Versículo em destaque
Daniel 4:19 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Então Daniel (cognominado Baltazar) permaneceu alguns instantes perdido no tumulto de seus pensamentos, e o rei prosseguiu: “Baltazar, este sonho e sua significação não devem perturbar você!”. “Meu senhor”, replicou Daniel, “possa o sonho ser para seus inimigos, e sua significação, para seus adversários! "
Daniel 4:19
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
17 Esta sentença é um decreto dos vigilantes; esta resolução é uma ordem dos santos, a fim de que os vivos saibam que o Altíssimo domina sobre a realeza humana, que a confere a quem lhe agrada e pode elevar a ela o mais abjeto dos mortais.
18 Este é o sonho que tive, eu, o rei Nabucodonosor. Portanto, você, Baltazar, dê-me a interpretação dele, porque nenhum dos sábios do meu reino foi capaz de fazê-lo. Você pode, porque em você habita o espírito dos deuses santos.”
19 Então Daniel (cognominado Baltazar) permaneceu alguns instantes perdido no tumulto de seus pensamentos, e o rei prosseguiu: “Baltazar, este sonho e sua significação não devem perturbar você!”. “Meu senhor”, replicou Daniel, “possa o sonho ser para seus inimigos, e sua significação, para seus adversários!
20 A árvore que você viu crescer e tornar-se bela, cujo topo tocava o céu e era avistada dos confins da terra,
21 essa árvore de bela folhagem e frutos abundantes, que dava a todos o que comer, sob a qual viviam os animais terrestres e em cujos ramos se abrigavam os pássaros do céu,
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Aqui temos o sentido do sonho de Nabucodonosor. Uma vez que o sonho é aplicado a ele, e fica claro que ele é a árvore do sonho, há pouco mais a explicar. É, na prática, como se a mensagem dissesse: “Tu és esse homem.” Ele é julgado pelas suas próprias palavras, e o seu próprio caso já pronunciou a sua sentença.
O assunto era tão claro que Daniel ficou atônito por cerca de uma hora (Daniel 4:19). Ele ficou tomado de temor diante da perspectiva de um juízo tão grande cair sobre um rei tão grande. Seu corpo tremia diante da grandeza do domínio de Deus. Também se perturbou porque teria de levar notícia tão pesada ao rei que lhe tinha feito tantos favores. Preferiria que outro anunciasse esse aviso; não desejava aquele dia infeliz, recuava diante dele, e o pensamento daquilo o oprimia. Aqueles que veem um pecador cair são descritos como atônitos no dia da sua ruína; e os que veem esse dia se aproximando, como Daniel aqui, são tomados de espanto e temor (Jó 18:20).
A primeira parte da explicação é uma palavra respeitosa que Daniel dirige ao rei. O rei viu Daniel parado em espanto e, pensando que ele estivesse com medo de falar claramente, o encorajou a não reter nada: que o sonho e a sua interpretação não o perturbassem. Ele pode ter dito isso com sinceridade, como alguém que realmente queria ouvir a verdade. Quem busca a mensagem de Deus deve estar disposto a recebê‑la como ela é, seja para consolo, seja para advertência, e deve permitir que os servos de Deus falem com liberdade.
Ou ele pode ter falado de maneira descuidada, como quem não se importa com a advertência. Os acontecimentos posteriores fazem pensar que esse talvez fosse o verdadeiro sentido. Nesse caso, era como se dissesse: “Não se aflija, porque eu também não pretendo me afligir com isso.” Mas, quisesse o rei se importar consigo mesmo ou não, Daniel se importava com ele. Por isso Daniel diz, em essência: “Senhor meu, que o sonho seja contra os que te têm ódio, e a sua interpretação para os teus inimigos.” Embora Nabucodonosor fosse idólatra, perseguidor e opressor do povo de Deus, ainda era o rei de Daniel naquele momento. Assim, mesmo prestes a anunciar males quanto ao seu futuro, ele não deseja mal algum ao rei.
A interpretação em si é, em grande parte, a repetição do sonho aplicada ao rei. “A árvore que viste crescer e se fortalecer”, diz Daniel, “és tu, ó rei” (Daniel 4:20-22). É provável que o rei tenha se agradado dessa parte, como antes se agradara de ouvir: “Tu és a cabeça de ouro”, não fosse o que viria em seguida. Daniel lhe mostra a grandeza presente do seu poder por meio da figura da árvore no sonho. Seu domínio se havia estendido amplamente, e o seu reino alcançava o mais longe que o poder humano podia chegar (Daniel 2:37-38).
