Esdras 6:1
" Então o rei Dario deu ordem, e buscaram nos arquivos, onde se guardavam os tesouros em babilônia. "
Entenda os temas principais e aplique Esdras 6 na sua vida hoje
22 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
Ao pesquisar os arquivos, é encontrado o decreto de Ciro, e Dario o reafirma com autoridade ainda maior. A decisão de um rei passado é trazida à tona no tempo certo, mostrando que Deus dirige a história, a memória e até os documentos oficiais para cumprir seus propósitos.
Dario não apenas permite a reconstrução do templo; ele ordena que os inimigos anteriores se afastem e que os custos sejam pagos com tributos do império, incluindo ofertas diárias para o culto. O que antes era oposição torna-se canal de provisão, evidenciando a proteção de Deus sobre sua obra.
Depois da conclusão do templo, os sacerdotes e levitas são organizados segundo o que está escrito no livro de Moisés, ligando a nova fase do povo à antiga aliança. A estrutura de ministério, os sacrifícios e as festas são retomados de modo fiel à Escritura.
A dedicação do templo, a celebração da Páscoa e da festa dos pães ázimos marcam um tempo de alegria e restauração. Sacerdotes e levitas se purificam, o povo se separa da impureza dos gentios da terra e se volta a buscar o Senhor com alegria renovada.
Os sacrifícios de expiação são feitos por todo o Israel, segundo o número das doze tribos, mesmo que somente parte do povo tenha retornado. A identidade do povo de Deus é vista como uma só, enraizada na aliança, e não apenas nas circunstâncias políticas do momento.
Esdras 6 se passa no período pós-exílico, durante o reinado de Dario I da Pérsia (c. 522–486 a.C.). O povo judeu havia retornado de Babilônia sob o decreto de Ciro (c. 538 a.C.) para reconstruir o templo em Jerusalém. Contudo, a oposição local e as dificuldades políticas haviam interrompido a obra por anos. No capítulo anterior, Tatenai, governador da região além do Eufrates, questionou oficialmente a reconstrução e enviou um relatório a Dario, pedindo confirmação legal.
A resposta de Dario, narrada em Esdras 6, começa com a busca nos arquivos reais. Em Acmeta (Ecbátana), na Média, é encontrado o decreto original de Ciro, que autorizava explicitamente a reconstrução do templo, definia dimensões, materiais, financiamento e a devolução dos utensílios sagrados. Dario então ratifica e amplia esse decreto, determinando que a reconstrução seja não apenas permitida, mas financiada com os tributos da região, e protegida por sanções severas contra qualquer tentativa de invalidar o decreto.
O texto menciona também Artaxerxes (v. 14), indicando que a obra do templo e, possivelmente, as obras posteriores em Jerusalém se desenvolveram ao longo de mais de um reinado persa. A dedicação do templo acontece no sexto ano de Dario, por volta de 515 a.C., cerca de 70 anos após a destruição do templo por Nabucodonosor em 586 a.C. A celebração da Páscoa e da festa dos pães ázimos recoloca o povo na prática das festas da Lei, marcando uma nova etapa da vida comunitária e religiosa em Jerusalém.
Esdras 6 apresenta uma narrativa histórica organizada em blocos bem definidos:
Busca nos arquivos e descoberta do decreto de Ciro (6:1-5) – Descrição da ordem de Dario para pesquisar os registros, a localização do rolo em Acmeta e o conteúdo essencial do decreto de Ciro, incluindo a reconstrução do templo, suas dimensões, materiais e a devolução dos utensílios sagrados.
Novo decreto de Dario, confirmando e ampliando o de Ciro (6:6-12) – Dario se dirige diretamente a Tatenai, Setar-Bozenai e seus companheiros. Ele ordena que deixem a obra prosseguir, define o financiamento da reconstrução com tributos imperiais, garante provisão contínua para os sacrifícios e estabelece punições graves para quem tentar alterar o decreto, incluindo uma imprecação contra quaisquer reis ou povos que se oponham.
