Versículo em destaque
1 Coríntios 9:3 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Bíblia BibleGuided — Português Brasileiro
" Esta é a minha defesa contra os que me denigrem. "
1 Coríntios 9:3
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
1 Não sou eu livre? Não sou apóstolo? Não vi Jesus, nosso Senhor? Não são vocês minha obra no Senhor?
2 Se para outros não sou apóstolo, ao menos para vocês eu sou, porque vocês são, no Senhor, o selo do meu apostolado.
3 Esta é a minha defesa contra os que me denigrem.
4 Não temos, porventura, o direito de comer e beber?
5 Acaso não temos o direito de deixar que nos acompanhe uma mulher irmã, a exemplo dos outros apóstolos, dos irmãos do Senhor e de Cefas?
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Depois de defender sua autoridade como apóstolo, Paulo passa a apresentar os direitos que pertencem ao seu ofício, especialmente o direito de ser sustentado por ele.
Ele começa declarando esses direitos em (1 Coríntios 9:3-6). Sua resposta aos que o examinam, isto é, aos que questionam sua autoridade ou perguntam por que ele age como age, é esta: ele tem direito de comer e beber, no sentido de ter o sustento garantido. Tem também o direito de levar consigo uma esposa crente, assim como fazem os outros apóstolos, os irmãos do Senhor e Cefas, isto é, Pedro, e de que ela também seja sustentada. Paulo era solteiro naquele momento, mas tinha o direito de se casar quando quisesse e de levar sua esposa consigo na obra. Então as igrejas teriam obrigação de sustentá-la, assim como a ele. É possível que Barnabé, como os outros apóstolos, também tivesse esposa e viajasse com ela.
A expressão “esposa crente” deixa isso claro. Seria totalmente errado os apóstolos viajarem acompanhados de mulheres que não fossem suas esposas. A forma de falar sugere autoridade e cuidado, algo que se pode exercer sobre uma esposa ou um servo, mas não sobre mulheres estranhas. Como Paulo e os demais apóstolos trabalhavam para ganhar o próprio pão, dificilmente teriam condição de levar servos com eles em viagem. E causaria suspeita se andassem acompanhados de mulheres, especialmente se não fossem suas esposas. Os apóstolos jamais dariam motivo a esse tipo de escândalo.
Assim, Paulo afirma claramente que tinha o direito de se casar, como os outros apóstolos, e de pedir às igrejas que sustentassem sua esposa, e até filhos, se os tivesse, sem que ele precisasse trabalhar com as próprias mãos para o sustento da família. Em resumo, ele reivindica o direito de ser mantido pelas igrejas, tanto ele como a sua casa. Isso lhe era devido, e era algo que podia reivindicar com justiça.
Em seguida, ele comprova essa reivindicação com vários argumentos. Primeiro, apela ao costume humano e ao bom senso. Quem se dedica a qualquer trabalho espera viver a partir desse trabalho. Soldados esperam receber soldo pelo serviço. Agricultores e pastores esperam tirar o sustento de seu esforço. Quem planta uma vinha e a cuida espera colher o fruto. Quem cuida de um rebanho espera leite e lã. “Quem jamais milita à sua própria custa? Quem planta a vinha e não come do seu fruto? Ou quem apascenta o rebanho e não come do leite do rebanho?” (1 Coríntios 9:7). É natural e razoável que os ministros esperem viver do seu trabalho.
Segundo, Paulo argumenta a partir da lei judaica. “Digo eu isto segundo os homens? Ou não diz a lei também o mesmo?” (1 Coríntios 9:8). Não se trata apenas de um costume humano. Isso também está de acordo com a antiga lei. Deus havia ordenado que não se colocasse mordaça no boi que pisa o trigo, para que ele comesse enquanto trabalha. Essa lei não foi dada principalmente porque Deus estivesse especialmente preocupado com os bois. Ela foi dada para ensinar que aqueles que trabalham para o nosso bem devem receber o devido incentivo, e que o trabalhador deve desfrutar de parte do fruto do seu labor. “O que lavra deve lavrar com esperança, e o que trilha o grão deve fazê-lo na esperança de ser participante” (1 Coríntios 9:10). A lei fala dos bois por causa de nós. Aqueles que se fatigam para o bem de nossas almas não devem ser “mordaceados”, mas ter seu sustento garantido.
