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Ezequiel 1:15 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E vi os seres viventes; e eis que havia uma roda sobre a terra junto aos seres viventes, uma para cada um dos quatro rostos. "

Ezequiel 1:15

menu_book Versículo no contexto

13 E, quanto à semelhança dos seres viventes, o seu aspecto era como ardentes brasas de fogo, com uma aparência de lâmpadas; o fogo subia e descia por entre os seres viventes, e o fogo resplandecia, e do fogo saíam relâmpagos;

14 E os seres viventes corriam, e voltavam, à semelhança de um clarão de relâmpago.

15 E vi os seres viventes; e eis que havia uma roda sobre a terra junto aos seres viventes, uma para cada um dos quatro rostos.

16 O aspecto das rodas, e a obra delas, era como a cor de berilo; e as quatro tinham uma mesma semelhança; e o seu aspecto, e a sua obra, era como se estivera uma roda no meio de outra roda.

17 Andando elas, andavam pelos seus quatro lados; não se viravam quando andavam.

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auto_stories Comentário Bible Guided

O profeta toma grande cuidado em notar e registrar o que viu nesta visão. Aqui ele dá atenção especial às rodas em (Ezequiel 1:15-21). A glória de Deus se manifesta não apenas no esplendor de seus assistentes celestiais, mas também no modo firme e constante com que ele governa este mundo. Depois que Ezequiel viu como Deus faz tudo o que quer entre os exércitos do céu, ele foi levado a ver como Deus faz o mesmo entre os habitantes da terra. Ali, sobre a terra, ele viu as rodas.

Enquanto Ezequiel observava os seres viventes e meditava na glória daquela visão, outra parte da visão veio à tona. Aqueles que aproveitam bem a luz que Deus já lhes deu podem esperar receber mais luz, pois a quem tem, se lhe dará mais. Costumamos pensar que apenas o mundo de cima é glorioso, mas, se pudéssemos ver pela fé a beleza da providência de Deus, seu governo sábio, poderoso e bom sobre todas as coisas, diríamos que ele é, de fato, o Deus que julga na terra e age de maneira digna de si mesmo.

Vários elementos desta visão nos ajudam a entender a providência divina, isto é, o cuidado e o governo sábio de Deus sobre tudo o que acontece. As disposições da providência, os modos de Deus ordenar os acontecimentos, são comparadas a rodas. Podem ser como as rodas de um carro de guerra, que leva um vencedor em triunfo, ou, com mais probabilidade, como as rodas de um relógio, em que cada peça contribui para manter o conjunto em movimento ordenado. Tiago fala do curso, ou roda, da natureza (Tiago 3:6), e aqui todo esse curso é apresentado como estando debaixo da direção do Deus da natureza.

As rodas não se movem por si mesmas como os seres viventes, mas estão sempre em movimento. Assim também a providência traz mudanças. Às vezes uma parte da roda está em cima, às vezes outra. Ainda assim, a roda continua girando de modo regular e constante. Seu movimento é circular, e, pelos giros da providência, as coisas frequentemente retornam ao estado em que já estiveram. O que é agora já foi, e não há nada de novo debaixo do sol (Eclesiastes 1:9-10).

A roda é vista junto aos seres viventes, que orientam seu movimento. Isso mostra que os anjos são empregados como servos na obra da providência de Deus e têm mais participação na direção dos movimentos das causas segundas, as causas habituais dos acontecimentos, do que imaginamos. Os seres viventes e as rodas estão tão intimamente ligados que se movem e repousam juntos. Quando os anjos estão em ação, as pessoas também estão em ação, como instrumentos em suas mãos, para misericórdia ou para juízo, mesmo sem perceberem. E enquanto os homens se ocupam em executar seus planos, os anjos trabalham para dirigir e sobrepor-se a eles.

Isso é fortemente enfatizado em (Ezequiel 1:19). Quando os seres viventes iam para cumprir alguma tarefa, as rodas iam junto deles. Quando Deus tem uma obra a realizar por meio dos anjos, as causas ordinárias dos acontecimentos se acham, ou são postas, prontas a cooperar. Em (Ezequiel 1:21), quando os seres viventes paravam, as rodas também paravam. Quando os anjos encerravam sua obra, as causas inferiores também chegavam ao seu termo. Se os seres viventes eram elevados da terra, conduzidos a alguma ação além do curso comum da natureza, como um milagre, as rodas, contrariando sua tendência natural para a terra, moviam-se com eles e eram elevadas junto com eles. Isso é repetido três vezes em (Ezequiel 1:19-21).

