Esdras 8 - Significado, temas e aplicacao

Entenda os temas principais e aplique Esdras 8 na sua vida hoje

36 versiculos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que e Esdras 8?

Esdras 8 descreve a segunda caravana de exilados que retorna da Babilônia a Jerusalém sob a liderança de Esdras, durante o reinado de Artaxerxes. O capítulo apresenta a lista dos chefes de famílias, a busca intencional por levitas para o serviço no templo, um jejum público de humilhação e dependência de Deus, a entrega responsável dos tesouros destinados à casa do Senhor e a chegada segura a Jerusalém, culminando em sacrifícios e no reconhecimento oficial da missão perante as autoridades persas.

Temas principais em Esdras 8

Deus guia e protege os que o buscam (versiculos Esdras 8:21-23,31-32)

Esdras e o povo reconhecem que a viagem até Jerusalém é perigosa e, em vez de confiar na proteção militar, escolhem confiar plenamente no cuidado de Deus. Jejum e oração precedem a jornada, e depois o livramento é atribuído claramente à mão do Senhor.

Versiculos-chave: 21, 22, 23, 31

Santidade e responsabilidade na administração dos recursos sagrados (versiculos Esdras 8:24-30,33-34)

A prata, o ouro e os utensílios oferecidos para a casa de Deus são cuidadosamente pesados, confiados a homens santos e novamente conferidos em Jerusalém. Essa atitude revela a seriedade com que se tratava o que era dedicado ao Senhor e a importância da transparência.

Versiculos-chave: 28, 29, 34

Chamado ao serviço e importância dos levitas (versiculos Esdras 8:15-20)

Ao perceber a ausência de levitas no grupo, Esdras toma medidas concretas para convocá-los. A resposta positiva, vista como resultado da boa mão de Deus, reforça a centralidade do ministério levítico no culto e na vida do povo.

Versiculos-chave: 15, 18, 20

Humilhação, jejum e dependência de Deus (versiculos Esdras 8:21-23)

O jejum junto ao rio Aava é um ato coletivo de humilhação e busca por direção. O povo reconhece a incapacidade de se proteger sozinho, clama por um caminho seguro para si, seus filhos e seus bens, e experimenta resposta às orações.

Versiculos-chave: 21, 23

Restauração do culto e unidade de Israel (versiculos Esdras 8:35-36)

Ao chegar a Jerusalém, os exilados oferecem sacrifícios representando todo o Israel, simbolizando a restauração não apenas física, mas espiritual e nacional do povo diante de Deus.

Versiculos-chave: 35

Contexto historico e literario

Esdras 8 situa-se no período pós-exílico, durante o império persa, sob o reinado de Artaxerxes. Depois do primeiro retorno liderado por Zorobabel e Jesua, décadas antes, agora uma nova leva de exilados retorna com Esdras, escriba e sacerdote. O rei persa havia concedido autorização, recursos e garantias para a viagem, além de ofertas para o templo de Jerusalém.

A viagem da Babilônia a Jerusalém era longa e perigosa, sujeita a ataques e emboscadas, especialmente para um grande grupo carregando tesouros. Nesse contexto, pedir ou não escolta militar tinha também um peso teológico e testemunhal diante do rei. Os levitas eram responsáveis pelo serviço auxiliar no templo, e a ausência deles no início da caravana evidenciava um desafio para a reestruturação adequada do culto em Jerusalém. A menção de sátrapas e governadores além do rio indica a organização administrativa persa na província onde Judá estava inserida (a região de “Além do Rio”, a oeste do Eufrates).

