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Deuteronômio 14:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Filhos sois do SENHOR vosso Deus; não vos dareis golpes, nem fareis calva entre vossos olhos por causa de algum morto. "

Deuteronômio 14:1

menu_book Versículo no contexto

1 Filhos sois do SENHOR vosso Deus; não vos dareis golpes, nem fareis calva entre vossos olhos por causa de algum morto.

2 Porque és povo santo ao Senhor teu Deus; e o Senhor te escolheu, de todos os povos que há sobre a face da terra, para lhe seres o seu próprio povo.

3 Nenhuma coisa abominável comereis.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Moisés lembra a Israel como Deus os havia honrado com três privilégios especiais. Esses privilégios eram a glória deles e, ao mesmo tempo, apontavam para as bênçãos espirituais que Deus concede ao seu povo em Cristo. Primeiro, havia a eleição: Deus os escolheu, não por algum mérito ou boas obras que visse neles, mas porque quis mostrar entre eles as riquezas do seu poder e da sua graça. Ele não os escolheu porque já eram um povo especial pela própria dedicação, mas os escolheu para que se tornassem assim pela sua graça, e os crentes hoje são escolhidos do mesmo modo (Efésios 1:4).

Em segundo lugar, havia a adoção, mencionada em Deuteronômio 14:1. Eles eram filhos do Senhor seu Deus, formados por ele como um povo e reconhecidos por ele como sua família. Estavam perto de Deus, mais do que qualquer outra nação. Israel é chamado filho de Deus, seu primogênito, não porque Deus precisasse de filhos, mas porque eles eram como órfãos e precisavam de um Pai. Cada israelita era de fato filho de Deus, participante de sua natureza, de seu favor, de seu amor e de sua bênção. Que grande amor o Pai nos concedeu!

Em terceiro lugar, havia a santificação, em Deuteronômio 14:2. Eles eram um povo santo, separado para Deus, consagrado ao seu serviço e destinado ao seu louvor. Viviam sob uma lei santa, serviam em um tabernáculo santo e seguiam cerimônias santas ligadas a ele. O povo de Deus está sob a mais forte obrigação de ser santo, e, se é santo, é porque a graça de Deus o tornou assim. O Senhor os separou para si mesmo e os preparou para o seu serviço e para o desfrute dele.

Por Deus tê-los elevado dessa maneira, eles também deviam manter uma clara diferença em relação às nações ao redor. Não deviam copiar os costumes supersticiosos dos idólatras e assim se rebaixar ao nível deles. A antiga tradução grega verte o texto como ordem: “Sede filhos do Senhor vosso Deus”, isto é, vivam de modo condizente com a dignidade de filhos de Deus e não façam nada que manche esse nome ou os faça perder seus privilégios. Em dois pontos, especialmente, eles deveriam se distinguir.

Primeiro, deveriam ser diferentes no luto. “Não vos dareis golpes” proíbe mais de uma coisa. Pode proibir que dilacerem o próprio corpo em funerais, seja para expressar tristeza, seja para oferecer o próprio sangue a falsos deuses. Pode também proibir cortes e marcas feitos em culto idólatra, como fizeram os profetas de Baal (1 Reis 18:28), ou a prática de marcar a carne com sinais de determinados deuses. Seria um grave pecado para um povo que já levava no corpo a marca do Senhor Jeová por meio da circuncisão.

Por isso, eles não deviam ferir ou desfigurar o próprio corpo por motivo algum. É como um pai dizendo ao filho: “Não se corte.” O sentido de muitos mandamentos de negar a si mesmo é simplesmente este: não faça mal a si mesmo. Até providências duras, às vezes, servem para nos impedir de nos ferirmos. Faca é tirada da mão da criança para que ela não se machuque. Pessoas separadas para Deus não devem tratar o corpo com descuido, porque o corpo pertence ao Senhor e deve ser usado para ele.

