Versículo em destaque
Hebreus 2:10 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Aquele para quem e por quem todas as coisas existem, desejando conduzir numerosos filhos à glória, decidiu aperfeiçoar, por meio do sofrimento, o autor da salvação deles, "
Hebreus 2:10
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
8 e sujeitaste a seus pés todas as coisas. Ora, se lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou que não lhe ficasse sujeito. Atualmente, é verdade, não vemos que tudo lhe esteja sujeito.
9 Mas aquele que havia sido colocado por pouco tempo abaixo dos anjos, Jesus, nós o vemos, por seu sofrimento e sua morte, coroado de glória e de honra. Assim, pela graça de Deus, a sua morte beneficia todos os homens.
10 Aquele para quem e por quem todas as coisas existem, desejando conduzir numerosos filhos à glória, decidiu aperfeiçoar, por meio do sofrimento, o autor da salvação deles,
11 para que o santificador e os santificados formem um só todo. Por isso, (Jesus) não hesita em chamá-los seus irmãos,
12 dizendo: Anunciarei teu nome a meus irmãos; no meio da assembleia cantarei os teus louvores.
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Depois de mencionar a morte de Cristo, o apóstolo passa a remover a vergonha que alguns poderiam sentir em relação à cruz. Ele faz isso mostrando, ao mesmo tempo, como foi conveniente a Deus permitir que Cristo sofresse e quão grande seria o benefício dessas aflições para as pessoas. Não houve nada indigno de Deus ou de Cristo nesse caminho, e, por meio dele, veio grande bênção para a humanidade.
Em primeiro lugar, ele mostra como isso se encaixava no propósito de Deus para que Cristo sofresse: “Convinha que aquele, para quem são todas as coisas e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles” (Hebreus 2:10). Deus é o fim último de todas as coisas e a fonte de todas as coisas. Por isso, era justo que ele agisse de modo a preservar e manifestar a sua própria glória em tudo o que fizesse.
Deus demonstrou isso na obra da redenção, tanto no alvo que escolheu como nos meios que utilizou. Seu alvo foi trazer muitos filhos à glória, isto é, introduzi‑los agora nos privilégios benditos do evangelho, e, depois, no céu. O céu é uma glória real, eterna e imensamente grandiosa. Antes que alguém seja levado para lá, precisa ser filho de Deus por adoção, sendo acolhido na família de Deus, e por novo nascimento, sendo vivificado espiritualmente.
Todos os verdadeiros crentes são filhos de Deus. Aos que recebem a Cristo, ele dá o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem em seu nome (João 1:12). Os filhos de Deus podem parecer poucos em determinado lugar ou época, mas, quando forem todos reunidos, se verá que são muitos. Cristo é o Primogênito entre muitos irmãos. Por mais espalhados que os filhos de Deus estejam agora, todos serão finalmente reunidos na glória.
Deus também escolheu com sabedoria os meios. Ele designou um príncipe, um chefe da nossa salvação, um líder capaz de conduzir com segurança os salvos até o alvo. Os que são salvos precisam se submeter a esse Líder, alistar‑se debaixo de sua bandeira e suportar sofrimentos como bons soldados de Cristo. Precisam seguir o seu Capitão, e todos os que assim fizerem serão conduzidos em segurança e herdarão honra e glória.
Deus ainda aperfeiçoou esse Príncipe da salvação por meio de sofrimentos. Isso quer dizer que o Pai separou o Senhor Jesus Cristo para esse ofício e o equipou para ele. Cristo já possuía perfeita sabedoria, coragem e força, por causa do Espírito do Senhor, que lhe foi dado sem medida. No entanto, ele foi “aperfeiçoado” pelas aflições no sentido de que completou a obra da nossa redenção derramando o seu sangue, e, assim, tornou‑se plenamente qualificado para ser o Mediador, aquele que se coloca entre Deus e os homens.
Ele chegou à coroa pelo caminho da cruz, e, portanto, o seu povo deve trilhar a mesma vereda. Como observa o Dr. Owen, já que Jesus foi separado e tornado completo por meio do sofrimento, ele também santificou o caminho do sofrimento para todos os que o seguem rumo à glória. Por isso, os sofrimentos deles são necessários e não podem ser evitados, mas também são honrosos, úteis e proveitosos.
Em segundo lugar, o apóstolo mostra quanto os crentes ganham com a cruz e os sofrimentos de Cristo. Da mesma forma que neles não houve nada impróprio para Deus e para Cristo, neles há grande benefício para as pessoas. Por meio disso, os crentes são introduzidos numa estreita união com Cristo e num relacionamento muito íntimo com ele.
