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Salmos 10:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

Ao mestre de canto. De Davi. É junto do Senhor que busco refúgio. Por que me dizer: “Fuja rapidamente para a montanha, como um pássaro;

Salmos 10:1

menu_book Versículo no contexto

1 Ao mestre de canto. De Davi. É junto do Senhor que busco refúgio. Por que me dizer: “Fuja rapidamente para a montanha, como um pássaro;

2 eis que os maus retesam seu arco e ajustam a flecha na corda, para ferir, de noite, os que têm o coração reto.

3 Quando os próprios fundamentos se abalam, o que ainda pode fazer o justo?”.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Davi mostra aqui, em primeiro lugar, um amor muito profundo por Deus e pelo favor de Deus. Na angústia, o que ele sente com mais dor é a aparente distância de Deus. Ele clama: “Por que estás ao longe, como se não te importasses com os insultos contra o teu nome e com o mal feito ao teu povo?” O fato de Deus “se esconder” parece especialmente amargo nos tempos de aflição.

Quando a ajuda humana parece distante, somos tentados a pensar que Deus também está longe. Então perdemos o consolo interior, mas muitas vezes isso é culpa nossa. Julgamos pelas aparências, e a nossa incredulidade é que nos coloca longe de Deus. Depois reclamamos que Deus está longe de nós.

Davi também mostra grande indignação contra o pecado, especialmente contra os pecados que tornam os tempos perigosos, como Paulo mais tarde descreve (2 Timóteo 3:1). Ele vê os malfeitores, fica perturbado com eles e apresenta a maldade deles ao seu Pai celestial. Não faz isso para se exaltar, como o fariseu que se gabou diante de Deus (Lucas 18:11), nem está apenas despejando raiva pessoal. Ele fala como alguém oprimido pelo que ofende a Deus e fere as pessoas de bem, desejando que os homens se convertam do mal.

Ataques duros contra os ímpios geralmente fazem mais mal do que bem. Se falarmos do pecado deles, deve ser a Deus, em oração, porque só Deus pode transformá‑los. Davi resume todo o retrato do ímpio nas palavras iniciais: “O ímpio, na soberba do seu rosto, persegue furiosamente o pobre” (Salmo 10:2). Duas acusações são feitas contra eles aqui: soberba e perseguição, sendo a soberba a raiz da perseguição.

Pessoas orgulhosas querem que todos à sua volta concordem com elas. Querem que os outros sigam a sua religião, aceitem o seu domínio e se submetam aos seus julgamentos. Qualquer um que as ultrapasse ou se recuse a ceder torna‑se alvo do ódio delas. A tirania, tanto no governo quanto na igreja, nasce do orgulho.

Davi começa esse quadro e, em seguida, acrescenta uma breve oração no meio dele, sem quebrar o sentido: “Deixa‑os enlaçados nas tramas que urdiram” (Salmo 10:2). Os orgulhosos muitas vezes caem nas suas próprias armadilhas. Que os planos deles se voltem contra eles mesmos, e que caiam por causa de suas próprias maquinações.

A primeira coisa que se diz deles é que são muito soberbos e cheios de si. Não admira que Davi estranhe que Deus não se levante logo contra eles, porque Deus odeia a soberba e resiste aos soberbos. O pecador se gloria no seu próprio poder e sucesso. Age como se pudesse fazer o que quisesse, como se nem Deus pudesse detê‑lo, e como se já tivesse alcançado tudo o que desejava. Efraim disse: “Todavia eu tenho enriquecido, e adquirido para mim grandes bens” (Oséias 12:8). Davi pergunta, em essência, se é para honra de Deus deixar que um pecador finja ter o domínio e a felicidade que pertencem somente a Deus.

Os ímpios também contradizem o juízo de Deus, embora o juízo de Deus seja sempre reto. Eles louvam o cobiçoso, o avarento, a quem o Senhor abomina. Deus e os homens muitas vezes julgam as pessoas de modo bem diferente. Deus odeia os mundanos gananciosos que fazem do dinheiro o seu deus, e não terá comunhão com eles. “A amizade do mundo é inimizade contra Deus.” Mas opressores orgulhosos exaltam esse tipo de gente e aprovam o que eles dizem (Salmo 49:13). Chamam de sábios aqueles a quem Deus chama de loucos (Lucas 12:20). Chamam de inocentes aqueles que Deus condena como gravemente culpados. Admiram os que têm sua porção apenas nesta vida, embora Deus diga que isso os torna verdadeiramente miseráveis: “Recebeste os teus bens em tua vida”.

Os ímpios também jogam fora todo pensamento de Deus e toda dependência dele. “Pela soberba do seu rosto”, isto é, o orgulho do coração que aparece no semblante (Provérbios 6:17), ele não busca a Deus nem pensa nele. Deus não está em nenhum dos seus pensamentos. Esta é a essência da irreligiosidade: não buscar a Deus, não invocá‑lo, não viver em comunhão com ele. É um desejo oculto de não depender de Deus e de nada lhe dever. Essas pessoas vivem sem oração, e viver sem oração é viver sem Deus.

A causa disso é o orgulho. Os homens não buscam a Deus porque acham que não precisam dele. Julgam que suas próprias mãos lhes bastam. Consideram a religião algo inferior, porque os religiosos são poucos, pobres e desprezados, e porque as restrições da fé lhes parecem perda de status.

