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Salmos 56:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
Ao mestre de canto. “Não destruas”. Cântico de Davi, quando fugiu para a caverna, perseguido por Saul.
Salmos 56:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Ao mestre de canto. “Não destruas”. Cântico de Davi, quando fugiu para a caverna, perseguido por Saul.
3 Clamo ao Deus Altíssimo, ao Deus que me cumula de benefícios.
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Davi escreve este salmo entregando-se nas mãos de Deus pela fé, mesmo depois de o medo e um juízo precipitado o terem levado para o meio dos filisteus. Ele tinha fugido para Gate, cidade filisteia, para escapar de Saul, esquecendo-se de como eles já tinham sido seus inimigos porque ele havia matado Golias, o campeão dos filisteus. Logo se voltaram contra ele e o colocaram em perigo ali (1 Samuel 21:10-11). Nessa situação ele mudou o seu comportamento, mas o seu espírito estava tão tranquilo que provavelmente escreveu este salmo, e também o Salmo 34, nessa mesma época.
Este salmo é chamado de “Mictão”, que significa um “salmo de ouro”. Alguns outros salmos têm esse título, mas este traz uma expressão especial no cabeçalho: Jonate-elem-recoquim, que significa “a pomba silenciosa que está longe”. Alguns entendem isso como uma figura do próprio Davi. Ele desejava ter asas como de pomba para poder fugir. Era inofensivo, manso e paciente como uma pomba, mas tinha sido arrancado do seu ninho e do santuário (Salmo 84:3). Precisou vaguear longe de casa e procurar abrigo em terras estrangeiras. Ali se tornou semelhante às pombas dos vales, tristes, lamentando, mas em silêncio. Não reclamou contra Deus nem falou com amargura contra aqueles que o feriram. Nisso apontou para Cristo, que foi silencioso como ovelha muda diante dos seus tosquiadores, e deixou um exemplo para os cristãos, que também devem ser pombas silenciosas, onde quer que estejam e qualquer que seja o mal que lhes façam.
Na primeira parte do salmo, Davi apresenta diante de Deus a malícia e a perversidade de seus inimigos. Ele faz isso para mostrar tanto por que tinha medo deles quanto por que Deus deveria levantar-se contra eles (Salmo 56:1). Sua oração é: “Tem misericórdia de mim, ó Deus!”. Nessa súplica está contido todo bem de que precisamos quando nos achegamos ao trono da graça. Se ali alcançamos misericórdia, recebemos tudo o que realmente precisamos para ser felizes. Ela também expressa o melhor fundamento do nosso pedido: não o nosso mérito, mas a misericórdia de Deus, a sua misericórdia livre e abundante. Davi pede misericórdia a Deus porque não encontrou misericórdia nos homens. Fugiu das mãos cruéis de Saul apenas para cair nas mãos cruéis dos filisteus. Em outras palavras, ele diz: “Senhor, sê agora misericordioso comigo, ou estou perdido”. A misericórdia de Deus é o refúgio em que podemos correr e confiar, e o que devemos buscar em oração e fé quando os perigos nos cercam por todos os lados.
Ele se queixa de que os seus inimigos eram numerosos (Salmo 56:2). Eles pensavam que poderiam dominá-lo pela força dos números. Davi pede que Deus observe isso e mostre que, quando os soberbos agem com arrogância, Deus está acima deles. É questão de honra para Deus socorrer um só contra muitos. Se Deus é por nós, por mais que sejam os que se levantem contra nós, podemos dizer com razão que são mais os que estão conosco.
Ele diz também que eram cruéis. Queriam engoli-lo, e nada menos do que isso os satisfaria (Salmo 56:1-2). Avançavam sobre ele com toda a fúria, como animais selvagens que despedaçam a presa (Salmo 27:2). Era homem contra homem, pessoas de quem ele poderia esperar alguma humanidade. Até as feras geralmente não atacam os da própria espécie, mas os ímpios devoram o justo se puderem. Ainda assim, são apenas homens, fracos e frágeis, e Davi pede que Deus os faça reconhecer isso (Salmo 9:20).
Eles também estavam unidos contra ele (Salmo 56:6). Embora fossem muitos e tivessem interesses diversos, juntaram-se para se opor a Davi, assim como mais tarde Herodes e Pilatos se uniram contra o Filho de Davi. Eram poderosos também, poderosos demais para ele, a menos que Deus o ajudasse. Ele diz que pelejam contra ele e o oprimem, de modo que quase o vencem e o levam ao extremo.
Eram ainda astutos e ardilosos (Salmo 56:6). Escondiam-se e encobriam cuidadosamente seus planos para executá-los com mais eficácia. Ocultavam-se como o leão no covil, espiando seus passos. Em outras palavras, vigiavam tudo o que ele dizia e fazia, procurando algo de que acusá-lo, assim como os inimigos de Cristo o vigiavam (Lucas 20:20). Observavam todos os seus movimentos para achar ocasião de feri-lo e armar-lhe ciladas.
