Versículo em destaque
Romanos 8:29 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Aqueles que ele distinguiu de antemão, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que este seja o primogênito entre uma multidão de irmãos. "
Romanos 8:29
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
27 E aquele que sonda os corações sabe o que o Espírito deseja, o qual intercede pelos santos, segundo Deus.
28 Além disso, sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos segundo os seus desígnios.
29 Aqueles que ele distinguiu de antemão, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que este seja o primogênito entre uma multidão de irmãos.
30 E aos que predestinou, também os chamou; aos que chamou, também os justificou; e aos que justificou, também os glorificou.
31 Que diremos depois disso? Se Deus é por nós, quem será contra nós?
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O apóstolo já descreveu vários aspectos da bem-aventurança dos verdadeiros crentes. Aqui ele mostra o fundamento de todos eles, e o coloca na predestinação, ou seja, na escolha prévia de Deus. Essas grandes bênçãos chegam a nós por meio da aliança das promessas, mas repousam sobre o propósito de Deus, que certamente leva tudo a cumprir-se.
Cristo, aquele que comprou a salvação, não foi destinado a trabalhar em vão, nem a gastar sua vida para nada. Em vez disso, Deus lhe deu um remanescente, um povo que lhe pertencerá, para que o bom propósito do Senhor prospere por meio dele. Para explicar isso, Paulo apresenta a ordem das causas da salvação, como uma corrente de ouro que não pode ser quebrada. Ela tem quatro elos.
“Os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho.” Deus estabeleceu, desde a eternidade, que todos aqueles a quem destinou para glória e felicidade fossem antes conduzidos pela graça e pela santidade. Isso não significa que ele previu que eles seriam santos e, então, os escolheu por causa disso. O conselho de Deus não depende da vontade fraca e mutável dos homens. Seu “pré-conhecer” os santos é o mesmo que seu amor eterno por eles (Jeremias 31:3).
Na Escritura, o “conhecer” de Deus frequentemente significa amar e reconhecer como seus. Assim está escrito: “eleitos segundo a presciência de Deus” (1 Pedro 1:2). A mesma palavra é usada também com o sentido de “pré-ordenado” (1 Pedro 1:20). Quando Deus diz: “Te conheço por nome” (Êxodo 33:12), ele quer dizer mais do que simples conhecimento; significa favor especial. Assim, aqueles que Deus “dantes conheceu” ele também escolheu de antemão para serem semelhantes a Cristo.
Santidade é ser moldado para corresponder à imagem de Cristo. Isso envolve toda a obra da santificação, isto é, ser tornado santo. Cristo é o grande modelo dos crentes. Pensar como Cristo, viver como Cristo e suportar o sofrimento com paciência como Cristo: isso é santidade. Cristo é a exata imagem do Pai, e os crentes são moldados à imagem de Cristo. Por meio de Cristo, o amor de Deus é restaurado para nós e a semelhança de Deus é renovada em nós. Essas duas coisas fazem parte da felicidade humana.
Todos quantos Deus amou assim desde a eternidade, ele também destinou de antemão para essa semelhança. Não podemos tornar-nos semelhantes a Cristo por nossas próprias forças. Nosso entregar-nos a Cristo começa com o fato de que Deus primeiro nos entregou a Cristo. E, ao nos dar a Cristo, Deus também determinou que fôssemos feitos semelhantes a ele. Por isso é errado dizer que a eleição, a escolha de Deus, incentiva o pecado, como se o alvo e o caminho fossem separados, ou como se felicidade e santidade fossem coisas distintas. Ninguém pode saber que é eleito senão examinando se está se tornando semelhante a Cristo. Todos os eleitos são escolhidos para a santificação (2 Tessalonicenses 2:13). Não pode ser tentação para alguém viver como o mundo saber que foi predestinado para ser como Cristo.
O propósito principal aqui é honrar Jesus Cristo, para que ele seja “o primogênito entre muitos irmãos”. Isso significa que Cristo tem a honra de ser ao mesmo tempo o grande modelo e o grande governante, e, nisso como em tudo, ele tem a primazia. Na lei, o primogênito era consagrado a Deus e ocupava o lugar de cabeça da família, e os demais dependiam dele. Na família dos crentes, Cristo deve ocupar esse lugar.
E devemos bendizer a Deus porque há muitos irmãos. Podem parecer poucos em certo lugar e tempo, mas juntos serão uma grande multidão. Há, portanto, um número certo escolhido de antemão, e isso torna certa a eficácia da obra de Cristo. Se o resultado tivesse sido deixado incerto, dependendo da vontade mutável do homem, Cristo poderia ter sido o primogênito entre apenas alguns irmãos, ou nenhum, como um capitão sem soldados, ou um príncipe sem súditos. Para evitar isso, e para assegurar que ele tivesse muitos irmãos, o decreto é firme e absoluto. Ele certamente verá a sua descendência. Há um remanescente escolhido para ser conforme à sua imagem, e o propósito de Deus quanto a eles será certamente cumprido, tanto em sua santidade quanto em sua felicidade. Assim, apesar de toda oposição das trevas, Cristo será o primogênito entre muitos, muitíssimos irmãos.
