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Daniel 1:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

" No terceiro ano do reinado de Joaquin, rei de Judá, Nabucodonosor, rei da Babilônia, veio sitiar Jerusalém. "

Daniel 1:1

menu_book Versículo no contexto

1 No terceiro ano do reinado de Joaquin, rei de Judá, Nabucodonosor, rei da Babilônia, veio sitiar Jerusalém.

2 O Senhor entregou-lhe Joaquin, rei de Judá, bem como parte dos objetos do templo, que Nabucodonosor transportou para a terra de Senaar, para o templo de seu deus. Foi na sala do tesouro do templo de seu deus que ele os colocou.

3 O rei ordenou ao chefe de seus eunucos, Asfenez, que lhe trouxesse jovens israelitas, oriundos da raça real ou de família nobre,

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auto_stories Comentário Bible Guided

Esses versículos nos apresentam, primeiro, o relato de Nabucodonosor, rei da Babilônia, vindo contra Judá e Jerusalém no terceiro ano de Jeoaquim, rei de Judá, e tendo êxito nesse ataque (Daniel 1:1-2). Ele cercou Jerusalém, rapidamente a dominou, prendeu o rei e levou consigo o que e quem quis. Em seguida, deixou Jeoaquim no trono como um rei tributário, isto é, um rei que só continuava reinando mediante o pagamento de tributo, e Jeoaquim permaneceu assim por cerca de mais oito anos, até se rebelar e trazer ruína sobre si mesmo.

Muitos intérpretes entendem que os setenta anos do cativeiro devem ser contados a partir desse primeiro exílio. Jerusalém não foi destruída, e o cativeiro não se completou plenamente, senão cerca de dezenove anos depois. Daniel foi levado para a Babilônia nesse primeiro ano e lá permaneceu durante todos os setenta anos (ver Daniel 1:21). Nesse período, todas as nações deveriam servir a Nabucodonosor, a seu filho e a seu neto (Jeremias 25:11). Assim, Daniel viu, ainda em vida, a ascensão, o domínio e a queda daquele reino. Os reinos terrenos são coisas passageiras, mas o reino dos céus permanece para sempre. Os justos, que veem tais poderes se firmarem, também veem a sua queda (Jó 5:3; Provérbios 29:16).

O senhor Broughton observa uma correspondência notável de tempos no governo de Deus desde que Israel saiu do Egito: quarenta anos até entrar em Canaã, mais sete anos para repartir a terra, sete ciclos de jubileu até o primeiro ano de Samuel, quando a profecia começou; então, até este primeiro ano do cativeiro, sete setentas de anos, ou 490 anos, que são dez períodos de jubileu. Depois disso, vieram setenta anos até o retorno, em seguida mais sete setentas de anos até a morte de Cristo, e então quarenta anos até a destruição de Jerusalém.

Em segundo lugar, vemos como Deus usou esse sucesso de Nabucodonosor. O rei da Babilônia não destruiu a cidade nem o reino de uma vez. Ele realizou aquilo que foi o primeiro cumprimento do aviso de juízo vindo da Babilônia. Quando Ezequias mostrou seus tesouros aos emissários babilônios, Deus havia advertido que os tesouros e até os filhos um dia seriam levados (Isaías 39:6-7). Se aquele juízo inicial tivesse levado o povo a humilhar-se e mudar de caminho, Deus teria parado ali. Quando juízos menores produzem o efeito desejado, Ele não envia maiores. Mas, se não produzem, Ele aquece a fornalha sete vezes mais.

A primeira coisa levada foram alguns dos utensílios do santuário, os objetos sagrados usados no culto a Deus, porque o povo, insensatamente, havia confiado que o templo os protegeria enquanto continuavam pecando. Para mostrar quão vazia era essa confiança, o próprio templo foi o primeiro a ser despojado. Muitos vasos santos foram levados pelo rei da Babilônia, provavelmente os mais valiosos, e ele os trouxe como troféus para o templo do seu próprio deus. Com devoção cega, atribuiu ao seu deus o crédito pela vitória e colocou esses vasos no tesouro daquele templo. Isso manifesta a justiça de Deus. Seu povo havia introduzido imagens de outros deuses em seu templo, e agora Ele permite que os vasos do templo sejam carregados para os tesouros desses outros deuses. Quando as pessoas desonram os vasos do santuário com seus pecados, é justo que Deus os desonre com seus juízos.

É provável que também os tesouros da casa do rei tenham sido levados, como havia sido profetizado. Mas o comentário destaca especialmente os vasos do santuário, porque, mais tarde, o uso profano deles contribuiria para completar a culpa dos caldeus, os babilônios (Daniel 5:3). Ainda assim, apenas parte dos vasos foi levada naquela ocasião; alguns ficaram. Eles ainda estavam sendo provados, para ver se se arrependeriam e assim evitariam perder o restante (Jeremias 27:18).

O segundo grupo levado foram os filhos e jovens, especialmente os de família nobre ou real, que fossem belos, promissores e dotados. Assim, o pecado dos pais recaiu sobre os filhos. Nabucodonosor os levou por vários motivos. Queria tê-los como troféus, para mostrar a grandeza de sua vitória. Queria-os como reféns, para que seus pais se comportassem bem em sua própria terra. Também os tomou para prepará-los para o serviço sob suas ordens. Talvez tenha sido movido pelo orgulho comum em grandes governantes, que muitas vezes preferem estrangeiros, até mesmo de terras distantes, em vez de seus próprios compatriotas. Ou talvez tenha percebido que os jovens de Israel eram especialmente inteligentes e capazes, mais do que seus próprios caldeus. Se assim foi, isso foi uma grande honra para a nação judaica, revelando um dom incomum e a bênção de Deus. Ainda assim, era vergonhoso que um povo com tanta capacidade tivesse tão pouca sabedoria e graça.

