Versículo em destaque
Mateus 9:14 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Então os discípulos de João dirigiram-se a ele e perguntaram: “Por que nós e os fariseus jejuamos, mas os teus discípulos não?”. "
Mateus 9:14
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
12 Jesus, ouvindo isso, respondeu-lhes: “Não são os que estão bem que precisam de médico, mas os doentes.
13 Vão e aprendam o que significam estas palavras: Eu quero a misericórdia, e não o sacrifício. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores”.
14 Então os discípulos de João dirigiram-se a ele e perguntaram: “Por que nós e os fariseus jejuamos, mas os teus discípulos não?”.
15 Jesus respondeu: “Podem os amigos do esposo 'estar triste' enquanto o esposo está com eles? Virão dias em que o esposo lhes será tirado. Então eles jejuarão”.
16 “Ninguém põe um remendo de pano novo numa roupa velha, porque arrancaria uma parte da roupa, e o rasgão ficaria pior.
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As objeções que as pessoas levantavam contra Cristo e seus discípulos muitas vezes davam ocasião para alguns dos seus ensinos mais proveitosos. Assim, até a oposição servia à verdade, porque a sabedoria de Cristo é capaz de tirar bem do mal. Este é o terceiro caso neste capítulo em que isso acontece. Seu ensino sobre o poder de perdoar pecados e sobre o acolhimento a pecadores veio depois que escribas e fariseus o criticaram. Aqui, uma crítica feita aos seus seguidores se torna o ponto de partida para ensinar sobre o cuidado que ele tem por eles.
A queixa veio dos discípulos de João, e os fariseus parecem ter se juntado a eles, como os outros Evangelhos mostram (Marcos 2:18; Lucas 5:33). É possível que os fariseus os tenham instigado e usado como mensageiros, porque os discípulos de João tinham melhor entrada junto a Jesus e seus seguidores. Isso não é novidade: pessoas más frequentemente tentam colocar pessoas boas umas contra as outras. Quando o povo de Deus diverge em algum ponto, agitadores ávidos aproveitam a oportunidade para espalhar discórdia, atiçar a ira e afastar as pessoas.
A pergunta deles foi: “Por que jejuamos nós e os fariseus muitas vezes, e os teus discípulos não jejuam?” É uma vergonha quando deveres religiosos, que deveriam fortalecer o amor santo, se tornam motivo de contenda. Ainda assim, isso acontece com frequência. Eles estavam se vangloriando de seus jejuns. Os fariseus eram conhecidos por isso, e muitos deles jejuavam duas vezes por semana, embora a maioria fosse hipócrita e má. Falsos crentes e religiosos formais muitas vezes superam outros nas práticas exteriores de culto e de autonegação.
Os discípulos de João também jejuavam com frequência, em parte porque seguiam o exemplo do seu mestre, pois João “não comia nem bebia” (Mateus 11:18). Jejuavam também porque João pregava arrependimento. As pessoas costumam imitar seus líderes, mesmo quando não compartilham o mesmo motivo interior. Em muitos casos, as pessoas começam praticando as partes mais rigorosas da religião movidas por um forte senso de dever e temor, antes de chegarem a uma confiança alegre em Deus.
Eles se aproximaram de Cristo como quem apresentava um relatório de que jejuavam com frequência, ao menos assim lhes parecia. A maioria das pessoas está pronta a falar bem de si mesma (Provérbios 20:6). As pessoas religiosas são especialmente inclinadas a se gloriar em seus deveres, principalmente quando há algo neles que parece incomum. Alguns chegam até a confiar nesses deveres como se fossem eles que os tornassem justos diante de Deus.
Depois culparam os discípulos de Cristo por não jejuarem tanto quanto eles. “Os teus discípulos não jejuam.” No entanto, deviam saber que Jesus havia instruído seus discípulos a jejuarem em secreto e a não tornarem isso evidente aos outros. Portanto, foi injusto supor que os discípulos não jejuavam de forma alguma apenas porque não divulgavam isso. Não devemos julgar a fé de alguém apenas pelo que o mundo é capaz de ver.
