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Salmos 40:1 - Significado e aplicação
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Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
Ao mestre de canto. Salmo de Davi.
Salmos 40:1
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As Bem-Aventuranças (5 Dias)
Cinco encontros curtos com as bênçãos de Jesus e o caráter do reino de Deus.
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Bem-Aventurados os Humildes e os que Choram
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Salmos de Consolo (5 Dias)
Cinco encontros curtos nos Salmos, pensados para dias pesados em que há pouco tempo e pouca energia.
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O Cuidado do Pastor
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Nesses versículos vemos, em primeiro lugar, a profunda angústia do salmista. Ele diz que esteve num poço horrível e num lamaçal de lodo (Salmo 40:2), afundando cada vez mais e incapaz de sair por si mesmo. Ele não menciona aqui doença do corpo nem insultos de inimigos, por isso parece tratar-se de um sofrimento interior, uma pesada inquietação da alma. A escuridão do desespero, sob a sensação de que Deus se retirou, junto com fortes dúvidas e temores sobre a vida eterna, pode de fato ser como um poço horrível e um lamaçal de lodo, e muitos dos filhos amados de Deus já conheceram isso.
Em segundo lugar, vemos sua humilde espera em Deus e a esperança cheia de fé nesse lugar escuro. “Esperei com paciência no SENHOR” significa que ele continuou esperando socorro somente de Deus. A mesma mão que fere precisa também curar, e a mesma mão que golpeia deve enfaixar (Oséias 6:1), ou a cura nunca virá. Ele esperava socorro de Deus e o aguardava com firme esperança, sem duvidar de que viria no tempo de Deus. Há poder suficiente em Deus para ajudar o mais fraco, e graça suficiente para socorrer o menos digno dentre todos os que nele confiam. Ainda assim, ele esperou com paciência, o que mostra que a ajuda não veio depressa. Mas não deixou de crer, de esperar e de clamar até que ela viesse. Os que têm sua esperança em Deus podem esperar com confiança, mas também precisam esperar com paciência.
Isso se aplica claramente a Cristo. Sua agonia no jardim e na cruz foi um longo e esmagador sofrimento, e foi de fato como um poço horrível e um lamaçal de lodo. Então sua alma estava angustiada e profundamente triste, mas ainda assim ele orou: “Pai, glorifica o teu nome” e “Pai, salva-me”. Também se apegou à sua relação com o Pai, dizendo: “Deus meu, Deus meu”, e assim esperou pacientemente nele.
Em terceiro lugar, vemos a misericórdia consoladora de Deus em resposta àquela angústia, o que Davi registra para a glória de Deus e para o ânimo de outros. Deus respondeu às suas orações: “e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor”. Os que esperam com paciência por Deus, ainda que esperem por muito tempo, não esperam em vão. Nosso Senhor Jesus foi ouvido por causa da sua piedade (Hebreus 5:7). Mais ainda, ele sabia que o Pai o ouvia sempre.
Deus também acalmou os temores de Davi, serenou as tempestades dentro dele e lhe deu uma paz de consciência firme (Salmo 40:2). Deus o tirou daquele poço horrível de desespero, dissipou as nuvens e brilhou sobre ele com a certeza do seu favor. Além disso, colocou seus pés sobre uma rocha e firmou os seus passos. Aqueles que já passaram por profunda escuridão espiritual e foram ajudados pela graça de Deus podem sentir isso de forma muito pessoal. Foram tirados de um poço horrível.
Essa misericórdia é completa em dois sentidos. Primeiro, seus pés são colocados sobre uma rocha, onde há firmeza e onde se erguem em esperança do céu, depois de terem sido esmagados pelo medo do inferno. Cristo é a rocha sobre a qual uma pobre alma pode permanecer em segurança, e somente por meio dele podemos construir qualquer esperança sólida ou ter paz com Deus. Segundo, Deus firma os seus passos. Onde Deus concede uma esperança estável, ele espera uma vida estável e coerente. Se esse é o fruto bendito, devemos agradecer profundamente pelas riquezas e pelo poder da sua graça.
Deus também encheu Davi de alegria, além de paz, ao crer: “Pôs um novo cântico na minha boca”. Deu a Davi um novo motivo para se alegrar e um coração disposto a se alegrar. Era como se Davi tivesse sido introduzido em um novo mundo, e isso encheu sua boca com um novo cântico, louvor ao nosso Deus. Todos os nossos cânticos devem ser entoados para a honra e glória dele. Novas misericórdias, especialmente aquelas que nunca tínhamos recebido antes, pedem novos cânticos.
Isso também aponta para o nosso Senhor Jesus em sua entrada no paraíso, em sua ressurreição dentre os mortos e em sua exaltação à alegria e glória que lhe foram propostas. Ele foi tirado do poço horrível, colocado sobre uma rocha e recebeu um novo cântico em sua boca.
