Êxodo 5 - Significado, temas e aplicacao

Entenda os temas principais e aplique Êxodo 5 na sua vida hoje

15 versiculos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que e Êxodo 5?

Êxodo 2 narra o nascimento e a proteção miraculosa de Moisés em meio ao decreto de morte de Faraó, sua adoção pela filha do rei, o despertar de sua identificação com o povo hebreu, o homicídio de um egípcio, sua fuga para Midiã e o início de sua nova vida ali. O capítulo termina mostrando o clamor dos israelitas oprimidos e a resposta de Deus, que se lembra de sua aliança com os patriarcas.

Temas principais em Êxodo 5

Cuidado providencial de Deus sobre Moisés (versiculos Êxodo 2:1-10)

Mesmo em um contexto de perseguição e morte, Deus preserva a vida de Moisés desde o nascimento, usando a coragem dos pais, a atenção da irmã e a compaixão da filha de Faraó para cumprir seu propósito.

Versiculos-chave: 2, 3, 10

Identidade e compaixão de Moisés pelo povo hebreu (versiculos Êxodo 2:11-14)

Já adulto, Moisés reconhece os hebreus como seus irmãos e se indigna com a opressão, ainda que reaja de forma impulsiva e violenta, revelando tanto seu senso de justiça quanto sua imaturidade.

Versiculos-chave: 11, 14

Fuga, exílio e preparação no deserto de Midiã (versiculos Êxodo 2:15-22)

A fuga de Moisés para Midiã não é apenas uma saída de emergência, mas o início de um período de formação. Ali ele serve, protege, constrói família e aprende a viver como peregrino em terra estranha.

Versiculos-chave: 15, 21, 22

O clamor de Israel e a fidelidade da aliança de Deus (versiculos Êxodo 2:23-25)

Na opressão, o povo geme e clama; Deus ouve, lembra-se da aliança com Abraão, Isaque e Jacó, vê a aflição e se inclina para a condição de Israel, preparando a libertação que virá.

Versiculos-chave: 23, 24, 25

Contexto historico e literario

Êxodo 2 se passa no contexto da opressão israelita no Egito, após a morte de José e da geração que conhecia sua história. Surge um novo Faraó que teme o crescimento do povo hebreu e impõe trabalho forçado e decretos de extermínio dos meninos hebreus (descritos em Êxodo 1). É nesse cenário de morte e escravidão que nasce Moisés, da tribo de Levi.

O ato de colocar o menino em uma pequena arca de juncos no rio Nilo reflete tanto desespero quanto fé: a mãe obedece de certo modo à ordem de lançar os meninos ao rio, mas o faz protegendo o filho e o confiando à providência. A filha de Faraó representa a elite egípcia, com acesso ao rio para banhos e acompanhada de servas. Seu gesto de compaixão é decisivo na história da salvação de Israel.

Midiã ficava a leste, provavelmente na região do noroeste da Arábia ou área próxima à península do Sinai. Era habitada por midianitas, descendentes de Abraão por meio de Quetura (Gênesis 25). O sacerdote de Midiã, chamado Reuel aqui (e também conhecido como Jetro em outros textos), lidera uma família numerosa, com sete filhas que cuidam do rebanho. A vida em Midiã contrasta com o Egito: em vez de palácio e poder, há simplicidade, pastoreio e vida tribal.

O texto também destaca a continuidade da aliança de Deus com os patriarcas. Mesmo após muitos anos de silêncio aparente e de escravidão, Deus permanece atento ao seu povo e à promessa feita a Abraão, Isaque e Jacó, preparando o cenário para a libertação que se desenvolverá nos capítulos seguintes.

Estrutura de Êxodo 5

O capítulo pode ser organizado em quatro movimentos narrativos principais:

  1. Nascimento e preservação de Moisés (2:1-10)
    – Introdução dos pais levitas e nascimento do menino (vv. 1-2).
    – Decisão de colocá-lo em uma arca de juncos no rio (v. 3).
    – Vigilância da irmã à distância (v. 4).
    – Descoberta da criança pela filha de Faraó, compaixão e reconhecimento de que é um hebreu (vv. 5-6).
    – Intervenção sábia da irmã, chamando a própria mãe para amamentar e criar o menino (vv. 7-9).
    – Adoção formal por parte da filha de Faraó e atribuição do nome Moisés (v. 10).

