Versículo em destaque
Salmos 45:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
Ao mestre de canto. Dos filhos de Coré. Cântico para voz de soprano.
Salmos 45:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Ao mestre de canto. Dos filhos de Coré. Cântico para voz de soprano.
2 Deus é nosso refúgio e nossa força; mostrou-se nosso amparo nas tribulações.
3 Por isso, a terra pode tremer, nada tememos: as próprias montanhas podem se afundar nos mares.
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Alguns entendem “Shoshannim”, no título, como um instrumento de seis cordas. Outros tomam a palavra em seu sentido mais antigo, lírios ou rosas, flores que provavelmente eram espalhadas em festas de casamento. Se for assim, o título se aplica bem a Cristo, pois ele se chama a si mesmo de rosa de Sarom e lírio dos vales (Cânticos 2:1). Este é um cântico de amores, sobre o santo amor entre Cristo e sua igreja. É também um cântico para o Bem-amado, as virgens e companheiras da noiva (Salmo 45:14), destinado a ser cantado por elas. O grupo de virgens que seguem o Cordeiro no monte Sião é descrito como cantando um cântico novo (Apocalipse 14:3-4).
O prefácio em (Salmo 45:1) fala primeiro da grandeza do assunto. É um bom tema, e é uma pena que uma arte tão poderosa quanto a poesia seja por vezes usada para temas maus. Este cântico fala do Rei, o Rei Jesus, de seu reino e de seu governo. Os que falam de Cristo falam de uma boa matéria, pois nenhum assunto é tão nobre, tão amplo, tão frutífero, tão útil ou tão apropriado para nós. É lamentável que essa boa matéria não seja tratada com mais frequência.
O prefácio também mostra a excelência da composição. Este cântico é uma confissão de fé do coração a respeito de Cristo e de sua igreja. O assunto foi elaborado com cuidado, como um tema assim merecia. “O meu coração ferve” pode se referir ao Espírito de profecia que deu este salmo a Davi, o Espírito de Cristo que estava nos profetas (1 Pedro 1:11). Mas também combina com a meditação atenta de Davi e com o seu santo desejo, da plenitude dos quais a sua boca falava. Quando falamos de Cristo, devemos pensar com cuidado, com atenção firme e o coração aquecido por santo amor. Falamos melhor de Cristo e das coisas divinas quando falamos de um coração que foi movido por elas. Nunca devemos ser descuidados ao falar das coisas de Cristo, mas pesar bem nossas palavras de antemão, para não falarmos de modo errado (Eclesiastes 5:2).
O cântico também foi bem expresso. “Falo do que tenho feito no tocante ao Rei” quer dizer que ele falaria com clareza, como quem compreende e sente o que diz. Não estava apenas repetindo o que ouvira de outros; falava de coisas que ele mesmo estudara. O que Deus fez em nossa alma, bem como o que fez por nós, devemos contar aos outros (Salmo 66:16). Ele falaria também com alegria, liberdade e desembaraço. “A minha língua é a pena de um destro escritor”, guiada pelo coração em cada palavra, assim como a pena é guiada pela mão. Chamamos os profetas de escritores da Escritura, embora, na verdade, fossem apenas a pena. A língua do mais hábil orador continua sendo apenas a pena que Deus usa para escrever o que quer. Não devemos reclamar se essa pena escreve coisas duras contra nós, nem elogiar a pena como se merecesse honra quando escreve em nosso favor. Davi não apenas falou de Cristo, mas escreveu a respeito dele, para que isso se espalhasse mais e durasse mais. Quando o coração prepara uma boa matéria, é justo que a língua seja como a pena de um destro escritor, deixando tudo registrado.
Nestes versículos, o Senhor Jesus é apresentado primeiro como belo e amável em si mesmo. Este é um cântico nupcial, por isso a excelência especial de Cristo é retratada pela formosura do noivo real (Salmo 45:2). “Tu és o mais formoso dos filhos dos homens” quer dizer mais formoso do que qualquer um deles. O salmista havia dito que falaria do Rei, mas agora se dirige diretamente a ele. Os que admiram e amam a Cristo gostam de ir a ele e lhe dizer isso. Assim devemos confessar nossa fé, reconhecendo que vemos a sua beleza, e confessar nosso amor, declarando que nela nos agradamos: “Tu és formoso, tu és mais formoso do que os filhos dos homens.” Jesus Cristo é, em si mesmo e aos olhos de todos os crentes, mais amável do que qualquer ser humano. A beleza do Senhor Jesus, como Deus e como Mediador, excede infinitamente a beleza que há na natureza humana, mesmo nas pessoas mais admiráveis. Há mais em Cristo para atrair o nosso amor do que há, ou poderia haver, em qualquer criatura. Nosso Amado é superior a qualquer outro amado.