Obediência das autoridades persas e conclusão da obra (6:13-15) – Narra-se a pronta obediência de Tatenai e seus colegas, a continuidade da construção sob a influência da profecia de Ageu e Zacarias, e a conclusão do templo no sexto ano de Dario.
Dedicação do templo e organização do culto (6:16-18) – Descrição da celebração de dedicação, com sacrifícios específicos por todo o Israel e a organização dos sacerdotes e levitas em suas turmas, conforme o livro de Moisés.
Celebração da Páscoa e dos pães ázimos (6:19-22) – Relato da celebração da Páscoa pelos que voltaram do cativeiro, da purificação dos sacerdotes e levitas, da participação daqueles que se separaram da impureza dos gentios, e da alegria que o Senhor deu ao povo ao mudar o coração do rei a seu favor.
O estilo é direto e administrativo na citação do decreto real, e mais celebrativo e comunitário na seção da dedicação e das festas, o que reforça a transição de um foco político para um foco litúrgico e espiritual.
Esdras 6 destaca de forma marcante a soberania de Deus sobre a história e os poderes humanos. A descoberta providencial do decreto de Ciro e sua reafirmação por Dario mostram que decretos humanos podem ser ferramentas nas mãos de Deus para cumprir seu propósito. O texto enfatiza que o Senhor é chamado de "Deus dos céus" até pelos reis persas, indicando o reconhecimento da sua supremacia, ainda que parcial e dentro da visão pagã.
A provisão financeira do império para a obra do templo revela que Deus pode usar até estruturas políticas e econômicas seculares para sustentar a adoração verdadeira. O que era oposição se transforma em apoio institucional, sem que isso diminua a centralidade de Deus. Os sacrifícios oferecidos "para que orem pela vida do rei e de seus filhos" (v. 10) mostram uma interação entre fé e governo: o povo de Deus ora pelos governantes, enquanto Deus inclina o coração deles em favor do seu povo.
Teologicamente, a conclusão do templo e sua dedicação reafirmam a continuidade da aliança de Deus com Israel. As ofertas pela expiação do pecado "de todo o Israel" e segundo o número das doze tribos mostram que, mesmo após o exílio, Deus continua vendo seu povo como uma unidade ligada à promessa antiga. A referência ao "livro de Moisés" realça a autoridade da Torá como norma para o culto e a organização espiritual.
A celebração da Páscoa e da festa dos pães ázimos conecta a libertação do Egito com a libertação do cativeiro babilônico. A Páscoa torna-se um símbolo de que Deus é o mesmo que resgata, purifica e reconduz o povo à sua presença em todas as gerações. A menção de que o Senhor "mudou o coração do rei da Assíria" (um título usado aqui para o monarca persa, como herdeiro daquele império) reforça a ideia de que até os maiores impérios são subordinados ao plano divino.
O capítulo também ressalta a importância da pureza e da separação: sacerdotes e levitas se purificam "como se fossem um só homem", e comem a Páscoa aqueles que se apartam da imundícia dos gentios para buscar o Senhor. A restauração não é apenas física (templo), mas espiritual (coração, culto e identidade).
Esdras 6 pode ser lido como um relato de reconstrução após um período longo de dor, perda e frustração. O povo já havia experimentado oposição, paralisação da obra e incerteza sobre o futuro. O capítulo mostra que processos de restauração podem levar tempo, envolver idas e vindas, mas que não são esquecidos por Deus.
A confirmação do decreto de Ciro depois de uma busca minuciosa nos arquivos sugere que certas respostas demoradas não são sinais de abandono, e sim parte de um movimento maior. Em termos emocionais, isso pode ressoar com experiências em que a esperança parece perdida, mas, silenciosamente, mudanças estão sendo articuladas em esferas invisíveis.
