Versículo em destaque
Amós 7:10 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" Então Amazias, o sacerdote de Betel, mandou dizer a Jeroboão, rei de Israel: Amós tem conspirado contra ti, no meio da casa de Israel; a terra não poderá sofrer todas as suas palavras. "
Amós 7:10
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
8 E o Senhor me disse: Que vês tu, Amós? E eu disse: Um prumo. Então disse o Senhor: Eis que eu porei o prumo no meio do meu povo Israel; nunca mais passarei por ele.
9 Mas os altos de Isaque serão assolados, e destruídos os santuários de Israel; e levantar-me-ei com a espada contra a casa de Jeroboão.
10 Então Amazias, o sacerdote de Betel, mandou dizer a Jeroboão, rei de Israel: Amós tem conspirado contra ti, no meio da casa de Israel; a terra não poderá sofrer todas as suas palavras.
11 Porque assim diz Amós: Jeroboão morrerá à espada, e Israel certamente será levado para fora da sua terra em cativeiro.
12 Depois Amazias disse a Amós: Vai-te, ó vidente, e foge para a terra de Judá, e ali come o pão, e ali profetiza;
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Pelo que vimos na parte anterior deste capítulo, alguém poderia esperar duas coisas. Primeiro, que o povo se arrependesse, já que havia sido poupado exatamente para ainda ter oportunidade de voltar para Deus. Segundo, que passasse a estimar Amós, porque ele havia orado por eles e, assim, ajudado a desviar o juízo. Mas aconteceu o contrário. Eles continuaram obstinados, e o próximo relato é de que Amós está sendo atacado. É característica dos verdadeiros santos orar por aqueles que lhes fazem oposição, como Davi fazia, mas é vergonhoso quando pecadores passam a odiar justamente os que oram por eles (Salmo 35:13, 15; Salmo 109:4).
Aqui vemos a acusação maldosa levada ao rei contra Amós (Amós 7:10, 11). Quem a levou foi Amazias, o sacerdote de Betel, o principal sacerdote a serviço do bezerro de ouro ali. Ele era, na prática, o chefe do culto idólatra em Betel e também uma figura de liderança na vida pública da cidade. Reclama de Amós não só porque ele pregava sem pedir permissão, mas porque falava contra os altares. Se dessem crédito a Amós, aqueles altares logo seriam abandonados e destruídos. Nesse sentido, Amazias se parece com os ourives de Éfeso que odiavam Paulo porque a mensagem dele ameaçava o seu ofício e o seu lucro.
Pessoas que aparentam ser muito religiosas costumam ser, muitas vezes, os piores inimigos dos que são realmente santos. Sacerdotes, com frequência, estão entre os perseguidores mais cruéis. Amazias apresentou a Jeroboão uma acusação contra Amós. E não era pouca coisa: ele o acusa de traição. Afirma: “Amós tem conspirado contra ti”, como se ele estivesse incitando rebelião, enfraquecendo o rei e preparando o caminho para substituí‑lo. Diz ainda que Amós estaria envenenando a mente do povo e tornando‑o desleal, de modo que a terra não podia suportar suas palavras. Assim, ele sugere ao rei que todo o país estava escandalizado, como se a pregação de Amós fosse insuportável para todos.
Esse é um artifício comum de quem acusa os servos de Deus. Pintam‑nos como inimigos do rei e da nação, como se fossem traidores e causadores de tumultos, quando na verdade são os melhores amigos que ambos podem ter. Também é comum que os intrigantes finjam que sua própria opinião seja a voz de todo o povo. Embora, neste caso, é de temer que o povo realmente não suportasse mais a verdade direta do que os próprios sacerdotes. Amazias reforça sua acusação com palavras que atribui a Amós: “Jeroboão morrerá à espada, e Israel certamente será levado para o cativeiro” (Amós 7:11). A partir disso, argumenta que Amós é inimigo do rei e da pátria, e que, portanto, não deveria ser tolerado.