Em seguida, Daniel explica a sentença contra a árvore (Daniel 4:23-24). É o decreto do Altíssimo vindo contra o rei. Ele não apenas será tirado do trono, mas lançado para longe dos homens. Como a sua razão lhe será tirada e ele terá coração de animal, passará a viver com os animais do campo. Comerá erva como os bois, ficará ao relento e será molhado do orvalho do céu. Isso durará “sete tempos”, isto é, sete anos. Depois disso, reconhecerá que o Altíssimo domina sobre o reino dos homens, e, quando tiver aprendido e confessado essa verdade, será restaurado ao seu reino (Daniel 4:26).
Deus é aqui chamado de “os céus”, porque o seu trono está nos céus (Salmo 103:19), e de lá ele contempla todos os filhos dos homens (Salmo 33:13). “Os céus” pertencem ao Senhor, e o modo como os céus visíveis influenciam a terra é uma fraca figura de como Deus governa este mundo aqui embaixo. Chega‑se a dizer que pecamos “contra o céu” (Lucas 15:18). Só podemos esperar desfrutar legitimamente da posição e da autoridade que temos, e usá‑las bem em relação aos outros, quando reconhecemos de bom grado o direito de Deus de reinar sobre nós e sobre tudo o que possuímos.
Daniel termina com uma advertência piedosa (Daniel 4:27). Estivesse Nabucodonosor perturbado ou indiferente, esse era o momento apropriado para um conselho. Se estivesse indiferente, o conselho deveria despertá‑lo; se estivesse aflito, deveria consolá‑lo. Daniel entendia que o sonho e sua interpretação ainda podiam funcionar como aviso, um juízo ameaçado que poderia ser desviado, como mais tarde aconteceu com Nínive.
Ele apresenta seu conselho com grande mansidão e respeito: “Ó rei, aceita o meu conselho.” Pede que o rei o receba com bondade, como algo amoroso e bem‑intencionado, e não o interprete mal. Os pecadores precisam ser exortados para o seu próprio bem com cuidado e respeito. O apóstolo também insiste que se recebam tais exortações com paciência (Hebreus 13:22). É um bom sinal quando as pessoas ao menos aceitam com boa vontade um conselho sábio, ou pelo menos o suportam com paciência.
O conselho de Daniel não é que o rei procure remédio para a mente turbada, e sim que rompa com o pecado em que vivia e reforme sua conduta. Ele havia oprimido seu próprio povo e tratado injustamente seus aliados; por isso, deveria parar com isso e agir com justiça, dando a cada um o que é seu, reparando os danos causados e deixando de usar o poder para esmagar o direito. Tinha sido cruel com os pobres, especialmente com os pobres de Deus, os judeus; por isso, deveria romper esse pecado, passando a exercer misericórdia, compadecendo‑se dos oprimidos, libertando cativos ou, pelo menos, aliviando o peso do cativeiro. No arrependimento, não basta apenas deixar de fazer o mal; é preciso aprender a fazer o bem. Não devemos apenas deixar de prejudicar alguém, mas também fazer o bem a todos.
Daniel sustenta esse conselho com uma esperança, não com uma promessa: “Talvez se prolongue a tua tranquilidade.” Isso pode não impedir totalmente o juízo, mas pode obter um adiamento, como aconteceu com a reação humilhada de Acabe (1 Reis 21:29). O castigo pode vir mais tarde, ou ser mais leve quando vier. Daniel não pode assegurar isso ao rei, mas diz que é possível. Mesmo a possibilidade de escapar de um juízo temporário já é motivo suficiente para abandonar o pecado e reformar a vida. Quanto mais isso deveria nos mover quando está em jogo a perdição eterna. Alguns entendem a expressão como “haverá cura para o teu erro”, significando que a contenda pode ser apaziguada e tudo pode ser restaurado à ordem.
Deste capítulo
Daniel 4:1
"Do rei Nabucodonosor a todos os povos, nações e pessoas de todas as línguas que habitam a terra: felicidade e prosperidade!"
Daniel 4:2
"Pareceu-me bom dar a conhecer a vocês os milagres e prodígios que o Deus Altíssimo realizou em mim."
Daniel 4:3
"Oh! Como são grandes seus milagres e como são poderosos seus prodígios! Seu reinado é um reinado eterno, e seu domínio perdura de geração em geração."
Daniel 4:4
"Eu, Nabucodonosor, vivia tranquilo em minha casa e próspero em meu palácio."
Daniel 4:5
"Tive um sonho que me assustou; os pensamentos que passavam pelo meu espírito quando em meu leito, bem como minhas visões, perturbaram-me."
Daniel 4:6
"Dei ordem para que trouxessem à minha presença todos os sábios da Babilônia, a fim de que me dessem a interpretação do meu sonho."
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