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Ezequiel 1:4 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Olhei, e eis que um vento tempestuoso vinha do norte, uma grande nuvem, com um fogo revolvendo-se nela, e um resplendor ao redor, e no meio dela havia uma coisa, como de cor de âmbar, que saía do meio do fogo. "

Ezequiel 1:4

menu_book Versículo no contexto

2 No quinto dia do mês, no quinto ano do cativeiro do rei Jeoiaquim,

3 Veio expressamente a palavra do Senhor a Ezequiel, filho de Buzi, o sacerdote, na terra dos caldeus, junto ao rio Quebar, e ali esteve sobre ele a mão do Senhor.

4 Olhei, e eis que um vento tempestuoso vinha do norte, uma grande nuvem, com um fogo revolvendo-se nela, e um resplendor ao redor, e no meio dela havia uma coisa, como de cor de âmbar, que saía do meio do fogo.

5 E do meio dela saía a semelhança de quatro seres viventes. E esta era a sua aparência: tinham a semelhança de homem.

6 E cada um tinha quatro rostos, como também cada um deles quatro asas.

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auto_stories Comentário Bible Guided

As visões de Deus que Ezequiel contemplou foram extremamente gloriosas e traziam mais detalhes do que as visões dadas a outros profetas. O objetivo principal dessas visões era, em primeiro lugar, encher a mente do profeta com pensamentos muito grandes, elevados e honrosos acerca do Deus que o havia enviado e lhe confiado uma tarefa. Ele viu algo como a glória do Senhor (Ezequiel 1:28), e disso podia aprender que servir a um Deus assim é uma grande honra, pois até os anjos o servem. Também podia servir com segurança, porque Deus tem poder suficiente para sustentá‑lo em sua obra. Mas, se Ezequiel se desviasse desse serviço, o faria por sua própria conta e risco, pois Deus tem poder para persegui‑lo, como fez com Jonas.

Um Deus tão grande deve ser servido com reverência e santo temor. Ao mesmo tempo, Ezequiel podia falar com confiança sobre o que esse Deus faria, porque Deus tem poder para cumprir suas palavras. Em segundo lugar, a visão tinha o propósito de incutir temor nos pecadores que ainda permaneciam em Sião, e também naqueles que já tinham ido para a Babilônia e se sentiam seguros, desafiando abertamente os avisos sobre a queda de Jerusalém, como vemos muitas vezes na profecia de Jeremias, e veremos também aqui. Os que diziam: “Teremos paz, ainda que continuemos no pecado”, precisavam aprender que nosso Deus é fogo consumidor, e ninguém pode permanecer de pé diante dele.

Esta visão parece estar claramente ligada à destruição de Jerusalém, como mostra Jeremias 43:3, onde se diz que foi a visão que ele viu quando veio para destruir a cidade, isto é, quando veio profetizar sua destruição. Em terceiro lugar, ela tinha o propósito de consolar os que temiam a Deus, tremiam diante da sua palavra e se humilhavam debaixo de sua poderosa mão. Eles estavam na Babilônia como cativos, mas deviam saber que Deus ainda estava perto deles. Eles não tinham o santuário como seu trono glorioso, mas ainda tinham o Deus do santuário.

O Dr. Lightfoot observa que agora a igreja seria plantada por muito tempo em outra terra, e o Senhor manifestou a sua glória no meio dela, assim como havia feito quando primeiramente a formou como igreja no deserto. Lá, ele se mostrara em nuvem e fogo, e aqui fez o mesmo. De entre os seres viventes, como de entre os querubins, ele transmitiu suas mensagens. Isso os honrava, mesmo quando os babilônios zombavam deles, e também podia fortalecer sua esperança de libertação no tempo determinado.

Para atender a esses propósitos, estes versículos nos apresentam a primeira parte da visão, que mostra Deus cercado e servido por inúmeros anjos, todos seus mensageiros e ministros, cumprindo suas ordens e ouvindo sua palavra. Isso exibe sua grandeza, como a de um governante terreno honrado por uma guarda esplêndida e grandes exércitos. Tal demonstração leva os aliados a confiar nele e os inimigos a temê‑lo.