  2. Moisés adulto e o conflito com o egípcio e os hebreus (2:11-14)
    – Moisés sai para ver seus irmãos e observa a carga pesada que sofrem (v. 11).
    – Reage à injustiça, mata o egípcio e esconde o corpo na areia (v. 12).
    – No dia seguinte, tenta intervir entre dois hebreus em contenda (v. 13).
    – É confrontado com a pergunta sobre sua autoridade e lembrado do homicídio, gerando medo em Moisés (v. 14).

  3. Fuga para Midiã e nova fase da vida de Moisés (2:15-22)
    – Faraó tenta matar Moisés, que foge para Midiã e se assenta junto a um poço (v. 15).
    – Moisés defende as filhas do sacerdote de Midiã dos pastores que as expulsavam (vv. 16-17).
    – As filhas relatam ao pai o ocorrido, descrevendo Moisés como um egípcio (vv. 18-19).
    – Reuel as questiona e convida Moisés, acolhendo-o em sua casa (v. 20).
    – Moisés passa a morar com Reuel e recebe em casamento Zípora, com quem tem um filho, Gérson (vv. 21-22), nome ligado à experiência de ser peregrino.

  4. Clamor de Israel e lembrança da aliança por Deus (2:23-25)
    – Após muitos dias, morre o rei do Egito, mas a servidão continua e o povo suspira e clama (v. 23).
    – O clamor sobe a Deus; Ele ouve o gemido, lembra-se da aliança, vê os filhos de Israel e atenta para a condição deles (vv. 24-25).

O texto alterna cenas íntimas (uma mãe, uma irmã, um bebê, um poço no deserto) e cenas de grande alcance histórico (o decreto de Faraó, o clamor nacional, a aliança com os patriarcas), mostrando como eventos aparentemente pequenos participam da grande história da redenção.

Significado teologico

Êxodo 2 oferece uma rica visão da ação de Deus na história, mesmo quando não há intervenções espetaculares ainda descritas. A preservação de Moisés revela que Deus dirige os acontecimentos por meio de pessoas comuns, emoções humanas e circunstâncias aparentemente aleatórias. A coragem dos pais, a vigilância da irmã e a compaixão da filha de Faraó são instrumentos de um plano muito maior.

Teologicamente, o capítulo destaca a soberania de Deus sobre os poderes humanos. Enquanto Faraó decreta a morte dos meninos hebreus, Deus faz o futuro libertador ser acolhido justamente dentro da casa do opressor, crescendo sob proteção real. Isso mostra que nenhum projeto de opressão consegue bloquear a fidelidade de Deus à sua aliança.

Moisés aparece como figura complexa: ao mesmo tempo príncipe criado no Egito e hebreu identificado com o sofrimento do povo. Seu gesto de matar o egípcio não é apresentado como modelo, mas como evidência de uma justiça mal administrada, baseada na força própria. Essa tensão antecipará a transformação de Moisés, que passará de um homem impulsivo a um servo que age sob direção direta de Deus.

O exílio em Midiã introduz outro eixo teológico importante: o deserto como lugar de preparação espiritual. Antes de liderar Israel, Moisés precisa ser trabalhado por Deus em anonimato, vida simples e responsabilidade cotidiana. O nome de seu filho, Gérson, indica consciência de peregrinidade, tema recorrente na Bíblia: o povo de Deus é chamado a viver como estrangeiro, confiando mais na promessa divina do que na segurança das estruturas humanas.

Os versículos finais (2:23-25) são centrais para a teologia da aliança. O texto enfatiza quatro verbos atribuídos a Deus: ouvir, lembrar-se, ver e atentar. "Lembrar-se" não significa que Deus havia esquecido, mas que chegou o tempo de agir de acordo com o pacto feito com Abraão, Isaque e Jacó. A libertação que se seguirá é, portanto, expressão da fidelidade de Deus à sua palavra, e não apenas resposta emocional à dor humana.