Estrutura de Esdras 8

O capítulo apresenta uma estrutura narrativa organizada e progressiva:

  1. Lista dos chefes de famílias que retornam (8:1-14)

    • Introdução: quem subiu com Esdras no reinado de Artaxerxes (8:1)
    • Relação dos principais chefes de casas paternas e o número de homens em cada grupo (8:2-14)
  2. Reunião no rio Aava e busca por levitas (8:15-20)

    • Acampamento e constatação da ausência de levitas (8:15)
    • Envio de representantes a Ido, em Casifia (8:16-17)
    • Resposta: chegada de levitas e servidores do templo, atribuída à boa mão de Deus (8:18-20)
  3. Jejum, humilhação e confiança na proteção divina (8:21-23)

    • Proclamação do jejum e motivo: pedir caminho seguro (8:21)
    • Razão para não pedir exército ao rei: coerência com o testemunho dado (8:22)
    • Resultado: Deus se move pelas orações (8:23)
  4. Entrega e guarda dos tesouros sagrados (8:24-30)

    • Seleção de chefes sacerdotais (8:24)
    • Peso da prata, do ouro e dos vasos (8:25-27)
    • Declaração de santidade do povo e dos utensílios, e ordem de vigilância (8:28-29)
    • Aceite dos sacerdotes e levitas (8:30)
  5. Viagem, chegada e conferência dos tesouros (8:31-34)

    • Partida do rio Aava e proteção divina contra inimigos e ciladas (8:31)
    • Chegada a Jerusalém e descanso (8:32)
    • Pesagem e registro formal dos tesouros na casa de Deus (8:33-34)
  6. Sacrifícios e confirmação oficial da missão (8:35-36)

    • Ofertas de holocaustos e sacrifício pelo pecado em favor de todo o Israel (8:35)
    • Entrega das ordens do rei aos governadores e ajuda ao povo e à casa de Deus (8:36)

Significado teologico

Esdras 8 reforça a compreensão de que Deus é o verdadeiro protetor e guia do seu povo. A recusa deliberada de Esdras em pedir proteção militar ao rei, por causa do testemunho já dado acerca da mão de Deus, evidencia a tensão entre usar meios humanos e confiar explicitamente no Senhor. A resposta divina ao jejum e à oração mostra que a caminhada do povo de Deus é sustentada pela dependência e pela fé, não apenas por recursos políticos ou militares.

O capítulo aprofunda também a teologia da santidade. Esdras declara que os sacerdotes e levitas são santos ao Senhor, assim como os utensílios e recursos dedicados a Ele. Isso ressalta que pessoas, objetos e ofertas, quando consagrados a Deus, pertencem a uma esfera de uso exclusivamente sagrado e exigem administração cuidadosa e honesta. A transparência na pesagem, guarda e conferência dos tesouros revela um compromisso ético com a integridade diante de Deus e diante das pessoas.

A presença dos levitas e servidores do templo, providenciada pela “boa mão de Deus”, destaca a centralidade do culto organizado na identidade de Israel. O retorno do exílio não é apenas um movimento geográfico ou político, mas uma restauração espiritual: o povo volta para se reorganizar em torno do templo, da adoração e da obediência à lei do Senhor. Os sacrifícios oferecidos em favor de todo o Israel realçam a unidade do povo da aliança, ainda que muitos continuassem espalhados.

Por fim, a cooperação entre o povo de Deus e as autoridades persas, com as ordens do rei sendo cumpridas pelos sátrapas e governadores, revela como o Senhor pode usar estruturas de poder humano para favorecer a sua obra. A soberania divina se manifesta por meio de instrumentos aparentemente seculares, sem que isso diminua a necessidade de fé, oração e santidade por parte do povo.

Aplicacao restauradora e de saude mental

A narrativa de Esdras 8 oferece uma visão reconfortante sobre tempos de transição, incerteza e responsabilidade pesada. O povo se encontra em deslocamento, atravessando um caminho perigoso, carregando algo valioso e enfrentando riscos reais de ataques e ciladas. Em vez de negar o perigo, Esdras conduz o grupo a um movimento coletivo de humilhação, jejum e busca por direção, reconhecendo limitações e dependência do cuidado divino.

Para experiências humanas de ansiedade, medo do futuro e sensação de vulnerabilidade, este texto apresenta um padrão de enfrentamento: parar, avaliar a realidade, reconhecer o que falta (no caso, os levitas), tomar decisões concretas, buscar ajuda adequada e colocar tudo isso sob a luz da oração e da confiança em Deus. A ênfase na “boa mão de Deus” comunicando proteção ao longo do caminho traz consolo para quem se sente exposto ou sobrecarregado.

