Versículo em destaque
Jeremias 20:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E Pasur, filho de Imer, o sacerdote, que havia sido nomeado presidente na casa do SENHOR, ouviu a Jeremias, que profetizava estas palavras. "
Jeremias 20:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 E Pasur, filho de Imer, o sacerdote, que havia sido nomeado presidente na casa do SENHOR, ouviu a Jeremias, que profetizava estas palavras.
2 E feriu Pasur ao profeta Jeremias, e o colocou no cepo que está na porta superior de Benjamim, na casa do Senhor.
3 E sucedeu que no dia seguinte Pasur tirou a Jeremias do cepo. Então disse-lhe Jeremias: O Senhor não chama o teu nome Pasur, mas, Terror por todos os lados.
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Aqui vemos, em primeiro lugar, a ira injusta de Pasur contra Jeremias, e o que disso resultou (Jeremias 20:1, 2). Pasur era sacerdote; portanto, seria de se esperar que protegesse Jeremias, que também era sacerdote e, ainda mais, profeta do SENHOR. Os sacerdotes, como servos de Deus, deveriam se preocupar com o mensageiro de Deus e com a obra que ele realizava. Em vez disso, esse sacerdote se tornou perseguidor justamente daquele a quem deveria apoiar.
Pasur era filho de Imer, o que mostra que ele pertencia à décima sexta classe sacerdotal, já que Imer era o chefe dessa ordem quando Davi organizou os turnos dos sacerdotes (1 Crônicas 24:14). Isso ajuda a identificá-lo, pois outro Pasur é mencionado depois (Jeremias 21:1), e esse pertencia a uma classe sacerdotal diferente. Este Pasur era “presidente na casa do SENHOR”, provavelmente por um tempo determinado, ou como auxiliar do sumo sacerdote, ou ainda como capitão da guarda do templo (Atos 4:1). Ele se tornou o principal inimigo de Jeremias. Muitas vezes, a hostilidade mais feroz contra os profetas de Deus vem justamente de pessoas que afirmam se importar mais com a santidade e com a igreja.
Não é necessário supor que Pasur estivesse entre os sacerdotes mais velhos que tinham ido com Jeremias ao vale de Tofete para ouvir sua profecia, a menos que tivesse ido com propósito hostil. É mais provável que ele mesmo tenha ouvido Jeremias falar nos átrios do templo, ou então que outros lhe tenham relatado o que Jeremias dizia. A expressão pode ser entendida dos dois modos. Em qualquer caso, ele não suportou as palavras de Jeremias, especialmente o fato de Jeremias pregar nos átrios da casa do SENHOR sem pedir sua permissão. Quando o poder na esfera religiosa é abusado, torna-se uma das armas mais perigosas contra o próprio povo de Deus.
No auge da ira, Pasur feriu Jeremias, provavelmente com a mão ou com algum bastão de autoridade. Talvez fosse uma agressão destinada principalmente a humilhá-lo, semelhante ao golpe que o sumo sacerdote mandou dar em Paulo para que parasse de falar (Atos 23:2). Ou talvez tenha sido uma surra severa, tratando-o como se fosse um criminoso. A atitude foi ilegal. O sumo sacerdote e os demais sacerdotes deveriam ter sido consultados, as credenciais de Jeremias examinadas, e o caso devidamente investigado. Em vez disso, a justiça foi desprezada, e Jeremias precisava ser esmagado, estivesse certo ou errado. Os que se opõem à piedade raramente aceitam ser governados por critérios justos.
Pasur também colocou Jeremias no tronco. Alguns entendem isso apenas como confinamento, mas é mais provável que fosse um instrumento que causava ao mesmo tempo dor e vergonha. Podia ser uma espécie de gargueira para o pescoço e braços, ou, como aqui, um tronco para as pernas. Seja como for, Jeremias passou ali a noite inteira, em lugar público, à porta alta de Benjamim, que ficava na casa do SENHOR ou junto a ela. Pasur queria castigá-lo para que deixasse de profetizar, e também torná-lo ridículo, para que as pessoas o desprezassem, caso continuasse a falar. Muitas vezes, as pessoas de melhor caráter recebem o pior tratamento deste mundo ingrato, e as maiores bênçãos de sua época são tratadas como lixo. Isso desperta em nós uma santa indignação ao ver um homem como Pasur no poder e um homem como Jeremias preso ao tronco. É consolador saber que há uma outra vida, na qual as pessoas e os acontecimentos serão vistos com mais clareza.