Esse capítulo antecipa grandes temas bíblicos: Deus que salva por graça soberana, a importância da aliança, a vocação mediadora de Moisés como tipo de futuro Mediador perfeito, e o fato de que a história da salvação muitas vezes começa em contextos de sofrimento, mas avança pela firmeza da promessa divina.

Aplicacao restauradora e de saude mental

Lido a partir de uma perspectiva de cuidado emocional, Êxodo 2 toca temas como ameaça à vida, medo, fuga, recomeços forçados e sensação de ser estrangeiro. A mãe de Moisés vive o drama de proteger o filho em um ambiente hostil e, em certo momento, precisa soltá-lo, confiando em algo além de sua própria capacidade. Isso espelha experiências de perda de controle e necessidade de confiar quando não há garantias visíveis.

Moisés, por sua vez, atravessa transições intensas de identidade: de bebê em risco a filho adotivo na corte, de príncipe a fugitivo, de alguém influente a estrangeiro num território desconhecido. Há elementos que lembram processos de trauma, culpa e vergonha (o homicídio e a fuga), assim como adaptação a uma nova cultura e família. A forma como ele se descreve, ao nomear Gérson, revela a dor e a consciência de não pertencer totalmente ao lugar onde está.

Na outra ponta, o povo de Israel vive opressão prolongada. O texto fala de suspiros, gemidos e clamor, linguagem que se aproxima de sofrimento crônico e exaustão. Importa notar que a dor não é negada nem relativizada; ela é registrada como algo que sobe a Deus e é levado em conta. A resposta de Deus, ao ouvir, ver e atentar para a condição do povo, oferece um quadro terapêutico de acolhimento: a experiência de ser verdadeiramente visto em sua angústia.

Em termos de cuidado da alma, o capítulo sugere que períodos de deserto e anonimato podem ter um papel formativo profundo, sem anular a dor envolvida. Mostra também que a história pessoal, cheia de rupturas e recomeços, pode fazer parte de uma trama maior de sentido, ainda que isso não fique claro no momento em que se sofre.

warning Importante: maus usos comuns

Alguns pontos do capítulo podem acionar lembranças dolorosas em quem lê: a ameaça de morte a crianças, a angústia de uma mãe tendo de afastar-se do filho, violência física e homicídio, fuga para salvar a própria vida, sensação de não pertencimento e escravidão prolongada.

Leituras que moralizam rapidamente a história de Moisés podem agravar culpas mal processadas, ao tratar decisões tomadas sob intensa pressão emocional como meras falhas de caráter. Também é importante evitar usar o sofrimento de Israel como justificativa para minimizar dores atuais, como se todo sofrimento precisasse ser entendido imediatamente como parte de um grande plano sem espaço para lamento.

Quem tem histórico de abuso, guerra, violência urbana, perdas de filhos ou migração forçada pode se sentir particularmente atingido por essa narrativa. Em contextos de acompanhamento pastoral ou terapêutico, convém acolher reações emocionais fortes, validar o impacto da leitura e, se necessário, indicar ajuda especializada. O texto aponta para um Deus que vê a dor, mas não substitui o cuidado profissional em situações de trauma e sofrimento intenso.

Aplicacao pratica para hoje

Êxodo 2 inspira algumas direções práticas para a vida diária:

  1. Cuidar com coragem em contextos hostis
    Os pais de Moisés protegem o filho em meio a um sistema injusto. Em situações difíceis, ações pequenas e discretas de cuidado podem ter grande impacto na preservação da vida e da dignidade, especialmente no ambiente familiar e comunitário.

  2. Usar sabedoria em momentos de risco
    A mãe de Moisés e sua irmã unem amor, criatividade e prudência. A fé não elimina a necessidade de planejamento e estratégia. Em decisões delicadas, vale buscar caminhos que combinem confiança em Deus e responsabilidade concreta.

