Versículo em destaque
Salmos 55:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
Ao mestre de canto. Conforme: “Muda pomba de longínquas terras”. Cântico de Davi, quando vai para junto dos filisteus, em Get.
Salmos 55:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Ao mestre de canto. Conforme: “Muda pomba de longínquas terras”. Cântico de Davi, quando vai para junto dos filisteus, em Get.
3 Meus inimigos me espezinham continuamente; são numerosos os que me fazem guerra.
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Nestes versículos vemos Davi em oração. A oração é um bálsamo curador para toda dor e um consolo em todo fardo. “Inclina, ó Deus, os teus ouvidos à minha oração” (Salmo 55:1, Salmo 55:2). Ele não repete ali, palavra por palavra, todos os pedidos que já havia apresentado a Deus na sua angústia, mas pede que o Senhor ouça as orações que seu coração vinha elevando a cada momento, e que lhes responda com paz. “Ouve-me, escuta-me.” Saul não quis ouvir os apelos de Davi, e seus outros inimigos também os ignoraram. Mesmo assim, Davi diz: “Senhor, por favor, escuta-me. Não te escondas da minha súplica”, isto é, não desvies o rosto como se estivesses indiferente, ou como se estivesses irado contra mim e, por isso, contra a minha oração.
Se abrimos com sinceridade a nossa vida, as nossas aflições e o nosso coração diante de Deus em oração, temos boa razão para esperar que ele não se esconderá de nós. Ele não esconderá de nós o seu favor nem o seu consolo.
Davi também está chorando, e nisso ele aponta para Cristo, o Homem de dores, que muitas vezes chorou (Salmo 55:2). “Ando vagueando e bramando”, ou, em outras palavras, lamento nas minhas tristes meditações e “faço ruído”. Ele não consegue conter os suspiros e gemidos que tornam visível a sua tristeza para os que estão ao seu redor. A dor profunda muitas vezes se manifesta em voz alta, e colocá-la em palavras pode aliviá-la um pouco. A dor que é sufocada e nunca expressa tende a se tornar ainda mais pesada.
Mas o que causou suas lágrimas? Foi “a voz do inimigo” (Salmo 55:3), as ameaças e insultos do partido de Absalão, que agitavam o povo para clamar contra Davi e expulsá-lo do trono e da cidade. Mais tarde, os principais sacerdotes fizeram o mesmo com o Filho de Davi, Jesus, quando incitaram a multidão a gritar: “Fora com ele, crucifica-o.” Porém Davi não se abalava apenas com o barulho dos inimigos. Ele também se quebrantava por causa da opressão e do tratamento duro que lançavam sobre ele.
“Porque lançam sobre mim iniqüidade.” Eles não conseguiam provar de forma honesta qualquer maldade em seu governo, então o sobrecarregaram com mentiras e calúnias. Embora não encontrassem falha real nele como rei, atribuíram-lhe todo tipo de mal e o pintaram como um tirano que precisava ser deposto. A inocência não é proteção contra línguas violentas e mentirosas. Eles o odiavam profundamente, com ira e com ódio persistente. E se esforçavam para torná-lo odiado também pelos outros. Isso entristecia ainda mais Davi, porque ele se lembrava de quando fora o querido do povo, e até seu nome significava “amado”.
Davi também está tremendo e profundamente alarmado. Isso é fácil de entender quando a conspiração de Absalão irrompeu e muitos, inclusive pessoas em quem Davi pouco suspeitava, se voltaram contra ele. Davi era um homem valente e já havia demonstrado grande coragem de maneiras impressionantes. No entanto, quando o perigo veio de forma tão repentina e intensa, seu coração desfaleceu. Que nenhum homem forte se glorie de sua coragem, assim como não deve se gloriar de sua força.
Agora Davi diz que seu coração está dolorido dentro dele. Os terrores da morte caíram sobre ele (Salmo 55:4). O medo encheu sua mente, o tremor sacudiu seu corpo e o horror o cobriu (Salmo 55:5). Quando há combates de fora, não é de estranhar que haja temores por dentro. Se isso aconteceu durante a rebelião de Absalão, então a lembrança do pecado de Davi no caso de Urias pode também ter intensificado seu medo, pois Deus estava lidando com esse pecado.
Em certas ocasiões a fé de Davi o tornava quase destemido, e ele podia dizer, mesmo cercado por inimigos: “Não temerei o que me possa fazer o homem.” Mas, em outros momentos, o medo o dominava e assumia o controle. Mesmo as melhores pessoas nem sempre estão igualmente fortes na fé.
No meio do temor, Davi desejava retirar-se para um deserto, para qualquer lugar distante da voz dos inimigos e de sua opressão. Ele diz: “Ah! quem me dera asas como de pomba” (Salmo 55:6). Ele diz isso a Deus em oração, a si mesmo em reflexão e a seus amigos em lamento. Jerusalém muitas vezes lhe fora querida, mas, agora que se tornara rebelde, ele desejava estar longe dela. Como o profeta, ele ansiava por “uma estalagem de caminhantes no deserto”, um lugar onde pudesse deixar o povo e afastar-se dele, porque eram uma congregação de homens traiçoeiros (Jeremias 9:2).
Isso se encaixa bem com a decisão de Davi quando a conspiração surgiu: “Levantai-vos, e fujamos, porque não poderemos escapar diante de Absalão; dai-vos pressa a partir” (2 Samuel 15:14). Podemos notar três coisas. Primeiro, ele queria de algum modo escapar. Estava tão cercado que não enxergava outra saída além da fuga, por isso desejava asas. Ele não pensa em asas de falcão, rápidas para o ataque, mas em asas para fugir das aves de rapina, que é no que seus inimigos haviam se tornado. As asas de pomba combinavam melhor com seu espírito manso do que as asas de águia.
Segundo, ele desejava fugir da tempestade, da agitação e do perigo que dominavam a cidade. Nesse aspecto ele era como a pomba, que não suporta o barulho. Terceiro, seu objetivo não era a vitória, mas o descanso. “Voaria, e estaria em descanso” (Salmo 55:6). Ele iria a qualquer lugar, até mesmo para um deserto árido e assustador, contanto que pudesse ter sossego (Salmo 55:7). Paz e tranquilidade em silêncio e solidão são, muitas vezes, o grande anseio de pessoas sábias e piedosas, especialmente quando estão esgotadas pelo ruído e pelos problemas que as cercam.
As almas piedosas frequentemente desejam afastar-se da correria e da agitação deste mundo para desfrutar de Deus e de seu próprio coração em paz. Se existe alguma verdadeira paz deste lado do céu, muitas vezes elas a encontram assim. Essa é uma das razões pelas quais a morte pode ser tão bem-vinda para um filho de Deus: ela é a fuga final de todas as tempestades deste mundo para um descanso perfeito e eterno.
Deste capítulo
Salmos 55:2
"Tem piedade de mim, ó Deus, porque os homens me pisam aos pés; sem cessar, eles me oprimem, combatendo."
Salmos 55:3
"Meus inimigos me espezinham continuamente; são numerosos os que me fazem guerra."
Salmos 55:4
"Ó Altíssimo, quando o terror me assalta, é em ti que ponho a minha confiança."
Salmos 55:5
"É em Deus, cuja promessa eu proclamo, sim, é em Deus que ponho a minha esperança; nada temo: que mal pode me fazer um ser de carne?"
Salmos 55:6
"O dia inteiro, eles me difamam; todos os seus pensamentos são para o meu mal;"
Salmos 55:7
"Reúnem-se, armam ciladas, observam meus passos e odeiam a minha vida."
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