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Romanos 10:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Irmãos, o desejo do meu coração e a súplica que faço a Deus por eles são para que sejam salvos. "

Romanos 10:1

menu_book Versículo no contexto

1 Irmãos, o desejo do meu coração e a súplica que faço a Deus por eles são para que sejam salvos.

2 Pois dou testemunho a respeito deles de que têm zelo por Deus, mas um zelo sem discernimento.

3 Como desconheciam a justiça de Deus e procuravam estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus.

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auto_stories Comentário Bible Guided

O objetivo de Paulo nesta parte do capítulo é mostrar a grande diferença entre a justiça pela lei e a justiça pela fé, e como a justiça pela fé é muito superior. Ele quer persuadir os judeus a crerem em Cristo, expor o pecado e a loucura dos que o rejeitam e mostrar que Deus é justo ao rejeitar tais pessoas. Aqui, Paulo também revela seu profundo amor pelos judeus e explica por que sente isso (Romanos 10:1, 2).

Primeiro, ele expressa um bom desejo: que eles sejam salvos (Romanos 10:1). Ele deseja que sejam salvos da ruína e destruição que estavam para vir sobre eles nesta vida, e da ira futura de Deus, isto é, do juízo eterno. Esse desejo supõe também que eles seriam convencidos e se voltariam para Cristo, pois ele não poderia orar em fé para que fossem salvos permanecendo na incredulidade. Paulo pregava contra eles, mas também orava por eles. Nisso, ele se assemelha a Deus, que não quer que ninguém pereça (2 Pedro 3:9), mas deseja que os pecadores se convertam e vivam.

Paulo diz que esse era o desejo do seu coração e a sua oração a Deus. Isso mostra o quanto seu desejo era intenso e verdadeiro. Não era um simples voto formal, apenas de palavras, como muitos fazem exteriormente. Estava em seu coração antes de se tornar oração. A verdadeira oração começa com um anseio real na alma. Mas Paulo também leva esse desejo a Deus. Um desejo, por si só, ainda não é oração, a menos que seja apresentado a Deus. Apenas querer algo não é o mesmo que orar por isso.

Em segundo lugar, Paulo dá um bom testemunho a respeito deles, e esse é outro motivo do seu desejo (Romanos 10:2). Ele afirma: “porque lhes dou testemunho de que têm zelo de Deus”. Os judeus incrédulos estavam entre os inimigos mais ferrenhos de Paulo, e mesmo assim ele fala deles da forma mais justa e verdadeira possível. Devemos falar o melhor que a verdade permitir, até mesmo sobre nossos piores inimigos. A caridade nos ensina a pensar o melhor possível das pessoas e julgar suas palavras e ações da maneira mais bondosa e justa que pudermos. Paulo reconhece o que há de bom neles, ainda que estejam errados de modo grave.

Eles tinham zelo por Deus, mas era um zelo cego. A oposição deles ao evangelho vinha do respeito à lei, que sabiam ter vindo de Deus. Contudo, o zelo pode ser profundamente equivocado quando não é guiado pela verdade. Os judeus odiavam o povo e os ministros de Cristo, expulsavam-nos e até os matavam, dizendo: “Glorifique-se o Senhor” (Isaías 66:5). Chegaram a pensar que prestavam um serviço a Deus (João 16:2).

Paulo então mostra o erro mortal que os arruinava. O zelo deles não era com entendimento. Deus lhes deu a lei que tanto defendiam, mas eles deveriam perceber que a vinda do Messias prometido significava que a antiga ordem da lei tinha chegado ao seu alvo. Cristo trouxe um novo modo de adorar, e a forma anterior precisava dar lugar a ele. Ele se mostrou Filho de Deus e deu provas claras de que era o Messias. Mesmo assim, eles se recusaram a conhecê-lo e não quiseram confessá-lo. Fecharam os olhos à luz, e assim seu zelo pela lei se tornou um zelo cego.

Isso aparece com mais clareza em Romanos 10:3. Eles não se sujeitaram à justiça de Deus, isto é, não aceitaram os termos do evangelho nem receberam o dom de Deus de serem considerados justos diante dele pela fé em Cristo. A incredulidade é uma recusa em se submeter ao modo de Deus tornar as pessoas justas. A verdadeira fé sempre inclui submissão. Por isso a primeira lição de Cristo é negar a si mesmo. É difícil para o coração orgulhoso aceitar a graça gratuita e admitir que precisa dela.