A maldade de Amazias aparece naquilo que ele omite. Ele não conta a Jeroboão que Amós havia intercedido por Israel e, assim, ajudado a afastar sucessivos juízos. Não diz que Amós os advertira de que essas ameaças estavam condicionadas ao arrependimento do povo. E ainda faz a profecia parecer pior do que era. Amós não tinha dito: “Jeroboão morrerá à espada”, e de fato Jeroboão não morreu assim (2 Reis 14:28). O que Amós dissera é que Deus se levantaria com a espada contra a casa de Jeroboão (Amós 7:9). Profetas e ministros de Deus frequentemente têm motivo para lamentar, como Davi, que suas palavras são torcidas (Salmo 56:5).
Seria crime o atalaia avisar quando vê o perigo chegando? Ou o médico dizer ao paciente que sua doença é grave, para que ele busque cura? Quão insensatas são as pessoas quando transformam seus melhores amigos em inimigos, e fazem de sua própria paz um alvo a ser destruído! Jeroboão parece não ter dado muita atenção a esse relatório. Talvez tivesse mais respeito pelo profeta e mais temor da autoridade divina do que Amazias.
Quando não conseguiu que Amós fosse preso, expulso ou morto, Amazias tentou um caminho mais brando. Procurou convencer Amós a sair do país e ir profetizar em Judá (Amós 7:12, 13). Aproximou‑se de Amós como se fosse amigo e, com palavras lisonjeiras, tentou afastá‑lo. Reconheceu que Amós era um vidente, um profeta, mas insistiu para que ele parasse de falar em Betel.
O argumento de Amazias era que Betel não era o lugar certo para o ministério de Amós. Ali era o santuário do rei, a capela real, onde estavam os ídolos, os altares e os sacerdotes. Era também a corte, a casa do reino, onde morava a família real e onde se administrava a justiça. Por isso, dizia ele, Amós não deveria mais profetizar ali. Na prática, Amazias dizia que Amós era franco demais para a vida de corte, que suas mensagens só trariam incômodo, e que o melhor seria ir para um lugar onde ninguém se importasse com o que ele dissesse.
Amazias também sugere que Amós não podia esperar sustento ali. Seria zombado por uns, ameaçado por outros e provavelmente não ganharia nenhum convertido, porque a autoridade do rei sustentava a idolatria. Pregar ali, insinuava ele, era desperdício de fôlego, dar murro em ponta de faca. Por isso o exorta a fugir para Judá, onde poderia comer o seu pão e profetizar em segurança.
Lá, disse ele, Amós estaria seguro e seria bem‑vindo. A corte e o santuário do rei estariam ao seu lado, e os profetas de lá lhe dariam apoio. Sacerdotes e príncipes o notariam e lhe garantiriam um sustento honroso. Vemos aí, em primeiro lugar, como pessoas ímpias estão prontas a se livrar dos fiéis que as repreendem. São rápidas em dizer aos videntes: “Não veja”, isto é, “Não nos fale da parte de Deus”. As duas testemunhas foram um tormento para os que habitavam sobre a terra (Apocalipse 11:10), e seria de lamentar que as pessoas fossem atormentadas antes do tempo, se não fosse o fato de que isso é um meio de livrá‑las de um tormento eterno.
Também vemos como gente mundana está sempre pronta a julgar os outros por si mesma. Amazias, como sacerdote, só se preocupava com o lucro de seu cargo, e, por isso, supunha que Amós, como profeta, tivesse o mesmo objetivo. Então lhe diz para profetizar onde pudesse ganhar o pão, onde teria certeza de receber quanto quisesse. Mas Amós devia profetizar onde Deus o colocara e onde ele era mais necessário, não onde poderia ganhar mais dinheiro. Aqueles que fazem do ganho a sua “piedade”, e que são governados pela riqueza e pela promoção, logo imaginam que esses mesmos motivos movem todos os demais.