Em quarto lugar, devemos fazer bom uso desse exemplo da bondade de Deus para com Davi. A experiência de Davi deve encorajar muitos a esperar em Deus, e por isso ele a deixou escrita: “Muitos verão isto, e temerão, e confiarão no SENHOR”. Temerão o SENHOR e sua justiça, que trouxe Davi e o Filho de Davi àquele poço horrível, e dirão: Se isso aconteceu à árvore verde, que será da seca? Temerão também o SENHOR e sua bondade, vista em encher Davi e o Filho de Davi com novos cânticos de alegria e louvor. Esse é um santo e reverente temor de Deus, que não apenas é compatível com a esperança nele, mas é o próprio fundamento dela. Eles não o temerão para fugir dele. Temerão e confiarão nele em suas maiores angústias, sem duvidar de que ele é tão capaz e disposto a socorrer quanto foi para Davi na sua aflição.
Os tratos de Deus com o nosso Senhor Jesus são nossa grande razão para confiar em Deus. Quando aprouve ao SENHOR moê-lo e fazê-lo enfermar por causa dos nossos pecados, ele estava cobrando dele a dívida que era nossa. Quando o ressuscitou dentre os mortos e o assentou à sua direita, mostrou que aceitara o pagamento e estava satisfeito com ele. Que maior encorajamento poderíamos ter para temer, adorar e confiar em Deus? (Romanos 4:25; Romanos 5:1, 2).
O salmista também convida outros a fazerem de Deus a sua esperança, como ele fez, chamando de feliz aquele que assim procede (Salmo 40:4): “Bem-aventurado o homem que põe no SENHOR a sua confiança, e não respeita os soberbos”. Esse homem tem pensamentos grandes e bons a respeito de Deus e é inteiramente devotado a ele. Não dá atenção aos soberbos, não age como os que confiam em si mesmos e não depende daqueles que, com orgulho, querem que outros depositem neles a sua confiança. Ambos os caminhos desviam para a mentira, como acontece com todos os que se afastam de Deus.
Isso se aplica especialmente à nossa fé em Cristo. Bem-aventurados os que confiam nele e somente na sua justiça, e não dão ouvidos a fariseus orgulhosos, que colocam a própria justiça no lugar da dele. Bem-aventurados os que não se deixam governar por tais vozes e não se desviam para a mentira juntamente com os judeus incrédulos, que não se submetem à justiça de Deus (Romanos 10:3). Bem-aventurados os que escapam dessa tentação.
O alegre senso dessa misericórdia também levou Davi a notar, com gratidão, os muitos outros benefícios que já havia recebido de Deus (Salmo 40:5). Quando Deus põe novos cânticos em nossa boca, não devemos esquecer os cânticos antigos, mas entoá-los novamente. “Muitas são, SENHOR meu Deus, as maravilhas que tens operado para conosco.” Essa é apenas uma entre muitas. Somos carregados todos os dias com inúmeros benefícios da providência e da graça de Deus. São obras dele, não apenas dádivas de sua bondade, mas atos do seu poder. Ele opera por nós e opera em nós, e assim nos dá motivo não só para agradecer, mas para louvar.
São suas maravilhosas obras. O modo como ele as planeja é admirável, e igualmente admirável é a bondade com que as concede. Nem mesmo a eternidade seria longa demais para contemplá-las.
Todas as suas obras maravilhosas brotam dos seus pensamentos a nosso respeito. Ele faz tudo segundo o conselho da sua vontade (Efésios 1:11), de acordo com os decretos de sua graça que estabeleceu em si mesmo (Efésios 3:11). São desígnios de sabedoria infinita e amor eterno (Colossenses 2:7; Jeremias 31:3), pensamentos de paz e não de mal (Jeremias 29:11). Por isso seus dons e sua vocação são irrevogáveis, porque não são decisões impensadas, mas fruto de seus pensamentos, de seus muitos pensamentos, para conosco.
São numerosos demais para serem organizados ou contados em ordem. Há ordem em todas as obras de Deus, mas tantas delas se apresentam diante de nós ao mesmo tempo, que não sabemos por onde começar nem o que mencionar em seguida. A ordem entre elas, suas conexões naturais e o modo como os elos dessa cadeia de ouro se ajustam são um mistério para nós. Não poderemos explicá-lo até que o véu seja retirado e o mistério de Deus se consuma. Nem podem ser contadas, nem mesmo as principais. Quando tivermos dito tudo que pudermos sobre as maravilhas do amor divino para conosco, teremos de encerrar com um “e assim por diante” e adorar essa profundidade, renunciando a qualquer esperança de sondar-lhe o fundo.
Deste capítulo
Salmos 40:2
"Feliz quem se lembra do necessitado e do pobre, porque, no dia da desgraça, o Senhor o salvará."
Salmos 40:3
"O Senhor há de guardá-lo e o conservará vivo, há de torná-lo feliz na terra e não o abandonará à mercê de seus inimigos."
Salmos 40:4
"O Senhor o assistirá no leito de dores e, na sua doença, o reconfortará."
Salmos 40:5
"Quanto a mim, eu te digo: “Tem piedade de mim, Senhor; cura-me, porque pequei contra ti”."
Salmos 40:6
"Meus inimigos falam de mim, maldizendo: “Quando ele morrerá e seu nome se extinguirá?”."
Salmos 40:7
"Se alguém vem me visitar, fala hipocritamente. Seu coração recolhe calúnias e, saindo para fora, apressa-se em divulgá-las."
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