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Daniel 2:24 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Por isso Daniel foi ter com Arioque, ao qual o rei tinha constituído para matar os sábios de babilônia; entrou, e disse-lhe assim: Não mates os sábios de babilônia; introduze-me na presença do rei, e declararei ao rei a interpretação. "

Daniel 2:24

menu_book Versículo no contexto

22 Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz.

23 Ó Deus de meus pais, eu te dou graças e te louvo, porque me deste sabedoria e força; e agora me fizeste saber o que te pedimos, porque nos fizeste saber este assunto do rei.

24 Por isso Daniel foi ter com Arioque, ao qual o rei tinha constituído para matar os sábios de babilônia; entrou, e disse-lhe assim: Não mates os sábios de babilônia; introduze-me na presença do rei, e declararei ao rei a interpretação.

25 Então Arioque depressa introduziu a Daniel na presença do rei, e disse-lhe assim: Achei um homem dentre os cativos de Judá, o qual fará saber ao rei a interpretação.

26 Respondeu o rei, e disse a Daniel (cujo nome era Beltessazar): Podes tu fazer-me saber o sonho que tive e a sua interpretação?

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui vemos o início do relato de Daniel sobre o sonho e seu significado.

Primeiro ele pede que a ordem contra os sábios da Babilônia seja revertida (Daniel 2:24). Ele vai imediatamente a Arioque e lhe diz que sua missão já não é necessária: “Não mates os sábios de Babilônia”. Alguns daqueles homens, como magos, podiam até ser dignos de morte segundo a lei de Deus, mas esse caso específico não era um crime que merecesse morte ou prisão. Portanto, não deviam ser mortos injustamente. Que continuassem vivos, ainda que justamente envergonhados por sua incapacidade, enquanto um profeta do Senhor conseguia o que eles não puderam fazer.

Isso nos ensina algo importante. Como Deus demonstra bondade comum tanto aos maus quanto aos bons, devemos agir de modo semelhante, dispostos até a salvar homens maus (Mateus 5:45). Um homem piedoso é uma bênção pública. Deus certa vez deu a Paulo a vida de todos os que navegavam com ele, e eles foram poupados por causa dele. Do mesmo modo, Daniel foi o motivo de os sábios serem preservados, ainda que depois eles não lhe demonstrassem gratidão por isso (Daniel 3:8).

Em seguida, Daniel oferece sua ajuda com confiança, afirmando que pode ir ao rei e lhe mostrar tanto o sonho quanto a interpretação, e é levado à presença do rei para isso (Daniel 2:24, Daniel 2:25). Arioque o conduz apressadamente, esperando ganhar favor ao “apresentar” Daniel. Ele finge que tinha procurado Daniel com o propósito de interpretar o sonho, quando na verdade o buscava para executar a sentença do rei contra ele. Assim costumam agir oficiais de palácio, procurando de todo modo agradar o governante e fazer parecer que seu serviço é especialmente útil.

Daniel também aproveita o momento para expor a vergonha dos magos e honrar a Deus. O rei reconhece que a afirmação de Daniel é ousada e pergunta se ele realmente pode fazer aquilo (Daniel 2:26): “Podes tu fazer-me saber o sonho?”. Daniel parece jovem e inexperiente se comparado aos sábios veteranos do rei, e por isso o rei duvida dele. Mas quanto menos provável parecia ser aos olhos do rei, tanto mais Deus seria glorificado no êxito de Daniel. Deus costuma escolher pessoas fracas, tolas e desprezadas para confundir os sábios e poderosos, para que fique claro que a grandeza do poder é dele, e não deles (1 Coríntios 1:27, 1 Coríntios 1:28).

Daniel então usa a ocasião para tirar dos magos e adivinhos o crédito que falsamente reivindicavam (Daniel 2:27). Ele declara que esse segredo “não podem revelar”. A arte deles não alcança esse ponto. Assim, o rei não deve ficar irado com eles por não fazerem aquilo que são incapazes de fazer. Deve antes deixá-los de lado, já que não podem ajudá-lo. A lição é clara: quando vemos como as criaturas falham em nos satisfazer, nossa estima por elas deve diminuir, e nossas expectativas em relação a elas precisam ser abaixadas. Elas vão até certo ponto, e não além disso.

