjeiam para que permaneçamos no pecado são falsos amigos e, na verdade, nossos inimigos mais perigosos.

Em segundo lugar, o pecado de Judá e Jerusalém é exposto, o pecado que trouxe sobre eles essa ruína e evidenciou a justiça de Deus. Eles não suportavam ser confrontados com suas faltas nem com o perigo futuro. Deus manda o profeta adverti-los do juízo que vem (Jeremias 6:9), mas o profeta pergunta: “A quem falarei e testemunharei, para que ouça?” Ele não encontrava quem estivesse disposto a ouvir com paciência. Poderia adverti-los quanto quisesse, mas ninguém levaria a sério a advertência. Não havia forma de falar-lhes de modo a ser ouvido e aproveitado, porque o ouvido deles era incircunciso, isto é, impuro e inadequado para receber a voz de Deus. Era como se a audição estivesse tapada, de modo que falar com eles era como falar com a pedra.

Eles não eram apenas surdos. Eram contrários à mensagem. A palavra do Senhor era para eles um insulto, tanto em suas advertências como em suas correções. Sentiam-se ofendidos por ela e tratavam as palavras simples do profeta como se fossem mentira e calúnia. Isso era como dar coices contra os aguilhões (Atos 9:5), ou como os doutores da lei que resistiram às palavras de Cristo e disseram: “Mestre, dizendo isso, também nos afrontas” (Lucas 11:45). Repreensões que as pessoas chamam de afronta e odeiam dessa forma certamente se transformarão em juízos mais pesados. Quando se diz que não tinham prazer na palavra, significa mais do que simples antipatia. Nutriam profunda aversão a ela. Seus corações se levantavam contra ela. A palavra despertava sua corrupção e ira, e eles estavam prontos para atacar aquele que os corrigia. Como alguém pode esperar consolo da palavra de Deus se não tem deleite nela e preferiria estar em qualquer outro lugar a ficar sob a sua pregação?

Tinham fixado o coração fortemente neste mundo e eram levados pelo amor às coisas terrenas (Jeremias 6:13). Do menor ao maior, jovens e velhos, ricos e pobres, todas as classes estavam entregues à cobiça e avidamente buscando ganho desonesto. Queriam o que pudessem conseguir, fosse certo ou errado. Essa ganância também os tornava duros e violentos, pois o amor ao dinheiro é raiz de muitos males.

Ela também os endurecia contra a palavra de Deus e contra seus profetas. Os fariseus gananciosos, líderes religiosos judeus, chegaram a zombar de Cristo (Lucas 16:14). Quando as pessoas amam o lucro mais do que a verdade, logo deixam de ouvir qualquer advertência.

Também haviam se tornado ousados no pecado e já não sentiam vergonha. Depois de tantas acusações claras contra eles, era justo perguntar: ficaram envergonhados, por acaso, quando praticaram todas essas ações abomináveis, coisas que deveriam ferir tanto a razão como a religião (Jeremias 6:15)? Coraram quando foram convencidos de culpa e reconheceram que a vergonha lhes pertencia? Se tivessem feito isso, ainda haveria esperança. Mas não se via nem esse pequeno sinal de bondade entre eles.

Seus corações estavam tão endurecidos que não tinham vergonha e não podiam se envergonhar. Endureceram o rosto e pareciam até orgulhosos da própria maldade. Resistiram abertamente às convicções que deveriam humilhá-los e levá-los ao arrependimento. Estavam decididos a enfrentar o próprio Deus e não queriam admitir culpa.

Alguns entendem isso especialmente acerca dos sacerdotes e profetas, que haviam curado superficialmente a ferida do povo e prometido paz quando não havia paz. Mesmo quando os acontecimentos os desmentiram, não se envergonharam de sua falsidade e de suas mentiras. Pessoas sem vergonha estão longe da graça, e sua situação é desesperadora. Mas quem se recusa a aceitar a vergonha segundo Deus, a vergonha que de fato lhe pertence, não escapará de completa ruína. O resultado era certo: cairiam com os que caem e participariam do destino dos que são reduzidos a nada. Quando Deus viesse em juízo sobre a nação, seriam derrubados e levados a tremer, justamente porque não quiseram se envergonhar. Os que pecam e não conseguem corar por isso já estão em péssima condição, e em breve estarão em pior. Primeiro, endureceram-se e não quiseram se envergonhar; depois, tornaram-se tão duros que já não podiam.

