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Deuteronômio 22:13 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Quando um homem tomar mulher e, depois de coabitar com ela, a desprezar, "

Deuteronômio 22:13

menu_book Versículo no contexto

11 Não te vestirás de diversos estofos de lã e linho juntamente.

12 Franjas porás nas quatro bordas da tua manta, com que te cobrires.

13 Quando um homem tomar mulher e, depois de coabitar com ela, a desprezar,

14 E lhe imputar coisas escandalosas, e contra ela divulgar má fama, dizendo: Tomei esta mulher, e me cheguei a ela, porém não a achei virgem;

15 Então o pai da moça e sua mãe tomarão os sinais da virgindade da moça, e levá-los-ão aos anciãos da cidade, à porta;

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auto_stories Comentário Bible Guided

Essas leis se relacionam com o sétimo mandamento e têm o propósito de refrear os desejos da carne, acrescentando penalidades para pecados que guerreiam contra a alma. Em primeiro lugar, se um homem, movido pela cobiça por outra mulher, quisesse livrar‑se da própria esposa difamando‑a, acusando‑a falsamente de não ser virgem quando se casou com ela, a sua mentira deveria ser desmascarada e punida (Deuteronômio 22:13-19). O tipo exato de prova exigida para desmascarar essa mentira não nos é totalmente claro, e não é necessário conhecer todos os detalhes. O importante é entender que o povo para quem essa lei foi dada compreendia o procedimento, e que esse marido perverso, que tentou destruir o nome de sua própria esposa, devia ser açoitado, multado e impedido para sempre de se divorciar dela.

Pela própria lei, ele poderia, se quisesse, dar‑lhe carta de divórcio (Deuteronômio 24:1), mas nesse caso teria de deixá‑la ir com o seu dote. Porém, se para poupar esse dinheiro, e ainda lhe causar maior dano, escolhesse destruir sua boa fama, então merecia um castigo severo, e também perder de uma vez por todas o direito de se divorciar dela. Quanto mais próximos são de nós aqueles de quem falamos mal e cuja reputação manchamos, maior é o pecado. É chamado de crime grave levantar calúnia contra o “filho de tua mãe” (Salmo 50:20), por ser alguém tão chegado; ainda pior é difamar o próprio cônjuge, que em certo sentido é uma só carne conosco. É como uma ave imunda que suja o próprio ninho.

A castidade, isto é, a pureza sexual, é honra e virtude. Qualquer coisa que dê margem a suspeita nessa área é grande vergonha e desonra. Nesse ponto, mais do que em quase qualquer outro, devemos zelar pelo nosso bom nome e também pelo bom nome dos outros. Os pais, igualmente, devem considerar‑se responsáveis por defender a reputação de seus filhos, pois a honra dos filhos faz parte da própria honra deles.

Em segundo lugar, se uma mulher que foi dada em casamento como virgem fosse descoberta não o sendo, deveria ser apedrejada à porta da casa de seu pai (Deuteronômio 22:20, 21). Se o pecado tivesse ocorrido antes do noivado, não seria tratado como crime capital, ainda que o engano contra o marido fosse, em si, digno de morte, pois ela o induziu conscientemente a crer que era casta e modesta. Alguns entendem que essa pena mais severa se aplicava apenas quando o pecado havia sido cometido depois do noivado, já que muitos eram prometidos em casamento antes de completarem a união.

Essa lei dava às jovens um forte aviso para fugirem da imoralidade sexual. Aquilo que ficou escondido antes do casamento, e por isso não impediu as bodas, provavelmente seria descoberto depois, trazendo vergonha duradoura e ruína completa. Ela também lembrava aos pais que deviam fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para preservar a castidade dos filhos: dar conselhos sábios, oferecer bom exemplo, afastá‑los de más companhias, orar por eles e impor os limites necessários. Se os filhos caíssem em pecado sexual, os pais teriam de suportar a dor e a vergonha de ver o juízo executado à sua própria porta. A expressão “loucura em Israel” foi usada exatamente para esse tipo de pecado, no caso de Diná (Gênesis 34:7). Todo pecado é loucura, mas o pecado sexual é de maneira especial insensato, e mais ainda quando ocorre em Israel, entre um povo que se diz santo.

