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Tiago 2:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Meus irmãos, na fé que vocês têm em nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, não façam distinção entre pessoas. "

Tiago 2:1

menu_book Versículo no contexto

1 Meus irmãos, na fé que vocês têm em nosso glorioso Senhor Jesus Cristo, não façam distinção entre pessoas.

2 Suponham que entre na reunião de vocês um homem com anel de ouro e roupas luxuosas, e que entre também um pobre com roupas gastas;

3 se vocês derem atenção ao que está magnificamente vestido e lhe disserem: “Sente-se aqui, neste lugar de honra”, e disserem ao pobre: “Fique ali de pé”, ou: “Sente-se aqui junto ao estrado dos meus pés”,

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auto_stories Comentário Bible Guided

O apóstolo aqui está repreendendo uma prática muito corrupta. Ele mostra quanto mal vem do pecado de fazer acepção de pessoas, isto é, tratar alguns melhor do que outros por motivos meramente externos. Esse mal já começava a se espalhar nas igrejas de Cristo naqueles primeiros dias, e mais tarde prejudicou gravemente e dividiu nações e grupos que se dizem cristãos.

Tiago começa dando uma advertência geral contra esse pecado: “Meus irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas” (Tiago 2:1). Observe o que isso diz sobre os cristãos. Eles são pessoas que possuem a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, eles a abraçam, a recebem e vivem por ela. Aceitam o ensinamento de Cristo, submetem-se ao seu governo e consideram essa fé ao mesmo tempo como um encargo confiado e um tesouro.

Tiago fala de modo muito honroso de Jesus Cristo ao chamá‑lo de Senhor da glória. Cristo é o resplendor da glória de seu Pai e a perfeita expressão do seu ser. Sendo Cristo o Senhor da glória, devemos valorizar os cristãos principalmente por sua relação com ele e por serem semelhantes a ele, e não por sua condição exterior.

Se você afirma crer na glória de nosso Senhor Jesus Cristo, glória que o crente mais pobre compartilhará tão plenamente quanto o mais rico, então a posição social não deve dirigir o seu respeito. A honra terrena nada é ao lado dessa glória. Professar fé em Cristo e, ao mesmo tempo, favorecer pessoas por causa de vantagens externas é obscurecer a honra do nosso glorioso Senhor, e isso é um pecado grave.

Em seguida, Tiago explica e adverte contra esse pecado usando um exemplo (Tiago 2:2-3). Ele descreve um homem com anel de ouro e roupas finas que entra na reunião, e um pobre com roupas sujas que também entra, e mostra como se dá atenção especial ao que aparenta ser rico. A palavra usada para “reunião” aponta para encontros em que os membros da igreja resolviam disputas ou decidiam questões de disciplina. É algo semelhante às reuniões nas sinagogas entre os judeus, onde o povo se reunia para julgar causas com justiça.

Parece haver aqui uma referência a uma prática entre os judeus, segundo a qual ricos e pobres deviam ser tratados da mesma forma no tribunal. O ponto não é o culto público comum. No culto público pode haver diferenças de lugar ou posição por motivo de função ou circunstância, sem que isso seja pecado. Tiago está falando de julgamentos da igreja, da disciplina e de questões de consciência, em que nenhum favoritismo desse tipo deve existir.

No exemplo, um homem impressiona pela roupa e aparência, e outro entra pobre e mal vestido. Se então se decide de modo errado apenas porque um parece estar em melhor situação, age-se com injustiça. Disso aprendemos várias coisas.

Deus tem seus filhos em todos os tipos de pessoas, tanto entre os que vestem roupas finas e macias quanto entre os que usam roupas simples e gastas. Na religião, ricos e pobres estão no mesmo nível. Ninguém chega mais perto de Deus por causa da riqueza, e ninguém é empurrado mais para longe por causa da pobreza. Deus não faz acepção de pessoas; portanto, nós também não devemos fazer, sobretudo em questões de consciência.

Devemos ter cuidado especial para não dar honra excessiva à riqueza ou à posição social nas reuniões cristãs. Tiago não está ensinando grosseria nem desordem. O respeito civil é devido, e algumas diferenças no modo de tratar pessoas de diferentes posições são corretas. Mas esse respeito nunca deve mandar nas escolhas da igreja, em seus cargos nem em sua disciplina. Nas questões espirituais, não devemos conhecer ninguém “segundo a carne”.

O cidadão de Sião é aquele que despreza o que é vil e honra os que temem ao Senhor. Se um pobre é um homem piedoso, não devemos valorizá-lo menos por ele ser pobre. Se um rico é um homem mau, ainda que tenha belas roupas e uma bela profissão de fé, não devemos valorizá-lo mais por ele ser rico.

Importa muito também qual regra usamos ao julgar pessoas. Se nos acostumamos a julgar pela aparência externa, esse hábito acabará moldando nosso coração e nossas ações nas reuniões religiosas. Muitos ímpios são muito estimados no mundo, embora o seu pecado os torne baixos e vergonhosos. Por outro lado, muitos cristãos humildes e piedosos se vestem de modo simples, mas nem eles nem sua fé devem ser considerados menores por causa disso.