O cuidado ético com os recursos sagrados, com pesagem, guarda e prestação de contas, também dialoga com o peso emocional de quem carrega grandes responsabilidades materiais ou espirituais. A mensagem implícita é que a fidelidade, a transparência e a consciência de que tudo pertence a Deus aliviam a carga, porque o foco deixa de ser o controle absoluto e passa a ser a boa administração de algo confiado pelo Senhor.

A chegada a Jerusalém, o descanso de três dias e os sacrifícios oferecidos ilustram a importância de pausas, de ritos significativos e de momentos de gratidão após períodos de tensão. Esses elementos funcionam como marcos emocionais de fechamento de ciclos e de reconhecimento de que a jornada, com seus riscos, foi sustentada por um cuidado maior.

warning Importante: maus usos comuns

Algumas leituras podem gerar tensões internas. A decisão de Esdras de não pedir proteção ao rei, por vergonha de contrariar o testemunho que tinha dado, pode ser interpretada de forma rígida, levando algumas pessoas a descartarem qualquer forma de ajuda humana ou profissional em momentos de perigo, o que pode resultar em negligência com a própria segurança. O texto apresenta um caso específico, ligado ao contexto de testemunho diante de um rei, e não um modelo absoluto para todas as situações.

A linguagem de ira e juízo sobre os que “deixam” o Senhor pode tocar em feridas de quem já viveu experiências espirituais marcadas por medo excessivo, culpa intensa ou legalismo. Em pessoas com histórias de abuso religioso, essa ênfase pode reacender sentimentos de terror diante de Deus ou de incapacidade de corresponder às expectativas espirituais.

O foco na santidade e na responsabilidade com os tesouros consagrados pode, em alguns casos, alimentar perfeccionismo espiritual ou sensação de que qualquer falha administrativa resulta em condenação divina imediata. Em pessoas com tendência a autocondenação, isso pode intensificar a ansiedade.

Em cenários de sofrimento emocional intenso, a referência ao jejum como prática de humilhação pode ser mal compreendida por indivíduos vulneráveis a distúrbios alimentares ou a práticas autodestrutivas, se for desconectada do contexto bíblico de esperança, oração e cuidado comunitário.

Aplicacao pratica para hoje

Esdras 8 sugere práticas concretas para a vida diária. Em tempos de transição importante — mudanças de cidade, trabalho, relacionamentos ou fases da vida —, é relevante parar para organizar pessoas, responsabilidades e recursos, como Esdras faz ao reunir e contar o povo e os tesouros. Reconhecer o que falta e buscar apoio adequado, como a procura ativa por levitas, inspira a identificar competências necessárias e incluir outros na missão, ao invés de tentar fazer tudo sozinho.

A proclamação do jejum e da oração conjunta indica o valor de enfrentar decisões e perigos com uma postura de dependência de Deus. Isso pode se traduzir hoje em períodos intencionais de oração, reflexão, talvez abstenção de algo legítimo por um tempo, para direcionar o coração e a mente a buscar orientação e proteção do Senhor.

O cuidado com a administração dos recursos dedicados a Deus inspira transparência, prestação de contas e integridade, tanto em finanças pessoais quanto em responsabilidades na igreja ou em outras instituições. Estabelecer processos claros, registrar, conferir e dividir responsabilidades, como Esdras faz ao pesar e confiar os tesouros a vários líderes, protege a reputação e reduz a tentação.

A consciência de que a “boa mão de Deus” acompanha o caminho convida a perceber a presença de Deus na rotina: em livramentos discretos, em soluções inesperadas, na cooperação de autoridades e pessoas de fora da fé. Cultivar momentos de gratidão e celebração após períodos de tensão, assim como os sacrifícios oferecidos em Jerusalém, ajuda a encerrar ciclos, reconhecer a fidelidade divina e fortalecer a esperança para novos passos.

Perguntas frequentes

Quem são as pessoas listadas no início de Esdras 8?

