Ester 9 - Significado, temas e aplicacao

Entenda os temas principais e aplique Ester 9 na sua vida hoje

32 versiculos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que e Ester 9?

Ester 9 descreve o dia em que o decreto de Hamã deveria destruir os judeus, mas Deus reverte a situação: os inimigos é que são vencidos. Os judeus se defendem em todas as províncias, inclusive em Susã, onde também são mortos os dez filhos de Hamã. Três vezes é destacado que eles não tocam nos despojos, mostrando que o objetivo era apenas proteção e justiça, não enriquecimento. A vitória é transformada em festa, e Mardoqueu estabelece, por meio de cartas, a celebração anual de Purim, lembrando o livramento de Deus e a mudança de tristeza em alegria, luto em festa. Ester e Mardoqueu confirmam oficialmente esse costume para todas as gerações.

Temas principais em Ester 9

Reversão soberana do mal em favor do povo de Deus (versiculos 1-5, 24-25)

No dia marcado para a destruição dos judeus, Deus inverte a situação: os inimigos é que são derrotados. O plano de Hamã volta sobre a própria cabeça, revelando que, mesmo quando o mal parece ter a última palavra, Deus continua conduzindo a história.

Versiculos-chave: 1, 2, 24, 25

Defesa legítima e justiça, não vingança gananciosa (versiculos 2, 5-6, 10, 15-16)

Os judeus se unem para defender suas vidas e resistir aos que buscavam o seu mal. O texto destaca repetidamente que não tomaram despojos, evidenciando que não estavam movidos por ganância, mas pela preservação da vida e cumprimento do decreto que lhes dava direito de defesa.

Versiculos-chave: 2, 5, 10, 16

Memória, celebração e formação de identidade (Purim) (versiculos 17-23, 26-32)

A vitória não é apenas um evento pontual, mas se torna um marco permanente na identidade do povo. Os dias de Purim são instituídos para lembrar o livramento, a transformação de tristeza em alegria e para fortalecer a unidade por meio de festas, presentes e cuidado com os pobres.

Versiculos-chave: 22, 26, 28, 31

Liderança piedosa e influência justa (versiculos 3-4, 12-14, 20-21, 29-32)

Mardoqueu, agora grande na casa do rei, exerce influência em favor do povo. Seu temor inspira autoridades locais, que passam a apoiar os judeus. Ester usa sua posição de rainha para consolidar o livramento e formalizar a celebração de Purim.

Versiculos-chave: 3, 4, 20, 29

Do luto à festa: transformação da dor em alegria (versiculos 17-19, 22, 28)

O capítulo enfatiza que o mês e o dia destinados à destruição são transformados em dias de banquetes, alegria, descanso e generosidade. A experiência de dor e ameaça passa a ser lembrada como testemunho do cuidado fiel de Deus.

Versiculos-chave: 17, 18, 19, 22

Contexto historico e literario

Ester 9 se passa no Império Persa, durante o reinado de Assuero (geralmente identificado com Xerxes I, século V a.C.). Um primeiro decreto, promovido por Hamã, autorizava o extermínio dos judeus em todo o império no dia 13 do mês de Adar. Segundo a lei dos medos e persas, esse decreto não podia ser revogado. Por isso, um segundo decreto foi emitido, permitindo que os judeus se reunissem e se defendessem dos que os atacassem.

No dia marcado, espalhados pelas 127 províncias, os judeus se organizam, contam com apoio das autoridades locais, que temem Mardoqueu, e resistem aos seus inimigos. Em Susã, capital, o conflito é mais intenso, e o rei concede, a pedido de Ester, que os judeus tenham mais um dia para completar a defesa. Os dez filhos de Hamã são mortos e enforcados, sinalizando publicamente a queda definitiva da casa do inimigo dos judeus.

Depois da vitória, o povo transforma o dia de perigo em dia de festa. Mardoqueu registra os acontecimentos e envia cartas para institucionalizar a celebração de Purim, nome derivado de “Pur” (sorte) que Hamã tinha lançado para escolher o dia da destruição. Essa festa passa a ser celebrada anualmente com refeições festivas, troca de presentes e doações aos pobres, reforçando a memória coletiva do livramento e a identidade judaica no exílio.

Estrutura de Ester 9

Ester 9 apresenta uma narrativa bem organizada, que conduz do conflito à celebração:

  1. Reversão no dia marcado (9.1-4) – O versículo 1 funciona como um resumo teológico: no dia em que os inimigos esperavam dominar os judeus, o contrário acontece. Em seguida, vê-se o temor que cai sobre os povos e a influência de Mardoqueu.