A alegria na dedicação do templo e na celebração das festas aparece depois de anos de trabalho, pressão externa e necessidade de perseverança. O texto mostra que a alegria não vem apenas quando as circunstâncias melhores chegam, mas quando se enxerga que Deus esteve conduzindo o processo desde o início. O fato de Deus ter “mudado o coração do rei” também sugere que situações e pessoas aparentemente imovíveis podem, de repente, se tornar favoráveis.
O foco na purificação e na unidade dos sacerdotes e levitas, “como se fossem um só homem”, traz um elemento de cura comunitária. Não se trata só de indivíduos buscando soluções pessoais, mas de uma comunidade sendo restaurada em suas relações, em seu culto e em sua identidade compartilhada.
O capítulo destaca sacrifícios de expiação, punições severas e linguagem de julgamento contra quem mudar o decreto ou tentar destruir a casa de Deus. Em contextos de sofrimento emocional, isso pode ser lido de forma distorcida, alimentando medos de punição imediata ou uma visão rígida de Deus como apenas severo. Para alguns, especialmente pessoas com histórico de abuso espiritual, essa ênfase em maldição e enforcamento (v. 11-12) pode reativar memórias de opressão religiosa.
Outro ponto sensível é a linguagem de separação da “imundícia dos gentios” (v. 21), que pode ser usada de modo inadequado para justificar isolamento, preconceito ou rejeição de pessoas diferentes. É importante ler o texto dentro do seu contexto de pureza ritual e identidade religiosa do Israel pós-exílico, sem transferir diretamente essas categorias para situações atuais de forma discriminatória.
Também pode surgir uma tensão para quem se sente distante de prática religiosa organizada: o foco forte em culto, ritos e festas pode ser interpretado como obrigação pesada, em vez de um espaço de alegria e encontro com Deus, o que merece cuidado pastoral na aplicação.
Esdras 6 oferece diversas aplicações práticas para a vida diária. A atitude de Dario, que manda pesquisar os arquivos, lembra a importância de buscar fatos, registros e fundamentos antes de tomar decisões, evitando agir apenas por impressão ou pressão. Em contextos de conflito, isso aponta para a necessidade de processos justos e cuidadosos.
A postura de Tatenai e seus companheiros, que obedecem diligentemente ao decreto depois de esclarecida a situação, mostra um exemplo de submissão a autoridades legítimas e de disposição em ajustar comportamentos quando a verdade é conhecida. Em relações de trabalho, liderança ou administração, isso fala sobre integridade e capacidade de rever posicionamentos.
A perseverança dos anciãos dos judeus, que continuam edificando e prosperam “pela profecia do profeta Ageu e de Zacarias”, destaca o valor de ouvir palavras de encorajamento e correção espiritual em tempos de desânimo. A obra não avança apenas com recursos materiais, mas também com direção e consolo espirituais.
A dedicação do templo e a celebração das festas dão um lugar central à gratidão e à memória. Em termos práticos, há um convite à criação de marcos de celebração, recordando vitórias, livramentos e recomeços, em vez de apenas passar rapidamente para o próximo desafio.
O cuidado com a purificação e a separação da impureza aponta para a necessidade de examinar influências, hábitos e ambientes que contaminam valores e fé. Não se trata de isolamento social, mas de discernimento sobre o que enfraquece a integridade espiritual e moral. A unidade dos sacerdotes e levitas, agindo como “um só homem”, inspira cooperação, concordância em objetivos nobres e reconstrução conjunta, em vez de isolamento e rivalidade.
A obra do templo havia sido contestada por Tatenai e outros líderes regionais, que questionaram se os judeus tinham permissão real para reconstruir. Para decidir com justiça, Dario manda conferir nos registros oficiais se realmente existia um decreto anterior autorizando a obra. A descoberta do rolo em Acmeta confirma que Ciro havia determinado a reconstrução e a devolução dos utensílios do templo, dando base legal para Dario reafirmar e ampliar essa decisão. Isso mostra um procedimento administrativo cuidadoso e, ao mesmo tempo, a providência de Deus em preservar e trazer à luz aquele documento no tempo certo.
