Versículo em destaque
Jeremias 22:10 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Não choreis o morto, nem o lastimeis; chorai abundantemente aquele que sai, porque nunca mais tornará nem verá a terra onde nasceu. "
Jeremias 22:10
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
8 E muitas nações passarão por esta cidade, e dirá cada um ao seu próximo: Por que procedeu o Senhor assim com esta grande cidade?
9 E dirão: Porque deixaram a aliança do Senhor seu Deus, e se inclinaram diante de outros deuses, e os serviram.
10 Não choreis o morto, nem o lastimeis; chorai abundantemente aquele que sai, porque nunca mais tornará nem verá a terra onde nasceu.
11 Porque assim diz o Senhor acerca de Salum, filho de Josias, rei de Judá, que reinou em lugar de Josias, seu pai, e que saiu deste lugar: Nunca mais ali tornará.
12 Mas no lugar para onde o levaram cativo ali morrerá, e nunca mais verá esta terra.
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Os reis podem nos parecer como deuses, mas diante de Deus eles são apenas homens, e morrem como qualquer outro. Essa verdade aparece aqui na sentença de morte pronunciada sobre dois reis que governaram sucessivamente em Jerusalém. Eram irmãos, filhos de um pai muito piedoso, mas ambos se mostraram filhos indignos.
Primeiro vem o juízo sobre Salum, que quase certamente é o mesmo que Jeoacaz, filho de Josias, rei de Judá, que reinou depois da morte de Josias (Jeremias 22:11). O povo o fez rei, embora não fosse o filho mais velho (2 Reis 23:30; 2 Crônicas 36:1). Na lista dos filhos de Josias, em 1 Crônicas 3:15, aparece o nome Salum, mas não Jeoacaz. O povo pode tê‑lo escolhido por achá‑lo mais enérgico e audacioso, e, portanto, mais apto para governar.
Deus logo mostrou a loucura dessa escolha injusta. Em apenas três meses, o rei do Egito veio contra Jeoacaz, tirou‑o do trono e o levou prisioneiro para o Egito, exatamente como Deus havia advertido que aconteceria (Deuteronômio 28:68). Não parece que mais alguém do país tenha sido levado com ele. A história é contada em 2 Reis 23:34 e 2 Crônicas 36:4.
O povo é orientado a chorar por ele mais do que por seu pai Josias. “Não choreis o morto, nem o lastimeis”, isto é, não continuem chorando por Josias. Jeremias de fato chorou muito por Josias e chegou a mover o povo a lamentar por ele (2 Crônicas 35:25). Mas agora ele lhes diz para pôr fim àquele luto, ainda que Josias tivesse morrido apenas três meses antes, e desviar as lágrimas para outro lado. Devem chorar amargamente por Jeoacaz, que foi levado para o Egito.
Isso não era porque Jeoacaz fosse mais útil à nação do que Josias. Na verdade, a perda de Josias foi muito maior. Mas Josias morreu em paz e honra. Foi poupado de ver as angústias que viriam neste mundo e foi levado para o bem que o aguardava no mundo futuro. Assim, não havia motivo para chorar por ele. Em vez disso, deviam lastimar o seu infeliz filho, que provavelmente viveria e morreria em vergonha e miséria, como cativo. Crentes que morrem podem, com razão, ser invejados, enquanto pecadores vivos são dignos de piedade. E às vezes os tempos são tão sombrios que as lágrimas até por um Josias, até por um Jesus, precisam ser contidas, para serem guardadas para nós mesmos e para nossos filhos (Lucas 23:28).
A razão desse choro é simples: ele não voltará do cativeiro, como ele e o povo esperavam. Eles não queriam acreditar nisso, por isso essa verdade é repetida várias vezes: “porque nunca mais tornará” (Jeremias 22:10). Ele nunca mais verá sua terra natal. Em vez disso, gastará seus dias ouvindo falar da ruína dela. Saiu daquele lugar, e nunca mais voltará (Jeremias 22:11). Morrerá no lugar para onde o levaram cativo (Jeremias 22:12). Esse foi o resultado de abandonar o bom exemplo de seu pai e tomar o lugar que pertencia a seu irmão mais velho.