A introdução da visão é majestosa e impactante, em Ezequiel 1:4. O profeta viu os céus abertos e ergueu o olhar, como devia, para ver o que Deus lhe mostraria. Quando os céus se abrem, também devemos manter os olhos abertos. Para abrir o caminho, um vento tempestuoso veio do norte, que afugentaria as névoas deste mundo inferior. Muitas vezes o bom tempo vem do norte, e o vento dali pode dispersar a chuva. Deus pode usar um redemoinho para limpar o céu e dar a serenidade de mente de que precisamos para nos encontrarmos com o céu.

Mas esse redemoinho vinha acompanhado de uma grande nuvem. Mesmo quando pensamos que as nuvens deste mundo se foram e que já podemos enxergar além delas, ainda há uma nuvem ao redor das coisas celestiais, uma nuvem vinda de cima, de modo que não conseguimos explicá‑las plenamente por causa da escuridão. Cristo desceu numa nuvem, assim como depois subiu em uma. Alguns entendem esse vento tempestuoso e essa nuvem como o exército caldeu vindo do norte contra Judá, varrendo tudo como uma tempestade. Isso se ajusta ao aviso inicial de Jeremias: “Do norte se derramará o mal” (Jeremias 1:14). Mas aqui eu o tomo principalmente como a abertura da visão, e não como um sermão de juízo.

Esse redemoinho veio até Ezequiel, como o vento veio até Elias (1 Reis 19:11), para preparar o caminho do Senhor e exigir atenção. Quem tem olhos deveria ver, e quem tem ouvidos deveria ouvir.

A visão em si é conduzida por uma grande nuvem, que serviu de veículo até o profeta. O pavilhão de Deus, e o carro em que ele anda, é a escuridão e nuvens espessas (Salmo 18:11; Salmo 104:3). Assim ele esconde o fulgor total de seu trono, para que seu brilho não nos aniquile, e o recobre com uma nuvem.

A nuvem vinha acompanhada de fogo, como no monte Sinai, onde Deus se fez presente em nuvem espessa, e sua glória parecia um fogo consumidor (Êxodo 24:16,17). Sua primeira aparição a Moisés também foi numa chama de fogo no meio da sarça. Nosso Deus é fogo consumidor. Era um fogo que se envolvia em si mesmo, como um globo ou roda de fogo. Sendo Deus sua própria causa, sua própria regra e seu próprio fim, se ele é comparado ao fogo, então é como um fogo que se enrola em si mesmo, ou, como alguns entendem, um fogo aceso por si mesmo.

O fogo da glória de Deus irrompe para fora, mas logo se recolhe, porque ele nos mostra apenas parte de seus caminhos. Sua ira também se manifesta, mas logo se retrai, porque a paciência divina não permite que toda a sua indignação se derrame de uma vez. Se o fogo não se dobrasse sobre si mesmo, quem poderia permanecer diante do Senhor?

O fogo era cercado por um resplendor. Ele se dobrava sobre si mesmo, mas ainda assim deixava ver algo de si. Não conseguimos olhar para dentro do fogo, nem, esquadrinhando, conseguimos encontrar Deus plenamente. No entanto, vemos o brilho ao redor, o reflexo daquele fogo na nuvem espessa. Moisés pôde ver as “costas” de Deus, mas não o seu rosto. Do mesmo modo, temos alguma luz sobre a natureza de Deus a partir do resplendor ao redor, embora a nuvem nos impeça de penetrar totalmente nela. Nada é mais fácil do que dizer que Deus existe, e nada é mais difícil do que descrever como ele é.

Quando Deus manifesta sua ira como fogo, ainda assim há resplendor ao redor. Sua santidade e sua justiça aparecem claramente no castigo do pecado e dos pecadores. Até ao redor do fogo consumidor há um resplendor que os santos glorificados admirarão para sempre.

Do meio desse fogo saía algo como a cor de âmbar. Não nos é dito exatamente o que tinha essa cor de âmbar; por isso, entendo que descreve toda a moldura da visão que veio aos olhos de Ezequiel do meio do fogo e do brilho. A primeira coisa que ele percebeu, antes de examinar os detalhes, foi que tudo tinha a cor de âmbar, ou aspecto de âmbar, isto é, uma cor brilhante, flamejante, ardente, como de brasa viva. As criaturas viventes que ele viu saindo do fogo eram serafins, ou “ardentes”, pois Deus faz de seus anjos espíritos, e de seus ministros, labaredas de fogo.

