Versículo em destaque
Mateus 5:43 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Vocês têm ouvido o que foi dito: Você amará o seu próximo e poderá odiar seu inimigo. "
Mateus 5:43
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
41 Se alguém vem obrigar você a andar mil passos com ele, ande dois mil.
42 Dê a quem lhe pede e não se desvie daquele que quer lhe pedir emprestado.
43 Vocês têm ouvido o que foi dito: Você amará o seu próximo e poderá odiar seu inimigo.
44 Eu, porém, digo a vocês: amem seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam, orem pelos que os [maltratam e] perseguem.
45 Deste modo, vocês serão os filhos do Pai de vocês que está no céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons e faz chover sobre os justos e sobre os injustos.
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Aqui temos, por fim, a explicação daquela grande lei básica da segunda tábua, “Amarás o teu próximo”, que resume toda a lei.
Vemos primeiro como essa lei tinha sido distorcida pelos mestres judeus (Mateus 5:43). Deus ordenou: “Amarás o teu próximo”, mas eles limitaram “próximo” às pessoas do próprio povo, da própria nação e religião, e mesmo assim apenas àquelas que escolhiam considerar como amigas. Pior ainda, a partir do mandamento “Amarás o teu próximo”, eles deduziam o que Deus nunca pretendeu: “Odiarás o teu inimigo”. Tratavam como inimigos quem quisessem, e assim tornavam sem efeito o grande mandamento de Deus por causa de suas tradições, embora houvesse leis claras contra isso (Êxodo 23:4, Êxodo 23:5; Deuteronômio 23:7). “Não abominarás o edomita nem o egípcio”, embora essas nações tivessem sido inimigos de Israel tanto quanto qualquer outra.
É verdade que Deus ordenou a Israel destruir as sete nações consagradas à destruição em Canaã e não fazer alianças com elas. Mas isso tinha um propósito especial: abrir espaço para Israel e impedi-los de se tornarem um laço para o povo. Foi muito errado transformar isso em uma regra geral de que todos os inimigos devem ser odiados. Mesmo assim, até o ensino moral dos pagãos permitia esse tipo de coisa. A regra de Cícero era: “Não faças mal a ninguém, a menos que primeiro tenhas sido ofendido”. Isso mostra como corações corruptos estão sempre prontos a tomar emprestado apoio da Palavra de Deus e usar um mandamento para justificar a si mesmos.
Em seguida, vemos como o Senhor Jesus esclarece o mandamento. Ele ensina uma lição mais elevada: “Eu, porém, vos digo”, eu, que venho como o grande Pacificador e o que reúne novamente todas as coisas, que vos amei quando éreis estrangeiros e inimigos: “Amai os vossos inimigos” (Mateus 5:44). Ainda que as pessoas sejam muito más em si mesmas e ajam com crueldade contra nós, isso não cancela o dever que lhes devemos, o dever de amor ao nosso próximo e à nossa própria raça humana. Somos muito rápidos em desejar o mal àqueles que nos odeiam, ou ao menos em não desejar-lhes bem algum. Mas esse sentimento procede de uma raiz de amargura que precisa ser arrancada, e dos restos de uma natureza corrompida que a graça deve vencer.
Este é um grande dever para os cristãos: amar os inimigos. Não podemos ter afeição íntima por alguém declaradamente ímpio e profano, nem confiar em quem sabemos ser enganador. Não somos obrigados a amar todos do mesmo modo. Mas devemos respeitar a natureza humana e, nesse sentido, honrar a todos. Devemos reconhecer com alegria o que quer que haja de bom e louvável até mesmo em nossos inimigos — bom senso, temperamento equilibrado, instrução, virtude moral, bondade para com outros, ou uma profissão de fé — e amar isso neles, ainda que sejam nossos inimigos. Devemos sentir compaixão por eles e desejar sinceramente o seu bem.
