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Romanos 16:17 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Peço a vocês, irmãos, que desconfiem daqueles que causam divisões e escândalos, afastando-se da doutrina que vocês receberam. Evitem essas pessoas! "

Romanos 16:17

menu_book Versículo no contexto

15 Saúdem Filólogo e Júlia, Nereu e sua irmã, Olímpio e todos os irmãos que estão com eles.

16 Saúdem uns aos outros com um beijo santo. Todas as igrejas de Cristo saúdam vocês.

17 Peço a vocês, irmãos, que desconfiem daqueles que causam divisões e escândalos, afastando-se da doutrina que vocês receberam. Evitem essas pessoas!

18 Esses tais não servem a Cristo, nosso Senhor, mas ao próprio ventre. E, com palavras adocicadas e linguagem lisonjeira, enganam os corações simples.

19 A obediência de vocês se tornou conhecida em toda parte, razão pela qual me alegro a respeito de vocês. Mas quero que sejam prudentes no tocante ao bem e simples no tocante ao mal.

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auto_stories Comentário Bible Guided

O apóstolo havia acabado de usar saudações calorosas para aproximar os crentes uns dos outros; por isso é muito adequado que ele acrescente logo em seguida uma advertência contra pessoas cujas ideias e atitudes destroem o amor cristão. Ele faz isso de forma branda: “Rogo-vos, irmãos”. Não fala como um governante autoritário sobre o povo de Deus, mas como quem suplica em amor. As advertências de Paulo são sempre sérias e pessoais.

Primeiro, ele manda que percebam o perigo: “noteis os que promovem dissensões e escândalos”. Jesus já havia dito que escândalos e tropeços viriam, mas também advertiu quanto àqueles por meio de quem eles viriam (Mateus 18:7). Paulo está falando de pessoas que sobrecarregam a igreja com regras que dividem, impõem essas regras sobre os outros ou espalham ideias que quebram a unidade entre os crentes. Ele inclui também aqueles que se separam de outros cristãos por orgulho, ambição, gosto pela novidade ou motivos semelhantes, e depois aprofundam a divisão com discussões ásperas, críticas e conversas maldosas e suspeitosas.

Essas pessoas agem de modo contrário, ou diferente, “da doutrina que aprendestes”. Tudo o que se afasta do ensino claro das Escrituras abre a porta para divisão e escândalo. Quando a verdade é abandonada, a unidade e a paz não duram muito. Por isso Paulo manda observar bem essas pessoas, estudar seus métodos e seus objetivos. Gente perigosa muitas vezes fala de forma muito convincente, então os crentes precisam de olhos atentos e vigilantes.

Ele também diz para se desviar delas. Não devem manter comunhão íntima com essas pessoas, para não serem contaminados pela influência delas. Não devem aderir a causas que dividem, nem aceitar qualquer ensino ou prática que destrua o amor cristão ou a verdade que conduz à piedade. Alguns entendem que Paulo tinha especialmente em vista os mestres judaizantes, homens que se diziam cristãos, mas insistiam em impor as antigas cerimônias da lei de Moisés como se fossem necessárias.

Paulo dá duas razões para essa advertência. A primeira é o modo pernicioso de agir desses enganadores (Romanos 16:18). Quanto piores eles são, com mais cuidado devemos nos guardar deles. Eles não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, ainda que usem o nome de cristãos. Não buscam a glória de Cristo, nem a sua causa, nem a sua vontade. Em vez disso, servem ao próprio ventre, isto é, aos próprios interesses carnais e egoístas. Orgulho, ambição, ganância, luxo e sensualidade são os verdadeiros objetivos que perseguem. O “deus” deles é o ventre (Filipenses 3:19). Fazem do lucro a sua religião e do prazer o alvo de sua vida.

Seu método também é perigoso: “com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples”. Suas palavras podem soar piedosas, zelosas e cheias de cuidado. É fácil falar de modo “religioso” com os lábios enquanto o coração está longe de Deus. Podem tratar com muita gentileza justamente as pessoas que pretendem prejudicar. Foi assim que a serpente enganou Eva. Não iludem apenas a mente; começam pelo coração, moldando silenciosamente as opiniões por meio de afeto e simpatia. Por isso os crentes devem guardar o coração com todo cuidado, sobretudo quando falsos mestres estão em ação.