  2. Vitória dos judeus e queda dos filhos de Hamã (9.5-10) – Descrição da luta, especialmente em Susã, com a morte de quinhentos homens e dos dez filhos de Hamã. Três vezes é repetido que não tomaram os despojos, recurso literário que realça a motivação justa.

  3. Pedido de Ester e segundo dia em Susã (9.11-15) – O rei informa Ester sobre o resultado parcial, abre espaço para novo pedido, e ela solicita a extensão do decreto em Susã. Segue-se o relato do segundo dia de combate na capital.

  4. Resumo da vitória nas províncias (9.16-19) – Visão panorâmica da defesa nas demais províncias, com o número total de inimigos mortos e a distinção entre as datas de celebração em Susã e nas aldeias.

  5. Instituição de Purim por Mardoqueu (9.20-23) – Mardoqueu registra os fatos e ordena, por cartas, a observância anual dos dias 14 e 15 de Adar, definindo o caráter de festa, alegria, presentes e cuidado aos pobres.

  6. Fundamentação e nome da festa (9.24-28) – Retomada do plano de Hamã, da reversão decretada pelo rei e da origem do nome Purim. A decisão dos judeus é descrita de forma solene, com enfoque na perpetuidade da celebração.

  7. Confirmação final por Ester e Mardoqueu (9.29-32) – Ester e Mardoqueu escrevem com autoridade, enviam cartas às províncias e confirmam a prática de Purim, incluindo o aspecto de jejum e clamor que marcou o processo de livramento. O registro “no livro” encerra o capítulo com tom de memória oficial.

Significado teologico

Ester 9 destaca a providência de Deus atuando na história, mesmo quando o nome de Deus não é explicitamente mencionado. A reversão completa do decreto de morte em livramento revela que o Senhor guarda o Seu povo, conduzindo circunstâncias, autoridades e acontecimentos para cumprir Seus propósitos.

A derrota dos inimigos e a morte de Hamã e seus filhos ilustram a justiça divina, que traz de volta sobre o ímpio o mal que ele planejou contra outros. Ao mesmo tempo, o fato de os judeus não tomarem os despojos sugere uma distinção entre juízo e ganância, indicando um senso de justiça alinhado com o caráter santo de Deus.

A instituição de Purim tem relevância teológica na formação da memória do povo. Lembrar anualmente a mudança de tristeza em alegria é um ato de fé: reconhecer que o tempo e a história pertencem a Deus, que pode transformar dias de luto em dias de festa. A celebração inclui banquetes, presentes mútuos e generosidade com os pobres, mostrando que o livramento recebido não é apenas para benefício individual, mas para promover comunhão, cuidado e solidariedade.

O capítulo também ressalta o valor da liderança fiel. Mardoqueu e Ester usam suas posições de forma responsável para proteger o povo e organizar a memória do que Deus fez. Assim, Ester 9 aponta para um Deus que governa sobre reinos e decretos humanos, que reverte sentenças de morte e que chama Seu povo a viver lembrando, celebrando e compartilhando o livramento que recebeu.

Aplicacao restauradora e de saude mental

Este capítulo mostra uma trajetória que vai do medo real de destruição à experiência de descanso, alegria e celebração. Em termos emocionais, ele reconhece a profundidade da ameaça e do luto, mas não deixa a história terminar ali: a dor é integrada à memória por meio de uma festa que celebra o livramento.

O texto oferece uma visão de que períodos de opressão e risco podem ser seguidos por tempos de descanso e alegria, mesmo que a memória da dor permaneça. A instituição de Purim transforma um dia marcado por trauma em um marco de identidade e gratidão, o que se aproxima de processos terapêuticos de ressignificação: o fato doloroso não é apagado, mas é relido à luz do cuidado de Deus.

Também há um elemento de segurança restaurada: os judeus se reúnem, se defendem e, ao final, experimentam descanso de seus inimigos. Esse movimento de vulnerabilidade para proteção e, depois, para celebração, oferece um modelo narrativo de recuperação após um período de ameaça intensa, reforçando a importância da união comunitária, da memória e de rituais que celebrem a preservação da vida.

warning Importante: maus usos comuns

O capítulo contém cenas de violência, guerra e morte em grande escala, o que pode ser desencadeador para pessoas sensíveis a temas de violência, perseguição ou trauma coletivo. A morte dos filhos de Hamã e a exposição deles em forca também podem gerar desconforto, especialmente para quem já enfrentou luto familiar ou perdas traumáticas.

