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Deuteronômio 33:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Esta, porém, é a bênção com que Moisés, homem de Deus, abençoou os filhos de Israel antes da sua morte. "

Deuteronômio 33:1

menu_book Versículo no contexto

1 Esta, porém, é a bênção com que Moisés, homem de Deus, abençoou os filhos de Israel antes da sua morte.

2 Disse pois: O Senhor veio de Sinai, e lhes subiu de Seir; resplandeceu desde o monte Parã, e veio com dez milhares de santos; à sua direita havia para eles o fogo da lei.

3 Na verdade ama os povos; todos os seus santos estão na sua mão; postos serão no meio, entre os teus pés, e cada um receberá das tuas palavras.

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auto_stories Comentário Bible Guided

O primeiro versículo funciona como o título deste capítulo, e é uma bênção. No capítulo anterior, Moisés tinha proclamado os terrores do Senhor contra Israel por causa do seu pecado. Aquele capítulo se parecia com o rolo de Ezequiel, cheio de tristeza e advertência. Agora, para suavizar aquela mensagem severa e mostrar que não estava se despedindo em ira, ele acrescenta aqui uma bênção e lhes deixa a sua paz, que repousaria sobre todos os que, no meio do povo, fossem pessoas de paz.

Nisso, Moisés se assemelha a Cristo, que abençoou seus discípulos como seu último ato na terra (Lucas 24:50). Moisés os abençoou de duas maneiras. Primeiro, os abençoou como profeta, homem de Deus. É um grande privilégio receber as orações daqueles que têm o favor de Deus no céu. Nessa bênção, Moisés não apenas pronunciou bons desejos sobre o povo, mas também, pelo Espírito de profecia, predisse o que aconteceria com eles.

Em segundo lugar, ele os abençoou como pai de Israel, como bons governantes devem fazer por seu povo. Jacó, em seu leito de morte, abençoou seus filhos (Gênesis 49:1), e Moisés segue esse exemplo aqui, abençoando as tribos que deles descenderam. Isso mostra que, embora as tribos muitas vezes tivessem provocado a Deus, a promessa de bênção não foi anulada. Fazer isso às vésperas da própria morte deixaria uma impressão mais forte neles, e também manifestava a profunda boa vontade de Moisés para com o povo. Ele desejava o bem deles, embora ele mesmo fosse morrer e não participar desse bem.

Ele começa a bênção com uma descrição elevada da manifestação gloriosa de Deus quando deu a Israel a lei, e do grande benefício que receberam com isso. Em primeiro lugar, houve uma demonstração visível e impressionante da majestade de Deus, suficiente para calar ateus e incrédulos, despertar os apáticos e descuidados, e envergonhar qualquer inclinação secreta para deuses falsos (Deuteronômio 33:2). Sua aparição foi gloriosa. Ele brilhou como o sol quando se levanta em pleno vigor. Até Seir e Parã, dois montes mais distantes, foram iluminados pela glória divina que apareceu no Sinai e refletiram algo do seu esplendor. Tão brilhante foi a cena, e tão amplamente notada, que até as terras em redor prestaram atenção.

O profeta faz alusão a isso ao falar dos poderosos atos de Deus na providência (Habacuque 3:3-4; Salmo 18:7-9). O Targum de Jerusalém acrescenta uma explicação curiosa, dizendo que, quando Deus desceu para dar a lei, primeiro a ofereceu no monte Seir aos edomitas, que a recusaram porque nela estava escrito: “Não matarás.” Depois a ofereceu no monte Parã aos ismaelitas, que a recusaram porque nela estava escrito: “Não furtarás.” Então veio ao monte Sinai e a ofereceu a Israel, e eles disseram: “Tudo o que o Senhor falar, faremos.” Esta ideia não tem fundamento, e só é mencionada por ser muito antiga.

Sua comitiva também foi gloriosa. Ele veio com suas santas miríades, como Enoque havia predito há muito tempo que ele viria no último dia para julgar o mundo (Judas 1:14). Eram os anjos, os carros de Deus, entre os quais o Senhor estava presente naquele lugar santo (Salmo 68:17). Eles cercavam a majestade de Deus e o serviam nos grandes acontecimentos daquele dia. Por isso as Escrituras dizem que a lei foi dada por meio de anjos (Atos 7:53; Hebreus 2:2).

Em segundo lugar, Deus lhes deu a sua lei. Ela é chamada de lei de fogo porque foi dada do meio do fogo (Deuteronômio 4:33), e porque age como fogo. Quando acolhida, derrete o coração, aquece, purifica e consome o entulho do pecado. Quando rejeitada, endurece, queima, atormenta e destrói. O Espírito Santo desceu em línguas repartidas, como de fogo, e nesse sentido o evangelho também é uma lei de fogo.

Diz-se que a lei saiu da sua mão direita, seja porque ele a escreveu em tábuas de pedra, seja para indicar o poder e a força da lei, juntamente com a eficácia divina que a acompanha, para que não volte vazia. Ou pode significar que ela veio como dom, e um dom precioso, uma bênção da mão direita. Era também um sinal do favor especial de Deus para com eles: “Na verdade, ama os povos” (Deuteronômio 33:3), e assim, embora fosse uma lei de fogo, é dito que saiu “para eles”, isto é, para o bem deles (Deuteronômio 33:2). A lei de Deus escrita no coração é prova segura de que o amor de Deus foi derramado ali. Devemos considerar a lei de Deus como um dos dons da sua graça.