A resposta de Amós à sugestão de Amazias mostra sua fidelidade. Ele não considerava agradar pessoas nem enriquecer‑se. Sua preocupação era cumprir plenamente o ministério e ser achado fiel nele, não salvar a própria pele a qualquer custo, mas manter a consciência limpa. Por isso, prefere permanecer em seu posto. Em resposta a Amazias, primeiro defende sua firme dedicação ao trabalho e ao lugar em que estava (Amós 7:14, 15). O que tornava essa dedicação inabalável era isto: ele tinha uma autorização divina, uma comissão direta de Deus.
Ele diz: “Eu não era profeta, nem filho de profeta”. Não nascera nem fora treinado para esse ofício. Não fora separado para isso desde o início, como Samuel e Jeremias, nem havia sido educado nas escolas de profetas, como muitos outros. Era boieiro, cuidador de gado, e colhedor de sicômoros. Seus sicômoros davam fruto, e Amós o colhia, seja para os animais, para sua família, seja para vender. Era um homem simples do campo, criado e ocupado em trabalhos rurais, habituado a uma vida modesta.
Ele seguia os rebanhos, bem como o gado, e foi dali que Deus o chamou. Deus lhe ordenou que fosse profetizar a Israel e anunciar todas as mensagens que recebesse do Senhor. Deus o fez profeta, e profeta para eles. Deus lhe deu tanto a obra quanto o campo em que devia exercê‑la. Portanto, ele não deveria ser silenciado.
Amós podia apontar para uma comissão divina no que estava fazendo. Não correu adiante antes que Deus o enviasse. Como Paulo, podia dizer que fora chamado para aquela obra. As pessoas se colocam em risco quando se opõem a quem vem em nome de Deus, quando dizem aos videntes do Senhor que não falem. Esse tipo de resistência é luta contra o próprio Deus. A afronta feita a um embaixador é afronta ao príncipe que o enviou. Aqueles que têm ordem de Deus não devem temer rostos humanos.
Sua origem humilde, antes desse chamado, na verdade fortalecia sua posição em vez de enfraquecê‑la. Ele nunca havia desejado ser profeta, portanto sua pregação não podia ser atribuída à ambição nem à imaginação exaltada. Ela vinha somente do impulso de Deus. Ele não havia aprendido a arte de profetizar, então a capacidade que demonstrava tinha de vir diretamente de Deus. Isso tornava sua missão ainda mais evidente.
Os apóstolos também eram, a princípio, homens simples e sem instrução, e isso deixava claro que o conhecimento deles vinha de terem estado com Jesus (Atos 4:13). Quando o tesouro é colocado em vasos de barro frágeis, fica manifesto que o poder é de Deus e não das pessoas (2 Coríntios 4:7). Amós também tinha um trabalho honesto, de modo que não precisava profetizar para garantir o pão, como Amazias insinuara (Amós 7:12). Ele não assumiu o ofício profético como meio de sustento, mas como um encargo de Deus, destinado a honrá‑Lo e a servir ao próximo.
Ele sempre havia vivido uma vida simples entre lavradores pobres. Não se importava com luxo nem com coisas finas. Por isso, não teria chegado tão perto da corte do rei e do santuário real, se não fosse a obra de Deus que o chamou para ali. E, tendo sido criado de modo tão humilde, não teria ousado falar a reis e grandes homens, especialmente com palavras tão ousadas e perturbadoras, a menos que um Espírito mais forte o tivesse conduzido. Se o Deus que o enviou não o tivesse fortalecido, ele não teria conseguido tornar o seu rosto firme como pedra (Isaías 50:7). Deus muitas vezes escolhe as coisas fracas e desprezadas deste mundo para envergonhar os sábios e poderosos; assim, um boieiro de Tecoa envergonha um sacerdote de Betel quando Deus lhe dá autoridade e poder para falar.
