Versículo em destaque
João 4:43 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Passados os dois dias, Jesus partiu para a Galileia. "
João 4:43
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
41 Muitos outros ainda creram nele por causa das suas palavras.
42 E diziam à mulher: “Já não é por causa da tua declaração que cremos, pois nós mesmos ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo”.
43 Passados os dois dias, Jesus partiu para a Galileia.
44 (Ele mesmo havia declarado que um profeta não é honrado em sua pátria.)
45 Quando chegou à Galileia, os galileus o receberam, porque tinham visto tudo o que ele fizera durante a festa em Jerusalém; pois eles também tinham ido à festa.
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Nestes versículos vemos o retorno de Cristo à Galileia (João 4:43). Embora os samaritanos o tivessem recebido com alegria e ele tivesse tido grande êxito entre eles, ainda assim partiu depois de dois dias. Ele não saiu por serem samaritanos, como se quisesse confirmar o preconceito contra ele, já que alguns diziam: “Ele é samaritano” (João 8:48). Ele se retirou porque também precisava anunciar a mensagem em outras cidades (Lucas 4:43).
Ele foi para a Galileia, onde passou grande parte de seu tempo. Passou pelas regiões do interior da Galileia, mas não foi a Nazaré, sua própria cidade. O próprio Jesus deu a razão: “Um profeta não tem honra na sua própria pátria.” Profetas devem ser honrados, porque Deus os honrou e, por meio de seu ministério, as pessoas podem receber muito bem. No entanto, muitas vezes lhes é negada essa honra, especialmente entre os seus. Isso costuma ser assim, embora não sempre. José foi primeiro odiado por seus irmãos, Davi foi desprezado por seu irmão (1 Samuel 17:28), Jeremias foi perseguido pelo povo de Anatote (Jeremias 11:21), Paulo foi rejeitado por seus compatriotas judeus, e os próprios parentes de Cristo falaram dele com incredulidade (João 7:5).
O orgulho e a inveja frequentemente levam as pessoas a desprezarem aqueles que conheceram antes como seus iguais. As pessoas tendem também a admirar o que é novo, distante ou caro, enquanto desprezam o que lhes é familiar. Para um ministro, é um grande desânimo trabalhar entre pessoas que não dão valor nem a ele nem à sua obra. Cristo não quis ir a Nazaré porque sabia quão pouco respeito receberia ali. E Deus age com justiça ao reter o evangelho daqueles que desprezam seus mensageiros. Os que zombam do mensageiro perdem o benefício da mensagem (Mateus 21:35, 41).
Em segundo lugar, ele cria que Cristo podia curar uma criança doente, mas não ressuscitar uma criança morta. Por isso disse: “Desce, antes que meu filho morra”, como se, depois disso, já fosse tarde demais. Mas Cristo tem o mesmo poder sobre a morte que tem sobre a enfermidade. Ele parece ter esquecido que Elias e Eliseu ressuscitaram crianças, e o poder de Cristo não é menor que o deles. Note como ele é urgente: “antes que meu filho morra”, como se Cristo pudesse perder o “momento certo”. Quem crê não precisa se precipitar em pânico, mas se entrega a Cristo, dizendo: “Senhor, como quiseres, quando quiseres e do modo que quiseres”.
Por fim, Cristo lhe deu a paz que ele pedia (João 4:50): “Vai, o teu filho vive”. Aqui vemos o poder de Cristo, porque ele pôde curar, e curar com grande facilidade, sem ir à casa daquele homem. Nada é dito, nada é feito, nada é ordenado externamente, e ainda assim a cura acontece: “Teu filho vive”. Os raios curadores do Sol da justiça espalham sua boa influência por toda parte, e nada se esconde do seu calor. Embora Cristo esteja agora no céu e sua igreja na terra, ele ainda pode enviar socorro do alto.
O oficial queria que Cristo descesse e curasse seu filho. Cristo o curou sem descer. Assim, a cura aconteceu mais cedo, a ideia equivocada do homem foi corrigida, e sua fé foi fortalecida. O modo de Cristo se mostrou melhor do que o pedido do homem. Quando Cristo recusa o que pedimos, muitas vezes ele dá algo muito melhor para nós. Pedimos alívio, e ele dá paciência.
