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Hebreus 2:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" Por isso, precisamos prestar a máxima atenção à mensagem que recebemos, para que não aconteça de nos desviarmos do caminho reto. "

Hebreus 2:1

menu_book Versículo no contexto

1 Por isso, precisamos prestar a máxima atenção à mensagem que recebemos, para que não aconteça de nos desviarmos do caminho reto.

2 A palavra anunciada por meio dos anjos era tão válida que toda transgressão ou desobediência recebeu o justo castigo.

3 Como, então, escaparemos nós, se agora desprezarmos a mensagem da salvação, tão sublime, anunciada primeiramente pelo Senhor e depois confirmada pelos que a ouviram,

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auto_stories Comentário Bible Guided

O apóstolo prossegue de maneira clara e proveitosa, passando da doutrina à argumentação e à aplicação prática ao longo desta carta. Aqui ele aplica as verdades que já demonstrou, e o faz com a palavra “portanto”, que liga este capítulo ao anterior. Já que ele mostrou que Cristo é maior do que os anjos, por meio dos quais a lei foi dada, segue‑se que o evangelho deve ser maior do que a lei.

Ele começa com uma exortação: “Portanto, convém‑nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido” (Hebreus 2:1). Este é o primeiro modo de mostrarmos nosso respeito por Cristo e pelo evangelho. Todo aquele que vive sob a luz do evangelho deve tratar suas verdades e seus mandamentos como assunto de máxima importância, ouvi‑los com atenção sempre que houver oportunidade, lê‑los com frequência, meditá‑los profundamente e unir fé ao que ouve. Devemos acolher essas verdades no coração e nos afetos, guardá‑las na memória e deixar que elas moldem nossas palavras e ações.

Ele acrescenta, então, fortes razões para essa advertência. Primeiro, se não prestarmos cuidadosa atenção, deixaremos essas verdades escapar. Elas vão se esvair de nossa mente, de nossa conversa e de nossa conduta, e sofreremos grande prejuízo por causa de nossa negligência. Mesmo depois que a verdade do evangelho entra em nossa mente, ela ainda corre o risco de se perder, pois nossa mente e nossa memória são como um vaso rachado, que vaza. Isso decorre da corrupção de nossa natureza, da astúcia de Satanás, da atração do mundo e das preocupações e tentações que sufocam a boa semente.

Os que deixam escapar a verdade do evangelho perdem muito mais do que podem imaginar. Perdem um tesouro melhor do que montes de ouro e prata. A semente se perde, o tempo e o esforço gasto em ouvir se perdem, e a esperança de uma boa colheita também se perde. Se o evangelho é perdido, tudo é perdido. Isso deve nos levar, portanto, tanto a dar atenção quanto a reter o que ouvimos. Na realidade, se não ouvirmos bem, não guardaremos a palavra por muito tempo. Ouvintes descuidados logo se tornam ouvintes esquecidos.

Uma segunda razão é o terrível castigo que sobrevém se falharmos nesse dever, castigo maior do que o que havia sob a lei (Hebreus 2:2, 3). A lei é descrita como a palavra falada por meio de anjos e como algo firme e permanente. Ela veio com o ministério de anjos, que estiveram presentes em sua promulgação, e Deus também usará anjos quando reunir todos diante de seu tribunal para receberem sentença de acordo com terem guardado ou quebrado a lei. Essa lei é firme. Permanece verdadeira e certa quer os homens a obedeçam, quer a rejeitem, e toda transgressão ou desobediência receberá justa retribuição.

Se as pessoas tratam a lei de Deus com leveza, a lei não as tratará com leveza. Ela já alcançou pecadores em gerações passadas e alcançará pecadores em todas as gerações. Como Governante e Juiz justo, Deus não deixou o desprezo à sua lei sem punição. Repetidas vezes tratou com aqueles que a violaram, dando a cada um o que seu pecado merecia. Mesmo o castigo mais severo que Deus inflige aos pecadores é apenas o que o pecado merece. A punição é tão justa quanto a recompensa, e, em certo sentido, é até mais devida ao pecado do que recompensas são devidas à obediência imperfeita.

O evangelho é descrito de modo muito diferente. Ele é salvação, e não uma salvação comum, mas uma tão grande salvação. Nada se compara a ela, e ninguém pode descrevê‑la plenamente ou sequer compreendê‑la em toda a sua grandeza. O evangelho revela um grande Salvador, que mostra que Deus está reconciliado com a nossa natureza humana e disposto a reconciliar‑se com as nossas pessoas. Mostra como podemos ser libertos de grande pecado e grande miséria, e conduzidos de volta a grande santidade e grande felicidade. Revela também um grande santificador, isto é, aquele que nos torna santos e nos prepara para a salvação e para a comunhão com o Salvador. E abre um grande e gracioso concerto, uma nova aliança, cujo grande estatuto e promessa jurídica estão assegurados a todos os que entram nesse vínculo.