O que saía do fogo, reluzindo como âmbar, era a semelhança de quatro seres viventes. Não eram as criaturas em si, pois os anjos são espíritos e não podem ser vistos, mas uma representação delas, o tipo de símbolo que Deus escolheu para conduzir o profeta, e conosco ele, a algum entendimento do mundo angelical. Isso foi matéria de revelação divina, dada para que sentíssemos tanto a grandeza de Deus, que tem anjos como seus assistentes, quanto sua bondade, pois os designa para servir ao seu povo.

A semelhança desses seres viventes saía do meio do fogo, porque os anjos recebem seu ser e seu poder de Deus. Em si mesmos, e para nós, eles são aquilo que ele se agrada em fazê‑los, e sua glória é apenas um raio da glória dele. O próprio Ezequiel explica depois a visão, dizendo: “Soube que estes eram os querubins” (Ezequiel 10:20). Querubins é um dos nomes que a Escritura usa para os anjos. A Daniel foi mostrada a grande quantidade deles, “dez mil vezes dez mil” (Daniel 7:10), mas, embora sejam muitos, são também um só na natureza e no ofício, como um exército composto de milhares, mas chamado um só corpo de homens.

Aprendemos primeiro algo sobre sua natureza. Eles são seres viventes, criaturas de Deus, obra de suas mãos. A vida lhes é concedida; não a possuem em si mesmos, mas a recebem daquele que é a fonte da vida. Assim como os seres viventes deste mundo inferior estão acima das plantas que enfeitam a terra, muito mais os anjos, seres viventes do mundo superior, excedem o sol, a lua e as estrelas, que adornam os céus. Alguns dizem que o sol é uma chama de fogo que se enrola em si mesma, mas ele não é um ser vivente, como os anjos, essas labaredas de fogo. Os anjos são seres vivos no sentido mais pleno. As pessoas na terra são criaturas moribundas, morrendo dia após dia, pois, no meio da vida, estamos em morte. Mas os anjos no céu são seres viventes, verdadeiramente vivos e vivos para um bom propósito. Quando os santos se tornarem semelhantes aos anjos, nunca mais morrerão (Lucas 20:36).

Aprendemos também o seu número. São quatro, assim aparecem aqui, embora sejam incontáveis. Isso não quer dizer que fossem quatro anjos especiais, acima dos demais, como alguns imaginaram, dando-lhes nomes particulares. O número combina com os quatro rostos que possuíam e aponta para o fato de serem enviados para os quatro ventos do céu (Mateus 24:31). Zacarias os viu como quatro carros saindo para o oriente, ocidente, norte e sul (Zacarias 6:1). Deus tem mensageiros prontos para ir em todas as direções, porque seu reino é universal e alcança todas as partes do mundo.

Também aprendemos suas qualificações, as maneiras pelas quais são preparados para servir ao seu Criador e Senhor. Essas qualificações são mostradas em símbolos, o que é próprio de uma visão, pois visões são como parábolas para os olhos. A descrição não tem a intenção de nos dar uma figura exata que possamos desenhar, o que poderia levar alguns a adorá-los. Em vez disso, cada detalhe mostra como são adequados para a obra que realizam. É a maior honra de qualquer criatura poder cumprir o propósito para o qual foi criada. Quanto mais prontos estamos para toda boa obra, mais nos aproximamos da dignidade dos anjos.

A aparência geral deles era como a de um homem. Eles se apresentavam principalmente em forma humana. Isso mostra, primeiro, que essas criaturas viventes são racionais e inteligentes, tendo o espírito de um homem, que é a lâmpada do Senhor. Em segundo lugar, honra a natureza humana, que foi feita um pouco menor do que os anjos e vem logo abaixo deles na ordem dos seres. Quando os seres invisíveis do mundo superior se tornam visíveis, aparecem em forma de homem. Em terceiro lugar, insinua que o prazer deles está com os filhos dos homens, como é o prazer de seu Senhor (Provérbios 8:31), e que servem aos homens, que podem ter comunhão espiritual com eles pela fé, esperança e santo amor. Em quarto lugar, os anjos aparecem como homens porque, na plenitude dos tempos, o Filho de Deus viria nessa semelhança e tomaria para si essa natureza. A forma em que aparecem mostra honra à natureza que ele assumiria.