Na lamentação de Ezequiel pelos príncipes de Israel, esse mesmo Jeoacaz é retratado como um leãozinho que logo aprendeu a arrebatar a presa, mas foi capturado e levado em cadeias para o Egito. O povo continuou esperando que ele voltasse, mas esperou em vão (Ezequiel 19:3-5).
Em seguida vem o juízo sobre Jeoaquim, que o sucedeu. Não sabemos se ele tinha um direito melhor ao trono do que Salum, pois, embora fosse mais velho que o predecessor, parece ter havido ainda outro irmão mais velho chamado Joanã (1 Crônicas 3:15). Mas isto é certo: ele não governou melhor e, no fim, não teve destino melhor.
Seus pecados são primeiro repreendidos com clareza. Não convém a uma pessoa comum dizer a um rei: “Você é ímpio.” Mas um profeta, que leva uma mensagem de Deus, falha em seu dever se não a pronunciar, mesmo diante de reis, por mais desagradável que ela seja. Jeoaquim aqui não é acusado de idolatria, e provavelmente ainda não havia matado o profeta Urias, como depois veio a fazer (Jeremias 26:22-23). Se já o tivesse feito, é provável que esse pecado fosse mencionado aqui. Os pecados citados são orgulho e amor ao luxo e à ostentação.
Ele queria construir para si um grande palácio, uma casa espaçosa com amplos cômodos (Jeremias 22:14). Queria abrir janelas no estilo mais moderno, talvez algo comparável às janelas de guilhotina conhecidas hoje. Os aposentos seriam revestidos de cedro, madeira muito cara. Sua casa tinha de ser tão bem acabada quanto o próprio templo, ou não o satisfaria (1 Reis 6:15-16). Na verdade, queria que a casa superasse o templo, com pintura de vermelhão, um pigmento vermelho, ou, como alguns entendem, anil, isto é, azul.
É lícito que príncipes e grandes construam e mobiliem suas casas de modo condizente com a sua posição. Mas Deus conhecia o que havia no coração de Jeoaquim, e ele fazia isso por orgulho. Isso transformava algo lícito em pecado, e em pecado grave. Por isso, aqueles que ampliam e embelezam suas casas precisam vigiar atentamente o coração e se guardar da vanglória.
O que tornava o caso de Jeoaquim especialmente grave era o fato de fazer tudo isso enquanto os juízos de Deus já se fechavam sobre ele. Ele governou os primeiros três anos com a permissão do rei do Egito, e o restante com a permissão do rei da Babilônia. Ainda assim, esse homem, que era pouco mais que um governador, queria rivalizar, em construção e mobiliário, com os maiores reis. Sua atitude era teimosa: “Edificarei para mim uma casa larga. Estou decidido a isso, não importa quem fale contra.”
Esse é um engano comum entre pessoas cuja riqueza já está minguando, mas que ainda assim querem manter grande aparência. Muitos conservam um coração orgulhoso justamente quando Deus está humilhando. Portam‑se com altivez exatamente quando Deus os está abatendo. Isso é realmente lutar contra o nosso Criador.
Alguns também entendem que Jeoaquim aqui é acusado de sacrilégio, ou seja, de roubar da casa de Deus para enfeitar a sua casa.
Ele “abriu de janela ao sol”, e alguns entendem isso no sentido de que teria tirado janelas do templo para usá‑las em seu palácio. Depois as cobriu com pintura vermelha, para que ninguém percebesse, e parecessem combinar com o resto da construção. Isso mostra como as pessoas procuram enriquecer‑se roubando a Deus e à sua casa, mas acabam arruinando a si mesmas. Por mais que tentem esconder, Deus vê tudo.
Jeoaquim, rei de Judá, também é acusado de extorsão, opressão, violência e injustiça. Ele construiu sua casa com dinheiro desonesto e com materiais que não tinha direito de usar. Pode até ter tomado propriedades, assim como Acabe, rei de Israel, tomou a vinha de Nabote. Porque queria mais do que podia pagar, explorou seus trabalhadores, retendo o salário deles; e esse pecado clama ao Senhor dos Exércitos (Tiago 5:4). Deus nota o dano causado pelos grandes a seus servos e trabalhadores pobres, e retribuirá àqueles que se recusam a pagar o que devem.