Pecar contra o evangelho é descrito como negligenciar tão grande salvação. É tratar com desprezo a graça salvadora de Deus em Cristo, fazer pouco caso dela, não lhe dar importância, julgá‑la indigna de ser conhecida, e ignorar tanto o valor da graça do evangelho quanto nossa própria necessidade dela e o nosso estado de total incapacidade sem ela. É também não fazer esforço real para examinar se é verdadeira, não buscá‑la para crer, aprovar, nem aplicá‑la a si mesmo. De todas essas maneiras, as pessoas mostram que estão negligenciando tão grande salvação. Devemos cuidar para não sermos contados entre esses pecadores perversos e miseráveis que desprezam a graça do evangelho.

A miséria desses pecadores é apresentada como inevitável (Hebreus 2:3): “Como escaparemos?”. Isso indica, primeiro, que os que desprezam essa salvação já estão condenados. Já se acham presos e nas mãos da justiça. Estavam assim por causa do pecado de Adão, e apenas tornaram seu caso pior pelos próprios pecados. “Quem não crê já está condenado” (João 3:18).

Significa também que não há saída desse estado de condenação a não ser aceitando a grande salvação revelada no evangelho. Para os que a negligenciam, a ira de Deus permanece sobre eles. Não podem libertar‑se, nem elevar‑se acima dela, nem fugir à maldição. E indica ainda que há um juízo ainda mais pesado aguardando todos os que desprezam a graça de Deus em Cristo, e desse também não podem escapar. Não poderão esconder‑se no grande Dia, nem negar o que fizeram, nem subornar o Juiz, nem arrebentar os grilhões da prisão. Nenhuma porta de misericórdia permanecerá aberta para eles, nenhum outro sacrifício pelo pecado será oferecido, e estarão perdidos sem possibilidade de recuperação.

A terrível perda dos que negligenciam essa salvação é apresentada aqui na forma de uma pergunta: “Como escaparemos?”. É um apelo à razão simples e à própria consciência do pecador. Desafia toda a sua força, seus planos, suas riquezas e aliados a encontrar, ou forçar, uma saída do justo juízo e da ira de Deus.

Isso mostra também que os que fazem pouco caso de tão grande salvação comparecerão no dia do juízo sem qualquer poder para salvar‑se, sem desculpa e sem defesa. Se lhes for perguntado por que a sentença não deveria ser executada, nada terão a responder. A própria consciência os condenará, e sua miséria será maior do que a daqueles que rejeitaram a lei ou pecaram sem o conhecimento da lei.

Outra razão para essa advertência está na grandeza daquele por meio de quem o evangelho primeiro nos veio (Hebreus 2:3). Ele “começou a ser anunciado pelo Senhor”, isto é, pelo Senhor Jesus Cristo, que é Jeová, o Senhor da vida e da glória, Senhor de todos. Como Senhor, possui perfeita sabedoria, bondade ilimitada, absoluta veracidade, plena autoridade e poder irresistível.

Esse grande Senhor de tudo foi o primeiro a tornar o evangelho claro e explícito, sem as figuras e sombras que antes apenas o apontavam. Certamente todos deveriam honrar tal Senhor e dar toda atenção a um evangelho que veio primeiro daquele que falou como ninguém jamais falou.

Outra razão vem das pessoas que testemunharam a Cristo e ao evangelho (Hebreus 2:3-4). A mensagem “foi‑nos confirmada pelos que a ouviram”, e Deus também deu testemunho a favor deles. O evangelho foi transmitido e confirmado pelos que tinham ouvido a Cristo, os evangelistas e apóstolos, que foram testemunhas oculares e auriculares de tudo o que Jesus começou a fazer e ensinar (Atos 1:1). Eles não tinham nenhum interesse terreno a servir ao dar esse testemunho. Eram movidos apenas pela glória do Redentor e pela salvação deles mesmos e de outros, e muitos selaram esse testemunho com o próprio sangue.

O próprio Deus também deu testemunho desses que davam testemunho de Cristo. Ele mostrou que eram por ele autorizados e enviados para anunciar Cristo e a salvação ao mundo. Fez isso por sinais, prodígios, várias maravilhas e dons do Espírito Santo, distribuídos conforme a sua vontade. Os sinais mostravam sua presença graciosa com eles e o seu poder operando por meio deles. Os prodígios eram obras acima do poder e da ordem da natureza, enchendo as pessoas de assombro e levando‑as a ouvir e a indagar.

As várias maravilhas eram obras poderosas nas quais o poder do próprio Deus se manifestava de modo inegável. Os dons do Espírito Santo capacitaram, habilitaram e estimularam os apóstolos para a obra à qual foram chamados, conforme os diversos dons descritos em (1 Coríntios 12:4). Tudo isso foi segundo a própria vontade de Deus. Ele quis dar‑nos um fundamento firme para a fé e uma base sólida para a esperança em receber o evangelho. Assim como deu a lei com sinais e prodígios para mostrar sua autoridade e grandeza, também testemunhou do evangelho com milagres ainda maiores, pois o evangelho é uma mensagem mais excelente e duradoura.

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