Somos instruídos, em primeiro lugar, a falar bem deles: “Bendizei os que vos maldizem”. Ao falar com eles, devemos responder a insultos com palavras bondosas e amistosas, e não retribuir palavras duras com palavras duras. E, na ausência deles, devemos dizer o que há de louvável a seu respeito. Depois de dizer todo o bem que pudermos, não devemos estar ansiosos por dizer mais. Veja (1 Pedro 3:9). Aqueles cuja fala é governada pela bondade conseguem dar boas palavras a quem lhes dá palavras más.
Em segundo lugar, devemos fazer-lhes o bem: “Fazei bem aos que vos odeiam”. Isso é prova de amor ainda melhor do que palavras. Devemos estar prontos a prestar toda ajuda real que pudermos e alegres pela oportunidade — seja quanto ao corpo, aos bens, à reputação, à família, e especialmente à alma. Dizia-se do arcebispo Cranmer, um líder da igreja na Inglaterra, que o jeito de torná-lo amigo era ofendê-lo, porque ele fazia tanto bem a quem o havia magoado.
Em terceiro lugar, devemos orar por eles: “Orai pelos que vos maltratam e vos perseguem”. Não é coisa nova que os mais excelentes santos sejam odiados, amaldiçoados, perseguidos e maltratados pelos ímpios. O próprio Cristo foi assim tratado. E, quando isso nos acontece, temos oportunidade de mostrar nossa semelhança tanto com o mandamento quanto com o exemplo de Cristo, orando por aqueles que nos maltratam. Se não pudermos demonstrar nosso amor de outra forma, podemos fazê-lo assim, sem aparência exterior, e de um modo que certamente não ousaríamos fingir. Devemos orar para que Deus os perdoe, para que não sofram pelo que fizeram contra nós, e para que Ele os traga à paz conosco. Este é um meio de cooperar para que isso aconteça.
Plutarco, em seus “Ditos dos Espartanos”, conta sobre Aristo. Quando alguém elogiou a frase de Cleômenes, de que um bom rei deveria fazer o bem aos amigos e o mal aos inimigos, Aristo respondeu: “Quanto melhor é fazer o bem aos amigos e tornar amigos dos inimigos”. Isso é como ajuntar brasas de fogo sobre a cabeça deles.
Duas razões são apresentadas para reforçar este mandamento difícil de amar nossos inimigos. Primeiro, devemos fazê-lo para que sejamos semelhantes a Deus, nosso Pai, para que nos mostremos filhos de “vosso Pai que está nos céus”. Poderíamos seguir exemplo melhor? É um modelo em que o amor aos piores inimigos está em plena harmonia com a pureza e santidade perfeitas. Deus faz o seu sol nascer e envia chuva tanto sobre os justos como sobre os injustos (Mateus 5:45). Sol e chuva são grandes bênçãos para o mundo, e vêm de Deus. Não estão aí por acaso, mas procedem de sua mão.
As misericórdias comuns devem ser valorizadas como sinais da bondade de Deus. Nelas Ele se mostra generoso para com a raça humana, que seria miserável sem esses dons e não merece nem o menor deles. Esses benefícios da providência comum são concedidos igualmente a bons e maus, justos e injustos. Assim, não podemos julgar o amor ou o ódio de Deus por meio do que vemos ao nosso redor, mas pelo que há dentro de nós. Não julgamos pelo sol brilhando sobre a nossa cabeça, mas pelo nascer do Sol da Justiça em nosso coração.
Os piores dentre os homens participam dos confortos desta vida junto com os demais, ainda que abusem deles e lutem contra Deus com os próprios dons que recebem. Isso é uma impressionante demonstração da paciência e generosidade de Deus. Só uma vez Deus reteve o brilho do sol dos egípcios enquanto Israel tinha luz em suas casas; Ele poderia fazer essa diferença todos os dias. A bondade de Deus para com pecadores que se rebelam contra Ele nos ensina a fazer o bem aos que nos odeiam. E, embora em nós ainda exista uma mente carnal, inimiga de Deus, igualmente participamos de sua generosidade. Somente serão aceitos como filhos de Deus aqueles que buscam assemelhar-se a Ele, especialmente em sua bondade.
