Êxodo 7:1
" O SENHOR DEUS assim me fez ver, e eis que ele formava gafanhotos no princípio do rebento da erva serôdia, e eis que era a erva serôdia depois de findas as ceifas do rei. "
Entenda os temas principais e aplique Êxodo 7 na sua vida hoje
17 versiculos | Almeida Corrigida Fiel
Os versículos iniciais não instituem a escravidão, mas regulam uma realidade já existente, limitando-a no tempo e protegendo a dignidade do servo hebreu. Há previsão de libertação no sétimo ano, regras para casamento de servos, e até a possibilidade de um servo escolher permanecer por amor à família e ao senhor.
As leis sobre a filha vendida como serva, sobre casamento e sobre os deveres do marido buscam proteger a mulher de abuso e abandono. Caso não seja bem tratada ou tenha seus direitos básicos negados, a lei garante sua saída livre.
Há distinção clara entre homicídio premeditado e morte não intencional. O homicida intencional deve morrer, enquanto aquele que mata sem emboscada recebe proteção em um lugar de refúgio. Ofensas graves contra pai e mãe, rapto e maldição aos pais também recebem pena de morte, enfatizando o valor da vida e da família.
O princípio "olho por olho, dente por dente" define limite para a vingança, impedindo represálias desproporcionais. A reparação deve ser equivalente ao dano, não maior, e envolve tanto compensação financeira quanto reconhecimento da gravidade do que foi feito.
Se alguém fere outro e ele sobrevive, quem agrediu deve pagar o tempo perdido e o tratamento. Donos de animais perigosos, quem cava covas sem cuidado e quem causa prejuízo ao próximo têm de compensar financeiramente. A lei ensina responsabilidade ativa pelas consequências dos próprios atos e omissões.
Mesmo em um contexto de servidão, a Lei garante proteção aos servos: se um senhor matar o servo, será castigado, e se causar dano permanente como perda de olho ou dente, o servo ganha a liberdade. O texto insere freios à exploração e reconhece a dignidade do servo como pessoa.
Êxodo 21 segue imediatamente a entrega dos Dez Mandamentos no Sinai. Israel está recém-liberto da escravidão no Egito e está sendo estabelecido como nação sob a aliança com o Senhor. Neste contexto, Deus fornece leis civis e sociais que organizam a vida comunitária.
A servidão mencionada aqui se encaixa no mundo antigo do Oriente Médio, em que pessoas podiam se vender como servos para pagar dívidas ou sobreviver. A servidão hebreia era limitada a seis anos, com libertação no sétimo, o que já representa grande contraste com a escravidão permanente e brutal que Israel experimentara no Egito.
A pena de morte era aplicada em vários casos, refletindo tanto a seriedade do pecado quanto o tipo de sociedade antiga, em que a segurança dependia fortemente da dissuasão por meio de punições severas. Ao mesmo tempo, a Lei de Moisés traz inovações em relação aos códigos vizinhos: protege mais claramente mulheres, servos e pessoas vulneráveis, e cria mecanismos de refúgio para homicidas não intencionais.
As leis sobre bois escorneadores, covas abertas e compensações por danos mostram uma sociedade agrária, em que o gado e os animais de carga eram centrais para a economia. Regulamentar essas situações evitava conflitos intermináveis entre famílias e clãs e estabilizava a convivência sob um padrão comum de justiça.
Êxodo 21 é composto de uma série de estatutos casuísticos, isto é, leis apresentadas em forma de casos hipotéticos: "Se acontecer X, então a consequência será Y". A organização pode ser vista assim:
Leis sobre servos hebreus e servas (21:2-11)
Leis sobre violência, morte e honra familiar (21:12-17)
Leis sobre ferimentos e compensações (21:18-27)
Leis sobre animais perigosos e danos materiais (21:28-36)
O estilo é direto e objetivo, com foco em situações concretas da vida social. A repetição de fórmulas como "certamente será" e "se... então" reforça a natureza legal e normativa do texto.
Êxodo 21 mostra que o Deus que salva também ordena a vida cotidiana de seu povo. A salvação do Egito é seguida por instruções para moldar uma sociedade onde a justiça reflita o caráter santo de Deus.
Deus e a dignidade humana: Mesmo dentro de estruturas culturais imperfeitas como a servidão, a lei introduz limites e proteções que ressaltam que pessoas não são meras propriedades. A libertação no sétimo ano, a possibilidade de escolher servir por amor e a libertação por danos físicos apontam para um Deus que valoriza a liberdade e a integridade.