Os versículos 1 a 14 apresentam os chefes das casas paternas e a genealogia daqueles que subiram com Esdras da Babilônia para Jerusalém, durante o reinado de Artaxerxes. São líderes de famílias de diferentes clãs, com o número de homens que os acompanhavam. Essa lista mostra que o retorno não foi um deslocamento individual, mas um movimento organizado de núcleos familiares representando o povo de Israel.

Por que Esdras se preocupou em encontrar levitas para a caravana?

Ao reunir o povo junto ao rio que corre para Aava, Esdras percebeu que não havia levitas entre os que estavam prontos para viajar (8:15). Como os levitas tinham um papel específico no serviço do templo, na adoração e no apoio aos sacerdotes, sua ausência comprometeria a restauração plena do culto em Jerusalém. Por isso, Esdras envia homens capazes a Ido, em Casifia, para chamar levitas e servidores do templo. A chegada deles é vista como resultado da boa mão de Deus (8:18-20).

Qual foi o objetivo do jejum junto ao rio Aava?

O jejum foi proclamado para que o povo se humilhasse diante de Deus e pedisse um caminho seguro para si, para seus filhos e para todos os seus bens (8:21). Além disso, Esdras havia declarado ao rei que a mão de Deus é favorável aos que o buscam, e por isso considerou inadequado pedir proteção militar. O jejum expressou dependência real do Senhor e foi acompanhado por oração, à qual Deus respondeu (8:23).

Por que Esdras não pediu exército e cavaleiros ao rei?

Esdras afirma que teve vergonha de pedir exército e cavaleiros para proteção porque já tinha dito ao rei que a mão de Deus está sobre todos os que o buscam, e que o poder e a ira do Senhor são contra os que o abandonam (8:22). Pedir escolta poderia parecer incoerente com esse testemunho. Assim, ele escolhe confiar de modo explícito na proteção divina e expressar essa confiança por meio do jejum e da oração. O texto ressalta que Deus, de fato, os guardou dos inimigos e das ciladas pelo caminho (8:31).

Como foram tratados a prata, o ouro e os utensílios dedicados à casa de Deus?

Esdras separa doze chefes de sacerdotes e, diante deles, pesa a prata, o ouro e os vasos que haviam sido ofertados pelo rei, seus conselheiros, príncipes e por todo Israel presente (8:24-25). Ele declara que tanto os homens quanto os utensílios são santos ao Senhor e ordena que vigiem e guardem tudo até que seja novamente pesado em Jerusalém, na presença das autoridades religiosas (8:28-29). Ao chegar, tudo é conferido, pesado e registrado na casa de Deus (8:33-34). Isso demonstra cuidado, reverência e transparência na administração desses bens sagrados.

O que significam os sacrifícios mencionados em Esdras 8:35?

Os exilados que voltaram do cativeiro oferecem holocaustos ao Deus de Israel: doze novilhos por todo o Israel, noventa e seis carneiros, setenta e sete cordeiros e doze bodes em sacrifício pelo pecado, todos em holocausto ao Senhor. Os doze novilhos e os doze bodes simbolizam as doze tribos de Israel, indicando que o povo se vê novamente como uma unidade diante de Deus. Esses sacrifícios expressam consagração total (holocausto), pedido de perdão (sacrifício pelo pecado) e gratidão pela proteção e pela restauração.

Qual o papel das autoridades persas no final do capítulo?