Todas as criaturas inferiores existem, se movem e agem conforme o Criador as dirige e influencia, por meio do ministério dos anjos. O que vemos é governado por causas que não vemos. A razão disso é que o espírito dos seres viventes estava nas rodas. A mesma sabedoria, poder, santidade, vontade e propósito de Deus que guia os anjos em tudo o que fazem também, por meio deles, ordena cada movimento das criaturas deste mundo inferior e os resultados que se seguem. Deus é como a alma do mundo, dando vida e movimento a todas as coisas, acima e abaixo, de modo que se movem em perfeita harmonia, como as partes superiores e inferiores do corpo humano.

Para onde o Espírito vai, isto é, onde quer que Deus deseja e determina que algo seja feito, para lá vão os anjos. Eles cooperam consciente e voluntariamente para realizar esse propósito. Seu espírito está também nas rodas, e por isso as rodas se elevam junto com eles. Isso significa que tanto as forças da natureza quanto as decisões humanas são levadas a servir ao propósito de Deus, e certamente o cumprem, ainda que não o pretendam e não pensem estar fazendo isso (Isaías 10:7; Miquéias 4:11-12). Assim, ainda que o mandamento de Deus não seja obedecido na terra como é no céu, seu propósito e seu conselho são obedecidos, e o serão.

A roda também é descrita como tendo quatro faces, olhando para quatro direções (Ezequiel 1:15). Isso mostra que a providência de Deus age em todas as partes do mundo, leste, oeste, norte e sul, alcançando até os lugares mais distantes. De qualquer lado que se contemple a roda da providência, ela tem uma face voltada para nós, e é uma face bela. Ela atrai nossa atenção, como se estivesse pronta a nos falar, se estivermos prontos a ouvir. Como um quadro bem elaborado, parece olhar de volta para todo aquele que a contempla.

A roda tinha quatro faces, e também havia quatro rodas que se moviam sobre seus quatro lados (Ezequiel 1:17). A princípio, Ezequiel a viu como uma só roda, como um todo (Ezequiel 1:15). Depois ele observa que eram quatro, mas as quatro tinham uma mesma aparência (Ezequiel 1:16). Eram semelhantes e, de certo modo, como se fossem uma só. Isso mostra, primeiro, que um ato da providência se assemelha a outro. O que nos acontece é comum à vida humana e não devemos achar estranho. Segundo, muitos acontecimentos diferentes frequentemente caminham para o mesmo desfecho e cooperam para o mesmo fim.

Sua aparência e sua obra eram como a cor do berilo, ou de Társis, provavelmente a cor do mar, um tom esverdeado ou azulado (Ezequiel 1:16). O curso das coisas neste mundo se parece com o mar: está sempre em movimento, e ainda assim há uma ligação firme e uma ordem entre suas partes. Os acontecimentos se encadeiam, e a corrente dos fatos está sempre fluindo em uma direção ou outra. O mar sobe e desce, e assim a providência parece subir e descer em suas disposições, mas sempre nos momentos e limites que Deus estabeleceu. O mar parece azul, como o céu, porque nossa visão é fraca e não consegue penetrar muito longe em nenhum dos dois. Isso é uma imagem adequada da providência, pois não conseguimos descobrir a obra de Deus do começo ao fim (Eclesiastes 3:11).

Vemos apenas uma parte dos caminhos de Deus (Jó 26:14). Além disso, tudo se torna obscuro, o que nos ensina que, na realidade, não conhecemos. Sua sabedoria está muito acima do que podemos perceber.

Sua aparência e sua obra também são descritas como sendo como uma roda no meio de outra roda. Note-se novamente que o que o profeta viu tinha o propósito de mostrar o que a obra realmente é. Nas pessoas, aparência e obra muitas vezes não combinam, mas com a providência de Deus, seu governo sobre os acontecimentos, a figura exterior e a obra real coincidem. Se parecem chocar-se, isso decorre da nossa ignorância e engano.

Essas rodas eram como uma roda dentro de outra, uma roda menor movida por uma maior. Não se pretende aqui dar uma descrição técnica delas. O ponto é que o modo como Deus ordena os eventos frequentemente nos parece complexo, intrincado e impossível de explicar, mas no fim se mostrará sabiamente ajustado para o melhor. Assim, embora agora não saibamos o que Deus está fazendo, depois entenderemos (João 13:7).

O movimento dessas rodas, como o dos seres viventes, era firme, regular e constante: não se viravam quando iam (Ezequiel 1:17), porque nunca se moviam de modo errado ou impróprio. Deus leva adiante sua obra na providência, e ela prossegue mesmo quando nos parece estar caminhando para trás. Elas iam conforme o Espírito as conduzia, e por isso não se viravam.