  3. Reconhecer que justiça sem preparo pode ferir
    O desejo de Moisés de defender o oprimido é correto, mas sua forma impulsiva gera morte e fuga. A busca por justiça precisa ser acompanhada de maturidade, limites saudáveis e respeito a processos adequados, evitando que a reação ao mal produza novos danos.

  4. Valorizar o tempo de anonimato e formação
    A fase de Moisés em Midiã, longe dos holofotes, é essencial em sua história. Tempos de aparente estagnação ou esquecimento podem ser usados para aprender, servir, construir relacionamentos sólidos e amadurecer interiormente.

  5. Viver com consciência de peregrinos
    O nome Gérson, ligado à experiência de ser estrangeiro, lembra que a identidade última do povo de Deus não está presa a sistemas de poder ou lugares fixos. Essa perspectiva ajuda a lidar com mudanças, deslocamentos e perdas de status, sem perder o sentido de propósito.

  6. Levar o sofrimento a Deus em clamor honesto
    O capítulo mostra um povo que suspira e clama, e um Deus que ouve. Em vez de sufocar a dor, há espaço para expressá-la diante de Deus. A certeza de que Ele vê e se lembra de sua aliança fortalece a esperança em meio a processos longos e cansativos.

Perguntas frequentes

Por que a mãe de Moisés colocou o bebê em uma arca no rio?

O contexto era o decreto de Faraó para matar os meninos hebreus. Ao perceber que não podia mais esconder o filho, a mãe de Moisés confeccionou uma pequena arca de juncos, impermeabilizada com barro e betume, e colocou o menino entre os juncos à margem do Nilo. Esse gesto une desespero e fé: ela obedece à ordem de lançá-lo ao rio, mas o faz protegendo-o e confiando que Deus poderia intervir. A arca lembra, inclusive, a arca de Noé, outro instrumento de preservação em meio às águas de morte.

O homicídio cometido por Moisés foi aprovado por Deus?

O texto não apresenta o ato de Moisés como algo aprovado por Deus, mas como uma reação impulsiva diante da injustiça. Ele olha para os lados, certifica-se de que não há testemunhas e mata o egípcio, escondendo o corpo. Depois, sente medo quando percebe que o fato se tornou público. Nada no capítulo indica que esse seja um modelo a seguir; ao contrário, o episódio mostra que o desejo de justiça de Moisés ainda precisava ser trabalhado e conduzido de forma diferente por Deus.

Quem é Reuel, citado como pai de Zípora, e por que ele também é chamado de Jetro em outras passagens?

Reuel é identificado em Êxodo 2 como o sacerdote de Midiã e pai de Zípora. Em outras passagens, como Êxodo 3 e 18, ele aparece com o nome de Jetro. É provável que Reuel seja um nome de família ou título, e Jetro um nome pessoal ou honorífico, algo comum em culturas antigas em que uma mesma pessoa podia ser conhecida por mais de um nome. Em todo caso, trata-se da mesma figura: o sogro de Moisés, líder respeitado entre os midianitas.

O que significa Deus se lembrar da aliança com Abraão, Isaque e Jacó?

Quando o texto diz que Deus se lembrou da aliança, não quer dizer que Ele havia esquecido e só então se recordou. Na linguagem bíblica, "lembrar-se" da aliança indica que chegou o tempo de agir segundo o compromisso assumido. Deus prometera multiplicar a descendência de Abraão, dar-lhe uma terra e abençoar por meio dela todas as famílias da terra. Ao ouvir o clamor de Israel e lembrar-se da aliança, Deus está iniciando a fase de intervenção direta para libertar o povo e avançar no cumprimento dessas promessas.

Por que Moisés escolheu o nome Gérson para seu filho?