Cada um também tinha quatro rostos, olhando para quatro direções. Em visão semelhante de João, cada uma das quatro criaturas viventes tem um desses rostos (Apocalipse 4:7), mas aqui cada uma possui os quatro, mostrando que compartilham as mesmas qualidades para o serviço. Entre os anjos do céu, como entre os “anjos” das igrejas, alguns podem sobressair em um dom e outros em outro, mas todos servem ao bem comum. Devemos contemplar seus rostos até que sejamos transformados, em alguma medida, na mesma imagem, para fazermos a vontade de Deus como os anjos a fazem no céu.

Todos os quatro tinham rosto de homem, porque apareciam nessa semelhança (Ezequiel 1:5). Tinham também rosto de leão, de boi e de águia, cada qual forte à sua maneira. O leão é o mais forte entre os animais selvagens, o boi entre os animais domésticos, e a águia entre as aves (Ezequiel 1:10). Se Deus os usa para executar juízos sobre seus inimigos, são ferozes e poderosos como o leão e a águia ao despedaçar a presa. Se os usa para o bem do seu povo, são fortes para o serviço como bois, dispostos e capazes para o trabalho. Em ambos os casos, têm o entendimento de um homem. As forças espalhadas nas criaturas da terra se reúnem, em plenitude, nos anjos do céu.

O rosto de homem indica entendimento e, mais que entendimento humano, ternura e benignidade. O rosto de leão mostra força e ousadia, pois o leão é mais poderoso e temível do que o homem. O rosto de boi aponta para diligência, paciência e constância no trabalho, porque o boi continua trabalhando sem se cansar. O rosto de águia aponta para rapidez, visão aguçada e altura, porque a águia enxerga ao longe e voa nas grandes alturas. Assim os anjos, que buscam as coisas do alto e penetram profundamente nos mistérios divinos, trazem o rosto de uma águia em pleno voo.

Cada um tinha também quatro asas (Ezequiel 1:6). Na visão de Isaías eles aparecem com seis asas, mas aqui com quatro, porque ali são vistos acima do trono e precisam de duas para cobrir o rosto. Os anjos são dotados de asas para voarem velozmente nas ordens de Deus. Qualquer tarefa que Deus lhes confia, eles não demoram a cumprir.

A fé e a esperança são como asas da alma, pelas quais ela se eleva. As afeições santas e devotas são também suas asas, que a levam para frente com força e prontidão. O profeta então observa vários aspectos das asas dessas criaturas viventes.

Primeiro, suas asas estavam unidas umas às outras (Ezequiel 1:9, 1:11). Não usavam as asas para lutar, como algumas aves fazem, porque não há conflito entre os anjos. Deus estabelece perfeita paz nas alturas. As asas unidas mostram sua total unidade, concordância e harmonia.

Segundo, suas asas estavam estendidas para cima, abertas e prontas para uso, não encolhidas nem caídas. Quando um anjo percebe o menor sinal da vontade de Deus, logo está pronto. Nossas almas pesadas se parecem mais com o avestruz, que mal consegue erguer‑se.

Terceiro, duas de suas asas cobriam seus corpos, os corpos espirituais de que se revestiram. Roupas que nos cobrem podem atrapalhar o trabalho, mas os anjos não precisam de outra cobertura além das próprias asas, que os ajudam. Cobrem seus corpos de nós, o que nos impede de fazer perguntas tolas a respeito deles. Não devemos sondá‑los curiosamente, pois são maravilhosos (Juízes 13:18). Cobrem‑se também diante de Deus, ensinando‑nos que, ao nos aproximarmos dele, devemos estar revestidos da justiça de Cristo, para que a vergonha da nossa nudez não apareça.