O rei da Babilônia deu instruções cuidadosas para a escolha desses jovens (Daniel 1:4). Não deviam ter defeito físico, mas ser formosos e de boa aparência, com semblante que mostrasse bom senso e espírito agradável. Porém isso não bastava. Precisavam também ser instruídos em toda sabedoria, bem ensinados e conhecedores da ciência, isto é, do saber e do conhecimento. Deviam ter mente ágil e capacidade de expor tanto o que conheciam de sua própria terra como o ensino que já haviam recebido. Ele também desejava jovens, porque pessoas novas costumam ser mais fáceis de moldar e mais inclinadas a esquecer sua própria nação e misturar-se com os caldeus. Ele considerava de antemão o que desejava obter deles. Precisavam ser aptos para estar no palácio do rei, não apenas para servi-lo pessoalmente, mas também para desempenhar funções públicas.

Isso mostra a política de Nabucodonosor no início de seu reinado, e foi um bom sinal para o seu sucesso que ele se preocupasse em formar homens para cargos de responsabilidade. Ele não procurou, como Assuero, jovens mulheres para servir ao seu governo. É do interesse do governante ter homens sábios trabalhando sob suas ordens; por isso, é sábio buscar e preparar tais pessoas. Uma das tristezas deste mundo é que muitos aptos para o serviço público permanecem ocultos, enquanto muitos incapazes são promovidos.

Ele também determinou que esses jovens fossem instruídos na ciência e na língua dos caldeus. Embora já fossem considerados sábios e instruídos, ainda assim deveriam aprender mais. Ensine um sábio, e ele crescerá em conhecimento. Aqueles que desejam ser úteis no mundo quando crescerem precisam aprender enquanto são jovens. A infância e a juventude são tempos de aprendizagem, e, se esse tempo é desperdiçado, é difícil compensá-lo depois.

Pelo que se entende, Nabucodonosor não tinha a intenção de que esses jovens aprendessem as artes ilícitas praticadas entre os caldeus, como feitiçaria e adivinhação. Se essa fosse a intenção, Daniel e seus companheiros não teriam se permitido contaminar por elas. Tampouco lemos que ele tenha ordenado que fossem instruídos na religião dos caldeus, o que sugere que, nesse momento, ele não era um fanático religioso. Se os homens fossem hábeis, fiéis e capazes para o serviço, ele não se importava muito com a religião deles, contanto que tivessem alguma religião.

Eles deveriam ser treinados na língua e nas leis do país, em história, filosofia e matemática, e nas artes da agricultura, da guerra e da navegação, em tudo que pudesse prepará-los para servir em seu tempo e geração. Isso mostra que prestar uma boa educação aos jovens é um verdadeiro serviço ao bem público. Mostra também a importância de sustentá-los adequadamente enquanto estão sendo formados.

Para sua manutenção, Nabucodonosor providenciou sustento durante três anos, não apenas o necessário, mas também iguarias para animá-los em seus estudos. Recebiam diariamente porção das finas iguarias da mesa do rei, bem como do vinho que ele bebia (Daniel 1:5). Isso foi um exemplo de sua generosidade e bondade. Embora fossem cativos, ele levou em conta seu nascimento, posição e capacidades, tratou-os com honra e procurou tornar o cativeiro o mais suportável possível. Pessoas de boa família e educação adequada merecem respeito quando caem em necessidade. Se a educação é liberal, o sustento também deve ser liberal.

Daniel e seus companheiros eram dos filhos de Judá, a tribo real, e provavelmente da casa de Davi, que já havia se tornado uma família numerosa. Deus tinha dito a Ezequias que alguns de seus descendentes seriam levados e feitos eunucos, isto é, oficiais da corte, no palácio do rei da Babilônia. O chefe dos eunucos mudou os nomes de Daniel e de seus companheiros, em parte para mostrar sua autoridade sobre eles e a submissão deles a ele, e em parte para marcá-los como homens agora contados entre os caldeus.

Seus nomes hebraicos, recebidos na circuncisão, traziam em si alguma referência a Deus ou ao Senhor. Daniel significa “Deus é meu Juiz”. Hananias, “O Senhor é gracioso”. Misael, “Quem é como o Deus forte?”. Azarias, “O Senhor é auxílio”. Para fazê-los esquecer o Deus de seus pais, o guia de sua juventude, eles receberam nomes que apontavam para a idolatria caldeia. Beltessazar significa “guardião dos tesouros ocultos de Bel”; Sadraque, “inspiração do sol”, que os caldeus adoravam; Mesaque, “pertencente à deusa Shach”, sob cujo nome Vênus era cultuada; e Abede-Nego, “servo do fogo brilhante”, que também era objeto de seu culto.

Assim, embora os babilônios não os obrigassem, à força, a abandonar a religião de seus pais para adotar a religião de seus conquistadores, procuraram, por meios suaves, desprendê-los daquela fé e, pouco a pouco, plantar outra em suas mentes. Ainda assim, vê-se como eles foram bem tratados. Embora sofressem por causa dos pecados de seus pais, foram honrados por causa de seu próprio valor, e a terra do seu cativeiro foi tornada para eles mais confortável do que a terra do seu nascimento teria sido naquela época.

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