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Salmos 45:10 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

Reprimiu as guerras em toda a extensão da terra; partiu os arcos, quebrou as lanças, queimou os escudos.

Salmos 45:10

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auto_stories Comentário Bible Guided

Nesta última parte do salmo, a palavra se volta para a noiva real, que está à direita do rei. Deus, que disse ao Filho: “Teu trono, ó Deus, é para todo o sempre”, agora fala à igreja, chamada de “filha” porque está unida ao Filho numa aliança de casamento.

Primeiro ele declara quais deveres são esperados dela, e isso vale para todos que entram em relação com o Senhor Jesus. “Ouve, filha, e olha, e inclina os teus ouvidos” significa: presta muita atenção, pondera bem e inclina o coração para aceitar o que é dito. Ela deve aceitar as condições dessa aliança e sujeitar a sua vontade a elas. É assim que as pessoas se aproveitam da palavra de Deus: ouvem, consideram e, então, se rendem ao que Deus fala.

O que é exigido aqui? Ela deve virar as costas a todos os outros vínculos. A lei dessa união é clara: “Esquece-te do teu povo e da casa de teu pai.” Ela não deve alimentar saudade que a faça querer voltar, nem conservar lembranças que a puxem de volta, mesmo de coisas que antes lhe foram muito queridas, como a mulher de Ló, que olhou para trás em direção a Sodoma. Quando Abraão obedeceu ao chamado de Deus e deixou sua terra, não continuou apegado ao país que deixara para trás. Isso mostra como era necessário que os convertidos do judaísmo ou do paganismo a Cristo abandonassem completamente seus antigos caminhos. Não deviam levar rituais judaicos nem idolatria pagã para dentro da fé cristã, para não criar uma religião mesclada e doentia, como a dos samaritanos.

Da mesma forma, mostra que todos nós, ao nos entregarmos a Jesus Cristo, devemos amar pai e mãe, e tudo mais neste mundo, menos do que amamos a Cristo e à sua honra, e menos do que valorizamos a nossa parte nele (Lucas 14:26). Ao mesmo tempo, ela recebe forte encorajamento para romper de vez com as antigas alianças: “Então o rei se afeiçoará da tua formosura.” Isso sugere que misturar os antigos costumes judaicos ou gentílicos com a nova fé estragaria sua formosura espiritual e poderia esfriar o afeto do Rei. Mas, se o seguir plenamente, ele nela se deleitará. A beleza da santidade, seja na igreja como corpo ou em cada crente, é preciosíssima aos olhos de Cristo. Onde ele vê essa beleza, diz: “Este é o meu descanso para sempre; aqui habitarei, pois o desejei.” Ele anda no meio dos castiçais de ouro com prazer (Apocalipse 2:1).

Ela também deve honrá-lo, amá-lo, obedecê-lo e se prostrar diante dele. “Ele é o teu Senhor; adora-o.” A igreja deve sujeitar-se a Cristo como a esposa ao marido (Efésios 5:24). Deve chamá-lo de Senhor, como Sara chamava Abraão, e obedecê-lo (1 Pedro 3:6). Isso significa mais do que aceitar seu governo; significa também conceder-lhe honra divina. Devemos adorá-lo como Deus e Senhor, pois é vontade do Pai que todos honrem o Filho assim como honram o Pai. Quando confessamos que Cristo é o Senhor e lhe damos louvor, isso redunda em glória para Deus Pai (Filipenses 2:11).

O salmo passa, então, a falar das honras preparadas para ela. Grande respeito lhe será prestado, e ricos presentes lhe serão trazidos. “A filha de Tiro”, aquela cidade rica e esplêndida, virá com presente. Todas as casas reais ao redor mandarão alguém para buscar o favor dela e granjear sua boa vontade. Até os ricos dentre o povo, que poderiam pensar que suas riquezas os tornam independentes da corte, buscarão o seu favor, por amor daquele com quem ela está unida. Assim esperam torná-lo seu amigo. Os judeus, até os mais orgulhosos e ricos, um dia virão e se prostrarão aos pés da igreja no período filadelfiano, e saberão que Cristo a amou (Apocalipse 3:9). Quando gentios se convertem e se unem à igreja, também vêm com presente (2 Coríntios 8:5; Romanos 15:16). Quando se entregam, e entregam tudo o que têm, para a honra de Cristo e serviço do seu reino, verdadeiramente vêm com presente.

Ela também será vista como muito gloriosa e digna de honra aos olhos de todos. Isso é verdade, em primeiro lugar, por causa de suas qualidades interiores, dos dons e graças de seu entendimento, que todos admirarão. “A filha do Rei é toda gloriosa por dentro.” A verdadeira glória da igreja é glória espiritual, e essa é a glória verdadeira. É a glória da alma, e a alma é a pessoa real. É glória aos olhos de Deus, e aponta para a glória eterna. A glória dos santos não pode ser vista pelo olhar natural. Assim como sua vida está escondida com Cristo em Deus, também sua glória está oculta. O homem natural não a compreende, pois se discerne espiritualmente. Mas os que a veem a estimam muitíssimo. Esta é a verdadeira glória que devemos buscar: não a que só faz aparência exterior, mas a formosura do homem interior do coração, a beleza que não perece (1 Pedro 3:4), cujo louvor vem de Deus, e não dos homens (Romanos 2:29).