Moisés explica o nome de seu filho dizendo: "Peregrino fui em terra estranha". Gérson está ligado à ideia de estrangeiro, alguém que vive fora de sua terra de origem. O nome reflete o sentimento de Moisés em Midiã: embora acolhido, casado e com família, ele ainda é alguém em trânsito, sem ter encontrado, em sentido pleno, o lugar de pertencimento. O nome do filho se torna um lembrete contínuo de sua condição de peregrino.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Coração

Êxodo 2 é uma narrativa cheia de fragilidade humana: uma mãe que tenta proteger o filho em segredo, uma irmã que observa de longe, um bebê chorando num cesto sobre as águas, um povo inteiro suspirando sob opressão. O texto não esconde o medo, a ameaça, a injustiça. Isso já é um consolo: a dor não é apagada da história de Deus com seu povo. Há um cuidado muito terno na forma como Deus age. Ele não aparece com grandes sinais ainda, mas usa gestos de compaixão e coragem: a ousadia da mãe, a prontidão da irmã, o coração tocado da filha de Faraó. A vida de Moisés é guardada passo a passo, como se cada detalhe fosse cuidadosamente alinhado para que o menino sobrevivesse. Isso mostra que, mesmo quando tudo parece frágil demais, não se está solto ao acaso. Moisés também vive um turbilhão interno: sente indignação com a injustiça, mas reage do jeito errado, e depois precisa fugir, carregando medo e culpa. O texto não o idealiza; mostra um futuro líder cheio de conflitos, dizendo mais adiante, por meio do nome de seu filho, que se sente peregrino, deslocado. Isso lembra que Deus conhece bem os corações confusos, as histórias marcadas por erros e fugas, e ainda assim insiste em escrever algo novo a partir daí. No final, quando o povo suspira e clama sob a servidão, o texto repete que Deus ouviu, lembrou-se, viu, atentou. Não há promessas fáceis, nem respostas instantâneas. Há um Deus que acolhe o gemido, que leva a sério o cansaço prolongado. A esperança aqui não se baseia em negar a dor, mas em saber que a dor não fica perdida no vazio: ela chega aos ouvidos de um Deus que cuida e não esquece sua aliança.

Mind
Mente

Êxodo 2 aproxima dois grandes eixos: a história individual de Moisés e o drama coletivo de Israel. Literariamente, o capítulo constrói uma ponte entre a opressão descrita em Êxodo 1 e a vocação de Moisés que será detalhada em Êxodo 3. O nascimento e a preservação de Moisés em contexto de genocídio reforçam a ideia de que ele é um instrumento específico da providência divina, preparado desde o início para a missão de libertar o povo. Alguns elementos merecem atenção. A "arca" de juncos (termo que também aparece em Gênesis 6–9 para a arca de Noé, em outra forma na língua original) é um detalhe intencional: as águas que significam morte se tornam, pela intervenção divina, meio de preservação. A filha de Faraó, representante da casa do opressor, torna-se instrumento de salvação. E a irmã de Moisés, com uma fala simples e estratégica, garante que a própria mãe possa amamentar e criar o menino, sendo inclusive recompensada por isso. Moisés adulto encarna uma tensão identitária: criado como egípcio, mas ciente de seus laços hebreus, ele se solidariza com os oprimidos. Sua intervenção violenta, no entanto, não é descrita como ato legítimo de justiça divina, mas como homicídio, seguido de medo, tentativa de ocultação e fuga. A reação dos hebreus, que questionam sua autoridade e mencionam o egípcio morto, mostra que ele ainda não é reconhecido como líder. Midiã entra em cena como novo cenário formativo. O encontro junto ao poço segue um padrão narrativo conhecido no Antigo Testamento, em que poços são lugares de encontro e aliança (como nos relatos de Rebeca e Raquel em Gênesis). O sogro de Moisés é identificado aqui como Reuel, mas em outros trechos como Jetro, o que sugere múltiplos nomes ou títulos para a mesma figura. O casamento com Zípora e o nascimento de Gérson indicam que Moisés se estabelece, mas não sem a consciência de ser estrangeiro. Os versículos finais deslocam o foco da biografia de Moisés para a perspectiva de Deus sobre Israel. A sequência de verbos aplicada a Deus – ouvir, lembrar-se, ver, atentar – é teologicamente densa. "Lembrar-se" da aliança com Abraão, Isaque e Jacó implica dar início a uma fase histórica nova, na qual as promessas patriarcais começam a se cumprir de forma mais visível. Assim, Êxodo 2 prepara o leitor para compreender o chamado de Moisés, não como iniciativa isolada, mas como desdobramento lógico da fidelidade de Deus à aliança.