As palavras também significam que ele acolheu o povo nos braços, ou o tomou em seu seio. Isso mostra não só amor profundo, mas também proteção terna e cuidadosa. Todos os seus santos estão em sua mão. Alguns entendem isso especialmente a respeito de como ele sustentou e preservou Israel com vida no monte Sinai, quando o terror foi tão grande que até Moisés tremeu. Eles ouviram a voz de Deus e viveram (Deuteronômio 4:33). Outros entendem que ele os formou como povo por meio da sua lei, moldando-os como o oleiro molda o barro. Ou ainda pode significar que eles estavam em sua mão para serem cobertos, protegidos, usados e dirigidos, como as sete estrelas estavam na mão de Cristo (Apocalipse 1:16).

Deus tem todos os seus santos em sua mão. E, embora sejam miríades (Deuteronômio 33:2), sua mão, que mede as águas, é bastante grande e forte para segurá-los todos. Podemos estar certos de que ninguém pode arrebatá-los de sua mão (João 10:28).

Em terceiro lugar, Deus os preparou para receber a lei que deu. Eles se assentaram aos seus pés, como alunos aos pés do mestre, em sinal de reverência, atenção e humilde submissão ao que era ensinado. Assim Israel permaneceu ao pé do Sinai e prometeu ouvir e fazer tudo o que Deus dissesse. Alguns traduzem a expressão por “foram abatidos aos teus pés”, significando que os terrores do Sinai os humilharam profundamente naquele momento (Êxodo 20:19). Todos estavam prontos para receber as palavras de Deus, e fizeram isso novamente quando a lei lhes foi lida publicamente (Josué 8:34).

É grande privilégio, depois de ouvir uma vez as palavras de Deus, ter a oportunidade de ouvi-las de novo. Jesus disse: “Eu lhes fiz conhecer o teu nome, e ainda o farei conhecer” (João 17:26). Do mesmo modo, Israel não apenas recebeu a lei, mas deveria continuar a recebê-la, por meio da oração e de outras mensagens vivas da parte de Deus.

O povo é então ensinado, em gratidão pela lei de Deus, a lembrar sempre tanto da própria lei como de Moisés, por meio de quem ela foi dada (Deuteronômio 33:4-5). Dois dos paráfrases caldeus interpretam como se fossem as palavras dos filhos de Israel: “Moisés nos ordenou uma lei.” Os judeus dizem que, assim que uma criança aprendia a falar, o pai era obrigado a ensiná-la a dizer estas palavras: “Moisés nos ordenou uma lei, herança da congregação de Jacó.” Eram ensinados a falar da lei com grande respeito, chamando-a de herança da congregação de Jacó.

Eles viam a lei como algo peculiar deles, que os distinguia das outras nações. Os demais povos não a conheciam (Salmo 147:20) e, mesmo que a conhecessem, não estavam ligados a ela como Israel estava. Por isso, diz o bispo Patrick, quando os judeus conquistavam um país, não forçavam ninguém a aceitar a lei de Moisés. Exigiam apenas a observância dos sete mandamentos dados a Noé.

Eles também viam a lei como algo transmitido de geração em geração, como uma herança passada aos filhos. Herança é coisa que deve seguir adiante, e eles entendiam assim a lei. Consideravam-na também sua riqueza e verdadeiro tesouro. Quem tem a palavra de Deus e os meios de graça tem razão de dizer: “Temos uma linda herança.” Uma pessoa é verdadeiramente rica quando a palavra de Cristo habita nela ricamente.

A lei pode ser chamada de herança deles porque veio juntamente com a terra. Estava tão estreitamente ligada à terra que afastar-se da lei significaria perder a herança. Veja Salmo 119:111.

Eram também ensinados a falar com grande respeito acerca de Moisés. Estavam especialmente obrigados a honrar o seu nome, porque ele não providenciou que sua família mantivesse sua memória, como Arão fez. Os descendentes de Moisés nunca foram conhecidos como “filhos de Moisés”, enquanto os sacerdotes eram chamados “filhos de Arão”.

Primeiro, deviam reconhecer Moisés como grande bênção para a nação, porque por meio dele receberam a lei. Ainda que a lei viesse da mão de Deus, chegou a eles pela mão de Moisés. Em segundo lugar, “ele foi rei em Jesurum”. Jesurum é um nome poético para Israel, significando povo reto ou bem-aventurado. Moisés lhes deu a lei e, enquanto viveu, cuidou também de que fosse cumprida e observada. Eles eram muito afortunados por ter tal governante, que os conduzia e ia adiante deles em todo tempo.

Alguns entendem este título como se referindo ao próprio Deus. Ele mostrou ser o Rei deles quando lhes deu a lei, e permaneceu seu Rei enquanto eles foram Jesurum, isto é, um povo reto, até que o rejeitaram (1 Samuel 12:12).

Mas parece mais provável que o título se refira a Moisés. Um bom governo é uma grande bênção para qualquer povo, e por isso se deve ser profundamente grato. Um governo é especialmente favorecido quando, como em Israel, e também entre nós, o poder é compartilhado entre o rei em Jesurum e os chefes das tribos, quando se reúnem em assembleia.

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