“E aos que predestinou a estes também chamou.” Não se trata apenas do chamado externo do evangelho, que alcança muitos que não são escolhidos (Mateus 20:16; Mateus 22:14). É o chamado interno e eficaz, que atinge o coração. O chamado externo chega apenas ao ouvido, mas esse chamado chega ao coração. Todos quantos Deus destinou de antemão para graça e glória, ele também chama no tempo oportuno.
Esse chamado é eficaz quando de fato respondemos a ele. E respondemos quando o Espírito nos atrai, convence nossa consciência de culpa e juízo, abre nosso entendimento, inclina nossa vontade, persuade-nos e nos fortalece para receber a Cristo nas promessas. Ele nos torna dispostos no dia do seu poder. É um chamado que nos volta de nós mesmos e do mundo para Deus, Cristo e o céu como nosso alvo. E também nos converte do pecado e da vaidade para a graça, a santidade e a seriedade como nosso caminho. Esse é o chamado do evangelho.
Deus os chamou para que o seu propósito, segundo a eleição, permanecesse firme. Somos chamados para o mesmo fim para o qual fomos escolhidos. Assim, o modo de tornar firme a nossa eleição é tornar firme o nosso chamado (2 Pedro 1:10).
“E aos que chamou a estes também justificou.” Justificar é declarar justo. Todos os que são verdadeiramente chamados são justificados, perdoados de sua culpa e aceitos como justos por meio de Jesus Cristo. Eles estão corretos no tribunal de Deus. Nenhum pecado que cometeram se levantará para condená-los. O registro é riscado, a dívida é cancelada, a sentença é retirada e a acusação é revertida. Já não são tratados como réus, mas recebidos e amados como amigos e favoritos. Bem-aventurado o homem cujo pecado é assim perdoado.
Ninguém é justificado a não ser aqueles que são verdadeiramente chamados. Os que resistem ao chamado do evangelho permanecem debaixo de culpa e condenação. “E aos que justificou a estes também glorificou.” Quando o poder do pecado é quebrado no chamado eficaz, e a culpa do pecado é removida na justificação, o que ainda restava para impedir a glória é tirado do caminho. Nada pode então se colocar entre essa alma e a glória.
Paulo fala da glorificação como se já estivesse concluída, porque é absolutamente certa. Deus “nos salvou e chamou com uma santa vocação.” Na glorificação eterna de todos os eleitos, o propósito amoroso de Deus se cumpre plenamente. Esse foi o seu alvo o tempo todo: conduzi-los ao céu. Nada menos do que essa glória poderia completar sua aliança com eles como seu Deus. Portanto, em tudo o que ele faz por eles e neles, tem sempre esse fim em vista. Foram escolhidos? É para a salvação. Foram chamados? É para o seu reino e glória. Foram regenerados? É para uma herança que não se corrompe. São afligidos? É para produzir para eles um peso eterno de glória. E aquele que começou toda essa obra é o mesmo do começo ao fim.
É o próprio Deus quem predestinou, chamou, justificou e glorificou. O Senhor sozinho guiou o seu povo, e nenhum deus estranho participou dessa obra. As vontades humanas mudam com facilidade, e a força humana é tão fraca, que, se qualquer parte disso dependesse de nós, toda a obra fracassaria.
Mas Deus assumiu toda a obra sobre si, do começo ao fim. Ele faz isso para que continuemos dependendo somente dele, permaneçamos debaixo do seu governo e lhe demos todo o louvor. No fim, toda coroa será lançada diante do seu trono. Isso deve fortalecer muito a nossa fé e nossa esperança, porque o caminho e a obra de Deus são perfeitos.
Aquele que lançou o fundamento também colocará a última pedra. A pedra final será assentada entre gritos de alegria, e nossa ocupação eterna será clamar: “Graça, graça a ela.”
Deste capítulo
Romanos 8:1
"Portanto, de agora em diante, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo."
Romanos 8:2
"A Lei do Espírito de Vida me libertou, em Jesus Cristo, da Lei do pecado e da morte."
Romanos 8:3
"O que era impossível à Lei, pois a carne a tornava impotente, Deus o fez. Enviando, por causa do pecado, o seu próprio Filho em uma carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne,"
Romanos 8:4
"a fim de que a justiça prescrita pela Lei fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o espírito."
Romanos 8:5
"Os que vivem segundo a carne gostam do que é carnal; os que vivem segundo o espírito apreciam as coisas que são do espírito."
Romanos 8:6
"Ora, a aspiração da carne é a morte, enquanto a aspiração do espírito é a vida e a paz."
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