A linguagem de destruição dos inimigos, embora inserida no contexto de defesa legítima e de decreto imperial, pode ser lida de forma distorcida, como se justificasse qualquer violência em nome de Deus ou do próprio grupo. É importante lembrar que se trata de um evento específico, narrado em um contexto histórico particular, e não de uma receita universal para lidar com conflitos.

Pessoas em sofrimento emocional intenso podem se comparar com a vitória imediata dos judeus e sentir frustração por não perceberem reviravoltas tão rápidas em sua própria história. A leitura cuidadosa considera que nem toda dor é resolvida de forma visível e imediata, e que a mensagem central inclui a ideia de que Deus está presente e atuando, mesmo quando os processos são longos e complexos.

Aplicacao pratica para hoje

Ester 9 inspira a transformar lembranças de dor em marcos de gratidão. A forma como Purim é instituído sugere que dias que um dia foram de ameaça podem ser reformulados, quando há livramento, como ocasiões para agradecer, partilhar e cuidar dos que sofrem.

A união dos judeus para defesa mútua destaca o valor de estar em comunidade em tempos de crise. Em vez de isolamento, há organização, apoio mútuo e ação conjunta. A prática de enviar presentes e dar dádivas aos pobres mostra que a alegria autêntica se expressa em generosidade e solidariedade, não apenas em celebração individual.

A liderança de Ester e Mardoqueu também traz um chamado prático: posições de influência, sejam grandes ou pequenas, podem ser usadas para proteger, orientar e fortalecer outros, especialmente em momentos de ameaça. A insistência em registrar, escrever cartas e manter viva a memória aponta para a importância de contar histórias de livramento, para que gerações futuras sejam encorajadas a confiar em Deus em seus próprios desafios.

Por fim, o capítulo encoraja a reconhecer que tempos de descanso e alegria após períodos de luta são legítimos. Há um tempo de jejum e clamor, mas também há um tempo de festa, descanso e celebração dos cuidados de Deus.

Perguntas frequentes

Por que os judeus mataram tantos inimigos em Ester 9?

O contexto é o decreto original de Hamã, que autorizava todos os povos do império a atacarem e destruírem os judeus em um dia específico. Como a lei persa não podia ser revogada, um segundo decreto permitiu que os judeus se reunissem e se defendessem. Assim, o que ocorre em Ester 9 é a execução desse decreto de defesa: eles se levantam contra aqueles que efetivamente os atacam. A narrativa mostra que o objetivo não era saque ou conquista de terras, mas preservação da vida diante de uma ameaça real e autorizada pelo império.

Por que o texto destaca várias vezes que não tomaram os despojos?

A repetição de que não tocaram no despojo enfatiza que os judeus não estavam movidos por ganância, e sim pelo direito de defesa e pela necessidade de neutralizar uma ameaça. Isso cria um contraste com outras guerras antigas, em que a pilhagem era comum. Aqui, a intenção principal é justiça e preservação, não enriquecimento às custas dos inimigos.

O que é Purim e por que recebeu esse nome?

Purim é a festa instituída para lembrar o livramento dos judeus no tempo de Ester. O nome vem de “Pur”, que significa “sorte” e se refere à sorte que Hamã lançou para escolher o dia da destruição do povo. Deus reverteu esse plano, e o dia marcado para morte se tornou dia de festa. Por isso, Purim celebra a providência divina que transforma um decreto de morte em ocasião de alegria, com banquetes, presentes mútuos e doações aos pobres.

Qual a importância da participação de Ester neste capítulo?

Ester, além de ter intercedido anteriormente pelo povo, aqui aparece consolidando o livramento. Ela pede ao rei a extensão do decreto em Susã para completar a defesa, e, junto com Mardoqueu, escreve com autoridade para confirmar a celebração de Purim. Sua atuação mostra uma liderança perseverante: ela não apenas reage ao perigo, mas também ajuda a organizar a memória do livramento, garantindo que as gerações futuras se lembrem do que Deus fez.

Por que incluir jejum e clamor na instituição de Purim?

