Versículo em destaque
Gálatas 3:6 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
Foi este o caso de Abraão: ele creu em Deus, e isso lhe foi levado em conta de justiça.
Gálatas 3:6
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
4 Ter feito tais experiências em vão! Se é que foi em vão!
6 Foi este o caso de Abraão: ele creu em Deus, e isso lhe foi levado em conta de justiça.
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Depois de repreender os gálatas por não obedecerem à verdade, o apóstolo passa a demonstrar a doutrina que eles estavam rejeitando: a justificação pela fé, à parte das obras da lei. Ele faz isso de várias maneiras.
Em primeiro lugar, ele aponta para a justificação de Abraão. Abraão creu em Deus, e essa fé lhe foi imputada como justiça (Gálatas 3:6). Em outras palavras, Abraão confiou na palavra e na promessa de Deus, e Deus o aceitou como justo por causa dessa fé. Como Abraão é o pai de todos os que creem, Paulo quer que entendamos que os que pertencem à fé são filhos de Abraão (Gálatas 3:7), não por descendência física, mas por promessa. Assim, são justificados do mesmo modo que Abraão foi, pela fé.
Paulo também diz que a promessa feita a Abraão: “Em ti serão benditas todas as nações” (Gênesis 12:3), apontava exatamente para essa verdade (Gálatas 3:8). A Escritura é descrita como “prevendo”, porque o Deus que a inspirou sabia de antemão que havia de justificar os gentios pela fé. Assim, em Abraão, isto é, na sua descendência, que é Cristo, não somente os judeus, mas também os gentios seriam abençoados. Eles não seriam apenas alcançados pela bênção por meio da linhagem de Abraão, mas seriam abençoados do mesmo modo que ele foi, sendo justificados como ele foi. Paulo chama isso de o evangelho anunciado antecipadamente a Abraão, e conclui daí que os que são da fé, verdadeiros crentes de todas as nações, são abençoados com o crente Abraão (Gálatas 3:9). Eles participam da sua bênção porque participam do mesmo modo de recebê-la: pela fé na promessa de Deus.
Em segundo lugar, Paulo mostra que não podemos ser justificados senão pela fé no evangelho, porque a lei nos condena. Se nos colocamos em julgamento nesse tribunal, estamos certamente perdidos, porque todos os que se baseiam nas obras da lei estão debaixo de maldição. Os que dependem dos próprios feitos como sua justiça, e que se apresentam em sua própria defesa, certamente perderão a causa. A Escritura diz: “Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las” (Gálatas 3:10; Deuteronômio 27:26). A lei exige obediência perfeita, pessoal e contínua. Sua mensagem é: “Faz isto e viverás”, ou, como diz Gálatas 3:12: “O homem que fizer estas coisas por elas viverá.” Para cada falha, a lei pronuncia maldição.
A menos que nossa obediência seja completa, permanecendo em todas as coisas escritas na lei, e a menos que ela permaneça até o fim, caímos debaixo da sua maldição. Essa maldição é ira revelada e ruína ameaçada. Ela separa a pessoa para todo mal e se levanta plenamente contra todos os pecadores, o que significa contra todos os homens, pois todos pecaram e se tornaram culpados diante de Deus. Se estamos debaixo da maldição como transgressores da lei, então é inútil procurar justificação pela lei.
Contudo, Paulo mostra mais adiante que há um caminho de escapar dessa maldição e recuperar o favor de Deus, e esse caminho é pela fé em Cristo, que nos remiu da maldição da lei (Gálatas 3:13). Cristo usou um meio surpreendente para nos remir: ele o fez sendo feito maldição por nós. Foi feito pecado por nós e, nesse sentido, maldição por nós, não separado de Deus em sua natureza divina, mas, por um tempo, colocado debaixo daquele sinal visível do desagrado de Deus que a lei de Moisés havia indicado, como em Deuteronômio 21:23. O propósito era que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, para que todos os que nele cressem, judeus ou gentios, se tornassem herdeiros da bênção de Abraão, especialmente daquela grande promessa do Espírito, reservada para a era do evangelho. Assim fica claro que as pessoas se tornam povo de Deus e herdeiras da promessa não por se colocarem debaixo da lei, mas pela fé em Cristo.
Aqui devemos notar quatro coisas. Primeiro, nossa miséria como pecadores: estamos debaixo da maldição e condenação da lei. Segundo, o amor e a graça de Cristo, pois ele se dispôs a ser feito maldição por nós, para nos remir dessa maldição. Terceiro, nossa viva esperança por meio dele: não apenas escapar da maldição, mas também receber a herança da bênção. Quarto, esse favor vem somente por meio da fé nele.