Em segundo lugar, devemos fazer isso porque assim passamos a fazer mais do que os outros (Mateus 5:46, Mateus 5:47). Os publicanos, cobradores de impostos, amam os seus amigos.
A própria natureza inclina as pessoas a isso, e o interesse próprio as impulsiona ainda mais. Fazer o bem a quem nos faz bem é um comportamento comum da humanidade, e até mesmo aqueles que os judeus desprezavam e olhavam de cima podiam fazer isso tão bem quanto os melhores deles. Os cobradores de impostos eram gente de má fama, mas eram gratos aos que os ajudavam a obter seus cargos e cordiais com os de quem dependiam. Não devemos ser melhores do que eles?
Quando agimos assim, estamos servindo a nós mesmos, cuidando do nosso próprio interesse. Que recompensa podemos esperar disso, se o temor de Deus e o senso de dever não nos levarem além dos sentimentos naturais e dos interesses terrenos? Devemos amar nossos inimigos para, assim, elevar-nos acima deles. Se devemos exceder os escribas e fariseus, certamente precisamos ir além dos cobradores de impostos. O cristianismo é algo mais do que a bondade humana comum.
Esta é uma questão séria, que deveríamos muitas vezes colocar a nós mesmos: O que fazemos nós de mais do que os outros? Qual é o bem distinto que praticamos? Sabemos mais do que outros. Falamos mais frequentemente das coisas de Deus do que outros. Confessamos mais e prometemos mais do que outros. Deus fez mais por nós, portanto, com razão espera mais de nós do que dos demais. A glória de Deus está mais envolvida em nós do que em outros. Mas o que fazemos nós de mais do que os outros? Vivemos acima do nível das pessoas deste mundo? Ou continuamos mundanos e agimos como gente comum, abaixo da vocação de cristãos?
Especialmente neste ponto devemos fazer mais do que os outros. Todos devolvem bem por bem, mas devemos devolver bem por mal. Isso revela um coração mais nobre e segue uma regra mais elevada do que a que a maioria das pessoas vive. Outros saúdam os seus amigos e acolhem os do seu próprio grupo, da sua própria forma de pensar e opinião. Mas não devemos limitar assim o nosso respeito. Devemos amar até mesmo os nossos inimigos. Se não o fizermos, que recompensa podemos esperar? Não podemos esperar a recompensa prometida aos cristãos, se não nos elevamos acima da virtude de meros cobradores de impostos.
Aqueles que esperam uma recompensa acima da dos outros precisam se dispor a fazer mais do que os outros. Nosso Salvador encerra esse ensinamento com a exortação: “Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus” (Mateus 5:48). Isso pode ser entendido de maneira geral, abrangendo todas as áreas em que devemos imitar a Deus como filhos amados. É dever dos cristãos desejar a perfeição em graça e santidade, ter isso como alvo e prosseguir nessa direção (Filipenses 3:12-14). Nesse caminho, devemos buscar refletir o exemplo de nosso Pai celestial (1 Pedro 1:15-16).
Ou essa ordem pode ser entendida em um sentido mais específico, ligado a fazer o bem aos nossos inimigos, como em (Lucas 6:36). Faz parte da perfeição de Deus perdoar ofensas, acolher o estrangeiro e fazer o bem aos maus e ingratos. E será a nossa perfeição sermos semelhantes a ele nesse agir. Devemos tanto a Deus, na verdade devemos tudo à sua bondade, que devemos nos esforçar para imitar essa bondade o máximo possível.
Deste capítulo
Mateus 5:1
"Vendo aquelas multidões, Jesus subiu à montanha. Sentou-se, e seus discípulos se aproximaram dele."
Mateus 5:2
"Então, abriu a boca e lhes ensinava, dizendo:"
Mateus 5:3
"“Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos Céus!"
Mateus 5:4
"Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados!"
Mateus 5:5
"Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra!"
Mateus 5:6
"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!"
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