O texto menciona que os judeus estabeleceram sobre si mesmos práticas relacionadas ao jejum e ao clamor. Isso aponta para o fato de que o livramento não foi apenas uma vitória militar ou política, mas esteve profundamente ligado à dependência de Deus em oração e humildade. Ao recordar o jejum e o clamor, Purim não celebra apenas o resultado final, mas também o caminho espiritual de busca pela misericórdia divina.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Heart

Ester 9 retrata um povo que viveu à beira da extinção e, de repente, experimenta descanso e alegria. O texto carrega o peso da ameaça e da dor, mas também o alívio de perceber que a destruição anunciada não teve a última palavra. A repetição da expressão “repouso dos inimigos” e a descrição dos dias de banquetes e alegria mostram corações cansados que, enfim, podem respirar. Há um cuidado especial em transformar lembranças traumáticas em memória curada. Os dias que seriam de morte se tornam dias de festa, de troca de presentes, de cuidado com os pobres. A dor não é negada; ela é lembrada, mas agora sob a luz do livramento. Isso espelha o jeito de Deus de lidar com experiências difíceis: Ele não apaga a história, mas pode ressignificá-la, de modo que aquilo que antes era só medo passa a ser também testemunho de preservação. O envolvimento de Ester e Mardoqueu também revela o valor de pessoas que caminham com o povo em tempos de angústia. Eles sustentam, escrevem, organizam, confirmam. Essa presença firme e cuidadosa evoca a forma como o próprio Deus acompanha, consola e fortalece em meio ao perigo. A criação de uma festa, num cenário que poderia ter sido apenas de luto permanente, lembra que a esperança pode florescer depois de períodos de ameaça profunda, e que a alegria pode ser reconstruída, aos poucos, sobre o terreno ferido da história.

Mind
Mind

Do ponto de vista exegético, Ester 9 é o clímax narrativo de toda a trama construída desde o primeiro decreto de Hamã. O versículo 1 opera como um eixo teológico: o “contrário” acontece no dia decisivo. Essa inversão literária reflete a reversão providencial da situação. O narrador destaca a dimensão política por meio da menção aos sátrapas, governadores e oficiais que ajudam os judeus, indicando como a ascensão de Mardoqueu altera o equilíbrio de poder no império. A lista dos filhos de Hamã e o fato de serem enforcados reforçam o tema da queda total da casa do inimigo, ecoando padrões veterotestamentários em que a descendência do ímpio é cortada. O número elevado de mortos, especialmente os 75 mil nas províncias, é apresentado como resultado do decreto de defesa, não como campanha ofensiva. A insistência em que os judeus não tomam despojo pode ser lida como um paralelo intencional com episódios anteriores do Antigo Testamento, indicando obediência a um tipo de “herem” (consagração ao juízo) sem proveito próprio. Literariamente, a instituição de Purim recebe espaço considerável, com repetição e detalhamento, o que mostra sua centralidade para o propósito do livro: explicar a origem e o significado dessa festa. O texto combina narrativa histórica com formulações quase jurídicas, ao descrever como a decisão é assumida pelos judeus e confirmada por cartas. O nome Purim é etimologicamente explicado, e a festa é vinculada tanto ao livramento quanto às práticas de jejum e clamor que o antecederam. Assim, o capítulo funciona como uma peça de memória coletiva, com forte intenção didática e identitária. Teologicamente, ainda que Deus não seja nomeado, a estrutura toda pressupõe Sua providência. A sorte (pur) lançada por Hamã é contrastada com o resultado final, sugerindo que, por trás do acaso aparente, há um governo soberano. O texto, portanto, articula uma visão em que o povo de Deus, embora vulnerável em contextos políticos hostis, é sustentado por uma mão invisível que transforma decretos de morte em oportunidades de preservação e renovação comunitária.

Life
Life

Ester 9 mostra um povo lidando com um perigo concreto de extinção de forma organizada, unida e responsável. Em termos práticos, a postura dos judeus é ativa, não passiva: eles se reúnem, se preparam, contam com aliados entre autoridades e usam a oportunidade legal que receberam para proteger suas vidas. Isso dialoga com a necessidade, na vida cotidiana, de responder a ameaças reais com organização, sabedoria e apoio comunitário, em vez de apenas esperar que os problemas “se resolvam sozinhos”. A liderança de Mardoqueu e Ester é um exemplo claro de influência bem usada. Mardoqueu, agora respeitado na corte, influencia governadores e oficiais que passam a apoiar o povo. Ester, do lugar de rainha, continua intervindo e consolida a proteção por meio de pedidos objetivos e claros. Juntos, eles não apenas apagam incêndios, mas também constroem uma cultura: estabelecem Purim, escrevem, instruem e criam um padrão para gerações futuras. Isso aponta para a importância de líderes que não se concentram apenas na crise imediata, mas também em como ela será lembrada e o que ela formará no caráter coletivo. A forma como Purim é celebrado traz práticas muito concretas: refeições festivas, envio de presentes e cuidado com os pobres. A alegria aqui é relacional e solidária, não isolada. A experiência de livramento se traduz em generosidade, em partilha, em fortalecer os laços entre as pessoas. Em termos práticos, isso sugere que, quando alguém passa por um livramento ou vitória, uma resposta saudável é incluir outros na celebração, abençoar os que têm menos e transformar a experiência em oportunidade de construir comunidade. Por fim, a decisão de registrar e repetir a celebração todos os anos mostra a importância de criar hábitos e marcos que ajudem a não esquecer as vitórias. Em meio ao corre-corre e às novas dificuldades, é fácil deixar no esquecimento aquilo que já foi superado. Ester 9 ensina a formalizar a memória do que deu certo: contar histórias, registrar, celebrar, para que a fé e a coragem sejam alimentadas continuamente na prática diária.