Em terceiro lugar, Paulo prova a justificação pela fé pelo claro testemunho do Antigo Testamento (Gálatas 3:11). Ele cita Habacuque 2:4: “O justo viverá da fé”, versículo também citado em (Romanos 1:17) e (Hebreus 10:38). A ideia é que somente aqueles que são verdadeiramente justos é que verdadeiramente vivem, isto é, são libertos da morte e da ira e trazidos de volta à vida no favor de Deus. E essa vida e felicidade vêm somente pela fé. Pela fé as pessoas são aceitas por Deus, capacitadas a viver para ele agora e recebem o direito à vida eterna com ele depois.
Por isso Paulo afirma ser evidente que ninguém é justificado pela lei diante de Deus. Uma pessoa pode parecer justa aos olhos dos outros, mas não aos olhos de Deus. A lei não é da fé, portanto não fala de fé na questão da justificação, nem dá vida aos crentes. Antes, declara: “O homem que fizer estas coisas por elas viverá” (Gálatas 3:12; Levítico 18:5). Ela exige obediência perfeita como condição de vida, de modo que já não pode ser a regra para nossa justificação. Isso mostra que a justificação pela fé não é um ensino novo. Ela foi estabelecida e ensinada na igreja de Deus muito antes da era do evangelho. Na verdade, é o único modo pelo qual qualquer pecador já foi ou pode ser justificado.
Em quarto lugar, Paulo apela para a força permanente da aliança que Deus fez com Abraão, a qual não foi anulada nem revogada quando a lei foi posteriormente dada por meio de Moisés (Gálatas 3:15 e seguintes). A fé veio antes da lei, porque Abraão foi justificado pela fé. Ele se firmou numa promessa, e promessas são o objeto próprio da fé. Deus entrou em aliança com Abraão (Gálatas 3:8), e essa aliança era firme e estável. Acordos humanos foram feitos para permanecer, e a aliança de Deus permanece ainda mais seguramente.
Quando um contrato é firmado e selado, ambas as partes ficam vinculadas a ele. Então já é tarde para tentar mudar os termos. Assim, não se deve pensar que a aliança de Deus pudesse ser cancelada depois pela lei que veio posteriormente.
A palavra original, diatheke, pode significar tanto aliança quanto testamento. A promessa feita a Abraão se parecia mais com um testamento do que com um simples acordo. Uma vez que um testamento entra em vigor pela morte de quem o fez, ele não pode ser alterado. Do mesmo modo, a promessa dada a Abraão permanece firme e não pode ser mudada.
Alguém poderia objetar que uma doação ou testamento pode falhar se não houver quem esteja vivo para reclamá-lo, ou se não existir herdeiro legítimo (Gálatas 3:16). Mas Paulo mostra que aqui não há esse perigo. Abraão está morto, e os profetas estão mortos, mas a aliança foi feita com Abraão e sua descendência. Paulo explica isso de maneira marcante. Poderíamos pensar que isso se referia apenas à nação judaica. Em vez disso, ele mostra que a palavra está no singular e aponta para uma só pessoa: “essa descendência é Cristo”.
Portanto, a aliança continua de pé, porque Cristo vive para sempre, em sua própria pessoa e em sua descendência espiritual, aqueles que lhe pertencem pela fé. Se alguém objetar que a lei dada por Moisés cancelou essa aliança, porque a lei insistia tanto nas obras e dizia tão pouco acerca da fé ou do Messias prometido, Paulo responde que uma lei posterior não poderia anular uma promessa anterior (Gálatas 3:18). Se a herança vem pela lei, já não vem pela promessa. Mas Deus a deu gratuitamente a Abraão por promessa, e isso significa que ela não pode ser modificada por um ato posterior.
Não estaria de acordo com a santidade, a sabedoria nem a fidelidade de Deus que ele deixasse de lado a sua própria promessa e mudasse o modo que escolheu para justificar pecadores, isto é, declará-los justos diante dele. Se a herança foi dada a Abraão por promessa e transmitida à sua descendência espiritual, podemos estar certos de que Deus não retirará essa promessa. Ele não é como o homem, que muda de ideia.
Deste capítulo
Gálatas 3:1
"Ó insensatos gálatas! Quem fascinou vocês, diante de cujos olhos foi apresentada a imagem de Jesus Cristo crucificado?"
Gálatas 3:2
"Quero saber de vocês apenas isto: vocês receberam o Espírito pelas práticas da Lei ou pela aceitação da fé?"
Gálatas 3:3
"Vocês são assim tão levianos? Depois de terem começado pelo Espírito, querem agora acabar pela carne?"
Gálatas 3:4
"Ter feito tais experiências em vão! Se é que foi em vão!"
Gálatas 3:5
"Aquele que dá a vocês o Espírito e realiza milagres entre vocês acaso faz isso pela prática da Lei ou pela aceitação da fé?"
Gálatas 3:7
"Saibam, pois: somente os que têm fé são filhos de Abraão."
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