Versículo em destaque
Êxodo 2:11 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E aconteceu naqueles dias que, sendo Moisés já homem, saiu a seus irmãos, e atentou para as suas cargas; e viu que um egípcio feria a um hebreu, homem de seus irmãos. "
Êxodo 2:11
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
9 Então lhe disse a filha de Faraó: Leva este menino, e cria-mo; eu te darei teu salário. E a mulher tomou o menino, e criou-o.
10 E, quando o menino já era grande, ela o trouxe à filha de Faraó, a qual o adotou; e chamou-lhe Moisés, e disse: Porque das águas o tenho tirado.
11 E aconteceu naqueles dias que, sendo Moisés já homem, saiu a seus irmãos, e atentou para as suas cargas; e viu que um egípcio feria a um hebreu, homem de seus irmãos.
12 E olhou a um e a outro lado e, vendo que não havia ninguém ali, matou ao egípcio, e escondeu-o na areia.
13 E tornou a sair no dia seguinte, e eis que dois homens hebreus contendiam; e disse ao injusto: Por que feres a teu próximo?
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Moisés havia passado os primeiros quarenta anos de sua vida na corte de Faraó, onde foi preparado para atuar em funções públicas. Agora chegara o tempo de começar a agir. Ele assumiu com ousadia a causa do povo de Deus como sendo sua própria. Quando, sendo já homem, saiu a seus irmãos e atentou para as suas cargas (Êxodo 2:11), ele se identificou com eles.
A explicação mais clara desse momento aparece depois, em (Hebreus 11:24-26). Ali aprendemos que Moisés demonstrou um santo desprezo pelas honras e prazeres da corte egípcia. Ele recusou ser chamado filho da filha de Faraó, porque decidiu unir-se ao seu próprio povo. A tentação era muito grande. Ele tinha boa oportunidade de fazer para si um grande nome, e poderia até usar sua influência na corte para ajudar Israel. Devia muito à filha de Faraó, tanto em gratidão quanto em vantagens práticas; ainda assim, pela fé, alcançou grande vitória sobre a tentação. Considerou ser muito maior honra e ganho ser filho de Abraão do que filho da filha de Faraó.
Moisés também mostrou profunda compaixão por seus pobres irmãos escravizados. Embora pudesse manter distância, escolheu sofrer com eles. Contemplou as suas cargas como alguém que não apenas sentia pena, mas que estava pronto a arriscar-se por eles, se fosse necessário. Assim, ele deu uma pequena antecipação das grandes obras que mais tarde faria por Deus e por Israel.
Este episódio é lembrado por Estêvão em (Atos 7:23 e seguintes), para mostrar como os pais de Israel sempre resistiram ao Espírito Santo, até mesmo em relação a Moisés. Quando Moisés apareceu pela primeira vez como libertador, eles fecharam os olhos para a primeira luz do seu livramento. Sem dúvida, Moisés estava então sob direção e impulso interior vindos de Deus. Era chamado de forma extraordinária para fazer o que fez.
Mais tarde, Moisés traria pragas sobre os egípcios pelos males que tinham feito ao povo de Deus. Como pequena demonstração desse futuro ministério, ele matou o egípcio que espancava o hebreu (Êxodo 2:11, 12). Provavelmente esse egípcio era um capataz, abusando de um escravo hebreu, talvez até de alguém da própria tribo de Moisés. Esse ato foi realizado por autorização especial do céu, e por isso não serve de exemplo para situações comuns. A tradição judaica afirma que ele não o matou com arma, mas com a palavra, assim como Pedro, mais tarde, foi instrumento do juízo de Deus sobre Ananias e Safira.
Esconder o corpo na areia já sugeria que Faraó e todos os egípcios seriam depois sepultados na areia do mar Vermelho, sob a vara de Moisés. A cautela de manter tudo em segredo era sensata e necessária, pois aquilo era apenas um primeiro passo. Sua fé talvez ainda fosse fraca, e ele pode ter agido com certa hesitação. Mesmo aqueles que mais tarde se tornam fortes na fé normalmente começam com pouca fé, e, no início, muitas vezes falam e agem com temor.
Moisés também seria, mais adiante, o governante de Israel, e aqui se vê um pequeno exemplo dessa tarefa. Ele tentou resolver uma contenda entre dois hebreus, e durante quarenta anos depois disso teria de suportar o seu comportamento obstinado. Ele percebeu uma briga infeliz entre eles (Êxodo 2:13). Não nos é dito o motivo, mas fosse qual fosse, era totalmente impróprio. Os hebreus já sofriam debaixo dos egípcios. Não bastava serem espancados por eles, ainda precisariam se ferir uns aos outros?