Terceiro, ele argumenta com base na equidade. “Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito que de vós recolhamos as carnais?” O que Paulo e os outros ministros haviam dado era muito maior do que aquilo que pediam em troca. Eles haviam ensinado aos coríntios o caminho da vida eterna e trabalhado com afinco para ajudá-los a alcançá-la. Portanto, não era excessivo esperar deles o sustento para esta vida terrena. Haviam trazido grandes bênçãos espirituais aos coríntios; não deveriam receber, ao menos, o necessário para viver? Aqueles que recebem ajuda espiritual por meio do ministério da Palavra não deveriam negar sustento àqueles que se dedicam a esse trabalho.
Quarto, Paulo apela para a própria prática dos coríntios. “Se outros participam deste poder sobre vós, por que não, mais justamente, nós?” Eles aceitavam sustentar outros mestres e reconheciam que esse direito era justo. Mas quem teria um direito maior sobre a igreja de Corinto do que Paulo? Quem dera provas mais claras de ter sido enviado como apóstolo? Quem havia trabalhado mais pelo bem deles? Os ministros devem ser estimados e sustentados conforme o valor de seu serviço.
Ainda assim, Paulo diz: “Nós, porém, não usamos deste direito; antes, suportamos tudo, para não pormos impedimento algum ao evangelho de Cristo” (1 Coríntios 9:12). Ele não exigiu o seu direito. Ao contrário, aceitou dificuldades para que nada atrapalhasse a propagação do evangelho. Ele abriu mão de seu direito para não criar barreira ao seu ministério, mas ainda assim o declarou claramente, para que sua renúncia não prejudicasse a causa do ministério. Quem abre mão dos próprios direitos por amor aos outros é muitas vezes aquele que melhor pode defender os direitos de terceiros. Nesse caso, vê-se que Paulo é guiado pela justiça, não por interesse egoísta.
Quinto, ele argumenta com base no antigo sistema judaico. “Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que de contínuo estão junto ao altar participam do altar?” (1 Coríntios 9:13). Se os sacerdotes judeus eram sustentados das ofertas sagradas, então os ministros de Cristo também devem ser sustentados por meio de seu ministério. A razão é igualmente forte para eles.
Paulo afirma que isso também é ordem do próprio Senhor: “Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho” (1 Coríntios 9:14). Cristo determinou que o povo sustente o seu ministro. Ao mesmo tempo, nem todo ministro é obrigado a exigir ou aceitar esse sustento. Como Paulo, ele pode, sem pecado, abrir mão desse direito. Mas aqueles que se negam a dar ou retêm esse sustento agem contra o mandamento de Cristo. Os que pregam o evangelho têm direito de viver do evangelho, e os que são beneficiados por esse ministério falham em seu dever para com Cristo e para com o ministro se não provêm o sustento dele.
Deste capítulo
1 Coríntios 9:1
"Não sou eu livre? Não sou apóstolo? Não vi Jesus, nosso Senhor? Não são vocês minha obra no Senhor?"
1 Coríntios 9:2
"Se para outros não sou apóstolo, ao menos para vocês eu sou, porque vocês são, no Senhor, o selo do meu apostolado."
1 Coríntios 9:4
"Não temos, porventura, o direito de comer e beber?"
1 Coríntios 9:5
"Acaso não temos o direito de deixar que nos acompanhe uma mulher irmã, a exemplo dos outros apóstolos, dos irmãos do Senhor e de Cefas?"
1 Coríntios 9:6
"Ou somente eu e Barnabé não temos o direito de deixar o trabalho?"
1 Coríntios 9:7
"Quem jamais vai à guerra às próprias custas? Quem planta uma vinha e não come do seu fruto? Quem apascenta um rebanho e não se alimenta do leite do rebanho?"
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