Versículo em destaque
Mateus 5:1 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Vendo aquelas multidões, Jesus subiu à montanha. Sentou-se, e seus discípulos se aproximaram dele. "
Mateus 5:1
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Vendo aquelas multidões, Jesus subiu à montanha. Sentou-se, e seus discípulos se aproximaram dele.
2 Então, abriu a boca e lhes ensinava, dizendo:
3 “Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos Céus!
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Aqui temos um relato geral deste sermão.
Em primeiro lugar, o Pregador era nosso Senhor Jesus, o Príncipe dos pregadores, o grande Profeta da sua igreja, que veio ao mundo como a Luz do mundo. Os profetas e João Batista haviam pregado muito bem, mas Cristo os ultrapassou a todos. Ele é a Sabedoria eterna, que estava com o Pai antes de todos os séculos e conhecia perfeitamente a sua vontade (João 1:18). Ele é também o Verbo eterno, por meio de quem Deus nos falou nestes últimos dias. As muitas curas miraculosas que Jesus acabara de realizar na Galileia, registradas no fim do capítulo anterior, tinham o propósito de preparar o caminho para este sermão. Elas ajudaram o povo a receber instrução daquele que manifestava tamanho poder e bondade divinos. Este sermão provavelmente foi um resumo, ou uma forma repetida, do que ele vinha ensinando nas sinagogas da Galileia. Sua mensagem era: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus.” Este sermão explica a primeira parte dessa mensagem, mostrando o que é o arrependimento. É deixar o pecado, mudando tanto o modo de pensar quanto a maneira de agir. Mais adiante, ele ensinou a segunda parte da mensagem quando, em várias parábolas, mostrou como é o reino dos céus (capítulo 13).
Em segundo lugar, o lugar era um monte na Galileia. Nisso, como em muitas outras coisas, nosso Senhor Jesus teve circunstâncias humildes. Ele não tinha um lugar confortável para pregar, assim como não tinha onde reclinar a cabeça. Os escribas e fariseus se assentavam na cadeira de Moisés, um lugar de honra e autoridade, onde se sentavam à vontade e então torciam a lei. Mas nosso Senhor Jesus, o verdadeiro Mestre da verdade, foi levado para o campo aberto e não teve outro púlpito senão um monte. E nem era um dos montes santos, nem um dos montes de Sião, mas um monte comum. Com isso, Cristo mostrou que, sob o evangelho, não há santidade especial ligada a certos lugares, como havia sob a lei. É vontade de Deus que se ore e se pregue em todos os lugares, em qualquer lugar, contanto que tudo seja feito com decência e ordem.
Cristo pregou este sermão, que explicava a lei, em um monte, porque a própria lei havia sido dada em um monte. Foi também uma apresentação pública e solene da lei cristã. Note, porém, a diferença: quando a lei foi dada, o Senhor desceu sobre o monte; agora o Senhor subiu. Então ele falou em trovões e relâmpagos; agora fala em voz mansa e suave. Então o povo foi advertido a manter distância; agora é convidado a se aproximar. Que mudança bendita. Se a graça e a bondade de Deus são a sua glória, e de fato o são, então a glória do evangelho é a glória maior, porque a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo (2 Coríntios 3:7; Hebreus 12:18). Tinha sido profetizado acerca de Zebulom e Issacar, duas tribos da Galileia (Deuteronômio 33:19), que chamariam os povos ao monte. Somos chamados a este monte, para aprender a oferecer sacrifícios de justiça. Este passou a ser o monte do Senhor, onde ele nos ensina os seus caminhos (Isaías 2:2, Isaías 2:3; Miqueias 4:1, Miqueias 4:2).
Em terceiro lugar, os ouvintes eram seus discípulos, que se aproximaram dele ao seu chamado, como se vê comparando (Marcos 3:13) e (Lucas 6:13). Ele falou principalmente a eles, porque o seguiam por amor e para aprender, enquanto outros o seguiam apenas em busca de cura. Ele os ensinou porque estavam dispostos a ser ensinados, pois são os mansos que ele instrui no seu caminho. Ele os ensinou porque eles poderiam compreender o que dizia, aquilo que era loucura para outros. Ele também os ensinou porque seriam eles que ensinariam os demais, e portanto precisavam de um entendimento claro e completo. Os deveres apresentados neste sermão deviam ser praticados com zelo por todos os que haveriam de entrar naquele reino dos céus que eles foram enviados a estabelecer, e por todos os que esperam participar de suas bênçãos.