A segunda razão é que os cristãos em Roma já eram conhecidos pela obediência, e isso mesmo podia torná-los alvo. A obediência deles havia se tornado famosa “entre todos”. Isso os tornava presa atraente para falsos mestres. O inimigo costuma atacar igrejas e almas que vão bem. Um navio conhecido por levar grande tesouro é o mais visado pelos assaltantes. Assim, Paulo diz, em outras palavras: “Vigiem por vocês mesmos”.

Falsos mestres geralmente procuram pessoas já despertadas, convencidas do pecado ou cheias de perguntas. Gente assim, muitas vezes, é mais fácil de influenciar. Não são poucos os que, começando sinceramente a buscar o caminho para Sião, acabaram caindo em perigo nesse ponto. Por essa razão, os ministros devem ter cuidado especial em alimentar ternamente os cordeirinhos e colocar um bom fundamento.

Ainda assim, Paulo fala tudo isso de modo afetuoso, não desconfiado. Ele se alegra com a obediência deles e fala bem da igreja antes de adverti-la. Um cuidado atento por amigos pode andar junto com verdadeira alegria neles. Ele sabe que eles são um povo disposto e de bom coração, mas justamente isso pode torná-los fáceis de desviar, se não forem cuidadosos. Então Paulo estabelece uma regra geral: sejam sábios no que é bom e simples, ou inocentes, quanto ao mal. Os crentes devem conhecer bem a verdade, provar os espíritos, examinar todas as coisas e reter o que é bom. Há grande necessidade de sabedoria para conservar a boa doutrina, os deveres corretos e a companhia de pessoas fiéis, a fim de não sermos enganados.

Sejam prudentes como as serpentes (Mateus 10:16), sábios o bastante para distinguir o que é verdadeiramente bom do que é falsificado. Aprendam a perceber a diferença entre coisas que parecem semelhantes e a aproveitar bem as oportunidades. Vivendo em meio a tantos enganadores, precisamos daquela sabedoria pela qual o prudente entende o seu caminho (Provérbios 14:8).

Ao mesmo tempo, sejam simples quanto ao mal: sábios o bastante para não serem enganados, mas simples demais para se tornarem enganadores. É uma simplicidade santa. Significa não ter habilidade para planejar o mal, nem para desculpá-lo ou executá-lo. A palavra traz a ideia de alguém inofensivo, puro, que não causa dano. Sejam como crianças quanto à malícia, isto é, sem habilidade em praticar o mal (1 Coríntios 14:20). A prudência da serpente convém ao cristão, mas não a astúcia da antiga serpente, Satanás. Devemos ser também inofensivos como as pombas.

Uma pessoa sábia e simples é alguém que não sabe agir contra a verdade. Paulo tinha especial cuidado de que a igreja em Roma preservasse sua pureza, porque era tão conhecida. Era como uma cidade edificada sobre um monte, observada por muitos olhos; assim, um erro que se espalhasse ali se tornaria um mau exemplo e prejudicaria outras igrejas. De fato, isso se confirmou na história, já que a grande apostasia dos tempos posteriores é apontada como tendo começado naquela cidade famosa. Os erros das igrejas de maior influência tornam-se erros dominantes.

Quando o bispo de Roma caiu como grande estrela do céu (Apocalipse 8:10), sua cauda arrastou consigo a terça parte das estrelas (Apocalipse 12:4). Paulo também lembra a promessa de Deus de que, por fim, teremos vitória. Essa promessa não é para nos tornar descuidados, mas para nos estimular à vigilância e ao esforço fiel. É uma promessa muito doce (Romanos 16:20): o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo de vossos pés.

Primeiro, Paulo apresenta o título de Deus. Chama-o de Deus de paz, a fonte e o doador de todo bem. Quando pedimos a Deus vitória espiritual, devemos lembrá-lo não apenas como Senhor dos Exércitos, que tem todo poder, mas também como o Deus de paz, o Deus que está em paz conosco, fala paz ao nosso coração, opera paz em nós e prepara paz para nós. A vitória nos vem de Deus, antes de tudo, como Deus de paz, e não apenas como Deus de guerra, porque em todos os nossos combates o alvo final é a paz. Sendo o Deus de paz, ele impedirá e derrotará todos os que promovem divisões e escândalos e perturbam a paz da igreja.