Dario decreta que as despesas da reconstrução e dos sacrifícios sejam pagas com recursos dos tributos da região além do rio. Isso tem um aspecto político e religioso. Politicamente, sustentar o templo favorece a lealdade dos judeus ao império; religiosamente, ele espera que os judeus orem “pela vida do rei e de seus filhos”. Espiritualmente, o texto mostra que Deus pode usar até recursos de um império estrangeiro para manter o culto verdadeiro, transformando antigos opositores em instrumentos de provisão.
Dario declara que qualquer pessoa que alterar o decreto terá um madeiro arrancado de sua casa, e será pendurado nele, e sua casa se tornará um monturo. Essa é uma forma de pena capital e confisco de propriedade, algo compatível com práticas severas de alguns reinos antigos. A linguagem demonstra a seriedade com que o rei trata o decreto e a proteção à obra do templo. O texto não prescreve esse tipo de punição para todos os tempos, mas registra uma sanção específica daquele contexto imperial, sublinhando a proteção divinamente concedida à reconstrução.
No versículo 22, o texto diz que o Senhor mudou o coração do “rei da Assíria” a favor deles. Essa expressão é entendida como uma maneira de se referir ao rei da Pérsia (no contexto, Dario) como sucessor dos antigos impérios da região, incluindo a Assíria. Em outras palavras, o título aponta para o domínio sobre os territórios outrora assírios. É uma forma de reconhecer que o mesmo Deus que antes julgou a Assíria agora é quem move o coração do governante que domina aquelas mesmas terras, mostrando sua soberania contínua sobre a história.
A celebração da Páscoa marca o retorno não apenas à terra, mas à identidade espiritual do povo. A Páscoa lembra o livramento do Egito, e agora é celebrada após o livramento do cativeiro babilônico. Os sacerdotes e levitas se purificam, e comem a Páscoa aqueles que se apartaram da impureza dos gentios e buscaram o Senhor. Assim, a festa se torna um símbolo de renovação da aliança, arrependimento, purificação e alegria pela restauração. Ela liga a nova geração que voltou do exílio às obras poderosas de Deus no passado.
Em Esdras 6 aparece um povo que já tinha enfrentado muita frustração: exílio, destruição, tentativa de recomeçar e, depois, oposição e paralisação. O capítulo mostra o momento em que aquilo que parecia travado começa a andar de novo, não por força deles, mas porque Deus move corações e circunstâncias. É tocante notar que, antes da alegria, veio um processo silencioso: a busca nos arquivos, a descoberta de um rolo esquecido, a confirmação de um decreto antigo. Nada disso era visível ao povo no dia a dia, mas, nos bastidores, Deus estava abrindo caminho. Para quem vive tempos de espera, essa imagem fala de um Deus que trabalha em lugares que não se veem, em corações distantes, em decisões que ainda não chegaram à superfície. A dedicação do templo é cheia de alegria. Não é uma alegria ingênua, mas a alegria de quem conhece a dor da perda e, ainda assim, testemunha a restauração. Sacerdotes e levitas se purificam “como se fossem um só homem”, e o povo se reúne para celebrar. Há um senso de unidade e de cura comunitária: a fé não é vivida isoladamente, e a restauração também não. O texto mostra que Deus não apenas reconstrói prédios, mas consola e fortalece um povo inteiro. Também chama atenção a expressão final: o Senhor os tinha alegrado e tinha mudado o coração do rei em favor deles. A alegria não é descrita como esforço humano, mas como algo dado por Deus. Em meio a histórias marcadas por tristeza, culpas e cansaço, há aqui um sinal de que o coração pode, sim, voltar a se alegrar de forma verdadeira. O capítulo lembra que, mesmo depois de longos períodos de escuridão, a história com Deus ainda pode ter capítulos de festa, comunhão e riso sincero.