Eram também rancorosos e maldosos. Distorciam tudo o que ele dizia, mesmo quando ele falava com sinceridade e muito cuidado (Salmo 56:5). Puxavam suas palavras até o limite, tentando arrancar delas sentidos que jamais estiveram ali. Assim o tornavam culpado por uma única palavra (Isaías 29:21), levando relatos distorcidos a Saul e inflamando ainda mais a ira de Saul contra ele. O propósito deles era destruir Davi, por isso torciam cada palavra com intenção maligna.
Por fim, eram inquietos e não desistiam nunca. Espreitavam a sua vida, a sua vida preciosa, como caçadores esperam pela presa. Desejavam a sua morte (Salmo 56:6). Pelejavam contra ele todo dia (Salmo 56:1), tentavam devorá-lo todo dia (Salmo 56:2) e todos os dias torciam as suas palavras (Salmo 56:5). O ódio deles não permitia nem um intervalo na hostilidade. Assim Satanás e seus agentes se opõem ao reino de Cristo e ao bem da sua santa religião. Se realmente estamos com Cristo, não devemos achar estranho ser tratados dessa forma. Pessoas melhores do que nós já sofreram assim; os profetas foram perseguidos do mesmo modo.
No meio dessas queixas, Davi se volta para encorajar a si mesmo em Deus, nas promessas, no poder e na providência de Deus (Salmo 56:3-4). Antes de terminar de descrever seus inimigos, já está triunfando no cuidado divino. Resolve que Deus será a sua confiança, especialmente quando o perigo for maior e todo outro apoio tiver falhado. “No dia em que eu temer”, diz ele, quando estiver aterrorizado por fora e tímido por dentro, “hei de confiar em ti”. Essa confiança aquietará seus temores. Há tempos que são, de modo especial, tempos de medo para o povo de Deus, e nesses tempos é tanto dever quanto privilégio confiar em Deus como seu Deus e saber em quem se tem crido. Isso firma o coração e o mantém em paz.
Ele decide também fazer das promessas de Deus o conteúdo do seu louvor (Salmo 56:4). Temos bons motivos para fazer o mesmo. “Em Deus louvarei”, diz ele, querendo dizer não só as obras de Deus, mas também a sua palavra. Ele agradecerá a Deus por uma promessa mesmo antes de vê-la cumprida. “Em Deus”, isto é, pela sua força e ajuda, “me gloriarei na sua palavra e lhe darei glória por ela”. Alguns entendem “a sua palavra” como suas providências, cada evento que Deus ordena e determina. Nesse caso, o sentido é: “Quando eu falar bem de Deus, também falarei bem de tudo o que ele faz”.
Apoiado em Deus, ele pode desafiar qualquer inimigo. “Tendo eu confiado em Deus, estou seguro e em paz, e não temerei o que me possa fazer o homem.” Eles são apenas carne, e pouco podem fazer. Na verdade, nada podem fazer a não ser o que Deus permitir. Assim como não devemos confiar no poder humano quando está a nosso favor, também não devemos temer o poder humano quando está contra nós.
Ele olha ainda para a queda dos que pelejam contra ele e de todos os que procuram se garantir por meios perversos (Salmo 56:7). “Escaparão eles por meio da iniquidade?” Eles esperam fugir do juízo de Deus como fogem da justiça humana, por violência, engano e toda espécie de injustiça e traição. Mas escaparão? Não, certamente não. O próprio pecado nunca protegerá o pecador, e nem a ousadia orgulhosa nem a falsa religião o absolverão no tribunal de Deus (Romanos 2:3). Deus, em sua ira, abaterá tais pessoas e as lançará abaixo. Ninguém está tão alto, nem tão bem estabelecido, que a justiça de Deus não possa rebaixá-lo, tanto do seu posto quanto da sua falsa segurança. Quem pode compreender plenamente o poder da ira de Deus, até onde ela alcança e com quanta força pode ferir?
Deste capítulo
Salmos 56:2
"Tem piedade de mim, ó Deus, tem piedade de mim, porque a minha alma procura em ti o seu refúgio. Abrigo-me à sombra de tuas asas, até que a tormenta passe."
Salmos 56:3
"Clamo ao Deus Altíssimo, ao Deus que me cumula de benefícios."
Salmos 56:4
"Que ele mande do céu auxílio que me salve e cubra de confusão os meus perseguidores; que Deus me envie a sua graça e fidelidade."
Salmos 56:5
"Estou no meio de leões que devoram os homens com avidez. Seus dentes são como lanças e flechas, e suas línguas, como espadas afiadas."
Salmos 56:6
"Eleva-te, ó Deus, ao mais alto do céu, e que a tua glória brilhe sobre toda a terra."
Salmos 56:7
"Diante dos meus pés armaram uma rede; fizeram-me perder a coragem; cavaram uma fossa diante de mim; que eles mesmos caiam nela."
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