Vemos também a compaixão de Cristo. Ele percebeu a dor daquele pai por seu filho, e essa preocupação paterna natural se revelou nas palavras: “antes que meu filho morra”. Então Cristo deixou de lado a repreensão e deu a ele a certeza de que a criança se recuperaria. Ele sabe o que um pai sente por seus filhos.
O oficial creu na palavra de Cristo e se foi. Embora Cristo não tivesse descido com ele, ele se deu por satisfeito com o modo de Cristo e considerou o assunto resolvido. Quão depressa e quão facilmente o que falta à nossa fé é suprido pela palavra e pelo poder de Cristo. Ele não viu sinal nem prodígio, e ainda assim creu que o milagre tinha sido realizado.
Cristo disse: “Teu filho vive”, e o homem creu. Ele creu não apenas que Cristo sabia que a criança havia se recuperado, mas que a palavra de Cristo é que tinha produzido a cura. Ele deixara o filho morrendo, e, no entanto, quando Cristo disse: “Ele vive”, ele creu, como Abraão, “esperando contra a esperança”, e não vacilou por incredulidade. Cristo também disse: “Vai”, e, como prova de que sua fé era real, o homem foi pelo seu caminho e não deu mais trabalho nem a Cristo nem a si mesmo.
Ele não continuou insistindo para que Cristo descesse. Não disse: “Se meu filho melhorar, já será suficiente que o Senhor o visite”. Não; ele parece já não estar ansioso. Como Ana, seguiu o seu caminho, e o seu rosto já não era triste. Estava plenamente satisfeito, tanto que não se apressou a voltar para casa naquela noite. Retornou num passo tranquilo, como alguém que está completamente em paz.
A fé daquele oficial foi então novamente confirmada quando ele comparou o que Cristo dissera com o que seus servos lhe contaram ao seu retorno. Seus servos vieram ao seu encontro com a boa notícia de que o menino vivia (João 4:51). Provavelmente o encontraram não muito longe de casa e, sabendo quão aflito ele estivera, quiseram aliviar sua mente o mais depressa possível. Os servos de Davi demoraram a contar-lhe quando a criança morreu, mas aqui Cristo havia dito: “Teu filho vive”, e agora os servos disseram a mesma coisa. Boas notícias vêm ao encontro dos que esperam na palavra de Deus.
Ele perguntou a que hora o menino começou a melhorar (João 4:52). Não perguntou porque duvidasse que a palavra de Cristo tivesse operado a cura. Ele queria fortalecer ainda mais sua fé e queria estar preparado para responder a qualquer um a quem contasse depois sobre o milagre. Esse era um detalhe importante. É bom ajuntar toda prova sólida que pudermos para fortalecer nossa fé na palavra de Cristo, a fim de que ela cresça até a plena certeza. “Mostra-me um sinal do teu favor” é uma oração apropriada.
A comparação cuidadosa das obras de Cristo com a sua palavra ajuda a confirmar a fé. O oficial perguntou aos servos quando o menino começou a sarar, e eles disseram: “Ontem, à sétima hora, a febre o deixou”. Isso significa cerca de uma hora da tarde ou, como alguns entendem o modo de João contar o tempo, às sete da noite. Não foi apenas que a criança começou a melhorar; ela ficou boa de uma vez. Então o pai reconheceu que fora exatamente na hora em que Jesus lhe dissera: “Teu filho vive”. Assim como a Palavra de Deus, bem estudada, nos ajuda a entender suas providências, também as providências de Deus, bem observadas, nos ajudam a entender sua Palavra. Deus está sempre cumprindo as Escrituras.
Dois aspectos, em especial, teriam fortalecido a fé daquele homem. Primeiro, a recuperação foi repentina, não gradual. Eles mencionaram a hora exata: “Ontem, à sétima hora, a febre o deixou”. Ela não foi diminuindo aos poucos, nem começou devagar a aliviar. Ela o deixou num instante. A palavra de Cristo não agiu como um remédio, que precisa de tempo para fazer efeito. Não; com Cristo, o que ele falou, aconteceu. Ele não falou para iniciar um processo; falou, e a coisa se cumpriu.
