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2 Coríntios 11:22 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro

São hebreus? Eu também. São israelitas? Eu também.

2 Coríntios 11:22

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui o apóstolo passa a expor de modo amplo suas próprias qualificações, seu trabalho e seus sofrimentos. Ele não faz isso por orgulho ou vanglória vazia, mas para honrar a Deus, que o capacitou a fazer e suportar tanto pela causa de Cristo. Ao mesmo tempo, mostra o quanto superava os falsos apóstolos que tentavam enfraquecer sua reputação e sua influência entre os coríntios.

Ele começa mencionando os privilégios de seu nascimento (2 Coríntios 11:22), que eram tão bons quanto qualquer coisa que seus opositores pudessem alegar. Era hebreu, vindo de uma família que não havia se misturado com os gentios. Era israelita, descendente de Jacó, o patriarca amado, e era da descendência de Abraão, não um convertido tardio. Isso sugere que os falsos apóstolos eram judeus de origem e estavam perturbando os crentes gentios.

Ele também fala do seu apostolado, mostrando que era mais do que um simples ministro de Cristo (2 Coríntios 11:23). Deus o havia considerado fiel e o colocara no ministério. Ele já tinha se mostrado útil aos coríntios, que tinham provas suficientes de sua vocação. Assim, se seus opositores reivindicavam ser ministros de Cristo, Paulo podia dizer que o era ainda mais.

Mas ele dá maior peso ao fato de ter sofrido muito mais do que outros por causa de Cristo. É nisso que se gloria, ou melhor, gloria-se na graça de Deus que o capacitou a trabalhar com maior dedicação e a suportar grandes sofrimentos, como açoites, prisões e repetidos perigos de morte (2 Coríntios 11:23). Quando Paulo queria mostrar que era um ministro extraordinário, apontava para seus sofrimentos extraordinários.

Paulo era o apóstolo dos gentios, por isso os judeus o odiavam. Fizeram tudo que podiam contra ele, e os gentios também o trataram com dureza. Correntes e prisão eram familiares para ele, e muitas vezes foi tratado como criminoso, embora sofresse por causa da justiça. A cadeia e o pelourinho não eram lugares estranhos para ele. Sempre que os judeus o alcançavam, não lhe mostravam misericórdia.

Cinco vezes recebeu dos judeus quarenta açoites menos um (2 Coríntios 11:24). A lei deles não permitia mais de quarenta golpes (Deuteronômio 25:3), mas, para evitar ultrapassar o limite, costumavam dar um a menos. Até essa pequena “misericórdia” foi tudo o que Paulo recebeu da parte deles. Entre os gentios não havia esse tipo de limite, e ele foi três vezes açoitado com varas. Um desses castigos provavelmente ocorreu em Filipos (Atos 16:22). Uma vez foi apedrejado numa revolta e deixado como morto (Atos 14:19). Ele afirma ter naufragado três vezes, e devemos crer nisso, ainda que a Escritura registre apenas um desses naufrágios. Uma vez passou um dia e uma noite no abismo (2 Coríntios 11:25), provavelmente em algum cárcere profundo ou lugar de detenção como prisioneiro.

Assim, por toda a sua vida ele foi uma testemunha constante de Cristo. É possível que dificilmente tenha se passado um ano depois de sua conversão sem que enfrentasse algum tipo de provação por causa de sua fé. E não foi só isso. Para onde quer que fosse, estava em perigo. Se viajasse por terra ou por mar, corria risco de assaltantes ou de inimigos de algum tipo. Os judeus, seus próprios compatriotas, queriam matá-lo ou lhe fazer mal. Os gentios, para os quais tinha sido enviado, não eram mais bondosos. Estivesse na cidade ou no deserto, continuava em perigo. Enfrentava perigo não apenas entre inimigos declarados, mas também entre os que se diziam irmãos e eram falsos irmãos (2 Coríntios 11:26).

Junto com tudo isso vinham o grande trabalho e o cansaço no seu ministério. Essas coisas um dia serão levadas em conta, e as pessoas terão de responder pelo cuidado e esforço que seus ministros tiveram com elas. Paulo conheceu pouco de riqueza, conforto, poder, prazer, favor humano ou facilidade. Muitas vezes esteve sem dormir, muitas vezes com fome e sede, muitas vezes em jejuns, às vezes por necessidade, e suportou frio e nudez (2 Coríntios 11:27). Ele, que foi uma das maiores bênçãos de sua geração, foi tratado como se fosse um peso para o mundo e um flagelo em seu tempo.

E ainda isso não era tudo. Como apóstolo, carregava sobre si o cuidado de todas as igrejas (2 Coríntios 11:28). Ele menciona isso por último, como se fosse o fardo que mais o pesava. Podia suportar melhor a perseguição vinda dos inimigos do que os problemas e escândalos nas igrejas sob seus cuidados. “Quem enfraquece, que eu também não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu me não abrase?” (2 Coríntios 11:29). Ele realmente se compadecia de cada crente fraco e se comovia profundamente sempre que alguém era perturbado ou levado a tropeçar.

Tudo isso deve nos fazer perceber o quão pouco motivo temos para amar a aparência e o conforto deste mundo. Até este apóstolo tão abençoado, um dos melhores homens que já viveram depois de Jesus Cristo, sofreu tanto nele. E, no entanto, não se envergonhava de tudo isso; pelo contrário, considerava isso sua honra. Assim, embora fosse difícil para ele falar de si, afirma que, se for necessário gloriar-se, se seus opositores o obrigam a se defender, ele se gloriará nas suas fraquezas (2 Coríntios 11:30). Sofrer por causa da justiça é o que mais traz verdadeira honra.

Nos dois últimos versículos, ele destaca um sofrimento específico fora da ordem, como se o tivesse esquecido antes, ou porque o livramento de Deus naquela ocasião foi especialmente notável. Refere-se ao perigo que correu em Damasco logo após sua conversão, quando ainda não estava estabelecido no trabalho cristão, ou pelo menos em seu ministério e apostolado. Isso é narrado em (Atos 9:24-25). Foi seu primeiro grande perigo e grande provação, e o restante de sua vida esteve em harmonia com esse começo.

Também vale notar que, para que ninguém pensasse que estava exagerando, o apóstolo confirma esse relato com uma espécie de juramento solene, ou invocando o perfeito conhecimento de Deus (2 Coríntios 11:31). É grande consolo para uma pessoa piedosa saber que o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que tudo sabe, conhece a verdade de tudo o que ela diz, e conhece tudo o que ela faz e sofre por amor de Cristo.

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