Eles perderam a única coisa boa que ainda acompanhava seus muitos pecados: a vergonha de fazer o mal. O bom conselho que Deus tantas vezes lhes dera fora repetido muitas vezes, mas com pouco efeito. Ele lhes dizia: “Ponde-vos nos caminhos, e vede” (Jeremias 6:16). Isto é, parem e pensem antes de prosseguir. É o que fazem os viajantes quando querem encontrar a estrada certa para o destino, para não avançar às cegas. Se suspeitam ter tomado o caminho errado, não descansam até ter certeza da rota. Ah, se as pessoas fossem igualmente sensatas quanto às suas almas e refletissem com seriedade sobre sua conduta, sabendo que o certo e o errado importam tanto quanto o caminho certo e o caminho errado importam para o viajante.

Ele também os mandou pedir pelas veredas antigas, olhar para a experiência e as lições daqueles que tinham vivido antes deles (Jó 8:8; Deuteronômio 32:7). Perguntem a seu pai e aos seus anciãos. Eles veriam que o caminho da piedade e da justiça sempre foi o caminho que Deus aprovou e abençoou, o caminho em que as pessoas verdadeiramente prosperaram. Peçam pelas veredas antigas, os caminhos estabelecidos na lei de Deus, na palavra escrita, que é a verdadeira medida da antiga verdade. Peçam pelas veredas em que andaram os patriarcas, Abraão, Isaque e Jacó. Se esperam participar das promessas feitas a eles, sigam as pisadas deles. Perguntem: “Onde está o bom caminho?” Não devemos seguir algo apenas porque é antigo, como se o simples uso prolongado o tornasse certo. Há também um antigo caminho em que têm andado os perversos (Jó 22:15). Mas, quando pedimos pelas veredas antigas, é apenas para encontrar o bom caminho, a estrada dos retos. O caminho da verdadeira religião é um bom e antigo caminho, o caminho em que todos os santos, em todas as épocas, têm andado.

Ele também os mandou agir conforme aquilo que encontrassem. “Quando conhecerem o bom caminho, andem nele, perseverem nele, prossigam nele e continuem.” Alguns entendem isto especialmente para o conflito deles entre os verdadeiros e os falsos profetas, entre os que prometiam paz e os que advertiam de juízos vindouros. Eles alegavam não saber em quem crer. A resposta de Deus foi: parem, olhem e perguntem qual mensagem está de acordo com a palavra escrita e com as maneiras habituais de Deus lidar com as pessoas, e então sigam essa. Se fizessem isso, isso lhes garantiria paz e satisfação para as suas próprias almas. Andar no bom e antigo caminho se tornaria, com o tempo, mais fácil e mais doce. Eles desfrutariam de Deus e de si mesmos, e esse caminho os conduziria ao verdadeiro descanso. Mesmo que a estrada lhes exigisse algum esforço, a recompensa no fim seria abundante.

Mas o Senhor se entristeceu porque um conselho tão sábio, tão razoável e tão adequado a eles, não foi bem recebido. Disseram: “Não andaremos nele.” Não quiseram sequer se dar ao trabalho de averiguar qual era o caminho certo e, uma vez que ele lhes foi mostrado, ainda assim se recusaram a negar a si mesmos ou a abrir mão de seus próprios desejos. Muitas pessoas são arruinadas para sempre por esse tipo de teimosia obstinada.

Porque não quiseram ser guiados por uma argumentação justa, Deus usou outro método. Ele os advertiu por meio de juízos menores e enviou seus profetas para explicar esses avisos e amedrontá-los com o perigo em que estavam (Jeremias 6:17). “Também pus atalaias sobre vós.” Os ministros de Deus são atalaias, e é uma misericórdia tê-los colocados sobre nós pelo Senhor. A advertência constante deles era esta: escutem o som da trombeta. Deus toca a trombeta por meio de sua providência (Zacarias 9:14). As atalaias a ouvem e são despertadas por ela (Jeremias 4:19), e devem chamar outros para ouvi-la também, para prestar atenção à causa que o Senhor apresenta, notar a voz de sua providência, tirar bom proveito dela e responder ao que ela pretende operar.

Esse aviso tão claro foi ignorado. Eles disseram: “Não escutaremos. Não queremos ouvir. Não vamos prestar atenção. Não creremos.” Na prática, trataram os profetas como se fosse melhor que eles guardassem a mensagem só para si.

Os pecadores perecem porque não dão ouvidos ao som de advertência da trombeta. E não o fazem porque se recusam a ouvir. Não têm nenhum motivo real para essa recusa, senão a própria vontade teimosa. Nisso, agem da maneira mais irracional.

Muitas vezes é mais fácil lidar com as razões de dez pessoas do que com a vontade de uma só.

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