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Gálatas 3:19 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

Então, o que é a Lei? É um complemento acrescentado em vista das transgressões, até que viesse a descendência a quem tinha sido feita a promessa; foi promulgada por anjos, passando por um intermediário.

Gálatas 3:19

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auto_stories Comentário Bible Guided

O apóstolo havia acabado de falar sobre a promessa feita a Abraão e mostrara que é essa promessa, e não a lei, que é a regra da nossa justificação, isto é, do modo como somos feitos justos diante de Deus. Ele sabe que alguns poderiam pensar que isso torna a lei inútil, e por isso agora explica por que Deus a deu. A pergunta é: se a promessa basta para a salvação, para que serve a lei? Por que Deus deu a lei por meio de Moisés?

Ele responde que a lei foi acrescentada por causa das transgressões, isto é, por causa do pecado. Ela não foi dada para substituir a promessa nem para estabelecer outro caminho de justificação. Antes, foi colocada ao lado da promessa, a serviço dela. Os israelitas eram o povo escolhido de Deus, mas pecadores como todos os demais; por isso, a lei foi dada para mostrar-lhes o pecado e o perigo em que se encontravam diante de Deus. Pela lei vem o pleno conhecimento do pecado (Romanos 3:20), e a lei entrou para que o pecado se tornasse mais evidente, mais manifesto (Romanos 5:20).

A lei também foi dada para refrear o pecado. Ela foi destinada a pôr temor na mente das pessoas e conter seus desejos pecaminosos, para que não corressem livremente para o mal ao qual já se inclinavam por natureza. Ao mesmo tempo, pretendia apontar para o único modo pelo qual o pecado poderia, de fato, ser tirado: por meio da morte e do sacrifício de Cristo. Esse era o propósito especial das leis sobre sacrifícios e purificações.

Paulo acrescenta que a lei foi dada até que viesse a semente a quem a promessa tinha sido feita. Essa semente é Cristo, como Paulo já demonstrou, ou, em sentido mais amplo, a era do evangelho, quando judeus e gentios, pela fé, se tornariam a semente de Abraão. Assim, a lei foi acrescentada por um tempo, até que esse tempo pleno chegasse. Mas quando Cristo veio, e quando a graça de Deus se manifestou de modo mais completo na promessa, a lei de Moisés devia chegar ao fim como aliança. Em (Hebreus 8:7-8) lemos que, ao se achar defeito na primeira aliança, outra, superior, foi estabelecida em seu lugar.

Isso não significa que a lei moral, como lei da natureza, tenha perdido o seu valor. Ela ainda serve para mostrar às pessoas o seu pecado e para conter o mal. Mas já não estamos sob o peso esmagador e o temor daquele pacto legal. A lei nunca foi destinada a oferecer um modo de justificação diferente da promessa. Sua finalidade era levar as pessoas a perceberem a necessidade da promessa, mostrando-lhes quão terrível é o pecado, e conduzi-las a Cristo, por meio de quem somente poderiam ser perdoadas e justificadas diante de Deus.

Paulo apresenta ainda outra razão pela qual a lei não podia anular a promessa: ela foi ordenada por meio de anjos, na mão de um mediador. Ela veio a um povo diferente, e de um modo diferente, em relação à promessa. A promessa foi feita a Abraão e a toda a sua descendência espiritual, incluindo crentes de todas as nações, judeus e gentios. Mas a lei foi dada a Israel como nação especial, separada do restante do mundo. A promessa veio diretamente de Deus, enquanto a lei veio por meio de anjos e de um mediador.

Isso mostra que a lei não podia ter sido dada com a intenção de cancelar a promessa. Um mediador não atua para uma parte só, mas Deus é um só, e a promessa repousava em seu único e gracioso propósito. Portanto, não faria sentido que Deus desfizesse uma promessa que já havia feito a Abraão e a toda a sua descendência espiritual por meio de um arranjo posterior, feito com a nação judaica. Isso não condiz com sua sabedoria nem com sua fidelidade. Moisés foi apenas mediador entre Deus e a descendência de Abraão, e, assim, a lei dada por meio dele não poderia revogar a promessa, muito menos destruí-la.

Em seguida, Paulo responde a outra possível objeção. Alguém poderia perguntar se a lei é contrária às promessas de Deus. Será que a aliança com Abraão e a lei de Moisés entram em choque? Sua resposta é: de modo nenhum. Ele jamais diria tal coisa, e nada do que escreveu deve ser entendido assim. A lei não luta contra a promessa. Antes, apoia a promessa, ao mostrar às pessoas sua culpa e a necessidade de uma justiça melhor do que a que a própria lei pode oferecer.