Gravidade do pecado e santidade de Deus: As penas severas para homicídio, rapto e desonra extrema aos pais revelam a seriedade com que Deus vê a vida humana, a família e a ordem social. A distinção entre homicídio premeditado e não intencional mostra que Deus é justo e considera intenções e circunstâncias.
Justiça proporcional: O princípio "vida por vida, olho por olho" não é um incentivo à vingança descontrolada, mas um limite. A pena não deve ultrapassar o dano causado. Teologicamente, isso revela que Deus rejeita tanto a impunidade quanto o excesso punitivo.
Responsabilidade pessoal e comunitária: A lei responsabiliza o indivíduo não só por ações diretas, mas também por omissões e descuidos, como no caso do boi escorneador conhecido ou da cova aberta. A visão bíblica de justiça inclui cuidado preventivo com o outro.
Sombra de uma justiça maior: Esses estatutos, embora santos e bons, ainda pertencem a um estágio inicial da revelação. Mais à frente, a Escritura mostrará a necessidade de um coração transformado e de um Mediador perfeito. O sistema de penas e compensações aponta, de forma limitada, para a verdade de que o pecado exige reparação e que, em última instância, Deus mesmo proverá essa reparação em Cristo.
Para quem lê Êxodo 21 a partir de uma realidade moderna, o capítulo pode causar estranhamento e até desconforto, principalmente pelas menções à servidão, penas de morte e linguagem dura. Ao mesmo tempo, ele oferece bases importantes para reflexões sobre justiça, limites e responsabilidade.
Psicologicamente, o texto mostra um Deus que leva a sério o dano causado ao outro e não minimiza agressões físicas, abusos de poder e descuidos que colocam pessoas em risco. Isso pode validar a experiência de quem sofreu injustiça ou violência, lembrando que a Bíblia não ignora essas realidades nem as normaliza como algo aceitável.
Em termos de saúde emocional comunitária, o capítulo apresenta a importância de regras claras, consequências proporcionais e mecanismos de reparação. Relações saudáveis não se sustentam apenas em boa vontade, mas também em limites claros e responsabilização. A noção de compensar o prejuízo, pagar o tempo perdido e cuidar da cura do ferido sugere um caminho de restauração que não é apenas simbólico, mas concreto.
Ao mesmo tempo, é necessário cuidado na leitura para não transportar diretamente essas leis para o contexto atual sem considerar o desenvolvimento posterior da revelação bíblica e os avanços éticos. A mensagem terapêutica mais profunda não está em copiar as penas, mas em perceber o coração de Deus que protege o vulnerável, limita a violência e valoriza a reparação de danos.
Alguns elementos de Êxodo 21 podem ser gatilhos ou confundidos em contextos de fragilidade emocional ou espiritual:
Servidão e linguagem sobre servos e servas: Pessoas que sofreram abuso, exploração trabalhista, violência doméstica ou relacionamentos controladores podem ler estes textos como se Deus aprovasse qualquer tipo de escravidão ou opressão. É importante lembrar que o capítulo regula uma realidade histórica, coloca limites e não autoriza abusos modernos.
Penas de morte e violência legal: Quem já viveu violência armada, mortes traumáticas ou luto complicado pode sentir intenso desconforto ao ler sobre apedrejamentos e execuções. Esse texto não deve ser utilizado para justificar violência pessoal, vingança ou discursos de ódio.
Uso distorcido de "olho por olho": Em contextos de conflito familiar, conjugal ou comunitário, há risco de alguém citar esse princípio para legitimar represálias cruéis. O sentido aqui é limitar a vingança, não incentivar retaliação em espiral.
Textos sobre mulheres e servas: Em ambientes marcados por machismo ou controle religioso, estes versículos podem ser mal usados para manter mulheres presas em situações abusivas. O próprio texto, porém, aponta para a proteção de direitos básicos (alimento, vestes, obrigação marital) e para a libertação quando esses direitos são negados.
Culpa espiritual exagerada: Pessoas com forte tendência à culpa ou escrúpulos podem ler as penas severas e concluir que não há espaço para perdão ou restauração. É essencial ler este capítulo à luz do conjunto das Escrituras, que falam de arrependimento, misericórdia e graça.
Quando esses gatilhos aparecem, é saudável buscar apoio em líderes maduros, conselheiros cristãos ou profissionais de saúde mental que respeitem o contexto bíblico e a dignidade humana.