Eles também não deviam entregar-se a uma dor profunda e descontrolada pela morte de seus queridos. Não deveriam mostrar a tristeza cortando-se ou fazendo calva entre os olhos, como homens tomados de fúria ou desespero pelo morto. Cristãos devem chorar, mas não como os que não têm esperança (1 Tessalonicenses 4:13). Um escritor judeu, citado por Ainsworth, entendeu essa lei como advertência contra o excesso de tristeza por parentes falecidos. Se seu pai morre, você não deve se entristecer sem medida, porque não é órfão de pai. Ainda tem um Pai que vive para sempre, o Deus santo e bendito, e vocês são seus filhos (Deuteronômio 14:1). Mas o incrédulo, quando seu pai morre, não tem um pai para socorrê-lo na angústia, pois chamou um pedaço de madeira de pai e uma pedra de mãe (Jeremias 2:27). Nós, que temos em quem confiar, Deus, e temos o céu como esperança, precisamos nos sustentar com essa esperança em qualquer tristeza.

Segundo, deveriam ser diferentes na alimentação. Muitos tipos de carne que eram saudáveis e comumente consumidos pelos outros povos deviam ser evitados como impuros. Essa lei já havia sido dada em Levítico 11:2, onde é explicada com mais detalhes. Aqui parece servir para marcá-los como povo distinto. Suas leis alimentares os tornariam notáveis em convívios mistos e ajudariam a impedir que se misturassem com vizinhos idólatras.

Quanto aos animais terrestres, a lei especifica com mais detalhes do que em Levítico quais tipos podiam comer. Isso mostra que não tinham motivo para reclamar por lhes serem negados porcos, lebres e coelhos, que hoje são alimentos comuns. Eles tinham à disposição grande variedade de carnes, tanto carne de açougue, usada em sacrifícios, como caça abundante em Canaã, como o veado, a corça e o gamo (Deuteronômio 14:4-5). Apesar de esses animais nunca serem levados ao altar de Deus, eram permitidos à mesa deles (ver Deuteronômio 12:22). Quando podiam comer livremente de tantos tipos, assim como Adão podia comer de toda árvore do jardim, eram claramente culpados aqueles que, para satisfazer um apetite pecaminoso ou para honrar ídolos, comiam carne de porco e tinham em suas panelas caldo feito de coisas proibidas (Isaías 65:4).

Quanto aos peixes, havia apenas uma regra geral: tudo que não tivesse barbatanas e escamas era impuro e proibido. Isso incluía mariscos, enguias e outras criaturas aquáticas impróprias para alimento (Deuteronômio 14:9-10). Quanto às aves, não há uma regra geral, mas são nomeadas algumas aves impuras, e poucas dessas são tipos que as pessoas costumam comer hoje. Tudo o que não era expressamente proibido era permitido (Deuteronômio 14:11-20). De todas as aves limpas podiam comer.

Também lhes era proibido, primeiro, comer carne de animal que morresse por si mesmo, porque o sangue não havia sido devidamente derramado. Além da impureza cerimonial que isso trazia (ver Levítico 11:39), tal carne não é saudável, e só costuma ser comida em extrema pobreza. Em segundo lugar, era proibido cozinhar o cabrito no leite de sua mãe. Isso talvez quisesse impedir um costume de luxo, tratado como iguaria, ou afastá-los de alguma prática pagã das nações ao redor.

A antiga paráfrase caldaica entende isso como proibição de comer carne e leite juntos, o que, nessa leitura, também excluiria o uso de manteiga como molho com carne. Quanto a todas essas leis alimentares, o próprio texto mostra que elas pertenciam apenas a Israel e não eram leis morais para todos os tempos. O que eles não podiam comer, podiam dar a um estrangeiro residente entre eles que tivesse abandonado a idolatria, ainda que não fosse circuncidado, ou podiam vender a um gentio de passagem, que entrasse na terra para comerciar, mas não para habitar ali (Deuteronômio 14:21).

Essa clara diferença mostra quão especial era Israel como povo santo. O evangelho também deixa evidente que essas regras alimentares estão agora ultrapassadas e não são mais obrigatórias. “Toda criatura de Deus é boa” e nada hoje deve ser rejeitado nem considerado comum ou impuro (1 Timóteo 4:4).

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