Essa união é descrita em Hebreus 2:11: “Porque, assim o que santifica como os que são santificados, são todos de um.” Cristo é aquele que santifica, isto é, aquele que torna as pessoas santas. Ele comprou e enviou o Espírito santificador, e é a fonte de toda influência santa. O Espírito santifica como Espírito de Cristo. Os verdadeiros crentes são aqueles que estão sendo santificados, recebendo desejos e capacidades santas, e sendo separados de usos baixos e pecaminosos para fins santos. Eles precisam ser tornados santos antes de serem conduzidos à glória.
Cristo, que realiza essa santificação, e os cristãos, que a recebem, são todos de um. Eles procedem de um mesmo Pai celestial, Deus. Deus é Pai de Cristo pela geração eterna e pela concepção miraculosa, e é Pai dos crentes pela adoção e regeneração. Eles também procedem de um mesmo pai terreno, Adão, pois Cristo e os crentes compartilham a mesma natureza humana. E são de um mesmo Espírito, uma mesma disposição santa e celestial. A mesma mente que houve em Cristo também há nos crentes, ainda que não na mesma medida. O mesmo Espírito habita na cabeça e em todos os membros.
Dessa união nasce um relacionamento terno. Porque Cristo e os crentes são todos de um, ele não se envergonha de chamá‑los irmãos. Cristo e os crentes são irmãos não só na natureza humana, mas também na vida espiritual. São irmãos no que é celestial, bem como no que é terreno. E Cristo não se envergonha de assumi‑los como tais, o que mostra sua grande bondade e humildade. A fraqueza natural e a pecaminosidade deles tornam isso ainda mais impressionante. No entanto, ele nunca se envergonhará dos que não se envergonham dele e que se esforçam para não trazer vergonha sobre ele nem sobre si mesmos.
O apóstolo sustenta isso com três citações do Antigo Testamento. A primeira é do Salmo 22:22: “Anunciarei o teu nome a meus irmãos; louvar‑te‑ei no meio da congregação.” Esse salmo aponta claramente para Cristo, começando com as suas palavras na cruz: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Prediz, em primeiro lugar, que Cristo teria uma igreja, uma congregação no mundo, um povo que o seguiria de boa vontade. Em segundo lugar, esse povo seria irmão não apenas entre si, mas também do próprio Cristo. Em terceiro lugar, Cristo lhes revelaria o nome de seu Pai, isto é, sua natureza, caráter, mente e vontade. Ele fez isso em sua própria pessoa enquanto viveu entre nós, e por meio de seu Espírito derramado sobre os discípulos, que, então, espalharam o conhecimento de Deus pelo mundo, de geração em geração. Em quarto lugar, Cristo cantaria louvores a seu Pai na igreja. A glória do Pai estava sempre diante dos olhos de Cristo. Seu coração estava firmado nela, e ele desejava que seu povo se unisse a ele nisso.
A segunda citação é do Salmo 18:2: “Porei nEle a minha confiança.” Esse salmo apresenta as aflições de Davi como figura de Cristo, e como Davi confiou em Deus em meio a todas elas. Isso aponta para o fato de que, além de sua natureza divina, que não precisava de apoio, Cristo assumiria outra natureza que necessitaria do auxílio que só Deus pode dar. Ele sofreu e confiou como nosso cabeça e líder.
Seus irmãos e irmãs também precisam sofrer e confiar. A terceira Escritura é de Isaías 8:18: “Eis‑me aqui, com os filhos que o SENHOR me deu.” Isso mostra que Cristo foi verdadeiramente e plenamente humano, pois pais e filhos participam da mesma natureza.
Esses filhos foram dados a Cristo pelo Pai no plano de seu amor eterno, naquele pacto de paz estabelecido entre ambos. Eles também são dados a Cristo quando vêm à fé. Quando aceitam a sua aliança, Cristo os recebe, governa sobre eles, se deleita neles, leva suas vidas à plena realização e, então, os conduz ao céu. Ali ele os apresenta a seu Pai e diz: “Eis‑me aqui, e os filhos que me deste.”
Deste capítulo
Hebreus 2:1
"Por isso, precisamos prestar a máxima atenção à mensagem que recebemos, para que não aconteça de nos desviarmos do caminho reto."
Hebreus 2:2
"A palavra anunciada por meio dos anjos era tão válida que toda transgressão ou desobediência recebeu o justo castigo."
Hebreus 2:3
"Como, então, escaparemos nós, se agora desprezarmos a mensagem da salvação, tão sublime, anunciada primeiramente pelo Senhor e depois confirmada pelos que a ouviram,"
Hebreus 2:4
"enquanto o próprio Deus a comprovava por sinais, prodígios, milagres e pelos dons do Espírito Santo, distribuídos segundo a sua vontade?"
Hebreus 2:5
"Também não foi aos anjos que Deus submeteu o mundo vindouro, do qual falamos."
Hebreus 2:6
"Alguém afirmou em certa passagem: Que é o homem, para que dele te lembres, ou o filho do homem, para que o visites?"
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