Em seguida, Paulo indica a bênção que espera de Deus: a vitória sobre Satanás. Mesmo que esteja falando, em primeiro lugar, dos falsos ensinos e dos espíritos enganadores recém-mencionados, que são obra de Satanás, a promessa vai além disso. Ela abrange todos os intentos de Satanás contra as almas, para manchá-las, perturbá-las e destruí-las, e todo o seu esforço para nos afastar da pureza do céu, da paz do céu agora e da posse do céu no porvir. Satanás tenta e aflige tanto como enganador quanto como destruidor, mas o Deus de paz o esmagará debaixo de nossos pés.

Paulo havia acabado de adverti-los a serem simples; por isso eles poderiam se perguntar: “Como escaparemos dessas armadilhas? Esses inimigos das nossas almas não acabarão nos vencendo?” Não, responde Paulo. Não temam. Vocês não podem vencer pela própria força e sabedoria, mas o Deus de paz fará isso por vocês. Por meio daquele que nos amou, seremos mais que vencedores.

A vitória será completa. Deus esmagará Satanás debaixo de vossos pés, apontando claramente para a primeira promessa do Messias no Éden (Gênesis 3:15), de que a semente da mulher esmagaria a cabeça da serpente. Essa promessa está sendo cumprida todos os dias, quando os crentes resistem e vencem as tentações de Satanás, e será plenamente cumprida quando todos os que pertencem à eleição da graça forem conduzidos em segurança à glória, apesar de todos os poderes das trevas. Quando Josué venceu os reis de Canaã, chamou os capitães de Israel para colocarem os pés sobre o pescoço daqueles reis (Josué 10:24). Do mesmo modo, Cristo, nosso Josué, fará com que todos os seus fiéis servos e soldados ponham os pés sobre o pescoço de Satanás e pisoteiem seus inimigos espirituais.

Cristo já conquistou a vitória por nós. Ele amarrou o valente, quebrou o seu poder e deixou-nos apenas o trabalho de seguir adiante na vitória e repartir o despojo. Isso deve nos animar ao combate espiritual e a pelejar o bom combate da fé. Lidamos com um inimigo já derrotado, e a vitória final em breve será plenamente manifestada.

A vitória também será em breve. “Ele o fará em breve.” Ainda por um pouco de tempo, e aquele que há de vir virá. Ele prometeu: “Venho sem demora.” Quando parece que Satanás venceu e estamos prestes a perder a esperança, então o Deus de paz levará a obra a um fim rápido e justo. Soldados se animam quando sabem que a guerra não vai durar muito, especialmente quando a vitória é certa.

Alguns entendem isso como o fim de suas contendas, em amor genuíno e verdadeira unidade. Outros aplicam ao fim das perseguições contra a igreja, quando os governantes do império se voltaram ao cristianismo e os cruéis inimigos da igreja foram abatidos sob Constantino. É melhor, porém, aplicar isso à vitória que todos os crentes terão sobre Satanás quando chegarem ao céu e estiverem para sempre fora do seu alcance, junto com as vitórias presentes que já alcançam pela graça, como um antegosto desse triunfo final. Portanto, mantenham firme a fé e a paciência por mais um pouco. Quando tivermos atravessado o mar Vermelho, veremos nossos inimigos espirituais mortos à beira-mar e cantaremos o cântico de Moisés e o cântico do Cordeiro.

Paulo então acrescenta a bênção: A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com vós, isto é, o favor de Cristo para com eles e a ação de Cristo neles. Esta será a melhor proteção contra as armadilhas de falsos mestres, cismáticos e hereges. Se a graça de Cristo está conosco, quem poderá se levantar contra nós e prevalecer? Sejam, pois, fortalecidos na graça que há em Cristo Jesus. Paulo, falando não só como amigo, mas também como ministro e apóstolo que havia recebido graça sobre graça, os abençoa com essa autoridade e repete a bênção (Romanos 16:24).

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