Então Daniel volta a mente do rei para o único Deus vivo e verdadeiro, a quem ele adora (Daniel 2:28). “Mas há um Deus no céu que revela segredos.” Esse é o ponto central. Os limites das criaturas devem nos conduzir ao poder ilimitado do Criador. Há um Deus no céu, e é grande misericórdia que haja, que pode fazer por nós e revelar-nos o que ninguém na terra é capaz de fazer. Isso inclui o significado oculto da redenção e os propósitos secretos do amor de Deus nela, o mistério escondido por séculos e gerações. A revelação divina traz luz onde a razão humana falha, e torna conhecido a reis e a pobres o que nem filósofos nem governantes do mundo pagão, com todos os seus oráculos e artes de adivinhação, jamais poderiam descobrir (Romanos 16:25, Romanos 16:26).

Daniel também confirma que o rei estava certo ao pensar que o sonho tinha importância. Não foi um sonho comum, fruto de uma mente inquieta. Era uma mensagem de Deus, um raio de luz vindo do mundo de cima, falando de grandes acontecimentos e mudanças vindouras neste mundo inferior. Deus fez saber ao rei o que aconteceria “nos últimos dias” (Daniel 2:28), isto é, em tempos ainda futuros, alcançando até o estabelecimento do reino de Cristo no mundo, que se manifestaria nesses últimos dias (Hebreus 1:1).

Daniel acrescenta que os pensamentos que vieram à mente do rei não eram apenas o tipo de pensamento que, em sonhos, se repete a partir das preocupações do dia (Daniel 2:29). Alguns entendem que esses foram os pensamentos do rei enquanto ainda estava acordado, antes de dormir, quando se perguntava o que seria do seu poder crescente e qual seria o destino final de seu reino. Nesse caso, o sonho foi a resposta de Deus a essas indagações. Quando Deus planeja revelar algo, muitas vezes prepara antes o coração das pessoas para isso.

Por fim, Daniel declara humildemente que esse segredo não foi descoberto por mérito ou habilidade própria (Daniel 2:30). Foi revelado a ele, mas não porque tivesse mais sabedoria do que qualquer outro vivo. Ele deixa claro que não era melhor do que os demais, nem havia merecido esse favor de Deus. É apropriado que aqueles que são muito favorecidos por Deus permaneçam humildes. Devem afastar de si todo pensamento de sabedoria ou valor próprios, para que somente Deus receba o louvor por tudo o que são, têm e fazem, e para que tudo seja visto como fruto da bondade livre de Deus e de sua perfeita obra neles.

O segredo lhe foi revelado, não por causa dele mesmo, mas por causa de outros.

Por causa do seu povo, isto é, por causa daqueles que ouviriam e partilhariam a interpretação com o rei. Daniel tinha em vista também seus irmãos na fé, seus companheiros na tribulação, que o ajudaram com suas orações e assim podem ser considerados participantes na revelação da interpretação. Ele esperava que suas vidas fossem poupadas, que alcançassem favor e promoção, e que todo o povo judeu fosse beneficiado em seu cativeiro. A nota aqui é simples: pessoas humildes estão sempre prontas a reconhecer que o que Deus faz por elas, e por meio delas, é, na verdade, mais em favor de outros do que delas mesmas.

E por causa de seu príncipe, isto é, do rei. Alguns entendem as palavras anteriores nesse sentido: “Não por qualquer sabedoria em mim, mas para que o rei conheça a interpretação e para que conheças os pensamentos do teu coração.” Em outras palavras, Daniel queria que o rei recebesse uma resposta, encontrasse paz em relação ao que o perturbava e aprendesse como deveria agir para com a igreja de Deus. Deus mostrou esse assunto a Daniel para que Daniel o transmitisse ao rei. Os profetas recebem para dar. O que Deus lhes revela não é para ficar com eles, mas para ser comunicado àqueles que precisam.

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