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Isaías 4:2 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Naquele dia o renovo do Senhor será cheio de beleza e de glória; e o fruto da terra excelente e formoso para os que escaparem de Israel. "

Isaías 4:2

menu_book Versículo no contexto

1 E sete mulheres naquele dia lançarão mão de um homem, dizendo: Nós comeremos do nosso pão, e nos vestiremos do que é nosso; tão-somente queremos ser chamadas pelo teu nome; tira o nosso opróbrio.

2 Naquele dia o renovo do Senhor será cheio de beleza e de glória; e o fruto da terra excelente e formoso para os que escaparem de Israel.

3 E será que aquele que for deixado em Sião, e ficar em Jerusalém, será chamado santo; todo aquele que estiver inscrito entre os viventes em Jerusalém;

4 Quando o Senhor lavar a imundícia das filhas de Sião, e limpar o sangue de Jerusalém, do meio dela, com o espírito de justiça, e com o espírito de ardor.

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auto_stories Comentário Bible Guided

As ameaças que vieram antes deste versículo deixam Jerusalém em uma condição muito triste. Tudo parece escuro. Mas aqui o sol rompe as nuvens. Estes versículos trazem muitas grandes e preciosas promessas, consolo que já pode ser visto em meio à aflição e garantia de dias felizes depois dela. Apontam claramente para o reino do Messias e para o grande livramento que ele traria, retratado pela restauração de Judá e Jerusalém sob Ezequias depois de Acaz, e também pelo retorno do cativeiro babilônico. Esses eventos podem estar em vista, mas o foco principal da passagem é Cristo.

Primeiro, a passagem promete que Deus levantará um renovo justo que produzirá o fruto da justiça (Isaías 4:2). “Naquele dia”, justamente naquele tempo em que Jerusalém é destruída e a nação judaica é espalhada, o reino do Messias será estabelecido. Então a igreja começará a reviver exatamente quando todos temem a sua completa ruína.

O próprio Cristo será exaltado. Ele é o renovo do Senhor, o renovo prometido, um dos nomes proféticos do Messias, como “meu servo, o Renovo” (Zacarias 3:8; Zacarias 6:12), “o Renovo de justiça” (Jeremias 23:5; Jeremias 33:15) e “um rebento do tronco de Jessé” (Isaías 11:1). Alguns entendem que isso também é sugerido no título “Nazareno” (Mateus 2:23). Ele é chamado de renovo do Senhor porque foi plantado por Deus e por ele feito florescer para o seu louvor. A antiga paráfrase aramaica diz aqui: “o Cristo, ou Messias, do Senhor”.

Ele será beleza, glória e alegria. Primeiro, será exaltado à alegria que lhe estava proposta e à glória que tinha com o Pai antes que o mundo existisse. Aquele que foi desprezado pelos homens, e cujo rosto foi mais desfigurado do que o de qualquer outro, agora, no mundo celestial, é formoso e glorioso, como o sol em sua força, admirado e adorado pelos anjos. Em segundo lugar, ele será belo e glorioso aos olhos de todos os que creem. Ele alcançará honra no mundo e um nome acima de todo nome. Para os que creem, ele é precioso e digno de honra (1 Pedro 2:7), “o mais distinguido entre dez mil” (Cântico dos Cânticos 5:10) e inteiramente glorioso. Devemos alegrar-nos por ele ser assim e deixá-lo ser assim para nós.

Seu evangelho também será bem acolhido. O êxito do evangelho é fruto do renovo do Senhor, pois toda graça e todo consolo do evangelho vêm de Cristo. Também é chamado de fruto da terra porque brotou neste mundo e se ajusta à vida que agora vivemos. Cristo se compara a um grão de trigo que cai na terra e morre e, então, produz muito fruto (João 12:24). A Escritura também apresenta o avanço do evangelho como a terra dando o seu fruto (Salmo 67:6), e o plantio da igreja cristã como Deus semeando-a na terra para si (Oséias 2:23).

Isso pode ser entendido tanto a respeito do povo gerado pelo evangelho quanto das bênçãos que o evangelho traz. Serão excelentes e formosos, muito agradáveis àqueles que escaparem de Israel, isto é, ao remanescente de judeus poupados de perecer com o restante na incredulidade (Romanos 11:5). Se Cristo é precioso para nós, então o seu evangelho também o será, com todas as suas verdades e promessas; e sua igreja será preciosa, com todos os que a compõem. Estes são o bom fruto da terra. Em comparação com eles, tudo o mais é como erva daninha. É um bom sinal de que pertencemos ao remanescente escolhido, separado do restante que é chamado Israel e marcado para a salvação, quando vemos grande beleza em Cristo, na santidade e nos santos, os “excelentes da terra”.