As belezas deste mundo facilmente puxam nosso coração para longe de Cristo, por isso precisamos compreender quanto ele supera todas elas. Devemos ver quanto ele é mais digno do nosso amor. Ele é também o grande favorito do céu. Ele é mais formoso do que os filhos dos homens porque Deus fez por ele mais do que por qualquer outro, e toda a bondade de Deus para com os seres humanos vem por causa dele e passa por suas mãos e por sua boca. Ele tem graça, e tem essa graça para nós. “A graça se derramou em teus lábios” significa que, por meio de sua palavra, de suas promessas e do seu evangelho, a boa vontade de Deus nos é revelada e sua boa obra começa e continua em nós. Cristo recebeu de Deus toda a graça, todos os dons necessários para qualificá-lo para sua obra e seu ofício de Mediador, o intermediário que aproxima Deus e os homens, para que, de sua plenitude, recebamos (João 1:16). A graça foi derramada não apenas em seu coração, para sua própria força e encorajamento, mas também em seus lábios, para que, pelas palavras de sua boca em geral, e pelas palavras de amor que dirige aos crentes em particular, ele comunique santidade e consolo. Dessa graça derramada em seus lábios vieram aquelas palavras cheias de graça de que todos se admiravam (Lucas 4:22). O evangelho da graça é derramado em seus lábios, porque foi ele quem primeiro o anunciou, e dele o recebemos. Ele tem as palavras de vida eterna. O targum caldeu diz que o espírito de profecia foi posto em seus lábios.
Ele também tem a bênção, e a tem para nós. Como ele é o grande depositário e doador da graça divina para o bem dos homens, Deus o abençoou para sempre, fez dele uma bênção eterna, de modo que nele todas as nações da terra são abençoadas. Onde Deus concede sua graça, também concede sua bênção. Somos abençoados com todas as bênçãos espirituais em Cristo Jesus (Efésios 1:3).
Ele também é mostrado como vitorioso sobre todos os seus inimigos. O noivo real é homem de guerra, e seu casamento não o afasta da batalha, como a lei permitia em certos casos (Deuteronômio 24:5). Ao contrário, o leva à batalha, pois ele precisa libertar sua noiva do cativeiro à força, conquistá-la, conquistar por ela e então desposá-la. Aqui vemos seus preparativos para a guerra: “Cinge a tua espada à coxa, ó Valente!” A palavra de Deus é a espada do Espírito. Pelas promessas dessa palavra, e pela graça nelas contida, as pessoas são levadas de boa vontade a se submeter a Jesus Cristo e se tornarem seus fiéis súditos. Pelas advertências dessa mesma palavra, e pelos juízos executados conforme ela, os que continuam resistindo a Cristo, com o tempo, serão abatidos e destruídos.
Pelo evangelho de Cristo, muitos judeus e gentios foram convertidos. Em seguida, a nação judaica foi destruída, conforme as profecias tinham anunciado, por causa do ódio feroz ao evangelho. O paganismo também foi completamente varrido. A espada atada à coxa de Cristo aqui é a mesma que é descrita como saindo de sua boca (Apocalipse 19:15). Quando o evangelho foi enviado para ser pregado a todas as nações, então o nosso Redentor cingiu a sua espada.
Ele sai para essa santa campanha com sua glória e majestade, como um grande rei que marcha para a guerra em todo o seu esplendor. Sua espada, sua glória e sua majestade andam juntas. No evangelho, Cristo se mostra verdadeiramente grande e excelente, luminoso e bem-aventurado, revestido da honra e da majestade que o Pai colocou sobre ele. Em sua pessoa e em seu evangelho, não havia glória exterior para atrair as pessoas, pois não tinha aparência nem formosura que nos agradasse aos olhos. Também não havia nada para aterrorizar, porque ele tomou a forma de servo. Toda a sua glória era glória espiritual, e toda a sua majestade, majestade espiritual.