Em segundo lugar, a recuperação aconteceu exatamente no mesmo momento em que Cristo falou. Esse encaixe entre os acontecimentos dá beleza e ordem à providência. Observe o tempo, e o próprio evento se torna ainda mais claro, porque tudo é formoso em seu tempo. Aconteceu no tempo determinado, como o livramento de Israel do Egito (Êxodo 12:41) e como o livramento de Pedro da prisão (Atos 12:12). No trabalho humano, a distância causa demora. Não é assim na obra de Cristo. O perdão, a paz, o consolo e a cura espiritual que ele pronuncia no céu podem, se ele quiser, ser realizados ao mesmo tempo na alma dos crentes. Quando essas duas coisas forem comparadas no último dia, Cristo será glorificado em seus santos e admirado em todos os que creem.
A cura trouxe salvação para toda a casa. O próprio oficial creu. Ele já havia crido na palavra de Cristo para essa necessidade específica, mas agora creu em Cristo como o Messias prometido e tornou-se seu discípulo. A experiência pessoal do poder e da bondade de uma única palavra de Cristo pode ser o meio pelo qual Cristo ganha todo o coração. Cristo tem muitos modos de conquistar uma pessoa e, ao conceder uma bênção temporal, pode abrir caminho para bênçãos muito maiores.
Toda a sua casa também creu. Em parte, porque todos tiveram participação no milagre, já que ele salvou a criança e a esperança da família. Isso os atingiu a todos e tornou Cristo precioso para eles. Em parte, por causa da influência do cabeça da casa. Um pai ou senhor não pode dar fé aos outros, nem pode forçá-los a crer. Mas pode remover preconceitos externos que impedem as pessoas de ver a verdade com clareza, e assim boa parte da obra já estará adiantada. Abraão foi conhecido por isso (Gênesis 18:19), e também Josué (Josué 24:15). Esse homem era um oficial de alta posição e provavelmente tinha uma casa numerosa. Quando entrou na escola de Cristo, levou todos com ele. Que mudança abençoada veio para aquela casa por meio da enfermidade da criança. Isso deve nos ajudar a aceitar a aflição, pois não sabemos que bem ela pode produzir.
É provável que a conversão desse oficial e de sua família em Cafarnaum tenha levado Cristo, mais tarde, a estabelecer ali sua base principal na Galileia. Quando pessoas importantes recebem o evangelho, podem contribuir para que ele entre nos lugares onde vivem.
João então observa que esse foi o segundo milagre, referindo-se ao milagre da água transformada em vinho em (João 2:11), que foi o primeiro. Aquele primeiro sinal ocorreu logo depois da primeira volta de Cristo da Judeia, e este logo depois da segunda. Na Judeia ele já havia realizado muitos milagres (João 3:2; João 4:45). Eles tiveram a primeira oportunidade, mas, quando o rejeitaram, ele operou milagres na Galileia. Cristo será bem recebido em algum lugar. As pessoas podem, se quiserem, fechar o sol fora da própria casa, mas não podem tirá-lo do mundo.
João registra que esse foi o segundo milagre por duas razões. Primeiro, para nos lembrar do primeiro sinal realizado no mesmo lugar alguns meses antes. Novas misericórdias devem trazer à mente misericórdias anteriores, assim como misericórdias anteriores devem fortalecer nossa esperança de novas. Cristo mantém a conta de seus dons, quer nós a mantenhamos, quer não. Em segundo lugar, para mostrar que essa cura veio antes das muitas curas mencionadas pelos outros evangelhos na Galileia (Mateus 4:23; Marcos 1:34; Lucas 4:40). Como o enfermo era um homem de posição, é provável que a cura tenha sido muito comentada e trazido muitos outros sofredores a Cristo. Quando esse oficial veio a ele, as multidões o seguiram. Grande bem pode resultar quando grandes homens são homens de Deus.
Deste capítulo
João 4:1
"O Senhor soube que os fariseus tinham ouvido dizer que ele recrutava e batizava mais discípulos do que João"
João 4:2
"(embora não fosse Jesus quem batizava, mas os seus discípulos)."
João 4:3
"Deixou a Judeia e voltou para a Galileia."
João 4:4
"Ora, ele precisava passar por Samaria."
João 4:5
"Chegou, então, a uma localidade da Samaria chamada Sicar, perto das terras que Jacó havia dado a seu filho José."
João 4:6
"Ali ficava o poço de Jacó. Jesus, cansado da viagem, sentou-se à beira do poço. Era por volta do meio-dia."
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