Os mais altos em posição precisam ver os mais baixos como próximos e tratá‑los com justiça. Jeoaquim era opressor não só em seus projetos de construção, mas também na maneira como governava o reino. Não se importava com a justiça e não fazia esforço para evitar o derramamento de sangue inocente quando isso servia à sua ambição, avareza ou vingança. Todo o seu coração estava entregue à cobiça, o amor ao dinheiro que leva a todo tipo de mal.
O profeta diz: “Os teus olhos e o teu coração não olham senão para a tua avareza.” Seus desejos estavam fixos nas riquezas, e em mais nada. Na cobiça, o coração acompanha os olhos, e é por isso que ela é chamada de concupiscência dos olhos (1 João 2:16; Jó 31:7). Significa pôr os olhos no que na verdade não é seu (Provérbios 23:5). Quando os objetivos e afeições de uma pessoa estão presos às riquezas deste mundo, essa tentação pode conduzir a homicídio, opressão e todo tipo de violência e maldade.
O que agravava o pecado de Jeoaquim é que ele era filho de um bom pai, que lhe deixara um belo exemplo a seguir (Jeremias 22:15-16). É provável que Jeoaquim zombasse de seu pai, Josias, rei de Judá, por viver numa casa simples e pouco confortável, que ele julgava indigna de um grande rei. Talvez pensasse que o pai tinha gosto pobre e lhe faltava ânimo para grandes construções. Mas Deus declara que Josias era muito melhor homem do que Jeoaquim e fez muito mais por si e por sua família.
Josias praticou o juízo e a justiça. Nunca prejudicou seus súditos, nunca os oprimiu, nunca colocou sobre eles fardos injustos. Ao contrário, protegia seus direitos e bens. Não usava o poder para sustentar o mal, mas para defender o que era certo. Também julgava a causa do pobre e do necessitado, disposto a ouvir até o menor de seus súditos e a fazer‑lhe justiça. Governantes não devem viver para a própria honra e conforto, mas para o bem, especialmente defendendo os oprimidos.
Josias também foi estimulado a cumprir o seu dever pela bênção que recebeu de Deus. O Senhor o aprovou, dizendo, em essência: “Não é isso conhecer-me?”. Isso significa que Josias de fato conhecia a Deus e mostrou esse conhecimento obedecendo ao Senhor. O verdadeiro conhecimento de Deus se manifesta no cumprimento do nosso dever, especialmente dos deveres ligados à posição em que Deus nos colocou na vida. Josias também teve o consolo de uma vida bem ordenada. Ele comia e bebia com moderação e alegria, o suficiente para fortalecê‑lo para o trabalho, e não para levá‑lo à embriaguez (Eclesiastes 10:17). Ele não comia e bebia para depois esquecer a lei nem para perverter a justiça em prejuízo dos pobres (Provérbios 31:5).
Ele desfrutou da bênção da abundância dada por Deus, e a usou bem. Podia receber seus amigos com generosidade e socorrer livremente os necessitados. Jeoaquim se orgulhava de sua bela casa, mas a verdadeira honra de Josias era manter um lar bem governado. Aqueles que amam ostentação e grandeza muitas vezes são os menos generosos de fato, porque o estilo de vida caro sufoca a hospitalidade, a caridade e até a justiça. É melhor viver com Josias em uma casa antiga e praticar o bem do que morar com Jeoaquim em um palácio esplêndido e deixar dívidas sem pagar.
Josias praticou o juízo e a justiça, e tudo corria bem com ele; isso é repetido para dar ênfase. Ele vivia com conforto, era respeitado pelo povo e pelos vizinhos, e o que fazia prosperava. Enquanto fazemos o que é certo, podemos esperar que, de modo geral, vá bem conosco. Jeoaquim sabia que seu pai encontrou no caminho do dever o caminho do consolo, mas se recusou a trilhar a mesma vereda. Devemos ser despertados a manter viva a verdadeira religião em nossa geração, porque nossos pais piedosos a mantiveram na deles e nos mostraram, pela experiência, a sua bondade. Eles nos asseguraram que as promessas ligadas à piedade nesta vida são verdadeiras, e que fé e obediência andam de mãos dadas com uma boa prosperidade exterior. Por isso, não temos desculpa se nos desviarmos desse bom caminho.