Eles também fazem pouco caso dos mandamentos e dos avisos de Deus. Seguem ousadamente no pecado, ainda que isso seja cansativo para si mesmos e incômodo para os outros. Estão exaustos de seus maus caminhos, mas o orgulho os torna obstinados neles. Os juízos de Deus, tanto seus mandamentos quanto as punições que ele anuncia para quem os quebra, estão “muito acima” da vista deles. Não sentem a autoridade de Deus sobre si, nem o perigo em que estão debaixo da ira e da maldição de Deus. Se você lhes disser que Deus governa sobre eles, desprezam isso. Se você os advertir sobre o juízo vindouro de Deus contra os que continuam pecando, não crerão que seja algo real.

Eles também desprezam todos os seus inimigos e olham para eles com altíssimo desprezo. Zombam daqueles que Deus está preparando para serem vara e ruína para eles, como se pudessem derrotá‑los e lidar com todos por conta própria. No entanto, é falta de sabedoria desprezar um inimigo, e é também impiedade desprezar qualquer instrumento da ira de Deus.

Por fim, eles desafiam a possibilidade de aflição e se sentem seguros de que seu sucesso vai durar. “Não serei abalado”, diz ele em seu coração. “Tenho bens acumulados para muitos anos, e nunca passarei por aperto.” É como a Babilônia, que dizia: “Eu serei senhora para sempre” (Isaías 47:7; Apocalipse 18:7). Os que põem a ruína o mais longe possível de si costumam ser os que estão mais perto dela.

Em segundo lugar, eles são perseguidores, perseguidores cruéis. Para alimentar sua soberba e cobiça, e em aberta resistência a Deus e à verdadeira religião, oprimem todo aquele que podem alcançar.

Esses perseguidores são profundamente amargos e cheios de ódio. Sua boca está cheia de maldição (Salmo 10:7). Se não podem fazer um mal real, ainda assim destilam veneno e falam da destruição que não conseguem executar. Os fiéis adoradores de Deus muitas vezes foram amaldiçoados assim, com toda sorte de afronta pública. Um coração cheio de maldade costuma aparecer numa boca cheia de maldições.

Eles também são falsos e traiçoeiros. Escondem seus maus desígnios “debaixo da língua”, de modo que não possam ser facilmente percebidos. Sua boca está cheia de engano e mentira. Aprenderam com o diabo a enganar para destruir, cobrindo o ódio com palavras suaves (Provérbios 26:26). Não se importam com que mentiras contem, que promessas quebrem ou que artimanhas usem para alcançar seu objetivo.

Também são astutos e ardilosos na execução de seus planos. Armam laços e fazem arranjos secretos para que o mal dê certo. Como Esaú, o caçador, se sentam em esconderijos e esperam uma oportunidade de fazer o mal (Salmo 10:8). Não é por vergonha, pois, se sentissem vergonha, haveria esperança de arrependimento. Também não é por temerem a ira de Deus, porque pensam que ele jamais os chamará a prestar contas (Salmo 10:11). Eles se escondem porque temem que seus planos sejam descobertos antes de concluídos. Isso pode apontar especialmente para salteadores e assaltantes de estrada, que espreitam viajantes e lhes tomam os bens.

Eles também são cruéis e selvagens. Seu ódio mira o inocente, que nada lhes fez, e o pobre, que não tem como resistir. Aqueles que deveriam proteger o inocente e cuidar do pobre muitas vezes se tornam os próprios destruidores deles. Seu objetivo é capturar o pobre e puxá‑lo para sua rede, isto é, trazê‑lo para debaixo de seu poder, não apenas para roubá‑lo, mas para matá‑lo. Caçam “a vida preciosa”. Os pobres de Deus estão entre aqueles que eles perseguem, e são odiados porque pertencem a Deus e trazem a sua imagem. Como um leão sedento de sangue, ficam de tocaia para destruir. O diabo, que os usa como instrumentos, também é descrito como um leão que ruge, buscando a quem possa tragar.

Eles são vis e hipócritas também (Salmo 10:10). Agacham‑se e se abaixam, como animais de rapina quando estão prontos para atacar. Isso mostra que perseguidores e opressores se rebaixam a qualquer coisa, por mais vil que seja, para executarem seus planos perversos. Saul, quando caçava Davi, mostrou esse tipo de comportamento vergonhoso. Mostra também que eles encobrem o mal com aparência de mansidão e humildade. Parecem preocupar‑se com o pobre e interessar‑se por suas necessidades, mas apenas para derrubá‑lo e transformá‑lo em presa.

Eles também são profundamente ímpios e, na prática, vivem como se fossem ateus (Salmo 10:11). Eles não poderiam quebrar de forma tão escancarada as leis de justiça e de bondade para com o próximo, se antes não tivessem rejeitado todo verdadeiro temor de Deus. Dizem em seu coração: “Deus se esqueceu.” Quando a consciência os adverte e pergunta como responderão ao justo Juiz do céu e da terra, eles abafam essa voz dizendo: “O SENHOR abandonou a terra” (Ezequiel 8:12; Ezequiel 9:9). Isso é uma blasfêmia contra a onisciência de Deus, contra seu cuidado que tudo vê, como se ele não soubesse o que acontece neste mundo. É também um insulto à sua santidade, como se ele visse o mal e não o odiasse. E ainda afronta a sua justiça, como se ele jamais fosse pedir contas aos ímpios ou castigá-los.

Os que sofrem debaixo de opressores soberbos podem se consolar sabendo que Deus, a seu tempo, agirá em favor deles. Quem os trata com abuso está também insultando o Deus Todo-Poderoso. Quando cantamos e oramos este salmo, nosso coração deve sentir santa indignação contra a maldade dos opressores, profunda compaixão pelo sofrimento dos oprimidos e um verdadeiro zelo pela honra de Deus. E devemos nos apegar firmemente a esta esperança: no tempo certo, ele socorrerá os feridos e julgará aqueles que os ferem.

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