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Filipenses 1:12 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Meus irmãos, quero que vocês saibam que os acontecimentos que me envolvem estão resultando em maior proveito do Evangelho. "

Filipenses 1:12

menu_book Versículo no contexto

10 com que vocês possam discernir o que é mais perfeito e se tornem puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo,

11 cheios de frutos da justiça, que provêm de Jesus Cristo, para a glória e o louvor de Deus.

12 Meus irmãos, quero que vocês saibam que os acontecimentos que me envolvem estão resultando em maior proveito do Evangelho.

13 Em todo o pretório e por toda parte, tornou-se conhecido que é por causa de Cristo que estou preso.

14 A maior parte dos irmãos, diante da notícia das minhas cadeias, adquiriu nova confiança no Senhor e maior entusiasmo para anunciar sem temor a Palavra de Deus.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui vemos o cuidado do apóstolo para que seus leitores não se escandalizassem com seus sofrimentos. Paulo era prisioneiro em Roma, e isso poderia se tornar pedra de tropeço para aqueles que tinham recebido o evangelho por meio de seu ministério. Eles poderiam pensar: se essa mensagem fosse realmente de Deus, então Deus não permitiria que um pregador tão útil fosse tratado como um vaso quebrado e inútil. Também poderiam sentir medo de assumir publicamente o evangelho, para não virem a sofrer as mesmas aflições.

Por isso, Paulo explica o lado escuro e doloroso de seus sofrimentos e mostra como tudo se encaixa na sabedoria e na bondade de Deus. Ele sofreu nas mãos dos inimigos declarados do evangelho, que o colocaram na prisão e desejavam matá-lo. Ainda assim, os crentes não deviam se abalar com isso, porque dali veio bem, e isso contribuiu para a propagação do evangelho. As coisas que lhe aconteceram resultaram em proveito do evangelho (Filipenses 1:12). É uma obra notável da providência de Deus tirar tanto bem de tanto mal. Paulo podia dizer: “Sofro até algemas, como malfeitor; mas a palavra de Deus não está algemada” (2 Timóteo 2:9).

Como isso aconteceu? Em primeiro lugar, os sofrimentos de Paulo tornaram a causa de Cristo mais visível para os de fora da igreja. Ele diz que as suas prisões em Cristo se tornaram conhecidas de toda a guarda do palácio e de todos os demais (Filipenses 1:13). O imperador, os oficiais e a corte puderam ver que ele não sofria como criminoso, mas como homem de boa consciência, sofrendo por Cristo e não por maldade. Suas cadeias o levaram à presença da corte, onde talvez nunca tivesse sido conhecido de outra forma. Isso pode ter levado alguns deles a investigar o evangelho pelo qual ele sofria. E, uma vez que suas algemas foram comentadas no palácio, a notícia se espalhou a outros lugares também, porque a opinião da corte exerce grande influência sobre a opinião do povo.

Em segundo lugar, seus sofrimentos deram coragem aos que estavam dentro da igreja. Aquilo que assustou seus inimigos animou seus amigos. Muitos irmãos, animados no Senhor pelas prisões de Paulo, ficaram mais ousados para anunciar a palavra sem temor (Filipenses 1:14). A simples ideia de perseguição por causa da fé talvez os desanimasse no começo; mas, ao verem Paulo preso por Cristo, deixaram de temer continuar pregando. Na verdade, o sofrimento dele os tornou mais valentes. Podiam alegrar-se em sofrer em sua companhia. Se fossem tirados do púlpito para a prisão, suportariam isso mais facilmente, por estarem em tão boa companhia. Eles também viam o consolo de Paulo no sofrimento e a ajuda especial de Cristo naquele estado. Isso lhes mostrava que Cristo é um bom Senhor, capaz de fortalecer seus servos e sustentá-los quando sofrem por causa dele.

Os inimigos do evangelho queriam desanimar os pregadores, mas Deus transformou isso em estímulo para que fossem mais corajosos. Eles se tornaram mais plenamente convencidos pelo que viram e passaram a falar a palavra sem medo. A confiança que receberam lhes trouxe coragem, e essa coragem impediu que o temor os dominasse.

Paulo também sofreu com falsos amigos, não apenas com inimigos declarados (Filipenses 1:15, Filipenses 1:16). Alguns pregavam a Cristo por inveja e porfia. Não eram sinceros. Isso poderia ser uma grande causa de desânimo para alguns, pois esses homens invejavam o lugar de Paulo nas igrejas e a influência que ele exercia entre os crentes. Eles se alegraram quando ele foi preso, porque isso lhes dava maior oportunidade de conquistar para si o afeto do povo. Pregavam com mais barulho, esperando acrescentar aflição às cadeias de Paulo. Queriam entristecê-lo, fazê-lo temer perder sua influência e perturbá-lo na prisão.