Em segundo lugar, vemos a justa ira de Deus contra Pasur, e os sinais disso. No dia seguinte, Pasur soltou Jeremias e o tirou do tronco (Jeremias 20:3). Provavelmente o manteve ali pelo tempo habitual de tal castigo. Então Jeremias recebeu de Deus uma mensagem para ele. Não lemos que Jeremias tenha protestado enquanto era maltratado; parece ter suportado tudo em silêncio, sem ameaças. Mas, quando foi tirado do tronco, Deus lhe deu uma palavra que haveria de perturbar a consciência de Pasur, se é que ele ainda a tinha. Quando o profeta do SENHOR estava preso, a palavra do SENHOR não estava presa.
Seja qual fosse o objetivo de Pasur ao espancar e humilhar Jeremias, Deus mostra que ele falhou. Pensava Pasur garantir para si segurança e conforto ao silenciar aquele que expunha suas falhas e rebaixava sua reputação diante do povo? Ele não conseguiria. Ainda que o profeta se calasse, sua própria consciência continuaria a incomodá-lo. Para mostrar isso, Deus lhe dá um novo nome: Magor-Missabibe, isto é, “terror ao redor” ou “pavor por todos os lados” (Jeremias 20:4). O próprio Deus lhe dá esse nome, e isso garante que assim será. É uma expressão que descreve alguém não apenas cercado de problemas, mas também tomado de medo e desespero.
Trata-se de algo além do perigo comum. Alguém pode estar cercado de perigos e, ainda assim, não ter medo, como Davi, que confiava em Deus (Salmo 3:6; Salmo 27:3). Pasur, porém, seria o oposto: estaria amedrontado até onde não houvesse ameaça real. Os ímpios fogem sem que ninguém os persiga, e vivem tomados de medo sem motivo. Deus diz, em essência: “Farei de ti terror para ti mesmo.” Seus próprios pensamentos e imaginação o manteriam em constante inquietação. Deus pode fazer o mais ousado pecador ter medo de si mesmo e sabe perfeitamente como amedrontar aqueles que tentam amedrontar o povo de Deus para afastá-lo do cumprimento do dever.
Os que se recusam a ouvir sobre seus pecados da boca dos profetas de Deus, que falam em público, acabarão ouvindo da própria consciência, que fala no íntimo e não pode ser calada. É coisa miserável tornar-se terror para si mesmo. E não pára aí. Há pessoas profundamente perturbadas por dentro, mas que escondem isso dos outros e aparentam alegria. Mas Deus diz: “Farei de ti terror para todos os teus amigos.” Em toda situação, Pasur demonstraria tal medo e horror que até seus amigos teriam receio de se aproximar dele e se afastariam de sua miséria. Pessoas profundamente angustiadas e confusas podem se tornar peso e motivo de temor para si mesmas e para todos ao redor. Isso é um forte motivo para agradecer a Deus enquanto ele nos concede mente lúcida e paz de consciência.
Os amigos de Pasur, em quem ele confiava e que provavelmente tentava agradar ao se opor a Jeremias, todos o abandonariam.
Deus não fulmina Pasur imediatamente por aquilo que ele fez contra Jeremias. Em vez disso, o deixa viver em miséria, como Caim, vagueando em medo e vergonha. Por onde Pasur passar, será sinal vivo da justiça de Deus. Quando alguém perguntar por que ele anda sempre tão aterrorizado, a resposta será clara: a mão de Deus está sobre ele, por haver colocado Jeremias no tronco.
Seus amigos, que deveriam confortá-lo, seriam tirados dele. Cairiam à espada do inimigo, e Pasur veria isso com seus próprios olhos. Essa visão horrível apenas aumentaria ainda mais seu pavor. Por fim, ele descobriria que seu medo não era vazio. O juízo de Deus o aguardava (Jeremias 20:6), e ele e sua família seriam levados para o cativeiro, até à Babilônia. Não morreria antes da calamidade, como Josias, nem continuaria vivo depois dela, como alguns outros. Morreria como cativo e, por assim dizer, seria sepultado em suas correntes, junto com todos os seus amigos. Que os perseguidores leiam isso e tremam, e que esse temor os leve ao arrependimento, antes que sejam obrigados a tremer na ruína.