Mesmo que fosse verdade que os discípulos de Cristo jejuassem menos vezes ou por menos tempo, os críticos pareciam pensar que isso os tornava mais religiosos do que os seguidores de Jesus. Isso é comum entre crentes orgulhosos. Eles se fazem medida da verdadeira religião, como se todos os que diferem deles estivessem errados. Se outros fazem menos do que eles, é “pouco demais”; se fazem mais, é “demais”. Esse tipo de juízo revela falta de humildade e amor.
Eles também levaram essa queixa diretamente a Cristo. Se os discípulos de Cristo fazem algo errado, ou mesmo se assim parece, ele ficará sabendo. Ainda hoje se ouve: “Ó Jesus, são esses os teus cristãos?” Por isso devemos cuidar de viver de modo que honre a ele. A discussão contra Cristo já tinha sido levada aos discípulos (Mateus 9:11), e agora a discussão contra os discípulos é levada a Cristo (Mateus 9:14). É assim que a discórdia cresce: colocando povo contra ministros, ministros contra povo, e amigos uns contra os outros.
Cristo respondeu defendendo seus discípulos. Ele poderia ter apertado os discípulos de João quanto ao próprio jejum deles, já que se mostravam tão prontos a falar sobre isso. Mas não o fez. Ele simplesmente justificou seus discípulos, que não tinham como se defender. Assim age a sabedoria: no fim, seus filhos são reconhecidos como justos. Tudo o que fazemos segundo o mandamento e o exemplo de Cristo ele sustentará, e podemos deixar em suas mãos a defesa da nossa integridade.
Jesus deu duas razões para o fato de seus discípulos não jejuarem naquele momento. A primeira é que não era o tempo adequado para esse dever (Mateus 9:15). “Podem, porventura, andar tristes os filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles?” A resposta de Cristo foi cuidadosamente formulada. Ela justificava seus próprios discípulos, mas não condenava João nem os discípulos de João. Os fariseus esperavam que ele censurasse ou seus seguidores ou os de João, mas ele não fez nem uma coisa nem outra. Quando somos acusados injustamente, nosso dever é esclarecer nossa própria conduta, não atacar outros em resposta. Diferentes circunstâncias podem tornar uma prática correta em um caso e outra prática correta em outro.
Jesus baseia seu ponto no costume comum das celebrações de casamento. Enquanto dura a festa nupcial, tristeza e luto não combinam com a ocasião. Eles são vistos como fora de lugar, como no casamento de Sansão (Juízes 14:17).
Os discípulos de Cristo estavam na posição de filhos da câmara nupcial, convidados para o banquete e bem-vindos ali. Já os discípulos dos fariseus não se encontravam nessa condição; ainda eram como filhos da escrava, em um tempo de trevas e temor (Gálatas 4:25, Gálatas 4:31). Os que de fato seguem a Cristo e têm o Espírito de adoção vivem em uma alegria estável; mas aqueles que vivem debaixo de servidão e medo não podem se alegrar como os demais (Oséias 9:1).
Os discípulos de Cristo tinham o noivo com eles, mas os discípulos de João não. O mestre de João, João Batista, estava na prisão e sob ameaça de morte; por isso, para eles era apropriado jejuar frequentemente. Contudo, chegaria o dia em que os discípulos de Cristo perderiam a presença corporal do Esposo, e então jejuariam. Eles ficaram muito angustiados quando ele lhes falou de sua partida (João 16:6). A seguir viriam aflições e sofrimentos depois que ele se fosse, o que lhes daria motivo para lamento e oração, isto é, para jejum religioso.
Jesus Cristo é o Esposo de sua igreja, e seus discípulos são os filhos da câmara nupcial. Ele usou essa figura justamente com os discípulos de João, porque o próprio João já havia falado assim, chamando-se amigo do Esposo (João 3:29). Se eles se lembrassem das palavras do próprio João, poderiam responder à sua pergunta por si mesmos. A condição dos filhos da câmara nupcial muda muitas vezes neste mundo. Às vezes cantam de misericórdia, às vezes de juízo.
Para os filhos da câmara nupcial, o tempo é de alegria ou de tristeza conforme a medida da presença do Esposo que desfrutam. Quando ele está com eles, é como se a luz de Deus brilhasse sobre suas cabeças, e tudo vai bem. Mas quando ele se retira, ainda que por pouco tempo, eles se perturbam e andam tristes. Sua presença faz o dia e o verão; sua ausência faz a noite e o inverno. Cristo é tudo para a alegria da igreja.