Life
Vida

Êxodo 2 coloca em cena situações muito parecidas com as encruzilhadas da vida prática: decisões urgentes numa realidade injusta, conflitos de identidade, erros graves, recomeços forçados e a necessidade de reorganizar a própria história em outro lugar. Os pais de Moisés enfrentam um sistema que ameaça o filho. Eles não têm poder político, mas fazem o que está ao alcance: escondem, protegem, planejam. Quando não conseguem mais manter o bebê em casa, agem com criatividade e coragem, elaborando a pequena arca e contando com a vigilância da irmã. Isso mostra que, mesmo em contextos de grande limitação, ainda é possível discernir ações concretas de cuidado e proteção. A postura da irmã de Moisés é um exemplo de presença ativa: ela observa de longe, sem poder controlar tudo, mas pronta para agir quando surge a oportunidade. Sua proposta à filha de Faraó é rápida, objetiva e sábia. Em muitos cenários familiares e comunitários, a diferença entre ser espectador passivo e observador atento é justamente essa prontidão para intervir de forma respeitosa e estratégica. Moisés, mais tarde, vive o peso de decisões mal tomadas. Seu desejo de defender o hebreu o leva ao homicídio do egípcio, e a consequência é a fuga. A narrativa não esconde esse fracasso, nem o fim de sua posição privilegiada. Porém, ela mostra que, na terra de Midiã, há espaço para reconstrução: ele trabalha, protege pessoas vulneráveis (as filhas de Reuel), constrói uma nova família e aprende uma outra forma de liderança, mais próxima do cuidado diário do rebanho do que do poder da corte. O nome Gérson, ligado à experiência de ser peregrino em terra estranha, é quase um resumo de vida em trânsito: mudar de cidade, de trabalho, de círculo social, e precisar reencontrar seu lugar. Em vez de negar essa condição, Moisés a nomeia. Reconhecer a própria fase – de mudança, recomeço, adaptação – ajuda a ajustar expectativas, buscar apoio e construir rotinas novas sem se cobrar a estabilidade imediata que a situação não permite. Enquanto isso, o povo inteiro geme e clama por causa da servidão. O texto mostra que há momentos em que a atitude mais prática é perseverar em levar a dor a Deus, mesmo sem ver solução rápida. A história continua mostrando que a libertação não foi instantânea, mas começou a se mover quando ninguém via: numa criança salva do rio, num fugitivo sentado à beira de um poço, numa família acolhendo alguém de fora. A prática da fidelidade no pequeno, em meio à pressão, é parte do caminho de transformação que muitas vezes só vai ficar claro bem mais adiante.

Soul
Alma

Êxodo 2 abre uma janela para a forma como Deus conduz processos espirituais longos, para além do que se percebe na superfície. Enquanto o Egito representa um sistema de opressão consolidado, Deus começa sua resposta salvadora em lugares improváveis: no interior de uma casa levita, às margens de um rio, à beira de um poço em Midiã. A preservação de Moisés desde o berço indica uma vocação que antecede a consciência do próprio chamado. Antes que ele conheça o Deus de seus pais, sua vida já é guardada de maneira intencional. Isso reflete um princípio espiritual: há cuidados e preparações de Deus que acontecem muito antes de alguém perceber que está sendo conduzido. A história pessoal, com seus riscos e livramentos, muitas vezes revela, em retrospecto, um fio de propósito que não era visível na hora. O exílio de Moisés em Midiã, longe do povo e da corte, pode ser lido como capítulo de aparente silêncio, mas espiritualmente é uma escola. Ali ele aprende a ser peregrino, a viver como estrangeiro. Na espiritualidade bíblica, a consciência de ser peregrino é fundamental: relativiza a segurança dos palácios, evita que a identidade se confunda com poder e abre espaço para uma obediência mais livre à voz de Deus. O deserto, que parece atraso, torna-se lugar de aprofundamento. Há também uma pedagogia divina na forma como a dor de Israel é narrada. O texto sublinha que Deus ouve o gemido, lembra-se da aliança, vê e atenta. Não é apenas consolo individual; é um movimento da história da salvação. O clamor do povo e a fidelidade de Deus à sua aliança convergem: a resposta de Deus não será apenas alívio de sofrimento, mas libertação que recoloca o povo no caminho do propósito para o qual foi chamado. Assim, Êxodo 2 convida a uma espiritualidade que sustenta a tensão entre sofrimento e esperança. O sofrimento não é romantizado nem explicado em detalhes, mas colocado diante de Deus. A esperança não é otimismo ingênuo, mas confiança na aliança e no caráter de Deus, que permanece fiel mesmo quando parece silencioso. O capítulo prepara o coração para perceber que Deus age em processos, tecendo no escondido aquilo que mais tarde será reconhecido como libertação e chamado.