Pretendia Pasur manter o povo em falsa tranquilidade e impedir a destruição anunciada por Jeremias? Tentou destruir a reputação de Jeremias para que sua mensagem perdesse a força? Isso é bem provável, pois Jeremias 20:6 mostra que Pasur também se apresentava como profeta, dizendo ao povo que haveria paz. Ele profetizava mentiras. Como a mensagem de Jeremias contrariava sua própria palavra e despertava pessoas que ele queria manter adormecidas no pecado, Pasur se voltou contra o verdadeiro profeta.
Mas ele conseguiu? Não. Jeremias se manteve firme no que havia dito contra Judá e Jerusalém, e Deus repetiu sua sentença por meio dele. Ninguém ganha coisa alguma ao silenciar quem o adverte e corrige, porque a palavra de Deus continua o seu curso. Assim aconteceu aqui.
Toda a terra de Judá seria destruída (Jeremias 20:4). Deus declara: “Entregarei toda a Judá nas mãos do rei de Babilônia.” Judá tinha sido por muito tempo a terra peculiar de Deus, mas agora ele a entregaria a Nabucodonosor, rei da Babilônia. Este dominaria o país e faria o que quisesse com o povo, matando alguns pela espada e levando outros para o cativeiro, sem que ninguém escapasse.
A própria cidade também seria arruinada (Jeremias 20:5). O rei da Babilônia a despojaria e levaria seus tesouros para Babilônia. Tomaria seus depósitos e suprimentos militares, chamados de força desta cidade, e os voltaria contra ela. Eles confiavam nessas coisas para protegê-los, mas de que adiantariam, uma vez que se haviam colocado fora da proteção de Deus, depois que aquele que era de fato a sua força havia se retirado deles?
Ele também levará embora seus bens e mercadorias, chamados de seus trabalhos, porque foram coisas pelas quais trabalharam e que adquiriram com esforço. Saqueará suas casas luxuosas e tomará seus ricos móveis e enfeites, chamados de suas coisas preciosas, porque eles os valorizavam e prendiam o coração a essas posses. Felizes são aqueles que guardam coisas preciosas nas promessas preciosas de Deus, às quais soldado algum pode chegar.
Ele também esvaziará o tesouro e levará as joias da coroa e todos os tesouros dos reis de Judá. Essa era uma parte do juízo que já havia sido ameaçado muito tempo antes contra Ezequias, rei de Judá, como castigo por ter mostrado seus tesouros aos mensageiros do rei da Babilônia (Isaías 39:6). O tesouro parecia ser a proteção deles, mas os traiu e se tornou um prêmio fácil nas mãos do inimigo.
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Deste capítulo
Jeremias 20:2
"E feriu Pasur ao profeta Jeremias, e o colocou no cepo que está na porta superior de Benjamim, na casa do Senhor."
Jeremias 20:3
"E sucedeu que no dia seguinte Pasur tirou a Jeremias do cepo. Então disse-lhe Jeremias: O Senhor não chama o teu nome Pasur, mas, Terror por todos os lados."
Jeremias 20:4
"Porque assim diz o SENHOR: Eis que farei de ti um terror para ti mesmo, e para todos os teus amigos. Eles cairão à espada de seus inimigos, e teus olhos o verão. Entregarei todo o Judá na mão do rei de babilônia; ele os levará presos a babilônia, e feri-los-á à espada."
Jeremias 20:5
"Também entregarei toda a riqueza desta cidade, e todo o seu trabalho, e todas as suas coisas preciosas, sim, todos os tesouros dos reis de Judá entregarei na mão de seus inimigos, e saqueá-los-ão, e tomá-los-ão e levá-los-ão a babilônia."
Jeremias 20:6
"E tu, Pasur, e todos os moradores da tua casa ireis para o cativeiro; e virás a babilônia, e ali morrerás, e ali serás sepultado, tu, e todos os teus amigos, aos quais profetizaste falsamente."
Jeremias 20:7
"Persuadiste-me, ó Senhor, e persuadido fiquei; mais forte foste do que eu, e prevaleceste; sirvo de escárnio todo o dia; cada um deles zomba de mim."
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