A incredulidade deles tinha duas causas principais. Primeiro, eram ignorantes da justiça de Deus. Não entendiam a justiça rigorosa de Deus em odiar o pecado, puni-lo e exigir satisfação, isto é, um pagamento pleno pela culpa do pecado. Não refletiam o suficiente sobre a necessidade de uma justiça que os pudesse fazer comparecer com segurança diante de Deus. Se tivessem feito isso, jamais teriam resistido à oferta do evangelho nem esperado ser justificados por suas próprias obras. Também eram ignorantes do modo de Deus justificar, o caminho que ele agora estabeleceu e revelou em Jesus Cristo. Eles não o conheciam porque não queriam conhecê-lo. Fecharam os olhos à luz e amaram mais as trevas.

Segundo, eles se orgulhavam de sua própria justiça. Procuravam estabelecer uma justiça própria, feita segundo suas ideias e esforços. Confiavam no valor de suas obras e em sua zelosa observância da lei cerimonial. Pensavam não precisar do mérito de Cristo e, por isso, apoiavam-se em sua própria obediência como suficiente para torná-los justos diante de Deus. Paulo não podia falar assim. Ele aprendera a rejeitar qualquer confiança na sua própria justiça (Filipenses 3:9). O fariseu da parábola de Jesus é um exemplo nítido desse orgulho (Lucas 18:10, 11).

Paulo então mostra a insensatez desse engano. Não fazia sentido continuar buscando justiça pelas obras da lei depois que Cristo veio e trouxe uma justiça eterna. A lei sempre teve por finalidade conduzir as pessoas a Cristo (Romanos 10:4). A lei moral servia para expor a ferida, e a lei cerimonial, para apontar o remédio. Mas Cristo é o alvo de ambas. O propósito da lei era direcionar as pessoas a ele para obterem justiça.

Cristo é o fim da lei cerimonial porque ele é o seu cumprimento. Quando chega a realidade, a sombra desaparece. Os sacrifícios, ofertas e purificações do Antigo Testamento apontavam para Cristo. Sua incapacidade de remover o pecado mostrava a necessidade de um único sacrifício verdadeiro, capaz de tirar o pecado de uma vez por todas. Cristo é também o fim da lei moral no sentido de ter feito o que a lei não podia fazer (Romanos 8:3) e de ter alcançado seu grande objetivo. A lei visava conduzir o ser humano à obediência perfeita e, assim, à justificação, isto é, ser declarado justo diante de Deus. Por causa do poder do pecado e da nossa natureza corrompida, esse caminho se tornou impossível para nós. Mas Cristo satisfez a exigência da lei por meio de sua morte, de modo que o alvo foi alcançado, e fomos introduzidos em outro modo de sermos justificados. Cristo é o fim da lei para justiça, isto é, para justificação, para todo aquele que crê.

Quando cremos, isto é, quando aceitamos humildemente os termos do evangelho, passamos a participar da satisfação de Cristo pelo pecado. Então somos justificados, isto é, declarados justos diante de Deus, pela redenção que há em Jesus.

A verdade está muito clara e muito perto: “a palavra está junto de ti”. Quando se fala em ver Cristo, receber Cristo ou alimentar-se de Cristo, não se está falando de Cristo no céu ou nas profundezas. Trata-se de Cristo oferecido a nós na promessa e apresentado diante de nós na Palavra. Cristo está perto porque a Palavra está perto. Ela está na nossa boca e no nosso coração; por isso não há grande dificuldade em entendê-la, crer nela ou assumi-la publicamente. A obra que deve ser feita é em nós. O reino de Deus está dentro de nós (Lucas 17:21). É daí que devemos tirar a certeza, e não de registros celestiais. A promessa diz que estará em nossa boca e em nosso coração (Isaías 59:21; Jeremias 31:33). Deus já fez o que precisava ser feito por nós. Cristo já desceu do céu; não precisamos ir buscá‑lo. Ele já subiu dentre os mortos; não precisamos lutar para trazê‑lo de volta. O que resta é uma obra dentro de nós, e é aí que deve estar o nosso cuidado: no coração e na boca.

Na lei, o povo tinha que fazer tudo por si mesmo: “Faze isto e viverás”. Mas o evangelho mostra que a maior parte da obra já está concluída. O que resta foi reduzido e tornado claro, em termos de justiça, e a salvação é oferecida em condições muito simples e bem definidas, trazida bem perto de nós na Palavra. Ela está em nossa boca, porque a lemos todos os dias. Está em nosso coração, porque estamos — ou deveríamos estar — pensando nela diariamente. Esta é a “palavra da fé”, a promessa do evangelho. Recebe esse nome porque tem a fé como assunto, porque ensina a fé e porque é o meio comum pelo qual a fé é operada em nós.