É triste que homens que dizem pregar o evangelho, especialmente aqueles que o fazem publicamente, possam ser movidos por motivos tão baixos. Eles pregavam a Cristo por despeito contra Paulo e queriam aumentar o peso de seus sofrimentos. Não devemos nos espantar se pessoas desse tipo aparecerem em tempos posteriores e mais corrompidos da igreja. Apesar disso, havia outros que eram movidos por boa vontade e amor. Estes pregavam por sincera afeição ao evangelho, para que a obra não parasse enquanto o obreiro estava preso. Eles sabiam que Paulo tinha sido posto para defesa e confirmação do evangelho no mundo, contra todos os seus inimigos. Temiam que o evangelho sofresse prejuízo por ele estar encarcerado, e por isso se tornavam mais ousados na pregação, ajudando a suprir o serviço que ele não podia realizar pela igreja naquele momento.

É comovente ver a calma de Paulo no meio de tudo isso. Ele declara que, de qualquer forma, seja por pretexto, seja em verdade, Cristo é anunciado; e nisso ele se alegra e se alegrará ainda mais (Filipenses 1:18). A pregação de Cristo deve ser motivo de alegria para todos os que se importam com o reino dele entre os homens. Como ela pode ser útil a muitos, devemos nos alegrar com isso, mesmo quando é feita apenas de forma exterior, sem coração reto diante de Deus. Pertence somente a Deus julgar os motivos que estão por trás das ações dos homens; isso não cabe a nós. Paulo estava muito longe de invejar aqueles que tinham liberdade para pregar enquanto ele estava preso. Ele chegou a alegrar-se até quando Cristo era anunciado por pessoas que agiam apenas por aparência. Quanto mais, então, devemos nós nos alegrar quando Cristo é pregado com sinceridade, ainda que o pregador seja fraco ou cometa alguns erros.

Duas coisas levavam Paulo a se alegrar com a pregação de Cristo. Primeiro, o fato de que isso podia conduzir à salvação de almas. Ele diz: “Porque sei que isto me resultará em salvação” (Filipenses 1:19). Deus pode trazer o bem a partir do mal. Aquilo que talvez não contribua para a salvação dos ministros pode, ainda assim, pela graça de Deus, contribuir para a salvação dos ouvintes. E que recompensa podem esperar aqueles que pregam a Cristo por inveja, porfia e desejo de aumentar o sofrimento de um ministro fiel? Ainda assim, até isso pode ser usado para o bem de outros, e a alegria de Paulo nisso também redundaria em sua própria salvação.

Este é um dos sinais que acompanham a salvação: ser capaz de alegrar-se porque Cristo é pregado, mesmo quando isso nos rebaixa e diminui nossa reputação. João Batista mostrou esse espírito nobre quando Cristo começou a ser anunciado publicamente: “Assim, pois, já este meu gozo está cumprido. É necessário que ele cresça e que eu diminua” (João 3:29-30). Em outras palavras: que Cristo brilhe, ainda que eu seja colocado à margem; que a glória dele aumente, mesmo que isso signifique a minha própria diminuição.

Alguns entendem essa expressão de outra maneira. Pensam que ela indica que os planos perversos de seus inimigos estavam sendo frustrados e que isso ajudaria em sua libertação da prisão. “Pela vossa oração e pela assistência do Espírito de Jesus Cristo.” Tudo o que contribui para a nossa salvação vem pelo auxílio e sustento do Espírito de Cristo, e a oração é o meio estabelecido para receber esse auxílio. As orações do povo de Deus podem trazer o fortalecimento do Espírito aos seus ministros, para sustentá-los tanto no sofrimento quanto na pregação do evangelho.

Paulo também diz que isso redundaria na glória de Cristo (Filipenses 1:20). Ele aproveita para falar de sua plena dedicação ao serviço e à honra de Cristo: “Segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido.” Aqui devemos notar que o grande desejo de todo verdadeiro cristão é que Cristo seja honrado, que seu nome seja engrandecido e que o seu reino venha. Aqueles que de fato querem que Cristo seja honrado desejam que ele seja honrado em seus corpos. Eles apresentam seus corpos como sacrifício vivo (Romanos 12:1) e entregam seus membros como instrumentos de justiça para Deus (Romanos 6:13).

Eles estão dispostos a servir aos propósitos de Cristo e a contribuir para a sua glória com cada parte de seus corpos, assim como com cada parte de suas almas. Cristo é muito honrado quando o servimos com ousadia e não nos envergonhamos dele, com liberdade de espírito e sem desânimo: “Antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo.” A coragem dos cristãos traz honra a Cristo.

Os que fazem da glória de Cristo seu alvo e desejo podem também fazer dela sua expectativa e esperança. Se esse for realmente o nosso propósito sincero, ele certamente será alcançado. Se orarmos de coração: “Pai, glorifica o teu nome”, podemos confiar na mesma resposta que Cristo recebeu: “Já o tenho glorificado e outra vez o glorificarei” (João 12:28).

Os que desejam que Cristo seja honrado em seus corpos também mantêm uma santa liberdade quanto ao modo como isso acontecerá, seja pela vida, seja pela morte. Deixam nas mãos dele decidir de que forma serão úteis para sua glória, seja por meio de seu trabalho ou de seu sofrimento, de sua atividade ou de sua paciência, vivendo para sua honra no serviço ou morrendo para sua honra no padecer.

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