Esdras 6 é um texto denso em termos históricos e teológicos. Do ponto de vista histórico-administrativo, vemos a prática persa de preservar decretos e registrar decisões em arquivos, muitas vezes em diferentes capitais sazonais, como Acmeta (Ecbátana). A menção de que o decreto de Ciro é encontrado nessa cidade reforça a credibilidade do relato e mostra o cuidado em ancorar a narrativa em processos burocráticos reais. O decreto de Ciro, citado em resumo, destaca elementos típicos das autorizações persas a povos subjugados: reconstrução de templos, devolução de objetos de culto e financiamento por parte do tesouro real. Os persas, diferentemente dos babilônios, tinham interesse em estabilizar regiões por meio da restauração de cultos locais, integrando-os ao seu domínio. Dario, ao reafirmar e até ampliar as determinações de Ciro, se coloca na linha de sucessão dessa política. A sanção extrema do versículo 11, apesar de dura, está em sintonia com o estilo jurídico de inscrições e decretos da época, que frequentemente incluíam ameaças e maldições a transgressores. Do ponto de vista literário, há uma alternância entre citações formais de decreto e narrativa histórica. Essa estrutura sublinha que a restauração do templo é, ao mesmo tempo, um fato jurídico-político e um ato teológico. A menção aos profetas Ageu e Zacarias (v. 14) integra a obra de Esdras com os livros proféticos correspondentes, onde se descreve o encorajamento profético durante a reconstrução. Isso demonstra um diálogo entre diferentes gêneros bíblicos e evidencia que o mesmo evento pode ser visto como cumprimento de oráculos proféticos e como resultado de decisões administrativas. Teologicamente, o capítulo reforça a ideia de que Deus conduz a história imperial em benefício do seu povo, sem se confundir com os impérios. O uso da expressão “Deus dos céus” ecoa uma fórmula comum no período persa para designar a divindade suprema, mas, em Esdras, aponta especificamente para o Deus de Israel. A referência às doze tribos, mesmo num contexto em que parte do povo permanece dispersa, mostra uma autoconsciência de continuidade com a antiga Israel pré-exílica. Por fim, a ênfase na conformidade com “o livro de Moisés” (v. 18) destaca o lugar da Torá como norma para o culto e a organização sacerdotal. O retorno do exílio não é apenas um retorno geográfico, mas um retorno às formas prescritas de adoração e vida comunitária que definem a identidade do povo da aliança.
A narrativa de Esdras 6 traz vários princípios práticos aplicáveis ao cotidiano. Quando Tatenai e os demais líderes regionais ficam em dúvida sobre a legalidade da reconstrução, eles não partem para a violência imediata, mas procuram esclarecimento oficial. Isso mostra um caminho de resolução de conflitos: buscar informação confiável, recorrer às instâncias adequadas e aguardar resposta. Em ambientes de trabalho, família ou comunidade, essa postura evita decisões impulsivas e injustas. O comportamento de Tatenai depois da resposta de Dario é igualmente instrutivo. Ele poderia resistir ou buscar subterfúgios, mas o texto diz que ele fez “diligentemente” conforme o decreto. Em termos práticos, isso é um exemplo de ajustamento rápido quando uma nova verdade, ordem ou decisão se torna clara. Em vez de alimentar ressentimento, ele colabora com o que foi determinado. Em contextos atuais, isso se traduz em aceitar correções, alinhar-se a orientações legítimas e trabalhar com integridade, mesmo quando a decisão não partiu de nós. Os líderes judeus, por sua vez, mostram perseverança e abertura à exortação espiritual. Eles edificam e prosperam “pela profecia de Ageu e Zacarias”, ou seja, recebem encorajamento e correção, em vez de lidarem sozinhos com o peso da obra. Para a vida prática, isso lembra a importância de ter vozes sábias e espiritualmente sensatas falando durante períodos de reconstrução (de carreira, família, finanças, reputação), e não tentar carregar tudo sozinho. A organização dos sacerdotes e levitas em suas divisões, segundo a Lei, aponta para ordem e clareza de papéis. Onde cada um sabe sua função e serve dentro de limites definidos, o trabalho flui melhor. Isso vale para equipes, ministérios, empresas e famílias: definir responsabilidades, honrar competências e manter uma estrutura mínimamente organizada. As festas de dedicação, Páscoa e pães ázimos mostram o valor de parar para celebrar. Após anos de esforço, o povo reserva tempo para agradecer, lembrar e se alegrar. Na vida moderna, em que conquistas rapidamente são esquecidas, há um chamado a marcar vitórias e recomeços com gratidão concreta: encontros, lembranças, celebrações que fortalecem vínculos e renovam o ânimo para os próximos desafios.