No versículo 36, Esdras e o grupo entregam as ordens do rei aos sátrapas e aos governadores “dalém do rio”, isto é, da província do império que incluía Judá. Essas autoridades respondem ajudando o povo e a casa de Deus. Isso mostra que a restauração em Jerusalém não acontecia isoladamente, mas dentro de uma estrutura política maior, e que Deus estava usando até mesmo o poder imperial persa para favorecer a reconstrução e o culto em sua casa.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Esdras 8 retrata um povo em movimento, deixando para trás a terra do cativeiro e caminhando rumo a um recomeço. Há perigos no caminho, responsabilidades pesadas, incertezas quanto ao futuro. No meio disso, aparece um gesto profundamente humano e sensível: parar à beira do rio, olhar para a realidade e reconhecer a necessidade de ajuda que vem de Deus. A humilhação em jejum e oração não é um castigo, mas uma forma de entregar o medo, a angústia e a vulnerabilidade nas mãos de um Deus que vê, ouve e responde. Quando o texto diz que Deus se moveu pelas orações, comunica que essa caminhada não foi ignorada pelo céu; havia olhos atentos acompanhando cada passo. Para corações cansados, essa imagem traz consolo: nenhuma travessia difícil é desconsiderada por Deus. Chama atenção também o cuidado de Esdras em não deixar ninguém caminhar sobrecarregado sozinho. Ele compartilha responsabilidades, escolhe pessoas para cuidar dos tesouros, chama levitas e servidores. Isso mostra que, mesmo quando a missão é pesada, não é necessário suportá-la de forma isolada. A história aponta para um Deus que não apenas protege do perigo externo, mas que também inspira formas saudáveis de repartir pesos internos e externos. A chegada a Jerusalém, o descanso de três dias e os sacrifícios de gratidão formam um quadro de alívio após o tempo de tensão. Há espaço para respirar, agradecer, reconhecer o cuidado divino. Em jornadas emocionais longas, esse capítulo lembra que o caminho não é só esforço; também inclui pausas de descanso, expressão de gratidão e a certeza de que a mão de Deus pode sustentar mesmo quando o coração se sente frágil.

Mind
Mind

Esdras 8 é um texto rico em detalhes que revelam a preocupação do autor com história, genealogia, teologia e prática comunitária. A lista inicial de chefes de famílias não é mero formalismo: ela reafirma a continuidade de Israel como povo da aliança, mesmo após o exílio. Ao registrar clãs, nomes e números, o texto inscreve essa segunda leva de repatriados na memória coletiva, mostrando que a restauração não é abstrata, mas composta por pessoas reais e linhagens específicas. A ausência de levitas é um dado teológico importante. O culto no templo exigia a presença deles em funções determinadas pela lei. A iniciativa de Esdras em enviar homens entendidos a Ido, em Casifia, demonstra liderança responsável e conhecimento da estrutura cultual instituída anteriormente. A expressão “segundo a boa mão de Deus sobre nós” interpreta a chegada dos levitas como ação providencial, unindo história concreta e leitura teológica. O jejum à beira do rio Aava situa-se no campo das práticas religiosas do pós-exílio, em que o povo, consciente da disciplina de Deus no exílio, valoriza mais intensamente a obediência e a dependência. Esdras articula, diante do rei, uma confissão de fé: a mão de Deus é favorável aos que o buscam e sua ira se volta contra os que o deixam. Essa confissão molda a decisão de não recorrer a proteção militar. O episódio se torna um teste de coerência entre teologia professada e prática. A administração da prata, do ouro e dos utensílios mostra uma preocupação com santidade, ordem e accountability. A pesagem antes e depois da viagem, a presença de vários sacerdotes e levitas, e o registro formal dos pesos funcionam como mecanismo de transparência e prevenção de abusos, algo especialmente relevante em tempos de reconstrução nacional. A declaração “Vós sois santos ao Senhor” insere tanto pessoas quanto objetos dentro da categoria do sagrado, o que eleva o padrão ético da gestão. Por fim, os sacrifícios oferecidos “por todo o Israel” e a entrega das ordens do rei às autoridades regionais ilustram duas dimensões simultâneas: a reconstrução da identidade religiosa de Israel e a articulação política com o império persa. Deus é apresentado como soberano, mas age por meio de canais históricos concretos, como o favor de Artaxerxes e a cooperação de sátrapas e governadores.