Há tanta graça, e por isso tanta glória, na mensagem “Quem crer será salvo”, e tanta advertência, e por isso tanta majestade, na mensagem “Quem não crer será condenado”, que podemos dizer que o Redentor corre em glória e majestade na carruagem do evangelho, que essas palavras resumem. “Prosperamente cavalga pela causa da verdade” (Salmo 45:4). Ou seja: “Prospera, segue adiante.” Esta é a promessa do Pai, que ele teria êxito segundo o beneplácito do Senhor e dividiria o despojo com os fortes como recompensa por seus sofrimentos. Aqueles a quem Deus diz “prospera” não podem deixar de prosperar (Isaías 52:10-12). A frase também expressa o bom desejo dos amigos de Cristo, que pedem que ele prospere em trazer almas para si e em destruir todos os poderes das trevas que se rebelam contra ele. “Venha o teu reino; vai adiante e prospera.”
A causa pela qual ele luta é gloriosa, porque é pela verdade, pela mansidão e pela justiça, realidades que, de certo modo, tinham afundado e se perdido entre as pessoas, e que Cristo veio restaurar e resgatar. O próprio evangelho é verdade, mansidão e justiça. Ele comanda pelo poder da verdade e do direito, pois o cristianismo tem a verdade a seu favor, sem dúvida. Porém, ele deve ser propagado em mansidão e suavidade (1 Coríntios 4:12, 13; 2 Timóteo 2:25). Cristo também se manifesta no evangelho em sua própria verdade, mansidão e justiça, e essas são a sua glória e majestade. Por causa delas ele terá êxito. As pessoas são levadas a crer nele porque ele é verdadeiro, a aprender dele porque é manso (Mateus 11:29) e a se submeter a ele porque é justo e governa com equidade.
À medida que o evangelho se espalha, ele planta verdade, mansidão e justiça no coração das pessoas. Corrige seus enganos com a luz da verdade, refreia suas paixões pelo poder da mansidão e governa seus corações e vidas pelas leis da justiça. Ao estabelecer o seu reino entre os homens, Cristo veio restaurar essas verdadeiras glórias a um mundo caído. Veio também defender a causa daqueles governantes legítimos debaixo dele que tinham sido afastados por erro, ódio e pecado.
O êxito de sua campanha é expresso nas palavras: “A tua destra te ensinará coisas tremendas”. Isso significa que ele experimentaria um maravilhoso poder divino acompanhando o seu evangelho, tornando-o vitorioso, e os resultados seriam de encher de espanto. Para que haja conversão e reconquista de almas, certas coisas duras precisam acontecer. O coração precisa ser ferido, a consciência precisa ser abalada, e os terrores do Senhor precisam abrir espaço para os seus consolos. Isso é obra da destra de Cristo. O Consolador continuará essa obra (João 16:8).
Na conquista das portas do inferno e de todos os que as sustentam, e na destruição do judaísmo incrédulo e do paganismo, coisas tremendas acontecerão. Elas farão desmaiar de temor o coração dos homens (Lucas 21:26) e levarão grandes homens e chefes a clamarem aos montes e rochas que caiam sobre eles (Apocalipse 6:15). O versículo seguinte explica ainda mais essas coisas tremendas: “As tuas flechas são agudas no coração dos inimigos do rei” (Salmo 45:5). Primeiro, os que são inimigos por natureza são feridos para que possam ser subjugados e reconciliados. As convicções são como flechas, agudas no coração em que ferem, e fazem as pessoas se renderem ao domínio e ao governo de Cristo. Os que caem sobre esta pedra serão despedaçados (Mateus 21:44). Em segundo lugar, os que permanecem inimigos são feridos para que sejam destruídos. As flechas dos terrores de Deus são agudas em seus corações, e eles cairão debaixo de Cristo para se tornarem o estrado de seus pés (Salmo 110:1). Os que não quiserem que ele reine sobre eles serão trazidos e mortos diante dele (Lucas 19:27). Os que não se submetem ao seu cetro de ouro serão esmagados pela sua vara de ferro.
Deste capítulo
Salmos 45:2
"Deus é nosso refúgio e nossa força; mostrou-se nosso amparo nas tribulações."
Salmos 45:3
"Por isso, a terra pode tremer, nada tememos: as próprias montanhas podem se afundar nos mares."
Salmos 45:4
"Ainda que as águas tumultuem e, com sua fúria, venham abalar os montes, está conosco o Senhor dos exércitos, nosso protetor é o Deus de Jacó."
Salmos 45:5
"Os braços de um rio alegram a cidade de Deus, o santuário do Altíssimo."
Salmos 45:6
"Deus está no seu centro, ela é inabalável; desde o amanhecer, Deus já vem em seu socorro."
Salmos 45:7
"Agitaram-se as nações, vacilaram os reinos; apenas ressoou sua voz, tremeu a terra."
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