Embora este ensino fosse dirigido aos discípulos, a multidão também o ouviu, pois mais adiante se diz que o povo se admirou da sua doutrina (Mateus 7:28). Não foi colocado nenhum limite em volta do monte para impedir o povo de chegar perto, como havia acontecido no monte Sinai (Êxodo 19:12). Por meio de Cristo temos acesso a Deus, não apenas para falar com ele, mas também para ouvi-lo. Jesus também tinha a multidão em vista quando pregou este sermão. Quando a fama de seus milagres ajuntou uma grande multidão, ele aproveitou a ocasião para instruí-la. Isso anima um ministro fiel a lançar a rede do evangelho onde há muitos peixes, na esperança de que alguns sejam apanhados. Uma grande multidão deve mover o pregador a maior fervor, contanto que o desejo seja o bem das almas, e não a própria glória.
Em quarto lugar, a solenidade deste sermão é indicada pelas palavras “e, assentando-se”. Cristo muitas vezes pregava em passagem, e em conversas de ida e vinda. Mas aqui se trata de um sermão estabelecido, preparado, e ele se sentou de modo a tornar-se mais fácil de ouvir. Sentou-se como um juiz ou legislador. Isso mostra o espírito calmo e sério com que as coisas de Deus devem ser ditas e ouvidas. Sentou-se para que se cumprisse a Escritura que fala do ourives que se assenta para purificar e tirar a escória, isto é, a doutrina corrompida dos filhos de Levi (Malaquias 3:3). Sentou-se como em um trono, julgando com retidão (Salmo 9:4), pois a palavra que ele falou é a mesma que nos julgará.
A expressão “abriu a boca” é apenas uma forma de dizer hebraica para indicar que alguém falou, como em (Jó 3:1). Ainda assim, alguns entendem que ela aponta para a solenidade deste discurso. Como a multidão era muito grande, ele ergueu a voz e falou mais alto que o costume. Antes disso, tinha falado por meio de seus servos, os profetas, e fora ele quem abrira a boca deles (Ezequiel 3:27; Ezequiel 24:27; Ezequiel 33:22). Mas agora ele mesmo abre a sua própria boca e fala livremente, com plena autoridade. Um antigo escritor disse que Cristo ensinou muito sem abrir a boca, pela santidade e perfeição de sua vida. Ele também ensinou quando, como cordeiro levado ao matadouro, não abriu a boca. Mas aqui ele abriu a boca e ensinou, para que se cumprisse a Escritura (Provérbios 8:1, Provérbios 8:2, Provérbios 8:6). Acaso a sabedoria não clama e não se faz ouvir nos lugares mais altos? E as palavras que ela fala são retas.
Ele os ensinou, conforme a promessa: “E todos os teus filhos serão ensinados do Senhor” (Isaías 54:13). Para isso ele tinha a língua de erudito (Isaías 50:4), e o Espírito do Senhor estava sobre ele (Isaías 61:1). Ele os ensinou que mal deviam detestar e que bem deviam abraçar e fazer crescer. O cristianismo não é apenas um conjunto de ideias. Ele se destina a moldar o coração e dirigir o modo de viver. O tempo do evangelho é tempo de reforma, e por meio do evangelho precisamos ser transformados, tornados bons e tornados melhores. A verdade como é em Jesus é a verdade que conduz à piedade (Tito 1:1).
Deste capítulo
Mateus 5:2
"Então, abriu a boca e lhes ensinava, dizendo:"
Mateus 5:3
"“Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos Céus!"
Mateus 5:4
"Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados!"
Mateus 5:5
"Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra!"
Mateus 5:6
"Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!"
Mateus 5:7
"Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!"
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