Life
Life

Esdras 8 oferece um quadro muito prático de gestão de pessoas, recursos e riscos em meio a mudanças grandes. Esdras começa organizando a caravana: sabe quem está com ele, quantos são, de que famílias vêm. Em qualquer contexto de liderança, isso se traduz em conhecer a equipe, entender capacidades e limitações, e não avançar de forma desinformada. Ao notar que não havia levitas, ele não ignora a falta; toma uma ação deliberada. Envia pessoas certas, dá instruções claras, define o que deve ser dito e o resultado esperado. Essa postura mostra a importância de enfrentar lacunas de modo proativo, chamando quem tem o perfil adequado para cada função, em vez de improvisar sem critério. A forma de lidar com os tesouros também é exemplar em termos de responsabilidade. Esdras distribui a responsabilidade entre vários líderes, pesa o que entrega, comunica claramente que se trata de algo santo e orienta que seja vigiado até a conferência em Jerusalém. Na prática, isso fala de processos bem definidos, prestação de contas, divisão de tarefas e consciência de que certos recursos — especialmente os que pertencem a Deus ou a uma comunidade — exigem cuidado redobrado. O jejum e a escolha de depender de Deus para proteção, em vez de confiar apenas em meios humanos, não anulam a necessidade de planejamento. Eles caminham juntos: há oração e há organização; há fé e há cuidado com os detalhes. Para a vida diária, isso pode ser visto na preparação cuidadosa para mudanças importantes, combinada com tempos intencionais de buscar direção, segurança e sabedoria na presença de Deus. A pausa de três dias ao chegar, seguida de sacrifícios e da entrega das ordens do rei, mostra que grandes etapas precisam de fechamento: descansar, reconhecer o que foi vivido, agradecer e formalizar o que precisa ser alinhado com autoridades e parceiros. Esse ciclo de planejar, caminhar, ser guardado, prestar contas e agradecer cria um padrão saudável para lidar com projetos, transições de carreira, mudanças familiares e outras jornadas complexas.

Soul
Soul

Em Esdras 8, a jornada da Babilônia a Jerusalém vai além de uma viagem geográfica; ela simboliza um movimento espiritual de retorno ao centro da vontade de Deus. O povo deixa a terra do cativeiro com a intenção de restaurar o culto, a obediência à lei e a identidade de nação da aliança. A ida ao encontro de Jerusalém, cidade do templo, aponta para a busca por um lugar de presença, adoração e comunhão com o Deus vivo. A decisão de depender da proteção divina, assumindo publicamente que a mão de Deus é favorável aos que o buscam, toca numa dimensão profunda da fé: a confiança no caráter de Deus em meio a riscos reais. Não se trata de presunção, mas de uma coerência entre o que se crê sobre o Senhor e a forma de caminhar no mundo. A resposta às orações evidencia que a história não é regida apenas por forças visíveis; há uma mão invisível guiando e guardando aqueles que se entregam à vontade de Deus. A ênfase na santidade — do povo, dos sacerdotes, dos levitas, dos utensílios, da prata e do ouro consagrados — revela uma visão na qual tudo o que é separado para Deus assume um valor distinto. Isso aponta para uma vida em que a própria existência se torna oferta, em que o cotidiano é vivido como algo colocado sobre o altar. A responsabilidade com o que pertence ao Senhor não é mero formalismo; é expressão de um coração que reconhece a grandeza e a dignade d’Aquele a quem tudo pertence. Os sacrifícios oferecidos “por todo o Israel” lembram que a restauração espiritual não é apenas individual. Há um povo sendo representado, uma unidade que transcende fronteiras e distâncias. Em perspectiva ampla, esse movimento de retorno, restauração de culto e busca de pureza antecipa a necessidade de uma reconciliação ainda mais profunda, na qual o próprio Deus provê o sacrifício perfeito para reunir e santificar o seu povo. Assim, Esdras 8 convida a perceber a vida como peregrinação: um caminho em que decisões, recursos, riscos e alianças são colocados diante do Senhor, com jejum, oração, confiança e responsabilidade. No centro dessa peregrinação está o desejo de viver para a glória de Deus, experimentando sua mão boa que guarda, conduz e restaura.