Esdras 6 coloca a reconstrução do templo no centro da experiência espiritual do povo, não como um simples projeto de construção, mas como parte de um movimento maior de Deus na história. O templo representa o lugar da presença, da adoração e da expiação. Sua restauração após o exílio sinaliza que a aliança não foi anulada, que Deus ainda deseja habitar no meio do seu povo e recebê-lo em adoração. A dedicação do templo com sacrifícios de expiação “por todo o Israel” ecoa a necessidade contínua de perdão e reconciliação. Historicamente, os sacrifícios apontavam para a santidade de Deus e a seriedade do pecado; espiritualmente, antecipam a obra completa de Cristo, o verdadeiro Cordeiro, que oferece expiação definitiva. Assim, este capítulo se conecta com a ideia de que toda reconstrução espiritual genuína passa pelo reconhecimento do pecado e pela confiança na provisão de Deus para o perdão. A Páscoa celebrada pelos que voltaram do cativeiro reconecta o povo com a narrativa maior da libertação: primeiro do Egito, agora de Babilônia. Essa repetição de padrões (saída, caminho, entrada, culto renovado) mostra que a história da salvação é feita de ciclos em que Deus tira do cativeiro e conduz à comunhão. Em termos de formação espiritual, há aqui um convite a ler a própria vida dentro da grande história de Deus: não apenas como uma sequência de eventos desconexos, mas como parte de um caminho em que Ele liberta, purifica e estabelece. O texto afirma que o Senhor “mudou o coração do rei” em favor deles. Isso amplia a visão da oração e da confiança: Deus não está limitado às circunstâncias imediatas nem aos poderes humanos. Ele pode agir em esferas que fogem completamente ao nosso controle, inclusive na vontade de governantes e estruturas. Para a alma, isso alimenta esperança e reverência: há um Deus que, mesmo quando parece ausente, está dirigindo o rumo da história na direção de seus propósitos eternos. Por fim, a ênfase na purificação dos sacerdotes e levitas, e na separação da impureza por parte do povo, aponta para uma espiritualidade que envolve escolha, renúncia e busca. Não basta voltar à terra; é necessário voltar ao Senhor. A restauração verdadeira não é apenas uma mudança de contexto externo, mas um realinhamento profundo com Deus, com sua vontade e com sua santidade. Nesse sentido, Esdras 6 lembra que reconstruções exteriores ganham sentido quando acompanham uma reconstrução interior que prepara a vida para ser, de novo, lugar da presença de Deus.