Isso nos mostra que o sofrimento em comum nem sempre une o povo de Deus tanto quanto se poderia esperar. Revela também que, quando Deus levanta auxiliares para sua igreja, eles terão trabalho suficiente não apenas em conter os egípcios opressores, mas também em reconciliar israelitas briguentos. Moisés tratou o caso identificando aquele que havia praticado o mal e falando-lhe com mansidão: “Por que feres o teu próximo?” O egípcio que agira com crueldade foi morto, mas o hebreu que agira mal foi apenas repreendido. Um demonstrara maldade arraigada; o outro, talvez, apenas agira sob súbita provocação.
Governantes sábios devem fazer distinções assim, seguindo o exemplo de Deus e tratando os ofensores de acordo com a natureza de seu pecado. Moisés estava tentando promover a paz, o que é uma boa obra. Nisso, vemos um reflexo de Cristo, que muitas vezes corrigiu os discípulos quando discutiam entre si (Lucas 9:46 e seguintes; Lucas 22:24 e seguintes). Cristo foi um profeta semelhante a Moisés, um profeta que cura e um pacificador, que veio entre seus irmãos para destruir a inimizade.
A repreensão de Moisés continua proveitosa: “Por que feres o teu companheiro?” Ferir o próximo é errado em qualquer forma, especialmente entre crentes, seja com a língua ou com a mão, por perseguição ou por contendas e amargura. Considere a pessoa contra a qual você age: é seu semelhante, seu irmão em humanidade, possivelmente seu irmão em Cristo, seu companheiro de serviço, seu companheiro de sofrimentos. Considere também o motivo: por que o atinge? Talvez não haja motivo algum, ou não haja motivo justo, ou nenhum que mereça ser mencionado.
O esforço de Moisés terminou mal. O homem que era o culpado respondeu: “Quem te constituiu príncipe e juiz sobre nós?” Quem tinha sofrido a injustiça parecia mais disposto à paz. O culpado é que se ofendeu. É muitas vezes sinal de culpa odiar a correção. Frequentemente é mais fácil convencer o ofendido a suportar o prejuízo do que levar o ofensor a suportar a vergonha de ser mostrado em seu erro (1 Coríntios 6:7, 8).
Moisés havia falado com sabedoria e mansidão, mas esse hebreu briguento não quis aceitar. Ele recalcitrou contra os aguilhões (Atos 9:5) e se voltou contra aquele que o repreendia. Questionou o direito de Moisés falar: “Quem te pôs a nós por príncipe e juiz?” Mas não é preciso grande autoridade para dar uma repreensão bondosa, pois isso é um ato de amor. Contudo, esse homem distorceu o gesto, como se Moisés estivesse agindo com orgulho e autoritarismo.
As pessoas muitas vezes fazem o mesmo quando não gostam de uma boa instrução ou de uma advertência oportuna. Chamam isso de pretensão, como se ninguém pudesse falar em nome de Deus e contra o pecado sem se julgar superior aos demais. No entanto, Moisés de fato era príncipe e juiz, embora os hebreus não compreendessem isso. Ele pensava que seria bem-recebido e seguido, mas foi repelido (Atos 7:25, 27).
O homem ainda zombou de Moisés, lembrando o egípcio morto: “Pensas tu matar-me?” Assim vemos como corações maus torcem as melhores palavras e ações, dando-lhes o pior sentido. Moisés apenas o havia repreendido, e logo foi acusado de planejar homicídio. Um ataque ao pecado foi tomado como um ataque à própria vida. E, porque Moisés tinha matado o egípcio, o homem julgou razoável a suspeita, como se Moisés não distinguisse entre um egípcio e um hebreu.
Se Moisés havia arriscado a própria vida para defender um hebreu injustiçado, chegando a matar um egípcio, aquele hebreu deveria tê-lo recebido não apenas como amigo de Israel, mas como um homem de coragem e zelo incomuns. Em vez disso, tratou aquele ato valente como crime. Moisés o havia realizado como sinal do livramento que Deus prometera. Se os hebreus tivessem percebido a indicação e seguido Moisés como líder, é provável que tivessem sido libertos então. Mas, por desprezarem o libertador, o resgate, com justiça, foi adiado, e a escravidão prolongada por quarenta anos, da mesma forma que, mais tarde, a recusa em entrar em Canaã os manteve fora da terra prometida por outros quarenta anos. “Eu quis, e vós não quisestes.” As pessoas não sabem o que fazem, nem quanto prejudicam seu próprio bem, quando rejeitam advertências e correções fiéis.