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Versiculos em Esdras 8

Esdras 8:1

" Estes, pois, são os chefes das casas paternas e esta a genealogia dos que subiram comigo de babilônia no reinado do rei Artaxerxes: "

Esdras 8:3

" Dos filhos de Secanias, e dos filhos de Parós, Zacarias, e com ele, segundo a genealogia, se contaram até cento e cinqüenta homens. "

Esdras 8:13

" E dos últimos filhos de Adonicão, cujos nomes eram estes: Elifelete, Jeiel e Semaías, e com eles sessenta homens. "

Esdras 8:15

" E ajuntei-os perto do rio que vai a Aava, e ficamos ali acampados três dias. Então atentei para o povo e para os sacerdotes, e não achei ali nenhum dos filhos de Levi. "

Esdras 8:16

" Enviei, pois, Eliezer, Ariel, Semaías, Elnatã, Jaribe, Elnatã, Natã, Zacarias e Mesulão, os chefes; como também a Joiaribe, e a Elnatã, que eram entendidos. "

Esdras 8:17

" E enviei-os com mandado a Ido, chefe em Casifia; e falei a eles o que deveriam dizer a Ido e aos seus irmãos, servidores do templo, em Casifia, que nos trouxessem ministros para a casa do nosso Deus. "

Esdras 8:18

" E trouxeram-nos, segundo a boa mão de Deus sobre nós, um homem entendido, dos filhos de Mali, filho de Levi, filho de Israel, a saber: Serebias, com os seus filhos e irmãos, dezoito; "

Esdras 8:20

" E dos servidores do templo que Davi e os príncipes deram para o ministério dos levitas, duzentos e vinte servidores do templo; que foram todos mencionados por seus nomes. "

Esdras 8:21

" Então apregoei ali um jejum junto ao rio Aava, para nos humilharmos diante da face de nosso Deus, para lhe pedirmos caminho seguro para nós, para nossos filhos e para todos os nossos bens. "

Esdras 8:22

" Porque tive vergonha de pedir ao rei exército e cavaleiros para nos defenderem do inimigo pelo caminho; porquanto tínhamos falado ao rei, dizendo: A mão do nosso Deus é sobre todos os que o buscam, para o bem deles; mas o seu poder e a sua ira contra todos os que o deixam. "

Esdras 8:25

" E pesei-lhes a prata, o ouro e os vasos; que eram a oferta para a casa de nosso Deus, que ofereceram o rei, os seus conselheiros, os seus príncipes e todo o Israel que ali se achou. "

Esdras 8:26

" E pesei em suas mãos seiscentos e cinqüenta talentos de prata, e em vasos de prata cem talentos, e cem talentos de ouro, "

Esdras 8:28

" E disse-lhes: Vós sois santos ao Senhor, e são santos estes utensílios, como também esta prata e este ouro, oferta voluntária, oferecida ao Senhor Deus de vossos pais. "

Esdras 8:29

" Vigiai, pois, e guardai-os até que os peseis na presença dos chefes dos sacerdotes e dos levitas, e dos chefes dos pais de Israel, em Jerusalém, nas câmaras da casa do Senhor. "

Esdras 8:30

" Então os sacerdotes e os levitas receberam o peso da prata, do ouro e dos utensílios, para os trazerem a Jerusalém, à casa de nosso Deus. "

Esdras 8:31

" E partimos do rio Aava, no dia doze do primeiro mês, para irmos a Jerusalém; e a mão do nosso Deus estava sobre nós, e livrou-nos da mão dos inimigos, e dos que nos armavam ciladas pelo caminho. "

Esdras 8:33

" E no quarto dia se pesou a prata, o ouro e os utensílios, na casa do nosso Deus, por mão de Meremote, filho do sacerdote Urias; e com ele Eleazar, filho de Finéias, e com eles Jozabade, filho de Jesuá, e Noadias, filho de Binui, levitas. "

Esdras 8:35

" E os exilados, que vieram do cativeiro, ofereceram holocaustos ao Deus de Israel: doze novilhos por todo o Israel, noventa e seis carneiros, setenta e sete cordeiros, e doze bodes em sacrifício pelo pecado; tudo em holocausto ao Senhor. "

Esdras 8:36

" Então deram as ordens do rei aos seus sátrapas, e aos governadores dalém do rio; e estes ajudaram o povo e a casa de Deus. "

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