IA crista companheira

Pronto para aplicar Êxodo 5? Receba orientacao personalizada

Junte-se a milhares de pessoas aprofundando sua compreensao das Escrituras com planos de estudo personalizados, aplicacoes de versiculos e reflexoes guiadas.

1 Sua pergunta arrow_forward 2 Correspondencia biblica arrow_forward 3 Aplicacao guiada

✓ Sem cartao de credito • ✓ Seus dados ficam privados • ✓ 60 creditos gratis

Versiculos em Êxodo 5

Êxodo 5:1

" Ouvi isto, ó sacerdotes, e escutai, ó casa de Israel, e dai ouvidos, ó casa do rei, porque contra vós se dirige este juízo, visto que fostes um laço para Mizpá, e rede estendida sobre o Tabor. "

Êxodo 5:3

" Eu conheço a Efraim, e Israel não se esconde de mim; porque agora te tens prostituído, ó Efraim, e Israel se contaminou. "

Êxodo 5:4

" Não querem ordenar as suas ações a fim de voltarem para o seu Deus, porque o espírito das prostituições está no meio deles, e não conhecem ao Senhor. "

Êxodo 5:5

" A soberba de Israel testificará no seu rosto; e Israel e Efraim cairão pela sua injustiça, e Judá cairá juntamente com eles. "

Êxodo 5:6

" Então irão com os seus rebanhos, e com o seu gado, para buscarem ao Senhor, mas não o acharão; ele se retirou deles. "

Êxodo 5:7

" Aleivosamente se houveram contra o Senhor, porque geraram filhos estranhos; agora em um só mês os consumirá com as suas porções. "

Êxodo 5:8

" Tocai a buzina em Gibeá, a trombeta em Ramá; gritai altamente em Bete-Áven; depois de ti, ó Benjamim. "

Êxodo 5:9

" Efraim será para assolação no dia do castigo; entre as tribos de Israel manifestei o que está certo. "

Êxodo 5:10

" Os príncipes de Judá são como os que mudam os limites; derramarei, pois, o meu furor sobre eles como água. "

Êxodo 5:13

" Quando Efraim viu a sua enfermidade, e Judá a sua chaga, subiu Efraim à Assíria e enviou ao rei Jarebe; mas ele não poderá sarar-vos, nem curar a vossa chaga. "

Êxodo 5:14

" Porque para Efraim serei como um leão, e como um leãozinho à casa de Judá: eu, eu o despedaçarei, e irme-ei embora; arrebatarei, e não haverá quem livre. "

Êxodo 5:15

" Irei e voltarei ao meu lugar, até que se reconheçam culpados e busquem a minha face; estando eles angustiados, de madrugada me buscarão. "

auto_awesome

Estudo do capitulo por email

Receba 7 dias de reflexoes de Êxodo 5

Receba Escritura, oracao e um proximo passo simples conectado a este capitulo.

Gratis. Cancele quando quiser. Nunca compartilhamos seu email.
Junte-se a 4 pessoas crescendo na fe diariamente.

Aviso importante: Esta orientacao biblica nao substitui cuidados profissionais de saude mental. Se voce estiver com sintomas de crise, ligue 188 (CVV) no Brasil, 988 nos EUA, ou procure ajuda profissional imediata.