Êxodo 21, lido à luz de todo o plano bíblico, inspira princípios práticos para a vida atual:
Valor da vida e da integridade: Ferir alguém, mesmo que não resulte em morte, exige responsabilidade e reparação. No cotidiano, isso incentiva a evitar agressões físicas, verbais e emocionais, a reconhecer quando se machuca alguém e a buscar reparar o dano, inclusive com tempo, recursos e pedido de perdão.
Responsabilidade pelos próprios atos e omissões: O dono do boi escorneador conhecido, ou quem cava uma cova e não a cobre, representa quem sabe de um risco e mesmo assim não age. No trabalho, no trânsito, em casa e na igreja, esse princípio incentiva a prevenção de acidentes, o cuidado com equipamentos, espaços e pessoas sob nossa responsabilidade.
Limites à vingança e busca de justiça proporcional: "Olho por olho" aponta para a necessidade de que a reação ao mal seja justa e não descontrolada. Em conflitos familiares ou comunitários, isso se traduz em evitar exageros, conversar sobre o ocorrido, buscar mediação e soluções que não destruam a outra pessoa.
Proteção de pessoas vulneráveis: A preocupação com servos, servas e mulheres socialmente desprotegidas desafia a olhar, na realidade atual, para quem tem menos voz e poder: empregados, diaristas, migrantes, crianças, idosos, pessoas em situação de pobreza. Isso se expressa em contratos justos, pagamento honesto, respeito, escuta e defesa de quem está sendo explorado.
Compromisso com relacionamentos responsáveis: As leis sobre casamento, deveres do marido e cuidado com a esposa mostram que relações não podem ser tratadas como descartáveis. No contexto atual, inspira respeito ao cônjuge, fidelidade, cuidado material e emocional, e o reconhecimento de que negligência também é forma de injustiça.
Uso correto da autoridade: Senhores de servos, juízes e donos de animais tinham poder sobre outros. O texto coloca limites claros para esse poder. Hoje, líderes, gestores, pais e autoridades são chamados a exercer autoridade com justiça, sem abuso ou violência, sempre lembrando que também prestarão contas a Deus.
O capítulo parte de uma realidade social já existente no mundo antigo: pessoas podiam se tornar servas, muitas vezes por causa de dívidas ou pobreza. Em vez de instituir a escravidão, a Lei de Êxodo 21 a limita e regula, trazendo proteção e dignidade maiores do que as práticas comuns. Há prazo máximo de seis anos para o servo hebreu, direito à libertação, proteção contra violência extrema e possibilidade de libertação definitiva em caso de danos físicos. A Bíblia, como um todo, vai gradualmente revelando o valor da liberdade e da igualdade em Cristo, num caminho que vai além dessas estruturas antigas.
Nos versículos 5 e 6, aparece o caso de um servo hebreu que, ao final do período de serviço, poderia sair livre, mas escolhe permanecer com seu senhor porque o ama e quer ficar com a esposa e os filhos. O furo da orelha na porta marcava publicamente essa decisão. Era um gesto simbólico de compromisso voluntário e permanente. Dentro da teologia bíblica, muitos veem aqui uma imagem de entrega por amor: alguém que, mesmo tendo direito à liberdade, se coloca à disposição de servir.
Nos versículos 23 a 25, "olho por olho, dente por dente" não é um convite à vingança pessoal sem controle. É um princípio jurídico que buscava limitar a punição, impedindo que se cobrasse mais do que o dano sofrido. Era uma forma de frear espirais de violência entre famílias e clãs. Mais à frente, outros textos bíblicos chamarão à misericórdia, ao perdão e ao amor aos inimigos, mostrando que a justiça de Deus não se esgota nesse princípio, mas o utiliza como etapa na organização justa da sociedade.
Na sociedade de Israel, a família era a célula fundamental da vida social e espiritual. Ferir ou amaldiçoar pai e mãe era visto como ataque grave à ordem estabelecida por Deus, não apenas como desrespeito pessoal. A pena de morte nesses casos enfatiza o peso da honra aos pais dentro da aliança. Ao mesmo tempo, é importante lembrar que esses estatutos pertencem a um contexto teocrático específico, em que a nação toda vivia sob lei diretamente dada por Deus. Hoje, a aplicação é principalmente em termos de respeito profundo, cuidado e responsabilidade, e não de repetir as mesmas penas civis.