De fato, se tivesse sido dada uma lei que pudesse dar vida, então a justiça viria pela lei. Se isso fosse possível, a promessa seria desnecessária. Mas isso não pode ser assim em nossa presente condição, porque a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado; isto é, declarou tanto judeus como gentios culpados e incapazes de se tornarem justos por meio da obediência à lei (Gálatas 3:22). A lei expunha suas feridas, mas não podia curá-las. Mostrava que eram culpados, e seus sacrifícios e purificações mostravam, pela própria fraqueza, que não podiam tirar completamente o pecado. Assim, o grande propósito da lei era levar as pessoas a receberem a promessa pela fé em Jesus Cristo.

Quando as pessoas são convencidas de sua culpa e da incapacidade da lei de torná-las justas, estão preparadas para crer em Cristo. Então recebem a bênção da promessa.

A última afirmação de Paulo aqui é que a lei tinha o propósito de servir como aio, tutor, para conduzir a Cristo (Gálatas 3:24). Ele já havia dito que, antes de vir a fé, isto é, antes da manifestação de Cristo e da revelação mais plena da justificação pela fé, os judeus estavam guardados debaixo da lei. Estavam submetidos a regras rigorosas e a penas severas, encerrados sob sua disciplina como prisioneiros em confinamento. Isso foi feito para que estivessem mais dispostos a acolher a fé que seria mais tarde revelada.

Nesse estado, a lei os treinou a olhar para a frente, em direção a Cristo. Conduziu-os a ele para que fossem justificados pela fé.

Ao revelar a mente e a vontade de Deus para Israel e, ao mesmo tempo, pronunciar maldição sobre toda falta de obediência, a lei os obrigou a encarar sua condição de perdidos. Também lhes mostrou a fraqueza e os limites de sua própria justiça, já que essa justiça não podia recomendá-los a Deus.

A lei também exigia muitos sacrifícios. Esses sacrifícios, por si só, não podiam remover o pecado, mas apontavam para Cristo e para o grande sacrifício que ele ofereceria para o perdão dos pecados. Desse modo, a lei conduzia as pessoas, ainda que de maneira obscura e simbólica, a Cristo como seu único socorro e refúgio.

Assim, a lei foi um aio, um guia e guardião para Israel em seu estado de menoridade espiritual. A palavra grega usada designa, com mais precisão, o escravo encarregado de levar as crianças à escola. Nesse sentido, a lei os conduziu a Cristo, para que fossem por ele ensinados de modo mais pleno como o verdadeiro Mestre, no único caminho de justificação, isto é, de serem considerados justos diante de Deus, e de salvação, que vem somente pela fé nele.

Mesmo assim, alguém poderia perguntar: se a lei serviu para esse fim na época dos judeus, por que não continuaria a servir do mesmo modo na era cristã? Paulo responde em (Gálatas 3:25) que, depois que veio a fé, ou seja, depois que o evangelho foi claramente revelado, já não estamos debaixo de aio. Não precisamos mais da lei, da mesma forma, para nos apontar para Cristo, porque Cristo, e o caminho de perdão e vida pela fé nele, agora são mostrados em plena luz.

A partir disso, podemos notar várias coisas. Primeiro, vemos a bondade de Deus para com seu povo antigo, ao lhes dar a lei. Mesmo sendo mais escura e severa em comparação com o evangelho, ainda assim lhes oferecia ajuda suficiente para orientar o dever para com Deus e sustentar a esperança nele.

Segundo, vemos o grande engano e a loucura dos judeus. Eles não entenderam o propósito da lei e a utilizaram para algo que Deus não havia determinado. Esperavam ser justificados por obedecê-la, mas a lei nunca foi dada como regra de justificação. Ela foi dada para mostrar a culpa deles, sua necessidade de um Salvador e para apontá-los para Cristo e para a fé nele como o único modo de receber essa bênção. Veja (Romanos 9:31-32; Romanos 10:3-4).

Terceiro, vemos a grande vantagem do evangelho em relação à lei. Sob o evangelho, temos uma visão mais clara da graça e da misericórdia de Deus do que os judeus tinham antes. Também fomos libertos da servidão e do temor sob os quais viviam. Já não somos tratados como crianças em estado de imaturidade, mas como filhos que chegaram à maioridade e agora desfrutam de maior liberdade e de privilégios mais amplos. Paulo desenvolve isso nos versículos que seguem.

Depois de mostrar o propósito da lei, Paulo encerra o capítulo dizendo o que temos por meio de Cristo. Primeiro, ele afirma que somos filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus (Gálatas 3:26). Esse é um grande privilégio. Os verdadeiros cristãos já não são considerados apenas servos, mas filhos. Não permanecem à mesma distância de Deus em que os judeus estavam, mas têm acesso mais próximo e livre a ele. São recebidos em sua família e têm direito a todas as bênçãos reservadas aos seus filhos.