Amós então condena Amazias por ter se oposto a ele e declara os juízos de Deus contra ele (Amós 7:16, 17). Ele não faz isso movido por ira pessoal ou desejo de vingança, mas em nome do Senhor e com a sua autoridade. Como Amazias não permitia de modo nenhum que Amós pregasse, recebe a ordem especial de ouvir uma profecia contra si próprio. “Agora, pois, ouve a palavra do Senhor”, é como se dissesse Amós, “e treme”. Os que não suportam advertências gerais devem esperar advertências dirigidas diretamente a eles.
O pecado de Amazias foi proibir Amós de profetizar. Não lemos que o tenha espancado ou lançado na prisão. Ele apenas lhe ordenou que ficasse calado: “Não profetizes contra Israel, nem fales contra a casa de Isaque.” Quis que Amós não só deixasse de clamar contra eles, mas que cessasse até as advertências mais brandas. Não suportava nem uma gota daquela mensagem. Portanto, ouça agora a sentença contra si.
Por se opor a Amós, Deus traria ruína sobre ele e sua família. Esse pecado encheu a medida de sua culpa. Ele não teria consolo nem mesmo em seus relacionamentos mais próximos, mas sofreria por meio deles. Sua esposa se tornaria prostituta, seja porque soldados abusariam dela, como aconteceu com a concubina do levita pelos homens de Gibeá, seja porque ela mesma cairia nesse pecado. Ainda que fosse o pecado dela, seria para ele motivo de dor, vergonha e castigo, pois ele havia encorajado a infidelidade espiritual. Muitas vezes os pecados de nossos parentes são o juízo de Deus sobre nós.
Seus filhos, ainda que pudessem parecer honestos por fora, não permaneceriam vivos. Seus filhos e filhas cairiam pela espada na guerra, e ele próprio viveria para ver isso. Ele os havia ensinado no caminho do pecado, e por isso Deus os eliminaria nesse mesmo caminho. Ele também perderia todos os seus bens. Tudo passaria às mãos do inimigo e seria repartido com cordel e por sorte entre os soldados. Aquilo que é adquirido de forma má não permanece por muito tempo.
Ele mesmo morreria em terra estrangeira, e não em Israel. Israel havia sido separado para o Senhor, mas ele terminaria sua vida em uma terra impura e pagã. Isso é adequado para um homem como ele, já que odiou e calou os profetas de Deus e ajudou a encher sua própria terra de idolatria.
Apesar disso, sua resistência a Amós não mudaria o que Deus havia dito. Ele foi acusado porque dissera: “Israel certamente será levado cativo” (Amós 7:11), mas continua afirmando a mesma coisa. A incredulidade humana não pode anular a palavra de Deus. As pessoas podem discutir contra a mensagem de Deus, mas não conseguem livrar-se dela.
Que Amazias se irrite e se oponha quanto quiser; Israel certamente irá para o exílio, longe de sua terra. É inútil lutar contra os juízos de Deus, porque, quando Deus julga, ele prevalece. Fechar a boca dos mensageiros de Deus não impedirá que a sua palavra prossiga, pois ela não voltará vazia.
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Deste capítulo
Amós 7:1
"O SENHOR DEUS assim me fez ver, e eis que ele formava gafanhotos no princípio do rebento da erva serôdia, e eis que era a erva serôdia depois de findas as ceifas do rei."
Amós 7:2
"E aconteceu que, tendo eles comido full-versionmente a erva da terra, eu disse: Senhor DEUS, perdoa, rogo-te; quem levantará a Jacó? pois ele é pequeno."
Amós 7:3
"Então o Senhor se arrependeu disso. Não acontecerá, disse o Senhor."
Amós 7:4
"Assim me mostrou o Senhor DEUS: Eis que o Senhor DEUS clamava, para contender com fogo; este consumiu o grande abismo, e também uma parte da terra."
Amós 7:5
"Então eu disse: Senhor Deus, cessa, eu te peço; quem levantará a Jacó? pois é pequeno."
Amós 7:6
"E o SENHOR se arrependeu disso. Nem isso acontecerá, disse o Senhor DEUS."
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