Sua roupa também é rica. Embora sua glória real seja interior e seja isso que a torna, de fato, preciosa, suas vestes são tecidas de ouro. A conduta exterior dos cristãos, a maneira como se apresentam no mundo, deve ser cheia de boas obras. Essas obras não devem ser coisas chamativas ou vãs, como pintura e ornamento, mas sólidas e verdadeiramente boas, como ouro. Devem, ainda, ser bem trabalhadas, como ouro tecido, feitas com reflexão e cuidado.

Seu casamento será celebrado com honra e alegria. “Ela será levada ao Rei”, assim como o Senhor Deus trouxe a mulher ao homem (Gênesis 2:22), o que apontava para esse casamento espiritual entre Cristo e a sua igreja. Ninguém vem a Cristo se o Pai não o trouxer, e ele prometeu fazer isso. E ninguém é levado assim ao Rei, senão aqueles que entram nos seus palácios (Salmo 45:14, Salmo 45:15). Isso aponta para dois momentos distintos em que a noiva é trazida a Cristo.

Primeiro, quando as almas são convertidas a Cristo. Então são unidas a ele em um vínculo santo e particular, como virgens puras desposadas (2 Coríntios 11:2; Romanos 7:4). Segundo, quando o corpo místico estiver completo e todos os santos forem glorificados no fim dos tempos. Então a noiva, a esposa do Cordeiro, estará plenamente preparada, quando todos os que pertencem à graça eletiva de Deus forem reunidos e conduzidos para casa. Então todos serão ajuntados a Cristo (2 Tessalonicenses 2:1). É aí que vem as bodas do Cordeiro (Apocalipse 19:7; Apocalipse 21:2), e as virgens saem ao encontro do noivo (Mateus 25:1). Então entrarão nos palácios do Rei, as moradas celestiais, para estarem para sempre com o Senhor.

Em ambas essas cenas nupciais, as vestes da noiva são mencionadas com honra: a roupa bordada, que representa a justiça de Cristo e as graças do Espírito. Ambas são obra de arte da sabedoria divina.

As companheiras da noiva são as virgens que a acompanham, as virgens prudentes que têm azeite nas vasilhas e não só nas lâmpadas. São aqueles que se unem à igreja, permanecem perto dela e a seguem. Esses entrarão para as bodas.

O casamento será marcado por alegria e regozijo. Quando o filho pródigo é trazido de volta para casa do pai, é justo alegrar-se e regozijar-se (Lucas 15:32). Quando chegam as bodas do Cordeiro, devemos nos regozijar e exultar (Apocalipse 19:7), porque o dia do seu casamento é o dia do júbilo do seu coração (Cântico dos Cânticos 3:11).

Os filhos dessa união serão honrados e numerosos: “Em lugar de teus pais serão teus filhos” (Salmo 45:16). Isso aponta do velho concerto, que envelhecia e estava prestes a desaparecer (Hebreus 8:13), para uma igreja do novo concerto que inclui os gentios, as nações não judaicas, enxertadas na mesma oliveira e participantes da raiz e da seiva (Romanos 11:17). Assim, os filhos da mulher desamparada se tornarão mais numerosos e mais honrados do que os filhos da mulher casada (Isaías 54:1).

Essa promessa feita a Cristo tem o mesmo sentido de Isaías 53:10: “Verá a sua posteridade.” Esses filhos serão feitos príncipes em toda a terra. Gente de todas as nações virá para debaixo do domínio de Cristo e será feita príncipe, feita para nosso Deus reis e sacerdotes (Apocalipse 1:6). Ou isso pode significar que haverá muito mais reis cristãos do que houve reis judeus, já que aqueles reinaram apenas em Canaã, e estes estão em toda a terra. Serão pais e mães nutrícios da igreja, e a igreja será fortalecida pelos reis. São príncipes feitos por Cristo, pois é por ele que “reinam os reis, e os príncipes decretam justiça”.

O louvor por este casamento permanecerá enquanto durar o louvor ao noivo real. Deus declara: “Farei lembrado o teu nome” (Salmo 45:17). O Pai lhe deu um nome que está acima de todo nome e aqui promete manter esse nome vivo por meio de uma linha contínua de ministros e cristãos em todas as épocas. Eles sustentarão o seu nome, e assim ele permanecerá para sempre (Salmo 72:17), sendo lembrado em todas as gerações. A linhagem espiritual do cristianismo não será interrompida. Por isso, como o lembrarão de geração em geração, também o louvarão para todo o sempre.

Os que contribuem para manter a honra de Cristo na terra um dia verão a sua glória no céu, participarão dela e o louvarão eternamente. Na esperança confiante da nossa felicidade duradoura no mundo vindouro, devemos manter Cristo sempre em nossa mente no tempo presente, pois ele é o único caminho para lá. E, certos de que o reino do Redentor continuará neste mundo, devemos transmitir a memória dele às próximas gerações, para que o seu nome permaneça para sempre e seja tão duradouro quanto os dias do céu.

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