Como figura desse dia abençoado, Jerusalém, depois da invasão de Senaqueribe e depois do cativeiro babilônico, voltaria a florescer como um renovo e seria abençoada com os frutos da terra. Compare com Isaías 37:31-32. O remanescente tornaria a lançar raízes para baixo e dar fruto para cima. E se “o fruto da terra” for entendido como os bens desta vida, pode-se dizer que eles têm uma doçura especial para o remanescente escolhido, porque têm direito pactual a eles e os desfrutam de maneira mais consoladora. Se o renovo do Senhor é belo e glorioso aos nossos olhos, até mesmo o fruto da terra nos parecerá excelente e formoso, pois o receberemos como fruto da promessa (Salmo 37:16; 1 Timóteo 4:8).

Deus também guardará para si uma semente santa (Isaías 4:3). Quando a maioria dos que têm lugar e nome em Sião e em Jerusalém forem cortados como ramos secos por causa da própria incredulidade, alguns ainda permanecerão. Alguns ficarão com a igreja, mesmo quando sua forma externa for mudada e ela se tornar cristã. Deus não rejeitará totalmente o seu povo (Romanos 11:1). Haverá um aqui e outro ali deixados para trás.

Esse remanescente existe segundo a eleição da graça, como Paulo diz (Romanos 11:5). Estão escritos entre os vivos, marcados no conselho e na presciência de Deus para a vida e a salvação, escritos para a vida, determinados para isso de forma firme e imutável. Aqueles preservados com vida em tempos mortais foram escritos para a vida na providência de Deus. E não deveríamos crer que os livrados de uma morte muito maior foram escritos no livro da vida do Cordeiro? (Apocalipse 13:8). Tantos quantos foram destinados para a vida eterna creram para a salvação da alma (Atos 13:48). Todos os que estão escritos entre os vivos serão achados entre os vivos, cada um deles, porque Cristo não perderá nenhum de todos os que lhe foram dados.

Esse remanescente também está sob o governo da graça. Todo aquele que está escrito entre os vivos, e por isso fica de resto, será chamado santo, será tornado santo e será aceito por Deus como santo. Só os santos permanecerão quando o Filho do Homem tirar do seu reino tudo o que produz escândalo. Todos os escolhidos para a salvação são escolhidos também para a santificação, isto é, para serem feitos santos (2 Tessalonicenses 2:13; Efésios 1:4).

Deus também reformará a sua igreja e corrigirá tudo o que nela estiver errado (Isaías 4:4). Então o remanescente será chamado santo, quando o Senhor tiver lavado a imundícia deles. Ele a lavará do meio deles, cortando os perversos, e de dentro deles, purificando o que é mau. Não serão chamados santos até que, em alguma medida, o sejam de fato. Os tempos do evangelho são tempos de reforma, de uma limpeza mais completa do pecado (Hebreus 9:10). Isso foi prefigurado pela reforma sob Ezequias e pela reforma posterior, depois do cativeiro, para a qual essa promessa aponta.

Observe os lugares e pessoas que precisam de reforma. A própria Jerusalém, embora fosse a cidade santa, ainda precisava ser purificada. E por ser a cidade santa, sua reforma influenciaria todo o reino para o bem. As filhas de Sião, especialmente as mulheres que ele acabara de repreender (Isaías 3:16), também precisavam ser reformadas.

Quando se enfeitavam com seus ornamentos, julgavam-se maravilhosamente limpas. Mas, por se gloriar naquelas coisas, o profeta chama esses adornos de sua imundícia. Nenhum pecado é mais odioso a Deus do que o orgulho. Ou “filhas de Sião” pode referir-se às cidades e aldeias ao redor de Jerusalém, que pertenciam a ela como cidade-mãe e igualmente necessitavam de reforma.

A própria reforma é isto: a imundícia será lavada. A impiedade é como sujeira, especialmente o derramamento de sangue, e Jerusalém era conhecida por isso (2 Reis 21:16). O sangue derramado mancha uma terra mais do que qualquer outro pecado. Assim, quando uma cidade é reformada, ela está sendo limpa. Quando costumes e modas pecaminosas são interrompidos e a impiedade escancarada é contida, um lugar que era como um monturo torna-se limpo e agradável. Isso melhora não só sua reputação diante de outros, mas também o consolo e a saúde dos que ali vivem.

Quem opera essa reforma é o Senhor. Reforma é obra de Deus, e, se algo bom e duradouro é feito, é obra dele. Às vezes ele destrói e remove pecadores por seus juízos. Mas reforma e converte pelo Espírito da sua graça. Essa obra não é feita por força humana, mas pelo Espírito do Senhor dos Exércitos (Zacarias 4:6). Ele age tanto nos pecadores que precisam ser reformados como em magistrados, ministros e outros que ele usa como instrumentos para reformar os demais.