Quando os hebreus se opuseram a Moisés, Deus o enviou para Midiã, e eles ficaram quarenta anos sem ouvi-lo. Assim, as coisas que lhes trariam paz foram ocultas de seus olhos, por não reconhecerem o tempo em que foram visitados. Para Moisés, isso deve ter sido profunda desilusão. Ele havia escolhido sofrer com o povo de Deus e levar o opróbrio de Cristo, isto é, a vergonha que recai sobre quem pertence ao Salvador escolhido de Deus. E agora, logo no início, encontrar rejeição e dureza justamente da parte daqueles que ele queria ajudar foi uma grande prova para sua firmeza.
Ele poderia ter dito: “Se os hebreus são assim, voltarei à corte de Faraó e permanecerei filho da filha de Faraó.” Devemos ter cuidado para não abandonar os caminhos de Deus e o povo de Deus por causa da insensatez ou irritação de alguns que se dizem religiosos. Não é novidade que os melhores amigos da igreja encontrem forte oposição e desânimo em seu trabalho de ajudar e salvar outros, até da parte de quem mais deveria acolhê-los. O próprio Cristo foi rejeitado pelos construtores e ainda hoje é recusado por muitos a quem veio salvar.
A fuga de Moisés para Midiã decorreu disso. O insulto que recebeu acabou se tornando um benefício, porque revelou que a morte do egípcio já era conhecida. Isso lhe deu tempo para escapar. De outra forma, a ira de Faraó poderia alcançá-lo e destruí-lo imediatamente. Deus pode transformar até palavras iradas em bem para o seu povo, de um modo ou de outro.
A notícia chegou a Faraó, e isso teria sido especialmente grave se o delator fosse justamente aquele hebreu que Moisés havia repreendido. Logo foram emitidas ordens para a prisão de Moisés, e isso o obrigou a fugir para salvar a própria vida, indo para a terra de Midiã (Êxodo 2:15). Moisés fez isso movido por uma sábia preocupação com a própria segurança. Se essa saída do Egito é a mesma de que o apóstolo fala como tendo sido feita pela fé (Hebreus 11:27), então aprendemos que, quando o dever nos coloca em aperto ou perigo, a fé nos ajuda a tomar medidas adequadas para nos proteger.
O apóstolo diz ali que Moisés não temeu a ira do rei, enquanto aqui está escrito que ele temeu (Êxodo 2:14). O sentido não é que Moisés tenha sido dominado por pânico ou incredulidade. Ele não teve aquele medo que destrói a coragem e traz tormento. Pelo contrário, foi um temor prudente, que leva a pessoa a usar os meios que Deus coloca à sua disposição para a preservação da vida.
Deus também dirigiu tudo isso com sabedoria e santidade. Ainda não havia chegado o tempo determinado para a libertação de Israel. A culpa do Egito ainda não tinha atingido o seu limite, os hebreus ainda não estavam suficientemente humilhados, e ainda não se haviam tornado a grande nação que Deus tinha em vista. O próprio Moisés ainda precisava de mais preparo para a obra futura, por isso foi afastado por um tempo, até que chegasse o momento fixado em que Deus se compadeceria de Israel.
Deus conduziu Moisés a Midiã porque os midianitas descendiam da família de Abraão e ainda conservavam entre eles o culto ao verdadeiro Deus. Assim, Moisés pôde encontrar um lugar não apenas seguro, mas também consolador. Mais tarde, ele conduziria Israel por aquela mesma região, de modo que essa estada também lhe deu oportunidade de conhecê-la bem. Ali ele se sentou junto a um poço, cansado, pensativo e incerto, esperando para ver como a providência o guiaria. Era uma grande mudança em relação ao conforto da corte de Faraó que ele tinha desfrutado pouco antes. Dessa maneira, Deus provou a sua fé, e ela se mostrou digna de louvor e honra.
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Deste capítulo
Êxodo 2:1
"E foi um homem da casa de Levi e casou com uma filha de Levi."
Êxodo 2:2
"E a mulher concebeu e deu à luz um filho; e, vendo que ele era formoso, escondeu-o três meses."
Êxodo 2:3
"Não podendo, porém, mais escondê-lo, tomou uma arca de juncos, e a revestiu com barro e betume; e, pondo nela o menino, a pôs nos juncos à margem do rio."
Êxodo 2:4
"E sua irmã postou-se de longe, para saber o que lhe havia de acontecer."
Êxodo 2:5
"E a filha de Faraó desceu a lavar-se no rio, e as suas donzelas passeavam, pela margem do rio; e ela viu a arca no meio dos juncos, e enviou a sua criada, que a tomou."
Êxodo 2:6
"E abrindo-a, viu ao menino e eis que o menino chorava; e moveu-se de compaixão dele, e disse: Dos meninos dos hebreus é este."
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