Jeremias então anuncia fielmente o juízo contra Jeoaquim (Jeremias 22:18-19). Podemos pensar que o profeta falou isso correndo grande risco de vida, mas ele diz apenas o que o Senhor lhe mandou, e por isso precisava falar. Jeoaquim morreria sem ser lamentado. Pela sua opressão e crueldade, tornou‑se tão odiado que o povo ficaria contente em se ver livre dele, e ninguém o honraria sequer com uma lágrima. Seu pai, que praticou a justiça e a retidão, foi muito pranteado; e a Zedequias é prometido pranto na sua morte, porque se portou melhor do que Jeoaquim (Jeremias 34:5).
Seus parentes não chorariam por ele, nem mesmo com as palavras comuns de luto usadas no enterro do mais pobre, quando se clamava: “Ai, meu irmão!”, ou “Ai, irmã!”. Também seus súditos não o pranteariam, nem gritariam, como faziam junto às sepulturas dos reis: “Ai, senhor!”, ou “Ai, sua glória!”. É algo triste quando alguém vive de tal maneira que ninguém sente a sua falta quando morre.
Pior ainda, ele nem seria sepultado. Mesmo quando não há lágrimas em um funeral, ainda se deseja que o morto seja posto fora da vista, sepultado. Mas Jeoaquim teria o sepultamento de um jumento, isto é, nenhum sepultamento digno. Seu corpo seria lançado em uma vala ou num monte de esterco. Seria arrastado com desprezo e atirado para fora das portas de Jerusalém.
A história de Jeoaquim registra que Nabucodonosor, rei da Babilônia, o prendeu com cadeias para levá‑lo a Babilônia, e Ezequiel diz que ele foi trazido em grilhões ao rei da Babilônia (2 Crônicas 36:6; Ezequiel 19:9). É provável que tenha morrido como prisioneiro antes de chegar a Babilônia, como estava planejado. Talvez tenha morrido de desgosto, ou, em seu orgulho, tenha apressado o próprio fim. Por isso, foi privado de um sepultamento decente, como frequentemente acontece, entre nós, com os que tiram a própria vida.
Josefo relata que Nabucodonosor o matou em Jerusalém e deixou o corpo exposto a certa distância dos portões da cidade. E, no entanto, também se diz que ele “dormiu com seus pais” (2 Reis 24:6). Quando construiu para si uma casa magnífica, provavelmente planejou também um túmulo grandioso. Mas veja como foi frustrado. Os que se exaltam em grande orgulho muitas vezes são reservados para uma grande vergonha, seja em vida, seja na morte.
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Deste capítulo
Jeremias 22:1
"Assim diz o SENHOR: Desce à casa do rei de Judá, e anuncia ali esta palavra,"
Jeremias 22:2
"E dize: Ouve a palavra do Senhor, ó rei de Judá, que te assentas no trono de Davi, tu, e os teus servos, o teu povo, que entrais por estas portas."
Jeremias 22:3
"Assim diz o Senhor: Exercei o juízo e a justiça, e livrai o espoliado da mão do opressor; e não oprimais ao estrangeiro, nem ao órfão, nem à viúva; não façais violência, nem derrameis sangue inocente neste lugar."
Jeremias 22:4
"Porque, se deveras cumprirdes esta palavra, entrarão pelas portas desta casa os reis que se assentarão em lugar de Davi sobre o seu trono, andando em carros e montados em cavalos, eles, e os seus servos, e o seu povo."
Jeremias 22:5
"Mas, se não derdes ouvidos a estas palavras, por mim mesmo tenho jurado, diz o Senhor, que esta casa se tornará em assolação."
Jeremias 22:6
"Porque assim diz o Senhor acerca da casa do rei de Judá: Tu és para mim Gileade, e a cabeça do Líbano; mas por certo que farei de ti um deserto e cidades desabitadas."
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