Tiago então mostra a gravidade desse pecado (Tiago 2:4-5). Trata-se de uma parcialidade vergonhosa, é injustiça, e nos coloca em oposição a Deus, que escolheu os pobres e os honrará, se forem piedosos, ainda que sejam desprezados por quem for. “Porventura não fizestes distinção entre vós mesmos e não vos fizestes juízes de maus pensamentos?” Essa pergunta é dirigida à consciência de todo leitor sério. Ela indaga se não estamos estabelecendo padrões falsos e julgando por medidas erradas.

Apelos à consciência são muito proveitosos, especialmente com pessoas que professam a fé, mesmo quando caíram em grande corrupção. Tiago também mostra que essa acepção de pessoas nasce de pensamentos maus e injustos. A conduta é parcial porque o coração e os pensamentos de onde ela procede também são maus. Se seguirmos a trilha da parcialidade até sua origem, encontraremos pensamentos ocultos profundamente errados.

No íntimo, você está preferindo a aparência externa à graça interior, e as coisas visíveis às realidades invisíveis. A feiura completa do pecado só é vista quando a maldade dos nossos pensamentos é desvelada. É isso que torna tão graves as falhas do nosso temperamento e da nossa conduta, pois “toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” (Gênesis 6:5).

Fazer acepção de pessoas dessa forma é um pecado sério porque nos coloca em oposição direta a Deus. “Porventura Deus não escolheu os pobres deste mundo, para serem ricos na fé?” No entanto, vocês os têm desprezado (Tiago 2:5-6). Deus fez herdeiros de um reino exatamente aqueles que vocês tratam como sem valor, e lhes deu grandes e preciosas promessas, enquanto vocês mal lhes dirigem uma palavra bondosa ou um olhar respeitoso. Que grande mal é esse naqueles que afirmam ser filhos de Deus e semelhantes a ele. Ouçam, meus amados irmãos, pois Tiago os exorta com todo o amor que tem por eles e todo o respeito que eles lhe mostraram: pensem seriamente nisso.

Note que muitos dos pobres deste mundo são o povo escolhido de Deus. Serem escolhidos não os impede de serem pobres, e sua pobreza não enfraquece a prova de que são escolhidos. Jesus disse: “Aos pobres é anunciado o evangelho” (Mateus 11:5). Deus quis recomendar sua santa religião pelas suas próprias excelências e beleza, e não por riquezas e esplendor exteriores. Por isso escolheu muitos pobres deste mundo. Note também que muitos pobres são ricos na fé. A pessoa mais pobre pode tornar‑se verdadeiramente rica, e esse deve ser o tipo de riqueza que ela busca acima de tudo. Aqueles que têm bens e posses devem ser ricos em boas obras, porque quanto mais possuem, mais têm para repartir. Mas os pobres devem ser ricos em fé, porque quanto menos têm aqui, mais devem viver na esperança de bens melhores por vir.

Os cristãos crentes também são ricos no seu título, pois são herdeiros de um reino, mesmo que atualmente possuam muito pouco. O que lhes é dado nesta vida é pequeno, mas o que está reservado para eles é sem medida. E onde quer que alguém seja rico em fé, ali também haverá amor divino, porque a fé atua pelo amor. Isso será verdadeiro em todos os herdeiros da glória. O céu é um reino, e é um reino prometido àqueles que amam a Deus. No capítulo anterior lemos da coroa prometida aos que amam a Deus (Tiago 1:12). Aqui aprendemos que há também um reino. E assim como a coroa é coroa da vida, esse reino também durará para sempre.

Quando tudo isso é colocado junto, fica claro quão honrados são os pobres deste mundo, se forem ricos na fé, e quão grandemente Deus os exaltará no porvir. Isso torna ainda mais pecaminoso desprezá‑los. Depois de razões tão fortes, a acusação é de fato bem dura: “Mas vós desprezastes o pobre” (Tiago 2:6).

Fazer acepção por causa de riquezas ou aparência externa é um pecado muito grande também por causa do mal que muitas vezes é causado pela riqueza e pela posição neste mundo, e porque os cristãos agem com muita insensatez ao dar honra especial àqueles que têm demonstrado tão pouco respeito a Deus e a eles mesmos. “Porventura não vos oprimem os ricos e não vos arrastam aos tribunais? Não blasfemam eles o bom nome que sobre vós foi invocado?” (Tiago 2:7). Considere quantas vezes as riquezas se tornam causa de maldade, de blasfêmia e de perseguição. Considere quantos males vocês sofrem, e quanto opróbrio é lançado sobre a sua religião e sobre o seu Deus por pessoas de riqueza, poder e posição mundana. Então ficará claro quão pecaminoso e insensato é honrar aquilo que tende a derrubá‑los, destruir o que vocês edificam e desonrar o bom nome que vocês carregam.

O nome de Cristo é um nome digno. Ele traz honra e dá verdadeiro valor àqueles que o levam.

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