" Então o rei Dario deu ordem, e buscaram nos arquivos, onde se guardavam os tesouros em babilônia. "
" E em Acmeta, no palácio, que está na província de Média, se achou um rolo, e nele estava escrito um memorial que dizia assim: "
" No primeiro ano do rei Ciro, este baixou o seguinte decreto: A casa de Deus, em Jerusalém, se reedificará para lugar em que se ofereçam sacrifícios, e seus fundamentos serão firmes; a sua altura de sessenta côvados, e a sua largura de sessenta côvados; "
" Com três carreiras de grandes pedras, e uma carreira de madeira nova; e a despesa se fará da casa do rei. "
" Além disso, os utensílios de ouro e de prata da casa de Deus, que Nabucodonosor transportou do templo que estava em Jerusalém, e levou para babilônia, serão restituídos, para que voltem ao seu lugar, ao templo que está em Jerusalém, e serão postos na casa de Deus. "
" Agora, pois, Tatenai, governador dalém do rio, Setar-Bozenai, e os seus companheiros, os afarsaquitas, que habitais dalém do rio, apartai-vos dali. "
" Deixai que se faça a obra desta casa de Deus; que o governador dos judeus e os seus anciãos reedifiquem esta casa de Deus no seu lugar. "
" Também por mim se decreta o que haveis de fazer com os anciãos dos judeus, para a reedificação desta casa de Deus, a saber: que da fazenda do rei, dos tributos dalém do rio se pague prontamente a despesa a estes homens, para que não interrompam a obra. "
" E o que for necessário, como bezerros, carneiros, e cordeiros, para holocaustos ao Deus dos céus, trigo, sal, vinho e azeite, segundo o rito dos sacerdotes que estão em Jerusalém, dê-se-lhes, de dia em dia, para que não haja falta. "
" Para que ofereçam sacrifícios de cheiro suave ao Deus dos céus, e orem pela vida do rei e de seus filhos. "
Esdras 6:10 mostra que o templo e os sacrifícios tinham o propósito de honrar a Deus e buscar Sua proteção para as autoridades. Hoje, o …
Ler analise completa" Também por mim se decreta que todo o homem que mudar este decreto, se arrancará um madeiro da sua casa, e, levantado, o pendurarão nele, e da sua casa se fará por isso um monturo. "
" O Deus, pois, que fez habitar ali o seu nome derrube a todos os reis e povos que estenderem a sua mão para mudar o decreto e para destruir esta casa de Deus, que está em Jerusalém. Eu, Dario, baixei o decreto; com diligência se faça. "
" Então Tatenai, o governador dalém do rio, Setar-Bozenai e os seus companheiros, assim fizeram diligentemente, conforme ao que decretara o rei Dario. "
" E os anciãos dos judeus iam edificando e prosperando pela profecia do profeta Ageu, e de Zacarias, filho de Ido. E edificaram e terminaram a obra conforme ao mandado do Deus de Israel, e conforme ao decreto de Ciro e Dario, e de Artaxerxes, rei da Pérsia. "
" E acabou-se esta casa no terceiro dia do mês de Adar, no sexto ano do reinado do rei Dario. "
" E os filhos de Israel, os sacerdotes, os levitas, e o restante dos filhos do cativeiro, fizeram a dedicação desta casa de Deus com alegria. "
" E ofereceram para a dedicação desta casa de Deus cem novilhos, duzentos carneiros, quatrocentos cordeiros, e doze cabritos por expiação do pecado de todo o Israel; segundo o número das tribos de Israel. "
" E puseram os sacerdotes nas suas turmas e os levitas nas suas divisões, para o ministério de Deus, em Jerusalém, conforme ao que está escrito no livro de Moisés. "
" E os filhos do cativeiro celebraram a páscoa no dia catorze do primeiro mês. "
" Porque os sacerdotes e levitas se purificaram como se fossem um só homem, todos estavam limpos; e mataram o cordeiro da páscoa para todos os filhos do cativeiro, e para seus irmãos, os sacerdotes, e para si mesmos. "
" Assim comeram a páscoa os filhos de Israel que tinham voltado do cativeiro, com todos os que com eles se apartaram da imundícia dos gentios da terra, para buscarem o Senhor Deus de Israel; "
" E celebraram a festa dos pães ázimos por sete dias com alegria; porque o Senhor os tinha alegrado, e tinha mudado o coração do rei da Assíria a favor deles, para lhes fortalecer as mãos na obra da casa de Deus, o Deus de Israel. "
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