Essas leis, em 21:28-36, estabelecem um princípio geral: quem causa dano por ação ou por descuido tem responsabilidade de reparar. Em um contexto moderno, isso se traduz em cuidado com equipamentos perigosos, veículos, construções, ambientes de trabalho, produtos vendidos e qualquer situação que possa ferir ou prejudicar outras pessoas. Envolve também aceitar a responsabilidade quando acontece um dano, oferecendo reparação justa, cooperação com a justiça e disposição para corrigir as falhas que causaram o problema.
Êxodo 21 pode soar duro para quem lê em momentos de fragilidade. Fala de feridas, mortes, servidão, perdas familiares. Para um coração cansado, essas imagens podem parecer distantes do consolo que se procura. Mas, por trás das palavras firmes, há um Deus que não é indiferente ao sofrimento nem à injustiça. Este capítulo mostra que Deus vê cada ferimento, cada abuso de poder, cada dano que alguém causa ao outro. Nada disso é pequeno demais para Ele. Ele se importa com o servo que apanha, com a mulher que corre risco na gravidez, com a pessoa atingida por descuido de outro. Isso fala da dor que muitas pessoas carregam: dores antigas, às vezes escondidas, causadas por quem deveria cuidar. Há também um cuidado especial com quem é mais frágil na sociedade daquela época: servos, servas, mulheres. Mesmo dentro de estruturas imperfeitas, Deus coloca freios, cria saídas, abre portas de libertação. Isso revela um coração divino que, no meio de um mundo duro, planta sinais de proteção e dignidade. Para quem foi ferido injustamente, o texto lembra que Deus leva a sério o que aconteceu. Ele não chama de "exagero" a dor de quem sofreu. A justiça aqui é concreta: tempo perdido precisa ser pago, cura precisa ser garantida, dano precisa de reparação. É um retrato de um Deus que não joga a dor para debaixo do tapete. Ao mesmo tempo, para quem carrega culpa por ter ferido outros, estas palavras podem pesar. A boa notícia é que esse mesmo Deus justo também se revelou como Deus de misericórdia, disposto a perdoar e a transformar vidas. Êxodo 21 é uma peça de um quadro maior: um Deus que cuida, corrige, protege e, no final, oferece cura para vítimas e também para quem se arrepende de ter sido causador de dor.
Êxodo 21 inaugura, na prática, o chamado "Livro da Aliança" (Êx 20–23), que detalha como os Dez Mandamentos se desdobram em situações concretas. O gênero predominante aqui é o da lei casuística, típico do antigo Oriente Próximo: apresentam-se casos específicos com a fórmula "se... então" para orientar juízes e líderes. Sobre a servidão hebreia (21:2-6), trata-se principalmente de servidão por dívida ou por pobreza, diferente da escravidão racial e vitalícia moderna. Há limite de seis anos, com libertação no sétimo, o que ecoa o princípio sabático. O caso do servo que permanece por amor introduz a possibilidade de vínculo voluntário, marcado pelo ritual da orelha perfurada à porta, símbolo de compromisso público. Os versículos 7-11 sobre a filha vendida como serva referem-se provavelmente a arranjos que combinavam serviço doméstico com futura possibilidade de casamento. A lei restringe a objetificação dessa mulher: se o senhor não se casa com ela, deve permitir que seja resgatada; se a dá por esposa ao filho, deve tratá-la como filha; se toma outra mulher, não pode reduzir alimento, vestes e direitos conjugais da primeira. Caso falhe nessas obrigações, ela sai livre. Num ambiente patriarcal, isso traz proteção relevante. A seção 21:12-17 trata de crimes graves. Faz-se distinção nítida entre homicídio premeditado (pena de morte) e não intencional (direito de fugir a um local de refúgio, antecipando as futuras cidades de refúgio). Ferir ou amaldiçoar pai e mãe, bem como o rapto, recebem pena máxima, refletindo o peso da autoridade familiar e da liberdade pessoal na ordem social israelita. Os versículos 18-27 detalham ferimentos e indenizações. O caso da briga entre homens mostra que, se a vítima se recuperar a ponto de andar apoiada, não há pena de morte, mas compensação econômica: tempo de afastamento e custos de cura. Quanto a servos, há uma tensão: de um lado, o senhor é castigado se matar o servo (21:20), mas, se este sobreviver alguns dias, o prejuízo é visto como econômico, o que reflete os limites do contexto histórico. Por outro lado, 21:26-27 protege o servo com a liberdade em caso de dano irreversível como perda de olho ou dente, atenuando a assimetria de poder. A famosa fórmula "olho por olho" (21:23-25), conhecida como lex talionis, não surgiu aqui, mas é ressignificada. Mais do que incentivar retaliação literal, funcionou como teto para as penas: a reparação deve ser proporcional ao dano. Na prática jurídica posterior, esse princípio frequentemente se aplicava por meio de compensações financeiras, e não necessariamente mutilações correspondentes. A última seção (21:28-36) versa sobre responsabilidade civil por animais perigosos e acidentes. O dono do boi que mata alguém só é executado se sabia do perigo e nada fez, destacando a noção de negligência culposa. Há, ainda, previsão de resgate financeiro em certos casos, introduzindo flexibilidade jurídica. As disposições sobre covas e bois que se ferem mutuamente estruturam uma lógica de partilha de prejuízo e compensação justa. Em síntese, Êxodo 21 insere Israel num cenário jurídico comum ao seu tempo, mas com correções decisivas: maior proteção aos vulneráveis, reconhecimento do valor da vida e limitação da vingança. Lido em conjunto com o restante da revelação bíblica, o capítulo ilustra como Deus começou a moldar um povo pela justiça, preparando o terreno para entendimentos mais profundos de misericórdia e graça.