Soul
Soul

Ester 9 revela um Deus que, mesmo não sendo citado diretamente, dirige a história de forma profunda. A sorte lançada por Hamã parecia ter determinado o dia da destruição dos judeus; contudo, o capítulo mostra que o tempo está, em última instância, nas mãos de Deus. O dia marcado para a morte se torna dia de livramento, lembrando que nenhum decreto humano é maior do que o propósito divino para o Seu povo. Do ponto de vista espiritual, a instituição de Purim ensina sobre a importância de recordar, diante de Deus, os momentos em que Ele muda o rumo da história. Os dias que eram de luto tornam-se, por determinação consciente, dias de festa. Ao fazer isso, o povo declara que não será definido apenas pelo que sofreu, mas pelo Deus que interveio. Essa atitude é profundamente formativa: gera uma espiritualidade que olha para trás com honestidade sobre a dor, mas também com gratidão pela graça que sustentou. O texto menciona jejum e clamor como parte do contexto dessa salvação. Antes da celebração, houve quebrantamento e dependência. Isso reflete um movimento espiritual essencial: diante de ameaças e incertezas, o povo se volta para Deus, reconhece sua fragilidade e clama. O livramento, então, não é apenas político ou militar; é uma resposta ao clamor, ainda que o livro não descreva em detalhes o agir divino. A celebração anual de Purim se torna, assim, um lembrete contínuo de que a vida e a preservação do povo dependem, em última instância, da intervenção graciosa de Deus. A queda de Hamã e de sua casa antecipa, em pequena escala, a certeza maior de que o mal não permanecerá para sempre. Mesmo quando parece estrutural e irreversível, Deus é capaz de confrontá-lo e revertê-lo. Em perspectiva eterna, Ester 9 aponta para a esperança de um juízo final em que o mal será definitivamente vencido e o povo de Deus experimentará descanso pleno. Os dias de Purim, com sua alegria e generosidade, ecoam a visão de um futuro em que a tristeza dá lugar a uma alegria mais profunda e duradoura na presença de Deus.

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Versiculos em Ester 9

Ester 9:1

" E, no duodécimo mês, que é o mês de Adar, no dia treze do mesmo mês em que chegou a palavra do rei e a sua ordem para se executar, no dia em que os inimigos dos judeus esperavam assenhorear-se deles, sucedeu o contrário, porque os judeus foram os que se assenhorearam dos que os odiavam. "

Ester 9:2

" Porque os judeus nas suas cidades, em todas as províncias do rei Assuero, se ajuntaram para pôr as mãos naqueles que procuravam o seu mal; e ninguém podia resistir-lhes, porque o medo deles caíra sobre todos aqueles povos. "

Ester 9:3

" E todos os líderes das províncias, e os sátrapas, e os governadores, e os que faziam a obra do rei, auxiliavam os judeus; porque tinha caído sobre eles o temor de Mardoqueu. "

Ester 9:4

" Porque Mardoqueu era grande na casa do rei, e a sua fama crescia por todas as províncias, porque o homem Mardoqueu ia sendo engrandecido. "

Ester 9:5

" Feriram, pois, os judeus a todos os seus inimigos, a golpes de espada, com matança e com destruição; e fizeram dos seus inimigos o que quiseram. "

Ester 9:10

" Os dez filhos de Hamã, filho de Hamedata, o inimigo dos judeus, mataram, porém ao despojo não estenderam a sua mão. "