Seus pés, incluindo canelas e coxas, eram pés direitos (Ezequiel 1:7). Estavam firmes e estáveis. Nenhuma carga de serviço poderia dobrar‑lhes as pernas. A noiva diz do seu amado que suas pernas são como colunas de mármore firmadas sobre bases de ouro (Cantares 5:15). De modo semelhante, as pernas dos anjos indicam força e beleza. A planta de seus pés era como a de um bezerro, dividida e limpa. Estavam prontos para se mover em qualquer direção. A antiga versão grega diz que seus pés eram alados, porque se moviam com tanta rapidez que era como se voassem. Até seus pés brilhavam como bronze polido. Não só o rosto, mas até os pés dos que levam a mensagem de Deus são formosos (Isaías 52:7). Cada passo que os anjos dão é glorioso. Na visão de João sobre Cristo, seus pés eram semelhantes ao bronze reluzente, como que refinado numa fornalha (Apocalipse 1:15).

Tinham também mãos de homem debaixo de suas asas, aos quatro lados, um braço e uma mão debaixo de cada asa (Ezequiel 1:8). Tinham asas para o movimento e mãos para a ação. Muitos são rápidos, mas não verdadeiramente ativos, ocupados em coisas que nada produzem. Têm asas, mas não têm mãos. Os servos de Deus, os anjos, não apenas vão quando ele os envia e vêm quando ele os chama, mas também fazem o que ele ordena. Suas mãos são como as de um homem, maravilhosamente feitas e adequadas para o serviço, guiadas pela razão e entendimento. Seus pés, semelhantes aos de bezerro, mostram rapidez; suas mãos humanas mostram trabalho cuidadoso e preciso, como os céus serem obra dos dedos de Deus. Suas mãos estavam debaixo das asas, ocultas, assim como o restante de seus corpos. Isso nos lembra que os anjos trabalham de modo secreto e invisível. Ao servir a Deus, não devemos esconder a mão por preguiça, mas também devemos conservar um espírito humilde, sem deixar que a mão esquerda saiba o que faz a direita.

Também são descritos os seus movimentos. Essas criaturas viventes estão sempre em movimento. Anjos são seres ativos. A felicidade deles não é ficar parados e ociosos, mas estar sempre utilmente ocupados. Devemos considerar a nós mesmos como mais bem‑aventurados quando fazemos o bem, e o fazemos como os anjos fazem. Em qualquer obra em que se empenhavam, iam sempre em frente (Ezequiel 1:9, 1:12). Isso mostra, primeiro, que visavam sinceramente a glória de Deus e tinham um único propósito em tudo quanto faziam. Movimento reto sugere olhar reto, sem segundas intenções. Se o nosso olho for bom, todo o nosso corpo será luminoso; um olho simples é o mesmo que um coração sincero.

Em segundo lugar, estavam totalmente concentrados na tarefa e trabalhavam com atenção cuidadosa. Avançavam em sua obra e faziam o que tinham de fazer com todas as suas forças. Em terceiro lugar, agiam em harmonia. Cada um cumpria a sua função sem atrapalhar ou se chocar com o trabalho dos outros. Em quarto lugar, entendiam bem o seu dever e não precisavam parar para hesitar. Sabiam o que fazer e como fazer. Em quinto lugar, eram firmes e constantes. Não vacilavam, nem se cansavam, nem mudavam de rumo. Avançavam em linha reta, que é o caminho mais curto e que poupa tempo. Quando andamos em linha reta, avançamos. Quando servimos a Deus com coração indiviso, fazemos verdadeiro progresso.

Eles também “não se viravam quando andavam” (Ezequiel 1:9, 1:12). Primeiro, não cometiam erros que os obrigassem a voltar atrás e consertar a obra feita. Seu trabalho não precisava de correção. Segundo, não prestavam atenção a distrações. Não se desviavam para nada fora de sua tarefa. Prosseguiam no seu caminho.