O Espírito atua aqui de duas maneiras. Primeiro, como espírito de juízo, iluminando a mente, convencendo a consciência e dando sabedoria para agir com cuidado e prudência (Isaías 52:13). Ele também ajuda a discernir o que é precioso do que não presta. Segundo, como espírito de ardor, despertando aflições e inflamando um zelo pronto para o bem. O Espírito opera como fogo (Mateus 3:11). Um amor ardente por Cristo e pelas almas, juntamente com um ódio abrasador ao pecado, moverá as pessoas com firmeza a afastar a impiedade de Jacó. Veja Isaías 32:15-16.

Deus também protegerá a sua igreja e todos os que lhe pertencem (Isaías 4:5, 6). Quando forem purificados e colocados em ordem, não ficarão mais expostos e desamparados. Deus terá um cuidado especial por eles. Os que são santificados também são bem guardados, porque Deus será ao mesmo tempo o seu guia e o seu guarda.

Suas moradas serão defendidas (Isaías 4:5). Essa promessa se aplica aos seus lares, aos lugares de descanso, às casas onde adoram a Deus em particular e com suas famílias. A bênção sobre a casa do justo será proteção para ela (Provérbios 3:33). Nas casas dos justos haverá vozes de júbilo e de salvação (Salmo 118:15). Deus vela pelos lares do seu povo, cada um deles, desde a cabana mais humilde até o palácio mais grandioso. Quando o pecado é afastado da casa, o Todo-poderoso a defenderá (Jó 22:23, 26).

Essa promessa também se aplica às reuniões de adoração. O templo não é mencionado, porque essa promessa aponta para um tempo em que não ficaria pedra sobre pedra daquele edifício. No entanto, todas as reuniões cristãs, ainda que apenas dois ou três se reúnam em nome de Cristo, estão sob o cuidado especial do céu. Não serão mais espalhadas nem perturbadas, e nenhuma arma forjada contra elas prosperará. Devemos considerar grande misericórdia poder adorar a Deus publicamente, sem temor de guerra ou perseguição.

Essa promessa é descrita com duas figuras. Primeiro, é como a segurança que Israel desfrutou ao viajar pelo deserto. Deus dará à igreja cristã provas tão reais do seu cuidado quanto deu a Israel, ainda que nem sempre de forma visível. Ele tornará a criar uma nuvem e fumaça de dia, para protegê-los do ardor do sol, e um fogo resplandecente de noite, para dar luz e calor na escuridão e no frio (Êxodo 13:21; Neemias 9:19). Aquela coluna de nuvem e de fogo se colocava entre Israel e os egípcios (Êxodo 14:20). Embora os milagres tenham cessado, Deus continua o mesmo para a igreja do Novo Testamento que foi para Israel antigamente, o mesmo ontem, hoje e eternamente.

Segundo, é como a cobertura de peles de carneiro e de texugo sobre as cortinas do tabernáculo, como se cada habitação em Sião e cada assembleia fosse tão preciosa para Deus quanto aquele tabernáculo. “Sobre toda a sua glória” haverá uma defesa, para protegê-la de vento e intempéries. A igreja na terra tem a sua glória. A verdade e o culto do evangelho, as Escrituras e o ministério são a glória da igreja. E sobre toda essa glória há, e sempre haverá, uma defesa, porque as portas do inferno não prevalecerão contra a igreja. Se o próprio Deus é a glória no meio dela, ele também será um muro de fogo ao seu redor, seguro e forte. A graça na alma também é a sua glória, e os que a possuem são guardados pelo poder de Deus como em uma fortaleza (1 Pedro 1:5).

Seu tabernáculo também será uma defesa para eles (Isaías 4:6). O tabernáculo de Deus foi um abrigo para os santos (Salmo 27:5), mas, quando ele for desarmado, eles ainda não ficarão sem refúgio. O próprio poder e a bondade de Deus serão um tabernáculo para todos os santos. O próprio Deus será o seu esconderijo (Salmo 32:7). N’Ele terão sua habitação (Salmo 91:9). Ele será para eles como a sombra de uma grande rocha (Isaías 32:2), e o seu nome será uma torre forte (Provérbios 18:10). Ele será não apenas sombra contra o calor do dia, mas também abrigo contra tempestade e chuva.

Neste mundo devemos esperar mudanças de “tempo” e todas as dificuldades que as acompanham. Encontraremos tempestades e chuvas neste mundo inferior e, em outros momentos, o calor do dia será igualmente difícil de suportar. Mas Deus é refúgio para o seu povo em qualquer tipo de “clima”.

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