Ester 9:12

" E disse o rei à rainha Ester: Na fortaleza de Susã os judeus mataram e destruíram quinhentos homens, e os dez filhos de Hamã; nas mais províncias do rei que teriam feito? Qual é, pois, a tua petição? E dar-se-te-á. Ou qual é ainda o teu requerimento? E far-se-á. "

Ester 9:13

" Então disse Ester: Se bem parecer ao rei, conceda-se aos judeus que se acham em Susã que também façam amanhã conforme ao mandado de hoje; e pendurem numa forca os dez filhos de Hamã. "

Ester 9:14

" Então disse o rei que assim se fizesse; e publicou-se um edito em Susã, e enforcaram os dez filhos de Hamã. "

Ester 9:15

" E reuniram-se os judeus que se achavam em Susã também no dia catorze do mês de Adar, e mataram em Susã trezentos homens; porém ao despojo não estenderam a sua mão. "

Ester 9:16

" Também os demais judeus que se achavam nas províncias do rei se reuniram e se dispuseram em defesa das suas vidas, e tiveram descanso dos seus inimigos; e mataram dos seus inimigos setenta e cinco mil; porém ao despojo não estenderam a sua mão. "

Ester 9:17

" Sucedeu isto no dia treze do mês de Adar; e descansaram no dia catorze, e fizeram, daquele dia, dia de banquetes e de alegria. "

Ester 9:18

" Também os judeus, que se achavam em Susã se ajuntaram nos dias treze e catorze do mesmo; e descansaram no dia quinze, e fizeram, daquele dia, dia de banquetes e de alegria. "

Ester 9:19

" Os judeus, porém, das aldeias, que habitavam nas vilas, fizeram do dia catorze do mês de Adar dia de alegria e de banquetes, e dia de folguedo, e de mandarem presentes uns aos outros. "

Ester 9:20

" E Mardoqueu escreveu estas coisas, e enviou cartas a todos os judeus que se achavam em todas as províncias do rei Assuero, aos de perto, e aos de longe, "

Ester 9:21

" Ordenando-lhes que guardassem o dia catorze do mês de Adar, e o dia quinze do mesmo, todos os anos, "

Ester 9:22

" Como os dias em que os judeus tiveram repouso dos seus inimigos, e o mês que se lhes mudou de tristeza em alegria, e de luto em dia de festa, para que os fizessem dias de banquetes e de alegria, e de mandarem presentes uns aos outros, e dádivas aos pobres. "

Ester 9:23

" E os judeus encarregaram-se de fazer o que já tinham começado, como também o que Mardoqueu lhes tinha escrito. "

Ester 9:24

" Porque Hamã, filho de Hamedata, o agagita, inimigo de todos os judeus, tinha intentado destruir os judeus, e tinha lançado Pur, isto é, a sorte, para os assolar e destruir. "

Ester 9:25

" Mas, vindo isto perante o rei, mandou ele por cartas que o mau intento que Hamã formara contra os judeus, se tornasse sobre a sua cabeça; pelo que penduraram a ele e a seus filhos numa forca. "

Ester 9:26

" Por isso àqueles dias chamam Purim, do nome Pur; assim também por causa de todas as palavras daquela carta, e do que viram sobre isso, e do que lhes tinha sucedido, "

Ester 9:27

" Confirmaram os judeus, e tomaram sobre si, e sobre a sua descendência, e sobre todos os que se achegassem a eles, que não se deixaria de guardar estes dois dias conforme ao que se escrevera deles, e segundo o seu tempo determinado, todos os anos. "

Ester 9:28

" E que estes dias seriam lembrados e guardados em cada geração, família, província e cidade, e que esses dias de Purim não fossem revogados entre os judeus, e que a memória deles nunca teria fim entre os de sua descendência. "

Ester 9:29

" Então a rainha Ester, filha de Abiail, e Mardoqueu, o judeu, escreveram com toda autoridade uma segunda vez, para confirmar a carta a respeito de Purim. "

Ester 9:30

" E mandaram cartas a todos os judeus, às cento e vinte e sete províncias do reino de Assuero, com palavras de paz e verdade. "

Esther 9:30 mostra Mordecai e Ester confirmando a festa de Purim com cartas cheias de paz e verdade para todos os judeus. O versículo ensina …

Ler analise completa

Ester 9:31

" Para confirmarem estes dias de Purim nos seus tempos determinados, como Mardoqueu, o judeu, e a rainha Ester lhes tinham estabelecido, e como eles mesmos já o tinham estabelecido sobre si e sobre a sua descendência, acerca do jejum e do seu clamor. "

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