Eles iam para onde o Espírito queria que fossem (Ezequiel 1:12). Isso pode significar, em primeiro lugar, que iam para onde o seu próprio espírito se inclinava a ir, já que não têm corpos como os nossos para pesá-los. Em nossa experiência diária, mesmo quando o espírito está pronto, a carne é fraca e, por isso, nem sempre conseguimos fazer o bem que desejamos. Anjos e santos glorificados não sofrem dessa fraqueza: tudo o que intentam, executam. Ou, mais provavelmente, significa que eles iam para onde o Espírito de Deus queria que fossem. Mesmo possuindo grande sabedoria própria, submetem-se inteiramente à direção e ao governo de Deus em tudo o que fazem. Para onde a providência de Deus os requisita, para lá vão, servindo aos seus propósitos e cumprindo suas ordens. Como observa Greenhill, o Espírito de Deus é o grande agente que põe os anjos em ação, e é honra deles serem guiados, e facilmente guiados, pelo Espírito.

Vê-se quão dispostos e obedientes são essas nobres criaturas. Para onde o Espírito vai, elas vão imediatamente, com inteira prontidão. Os que andam pelo Espírito fazem a vontade de Deus assim como os anjos a fazem.

Eles corriam e retornavam como um relâmpago (Ezequiel 1:14). Isso mostra, primeiro, que se moviam com grande rapidez, velozes como o relâmpago. Qualquer obra que estivessem fazendo, concluíam na mesma hora, em um instante. Bem-aventurados são aqueles que não têm corpos para atrapalhá-los no serviço santo. E também nós seremos bem-aventurados quando recebermos corpos espirituais, adequados à obra espiritual. Satanás caiu como um relâmpago na sua própria ruína (Lucas 10:18). Os anjos voam como relâmpagos na obra de seu Senhor. Gabriel, o anjo mensageiro de Deus, também voava velozmente.

Em segundo lugar, nota-se que eles também se apressavam em voltar. Corriam para cumprir a tarefa e executar as ordens, e depois retornavam para prestar contas do que haviam feito e receber novas instruções, a fim de continuar servindo. Corriam ao mundo inferior para realizar ali o que era necessário; mas, terminado esse trabalho, voltavam como um relâmpago ao mundo superior e à visão jubilosa de Deus, de cuja presença não queriam se afastar mais do que o serviço exigia. Assim também devemos considerar os assuntos deste mundo como algo fora de nossa verdadeira pátria. Mesmo quando somos obrigados a entrar neles às pressas, não devemos nos acomodar ali. Nossas almas devem voltar rapidamente, como o relâmpago, para Deus, que é nosso descanso e nosso centro.

Lemos também sobre a luz pela qual o profeta viu esses seres viventes, ou o espelho no qual os contemplou (Ezequiel 1:13). Ele os viu pela própria luz deles, pois seu aspecto era como brasas de fogo ardentes. São como serafins, “ardentes”, o que indica o fervor de seu amor a Deus, o zelo intenso no seu serviço, o esplendor que os reveste e o temor que infundem nos inimigos de Deus. Quando Deus os usa para pelejar suas batalhas, são como brasas de fogo (Salmo 18:12), consumindo o inimigo como relâmpagos.

Ele os viu também pela luz de lâmpadas que se moviam entre eles, e o resplendor dessa luz era grande. As obras de Satanás são obras das trevas, e ele domina sobre a escuridão deste mundo. Mas os anjos de luz vivem na luz e, embora muitas vezes escondam o modo como trabalham, mostram os resultados de sua obra, porque ela suporta a luz. Ainda assim, nós os vemos, e vemos o que fazem, apenas à luz de lâmpadas, uma luz fraca que se move entre eles. Quando romper o dia e as sombras fugirem, veremos mais claramente.

Alguns entendem as brasas ardentes e os relâmpagos que saíam do fogo como sinais da ira de Deus e de seus juízos contra Judá e Jerusalém por causa de seus pecados, juízos nos quais os anjos deviam servir. Mais adiante, de fato, encontramos brasas de fogo espalhadas sobre a cidade para destruí-la, tiradas dentre os querubins (Ezequiel 10:2). Contudo, as lâmpadas também podem significar a luz de consolo que brilha para o povo de Deus em meio às trevas daquela aflição. Se o ministério dos anjos é como fogo consumidor para os inimigos de Deus, é como luz jubilosa para seus filhos. De um lado, esse fogo é brilhante e reconfortante. Do outro, desse mesmo fogo saem novos relâmpagos para destruí-los. Os anjos bons são nossos amigos, ou nossos inimigos, conforme Deus o é para conosco.

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