Em terceiro lugar, se algum homem, fosse ele solteiro ou casado, se deitasse com mulher casada, ambos deviam ser mortos (Deuteronômio 22:22). Essa lei já havia sido declarada antes (Levítico 20:10). Mas, se um homem casado se deitasse com mulher não casada, o pecado não era considerado do mesmo nível e não recebia pena de morte, porque, nesse caso, não se introduzia uma criança ilegítima em um lar, como se fosse herdeira legítima.

Em quarto lugar, se uma jovem estivesse desposada, mas ainda não casada, já não ficava inteiramente sob os olhos daquele que viria a ser seu marido. Por isso a lei dava proteção especial à sua castidade. Se ela se entregasse voluntariamente, tanto ela quanto o homem que pecou com ela deveriam ser mortos (Deuteronômio 22:23, 24). Presumia‑se que ela consentira se o ato tivesse ocorrido na cidade, onde poderia receber ajuda imediata se clamasse. O silêncio era tomado como consentimento. Isso nos lembra que muitas vezes as pessoas estão dispostas a ceder à tentação, apesar do que afirmam, quando se recusam a usar os meios que têm à disposição para resistir.

O simples fato de ser encontrada na cidade, lugar de movimento e entretenimento, em vez de permanecer sob a proteção do pai, pesava contra ela. Aqueles que se expõem sem necessidade à tentação frequentemente sofrem por isso antes mesmo de perceberem o perigo em que se colocaram. Diná perdeu a honra porque quis satisfazer a curiosidade ao ver as filhas da terra. Segundo essa lei, até mesmo a virgem Maria teria sido publicamente acusada e levada à morte, se Deus não tivesse esclarecido o assunto a José por meio de um anjo.

Se, porém, a mulher tivesse sido forçada e não houvesse consentido, o homem que a violentou devia ser morto, mas a jovem seria considerada inocente e livre de culpa (Deuteronômio 22:24-27). Se o fato tivesse acontecido no campo, longe de qualquer vizinho, presumir‑se‑ia que ela clamou, mas não havia ninguém para ajudá‑la. Além disso, estar no campo, lugar solitário, não a expunha moralmente da mesma maneira que circular na cidade. Essa lei nos ensina várias coisas. Sofremos pelo mal que fazemos, não pelo mal que nos fazem. Nada é pecado se a vontade não participa, ao menos em alguma medida. Também devemos julgar o próximo pela melhor perspectiva possível, a não ser quando os fatos claramente mostrem o contrário. A caridade ensina isso, e a justiça também. Ainda que ninguém tivesse ouvido o grito dela, uma vez que ninguém poderia ouvi‑lo naquela situação, dever‑se‑ia presumir que ela de fato clamou.

Aprendemos igualmente que nossa castidade deve ser tão preciosa para nós quanto a própria vida. Quando ela é atacada, não é excessivo clamar como quem sofre uma tentativa de assassinato, pois a questão é gravíssima. E nisso também somos ensinados sobre o que fazer quando Satanás nos ataca com tentações: onde quer que estejamos, devemos clamar ao céu por socorro, dizendo: “Socorre‑me, Senhor, pois estou sendo violentado.” Ali podemos ter certeza de ser ouvidos, como Paulo foi, quando o Senhor lhe disse: “A minha graça te basta.”

Em quinto lugar, se uma jovem não desposada fosse forçada dessa maneira, o homem que a violentou devia pagar uma multa. Essa quantia seria dada ao pai da moça e, se ele e a jovem assim concordassem, o homem deveria casar‑se com ela e jamais poderia divorciar‑se, por mais que ela fosse socialmente inferior ou viesse a tornar‑se, para ele, desagradável, como Tamar se tornou para Amnom depois que ele a forçou (Deuteronômio 22:28, 29). Esse arranjo visava desencorajar tal maldade, tão vergonhosa que é penoso até escrever ou ler sobre ela.

A lei que proíbe um homem de casar‑se com a viúva de seu pai, ou de ter qualquer intimidade indevida com a mulher de seu pai, é aqui repetida (Deuteronômio 22:30) a partir de Levítico 18:8. Provavelmente funciona, como observa um antigo comentador, como um lembrete breve para que guardassem cuidadosamente todas as leis ali dadas contra casamentos incestuosos, pois esse caso é destacado como o mais vergonhoso de todos. O apóstolo diz que esse tipo de pecado “nem ainda entre os gentios se nomeia” (1 Coríntios 5:1).

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