Não precisaríamos voltar atrás tantas vezes, desfazer em arrependimento o que fizemos errado e refazê-lo, se fôssemos guiados pelo Espírito e seguíssemos sua direção. Alguns entendem que isso indica que o Espírito de vida estava nas rodas, o que as fazia avançar suave e uniformemente, sem se virar quando iam.

As suas arcos, ou bordas, eram tão altas que eram terríveis (Ezequiel 1:18). Eram tão enormes que, quando se elevavam e começavam a se mover, o profeta temia continuar olhando para elas. A vasta amplitude dos pensamentos de Deus e a grandeza do alcance de seus planos são verdadeiramente espantosas. Quando tentamos descrever o círculo da providência, ficamos sobrecarregados. Ó altura e profundidade dos propósitos de Deus! Meditá-los deve encher-nos de reverência.

Elas estavam cheias de olhos ao redor. Esta é a parte mais surpreendente da visão, e também a mais significativa, porque mostra claramente que os movimentos da providência são guiados por uma sabedoria infinita. O curso dos acontecimentos não é decidido por um acaso cego, mas por aqueles olhos do Senhor que andam por toda a terra e estão em toda parte, contemplando tanto o mal como o bem. Isso é grande consolo para nós, e assim deve ser, pois, ainda que não consigamos explicar as causas e os movimentos dos eventos, todos estão debaixo do cuidado e da direção de um Deus onisciente e todo‑sábio.

Ele então percebeu o firmamento acima, sobre as cabeças dos seres viventes. Quando viu os seres viventes em movimento e as rodas ao lado deles, levantou os olhos, como também nós devemos fazer quando observamos os variados movimentos da providência neste mundo aqui embaixo. Ao olhar para cima, viu o firmamento estendido sobre as cabeças dos seres viventes (Ezequiel 1:22). O que acontece na terra acontece debaixo do céu, como a Escritura frequentemente afirma, sob seu olhar e influência.

Ele viu que o firmamento era como a cor de um terrível cristal, verdadeiramente glorioso, mas também impressionante e solene. Sua imensidão e brilho encheram o profeta de espanto e profundo respeito. Também se pode entender como um terrível gelo, ou geada, a cor da neve congelada, ou como grandes montanhas de gelo nos mares do norte, que causam temor a quem as vê. Pecadores atrevidos perguntam: “Poderá Deus julgar através da densa escuridão?” (Jó 22:13). Mas o que chamamos de nuvem escura é claro como cristal para ele, e de sua morada ele contempla todos os habitantes da terra (Salmo 33:14).

Debaixo do firmamento ele viu as asas dos seres viventes estendidas para o alto (Ezequiel 1:23). Quando queriam, usavam‑nas tanto para voar como para se cobrir. Deus está acima do firmamento, e os anjos estão debaixo dele, o que mostra que eles estão sujeitos ao governo de Deus e prontos a voar em suas ordens pelos céus abertos, servindo‑o juntos com um só propósito.

Ele também ouviu o som das asas dos anjos (Ezequiel 1:24). Abelhas e outros insetos fazem grande ruído quando movem suas asas. Aqui, os anjos fazem assim para despertar a atenção do profeta para o que Deus estava prestes a dizer‑lhe a partir do firmamento (Ezequiel 1:25). Por meio das providências em que são empregados, os anjos fazem soar os avisos de Deus aos homens e os incitam a ouvir sua voz. Esse é o clamor na cidade, ouvido e compreendido pelos que são sábios.

O som de suas asas era forte e temível, como o som de muitas águas, como o bramido do mar e como o estrondo de um exército, o ruído da guerra. No entanto, era claro e significativo, não confuso nem incerto, pois era voz de fala. Mais ainda, era como a voz do Todo‑Poderoso, porque Deus fala por meio de suas providências uma vez, sim duas vezes, se ao menos déssemos atenção (Jó 33:14). A voz do Senhor clama (Miqueias 6:9).

Ele também ouviu uma voz vinda do firmamento, daquele que está entronizado ali (Ezequiel 1:25). Quando os anjos se moviam, faziam ruído com suas asas. Mas, depois de haverem despertado um mundo descuidado, paravam e abaixavam as asas, para que houvesse profundo silêncio e a voz de Deus pudesse ser ouvida com mais clareza. A voz da providência serve para abrir os ouvidos dos homens à voz da palavra, como o arauto da cidade que, em alta voz, manda fazer silêncio enquanto o juiz profere a sentença.

Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Os ruídos na terra devem nos despertar para escutarmos a voz que vem do firmamento, pois como escaparemos se recusarmos aquele que fala do céu?

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