Êxodo 21 parece um código antigo, mas os princípios por trás das leis conversam muito com a vida prática de hoje. O texto gira em torno de trabalho, família, responsabilidade e consequências — temas que continuam presentes em qualquer casa e em qualquer cidade. Há um primeiro recado forte: relações de trabalho não podem ser eternas prisões. A servidão hebreia tinha prazo, saída prevista, direitos protegidos. Trazendo isso para o presente, isso inspira contratos claros, respeito por horários, limites saudáveis entre trabalho e descanso, e atenção para não transformar pessoas em peças descartáveis. Os estatutos sobre mulheres e servas falam de um tempo em que elas tinham pouca proteção. Mesmo assim, Deus coloca regras para garantir alimento, vestes e direitos conjugais. Quando isso não fosse cumprido, a saída livre era garantida. Isso aponta para a importância de não aceitar relações em que o básico é negado: cuidado, respeito, sustento combinado. A parte sobre brigas, ferimentos e indenizações mostra um caminho diferente da cultura do "pede desculpa e pronto". Quando há dano real, há responsabilidade concreta: tempo perdido, tratamento, restauração. Em termos práticos, o texto desafia a assumir os efeitos dos próprios atos. Num conflito no trabalho, em um acidente no trânsito ou em desentendimentos familiares, a pergunta que emerge é: o que precisa ser reparado de forma objetiva, não só com palavras? O princípio de "olho por olho" funciona como freio ao exagero. Em muitas famílias e equipes, um erro pequeno gera uma reação enorme, que quebra relações por anos. O espírito dessa lei convida a calibrar a resposta: nem passar pano para o erro, nem destruir a pessoa que errou. Buscar proporção, diálogo e, quando possível, reconciliação. As leis sobre bois, covas e danos materiais ensinam sobre prevenção. Quem sabe que algo é perigoso e não faz nada assume uma culpa maior. Isso cabe bem em temas como manutenção de veículos, cuidado com crianças em casa, regras de segurança no trabalho e atenção a sinais de risco em relacionamentos. A prática é simples: identificar onde há perigo e agir antes que alguém se machuque. Por fim, a forma como Deus se preocupa com servos, servas e pessoas feridas inspira um estilo de vida atento a quem está abaixo na escala de poder: empregados, prestadores de serviço, gente que depende de decisões de outros. Tratar com justiça, pagar corretamente, ouvir reclamações com seriedade e criar ambientes seguros são maneiras concretas de viver, hoje, o coração de justiça que este capítulo revela.