Todo dever deve ser praticado em seu tempo próprio. Há tempo de chorar e tempo de rir, e devemos nos ajustar a cada estação (Eclesiastes 7:14; Tiago 5:13). No jejum, devemos considerar como a graça de Deus está lidando conosco. Quando ele nos entristece, convém que nos entristeçamos. Devemos também levar em conta sua providência em nossa vida, pois há tempos em que o Senhor Deus chama para choro e pranto. E ainda precisamos pensar em qualquer obra especial que esteja diante de nós (Mateus 17:21; Atos 13:2).
A segunda razão era que os discípulos não tinham ainda força suficiente para esse dever. Isso é ilustrado em duas figuras. Uma é a de colocar remendo de pano novo em roupa velha, o que apenas rasga ainda mais o tecido velho (Mateus 9:16). A outra é a de colocar vinho novo em odres velhos, o que só faz rebentar os odres (Mateus 9:17). Os discípulos de Cristo não podiam suportar exercícios tão rigorosos quanto os discípulos de João e os fariseus. Whitby explica dizendo que, entre os judeus, não havia apenas fariseus e essênios, que viviam de modo muito austero, mas também escolas de profetas, que muitas vezes permaneciam em montes e desertos, e muitos deles eram nazireus. Havia ainda escolas particulares para treinar homens em disciplina rigorosa. Muitos discípulos de João, e muitos fariseus, podem ter vindo de ambientes assim. Já os discípulos de Cristo haviam sido chamados diretamente de seus trabalhos comuns, e não estavam acostumados a práticas religiosas tão duras. Essas práticas poderiam até torná-los menos aptos para o restante da obra que tinham a realizar.
Alguns deveres religiosos são mais pesados que outros, como o pano novo e o vinho novo, e exigem maior concentração da mente. São especialmente difíceis para a carne e o sangue, e o jejum é um desses deveres. Mesmo os melhores discípulos de Cristo passam por um tempo de crescimento. Nem todas as árvores do jardim de Cristo têm o mesmo tamanho, e nem todos os seus alunos estão no mesmo nível. Há crianças em Cristo e há homens feitos.
Ao estabelecer deveres religiosos, é preciso levar em conta a fraqueza dos cristãos mais novos na fé. O alimento que lhes é dado deve ser adequado à sua “idade” espiritual (1 Coríntios 3:2; Hebreus 5:12), e o mesmo vale para as tarefas que recebem. Cristo não quis dizer a seus discípulos aquilo que eles ainda não podiam suportar (João 16:12). Novos convertidos não devem ser lançados de imediato às obrigações mais difíceis, para que não se desanimem. Deus mostrou esse cuidado quando tirou Israel do Egito e não os guiou pelo caminho dos filisteus (Êxodo 13:17, Êxodo 13:18). Jacó também demonstrou isso quando não quis forçar demais os filhos e o gado (Gênesis 33:13). Cristo tem o mesmo cuidado com os pequeninos de sua família e com os cordeiros de seu rebanho, conduzindo-os com mansidão.
Quando esse cuidado falta, os “odres” frequentemente se rompem e o “vinho” se perde. A profissão de fé de muitos acaba fracassando e se tornando inútil porque foram tratados com falta de sabedoria no início. Pode haver até zelo em excesso na prática do bem, uma espécie de ser “justo demais”, e esse exagero pode terminar em ruína, aproveitada pela astúcia de Satanás.
Deste capítulo
Mateus 9:1
"Jesus tomou novamente a barca, atravessou o lago e foi para a sua cidade."
Mateus 9:2
"Então lhe apresentaram um paralítico deitado numa padiola. Jesus, vendo a fé daquela gente, disse ao paralítico: “Meu filho, coragem! Seus pecados lhe são perdoados”."
Mateus 9:3
"Ao ouvirem isso, alguns escribas murmuraram entre si: “Este homem blasfema”."
Mateus 9:4
"Jesus, conhecendo os pensamentos deles, perguntou-lhes: “Por que vocês pensam mal em seus corações?"
Mateus 9:5
"O que é mais fácil dizer: Seus pecados lhe são perdoados, ou: Levante-se e ande?"
Mateus 9:6
"Ora, para que vocês saibam que o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar pecados: Levante-se — disse ele ao paralítico —, pegue a sua maca e volte para sua casa”."
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