Eles recebem esse privilégio pela fé em Cristo Jesus. Quando o aceitam como Senhor e Salvador e confiam somente nele para justificação e salvação, são introduzidos nesse relacionamento feliz com Deus. Isso corresponde ao que vemos em (João 1:12), onde se diz que todos os que receberam Cristo, isto é, os que creram em seu nome, receberam o direito de se tornarem filhos de Deus.

Paulo também lembra, em (Gálatas 3:27), que era essa fé em Cristo que eles confessavam no batismo. Ele diz: “Todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo”. No batismo, eles professaram publicamente fé nele, entregaram-se a ele e, por assim dizer, vestiram o “uniforme” dele como seus servos e discípulos. Tornando-se membros de Cristo, foram recebidos e contados como filhos de Deus por meio dele.

Aqui devemos notar duas coisas. Primeiro, o batismo é agora o sinal solene de nossa admissão na igreja cristã, assim como a circuncisão foi para os judeus. O próprio Senhor Jesus o estabeleceu assim na ordem que deu a seus apóstolos (Mateus 28:19). Os apóstolos, então, batizavam aqueles a quem haviam ensinado a crer na fé cristã. Paulo pode mencionar aqui o batismo, e o fato de que os crentes se tornam filhos de Deus por meio da fé nele confessada, para responder a outra objeção dos falsos mestres.

Eles poderiam dizer: “Mesmo que a lei dada no monte Sinai tenha sido encerrada por Cristo, por que a circuncisão também deveria ser deixada de lado? Ela foi dada a Abraão com a promessa, muito antes de Moisés receber a lei.” Paulo elimina essa objeção ao afirmar que os que foram batizados em Cristo se revestiram de Cristo. Isso mostra que, no evangelho, o batismo toma o lugar da circuncisão. Os que são dedicados a Cristo no batismo, e que realmente creem nele, são plenamente admitidos aos privilégios do estado cristão, assim como os judeus eram admitidos aos privilégios da lei pela circuncisão (Filipenses 3:3). Portanto, não há motivo para manter a circuncisão.

Segundo, no batismo nós nos revestimos de Cristo. Confessamos que pertencemos a ele e ficamos obrigados a viver como seus servos fiéis. Ser batizado em Cristo é ser batizado em sua morte, de modo que, assim como ele morreu e ressuscitou, nós morramos para o pecado e andemos em novidade de vida (Romanos 6:3, Romanos 6:4). Seria de grande proveito se nos lembrássemos disso com mais frequência.

Além disso, esse privilégio — ser filhos de Deus e ser dedicados a Cristo no batismo — agora é compartilhado igualmente por todos os verdadeiros cristãos. A lei fazia distinções entre judeu e grego, dando aos judeus muitas vantagens. Fazia também distinções entre escravo e livre, senhor e servo, e entre homem e mulher, já que apenas os homens eram circuncidados.

Mas agora não é mais assim. Todos os crentes estão em pé de igualdade, e todos são um em Cristo Jesus. Uma pessoa não é aceita por causa de alguma vantagem nacional ou pessoal em relação a outra, nem outra é rejeitada por não possuir essas vantagens. Todos os que verdadeiramente creem em Cristo, seja qual for sua nação, sexo ou condição, são aceitos por ele e se tornam filhos de Deus por meio da fé nele.

Finalmente, pertencer a Cristo significa ser descendência de Abraão e herdeiro segundo a promessa. Os mestres que insistiam nas práticas judaicas queriam que os gálatas pensassem que precisavam ser circuncidados e guardar a lei de Moisés para serem salvos. “Não”, diz o apóstolo. Não há necessidade disso. Se vocês pertencem a Cristo, se realmente creem nele, que é a descendência prometida em quem todas as nações seriam abençoadas, então vocês se tornam a verdadeira descendência de Abraão, o pai de todos os crentes. Sendo assim, são herdeiros segundo a promessa e têm direito às grandes bênçãos e privilégios que ela inclui.

Portanto, considerando tudo, o ponto fica claro. Visto que a justificação — ser posto em paz com Deus — não é alcançada pelas obras da lei, mas somente pela fé em Cristo; visto que a lei de Moisés foi apenas um arranjo temporário, dado para fins que apoiavam a promessa e não a anulavam; e visto que os cristãos agora desfrutam de privilégios maiores e melhores do que os judeus possuíam sob a antiga aliança, os gálatas estavam sendo muito irrazoáveis e insensatos em dar ouvidos àqueles que tentavam tirar deles a verdade e a liberdade do evangelho.

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