O que é essa palavra da fé? Paulo apresenta sua substância em (Romanos 10:9-10), o centro do evangelho, e ela é suficientemente clara. Em primeiro lugar, ela promete: “serás salvo”. O evangelho oferece salvação: salvação da culpa e da ira, salvação da alma, salvação eterna, o tipo de salvação que Cristo traz como Salvador pleno e completo.

Em segundo lugar, apresenta as condições. Duas coisas são requeridas para a salvação. Uma é confessar o Senhor Jesus, admitir abertamente que pertencemos a ele e que dele dependemos como nosso Rei e Salvador. Isso significa assumir o cristianismo diante do mundo, apesar de suas tentações e ameaças, e permanecer ao lado de Cristo em toda e qualquer situação. Nosso Senhor deu grande peso ao confessá‑lo diante dos homens (Mateus 10:32-33). Essa confissão brota de muitas graças e revela verdadeira renúncia de si mesmo, amor a Cristo, desprezo pelo mundo, coragem e firmeza de propósito. Isso foi especialmente custoso na igreja primitiva, quando confessar a Cristo podia custar bens, honra, progresso na vida, liberdade, a própria vida e tudo o que é caro neste mundo.

A outra exigência é crer de coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos. Uma profissão de fé apenas com a boca, se o coração não crê de fato, é só aparência vazia. A raiz da fé precisa ser um acordo sincero com a mensagem do evangelho sobre Cristo, especialmente quanto à sua ressurreição. Essa ressurreição é a verdade principal da fé cristã, porque por meio dela Cristo foi declarado Filho de Deus com poder, e Deus deu prova clara de que aceitou a satisfação de Cristo pelo pecado.

Paulo explica isso mais adiante em (Romanos 10:10) e inverte a ordem, porque a fé no coração precisa vir antes de uma confissão aceitável com a boca. A fé se dá com o coração. Isso significa mais do que simples concordância intelectual. Inclui também a vontade: um consentimento sincero, interior, de todo o coração e firme.

Não é verdadeira fé se não vier do coração. Essa fé conduz à justiça. Há a justiça da justificação, que é ser considerado justo diante de Deus, e a justiça da santificação, que é ser tornado santo na conduta. A fé participa de ambas. Ela é a condição de nossa justificação (Romanos 5:1) e também a raiz e a fonte de nossa santificação. A fé inicia essa obra santa, e pela fé ela prossegue (Atos 15:9).

A profissão de fé se manifesta pela boca. Isso inclui a confissão a Deus em oração e louvor (Romanos 15:6) e a confissão diante das pessoas, assumindo abertamente os caminhos de Deus perante os outros, especialmente quando somos chamados a isso em tempos de perseguição. É justo que Deus seja honrado com a boca, pois foi ele quem fez a boca humana (Êxodo 4:11). Nesses momentos, ele prometeu dar a seus servos fiéis boca e sabedoria (Lucas 21:15). Também faz parte da honra de Cristo que toda língua o confesse (Filipenses 2:11). Isso é dito como caminho para a salvação porque cumpre a condição da promessa: “aquele que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai” (Mateus 10:32).

A justificação pela fé lança o fundamento do nosso direito à salvação. A confissão então constrói sobre esse fundamento e, por fim, nos introduz na plena posse do que foi prometido. Assim temos aqui um breve resumo das condições da salvação, e elas são muito razoáveis. Em suma, devemos entregar‑nos a Deus, alma e corpo: a alma, crendo com o coração, e o corpo, confessando com a boca. Fazendo isto, viveremos.

Para isso, em (Romanos 10:11), Paulo cita (Isaías 28:16): “Todo aquele que nele crê não será confundido.” Isso significa, primeiro, que ele não terá vergonha de assumir o Cristo em quem confia. Quem crê de coração não terá vergonha de confessar com a boca. A vergonha pecaminosa é o que leva as pessoas a negar Cristo (Marcos 8:38). “Quem crê não se apressará” quer dizer que não fugirá do sofrimento que acompanha o dever, nem terá vergonha de uma religião que o mundo despreza. Em segundo lugar, ele não será envergonhado em sua esperança em Cristo. Não será decepcionado no fim. É nosso dever não nos envergonharmos, e é nosso privilégio não sermos envergonhados por nossa fé em Cristo. Nunca haverá motivo para se arrepender de ter confiado tão plenamente no Senhor Jesus.

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