Êxodo 21 nos coloca diante de um Deus que não se limita ao sagrado do culto, mas desce às ruas, às casas, aos campos. Ele fala da forma como alguém trata o servo, protege a mulher grávida, lida com um animal perigoso, repara um dano causado. A espiritualidade que nasce desse texto é profundamente encarnada: fé que não se traduz em justiça concreta é fé incompleta. O capítulo revela algo da santidade de Deus. As penas severas, por mais distantes que pareçam de nossa realidade, apontam para a seriedade com que Ele vê a vida humana, a família, a liberdade, a responsabilidade. Diante desse Deus, a violência, o abuso e o descuido com o outro não são "falhas pequenas", mas afrontas à sua própria santidade. Isso chama a uma reverência que toca ética, não apenas liturgia. Ao mesmo tempo, as nuances do texto — a distinção entre morte intencional e não intencional, a abertura para lugares de refúgio, a compensação em vez de pura vingança — mostram que a justiça de Deus não é cega nem mecânica. Ele considera intenções, circunstâncias, arrependimento. Espiritualmente, isso nos livra tanto da dureza implacável quanto de uma graça barata que ignora o mal. O princípio "olho por olho" funciona, aqui, como um degrau na escada da revelação. Num mundo de vingança desenfreada, Deus estabelece limite. Mais tarde, a mesma Escritura chamará ao amor aos inimigos e à entrega de si em vez da retribuição. Não há contradição, mas avanço: de uma justiça que segura a mão que quer ferir mais, até uma graça que oferece a outra face. Em Cristo, essa linha chega ao ápice: a pena do pecado recai sobre Ele, e a nós é oferecida vida. O servo que escolhe continuar com o senhor, tendo a orelha marcada na porta, é uma imagem profunda. Ele tinha o direito à liberdade, mas por amor decide permanecer. Em uma leitura espiritual, esse gesto aponta para um tipo de entrega que não é forçada, mas voluntária: gente que, tendo sido libertada, escolhe viver para Deus. A porta em que a orelha é furada remete simbolicamente à passagem, à casa, à pertença. O discipulado cristão, no seu coração, é isso: não uma servidão imposta, mas uma resposta amorosa a um Senhor que primeiro libertou. Por fim, Êxodo 21 convida a perceber que Deus se importa com o invisível. A forma como alguém trata quem está abaixo, como repara danos, como assume riscos e responsabilidades, tudo isso é espiritual. A formação da alma passa por essas pequenas e grandes decisões. Crescer com Deus é deixar que a santidade dEle ajuste não só o que se crê, mas também como se vive diante do próximo, preparando o coração para a realidade definitiva de um Reino em que justiça e paz caminham juntas para sempre.
" O SENHOR DEUS assim me fez ver, e eis que ele formava gafanhotos no princípio do rebento da erva serôdia, e eis que era a erva serôdia depois de findas as ceifas do rei. "
" E aconteceu que, tendo eles comido full-versionmente a erva da terra, eu disse: Senhor DEUS, perdoa, rogo-te; quem levantará a Jacó? pois ele é pequeno. "
" Então o Senhor se arrependeu disso. Não acontecerá, disse o Senhor. "
" Assim me mostrou o Senhor DEUS: Eis que o Senhor DEUS clamava, para contender com fogo; este consumiu o grande abismo, e também uma parte da terra. "
" Então eu disse: Senhor Deus, cessa, eu te peço; quem levantará a Jacó? pois é pequeno. "
" E o SENHOR se arrependeu disso. Nem isso acontecerá, disse o Senhor DEUS. "
" Mostrou-me também assim: e eis que o Senhor estava sobre um muro, levantado a prumo; e tinha um prumo na sua mão. "
" E o Senhor me disse: Que vês tu, Amós? E eu disse: Um prumo. Então disse o Senhor: Eis que eu porei o prumo no meio do meu povo Israel; nunca mais passarei por ele. "
" Mas os altos de Isaque serão assolados, e destruídos os santuários de Israel; e levantar-me-ei com a espada contra a casa de Jeroboão. "
" Então Amazias, o sacerdote de Betel, mandou dizer a Jeroboão, rei de Israel: Amós tem conspirado contra ti, no meio da casa de Israel; a terra não poderá sofrer todas as suas palavras. "
" Porque assim diz Amós: Jeroboão morrerá à espada, e Israel certamente será levado para fora da sua terra em cativeiro. "
" Depois Amazias disse a Amós: Vai-te, ó vidente, e foge para a terra de Judá, e ali come o pão, e ali profetiza; "
" Mas em Betel daqui por diante não profetizes mais, porque é o santuário do rei e casa real. "
" E respondeu Amós, dizendo a Amazias: Eu não sou profeta, nem filho de profeta, mas boiadeiro, e cultivador de sicômoros. "
" Mas o Senhor me tirou de seguir o rebanho, e o Senhor me disse: Vai, e profetiza ao meu povo Israel. "
" Agora, pois, ouve a palavra do Senhor: Tu dizes: Não profetizes contra Israel, nem fales contra a casa de Isaque. "
" Portanto assim diz o Senhor: Tua mulher se prostituirá na cidade, e teus filhos e tuas filhas cairão à espada, e a tua terra será repartida a cordel, e tu morrerás na terra imunda, e Israel certamente será levado cativo para fora da sua terra. "
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