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Atos 19:8 - Significado e aplicação

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Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E, entrando na sinagoga, falou ousadamente por espaço de três meses, disputando e persuadindo-os acerca do reino de Deus. "

Atos 19:8

menu_book Versículo no contexto

6 E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam.

7 E estes eram, ao todo, uns doze homens.

8 E, entrando na sinagoga, falou ousadamente por espaço de três meses, disputando e persuadindo-os acerca do reino de Deus.

9 Mas, como alguns deles se endurecessem e não obedecessem, falando mal do Caminho perante a multidão, retirou-se deles, e separou os discípulos, disputando todos os dias na escola de um certo Tirano.

10 E durou isto por espaço de dois anos; de tal maneira que todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, assim judeus como gregos.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Paulo foi muito ativo em Éfeso, empenhando‑se em fazer o bem. Ele começou, como costumava fazer, na sinagoga dos judeus, oferecendo primeiro a eles o evangelho, para assim ajuntar as ovelhas perdidas de Israel, dispersas como ovelhas pelos montes. Pregou na sinagoga deles (Atos 19:8), assim como Cristo muitas vezes fizera, e participou do culto deles, a fim de diminuir o preconceito contra si e ganhá‑los, se ainda houvesse esperança.

Com isso, ele também mostrava seu apoio ao culto público no sábado. Onde ainda não havia igrejas cristãs organizadas, ele participava das assembleias judaicas, visto que os judeus ainda não tinham sido totalmente postos de lado. Paulo ia à sinagoga porque ali o povo se reunia, e porque poderiam estar em melhor disposição de espírito para ouvir.

O conteúdo da sua pregação eram “as coisas concernentes ao reino de Deus”. Isso quer dizer as grandes verdades sobre o governo de Deus sobre as pessoas, seu favor para com elas e o dever que elas têm de se submeter a ele e achar nele a verdadeira felicidade. Paulo mostrava o dever deles para com Deus como Criador, a quebra desse dever pelo pecado, que arruinou a condição deles diante de Deus, e a restauração desse relacionamento por meio do Redentor, isto é, Cristo, por quem o reino de Deus é novamente estabelecido.

Mais especificamente, ele anunciava as coisas a respeito do reino do Messias, que os judeus aguardavam, mas sobre o qual tinham muitos conceitos equivocados. Ele abria as Escrituras que falavam desse reino, dava‑lhes o entendimento correto e corrigia seus erros. Não se limitava a enunciar fatos; explicava o sentido deles.

O método de Paulo também era importante. Ele discutia com eles, apresentando razões e provas baseadas nas Escrituras para o que ensinava, e respondia às objeções, a fim de convencer o entendimento e a consciência das pessoas. Dialogava com eles, fazendo perguntas, acolhendo as respostas, e permitindo que lhe fizessem perguntas em retorno.

Paulo também pregava com calor e urgência. Procurava persuadi‑los, usando não apenas a lógica, mas também fortes apelos que tocassem o coração, mostrando que aquelas verdades diziam respeito à própria alma deles. Era um pregador que movia as pessoas e entendia a arte de persuadir. Falava ainda com ousadia, sem dúvida quanto à mensagem, sem desconfiança daquele que o enviara e sem medo das pessoas a quem se dirigia.

Permaneceu ali por três meses, tempo suficiente para que eles meditassem com cuidado na sua mensagem. Nesse período, os escolhidos pela graça foram trazidos para dentro, e os demais ficaram sem desculpa. Ele pregou ali o evangelho em meio a muitos conflitos, mas não desfalecia nem se cansava.

A pregação teve resultados mistos. Alguns foram persuadidos a crer em Cristo. Porém muitos permaneceram na incredulidade e se firmaram ainda mais em seus preconceitos contra o cristianismo. Antes, quando Paulo lhes falara apenas brevemente, haviam pedido que ficasse por mais tempo (Atos 18:20). Agora, quando se estabeleceu entre eles e falou de forma mais direta às suas consciências, logo se cansaram dele.

Eles nutriam profundo ódio ao evangelho. Seus corações se endureceram e recusaram crer, embora a verdade estivesse claramente diante deles. Não criam porque estavam endurecidos. E ainda tentavam afastar outros do evangelho. Não entravam no reino de Deus, e procuravam impedir que outros entrassem, falando mal do Caminho diante da multidão. Embora não pudessem provar nenhum mal real nele, diziam todo tipo de mal a seu respeito. Assim se tornaram semelhantes à obra de Satanás: falsos acusadores e opositores hostis.

Quando Paulo foi até onde pôde na sinagoga e viu a oposição se tornar mais teimosa, retirou‑se. Já não podia continuar ali com segurança ou, mais precisamente, com conforto e fruto. O culto deles era algo em que ainda poderia tomar parte, e não o tinham silenciado nem proibido de pregar. Mas as afrontas contra as verdades que ele ensinava sobre o reino de Deus o afastaram dali. Eles odiavam a reforma e recusavam a instrução, por isso ele os deixou. Essa foi uma separação legítima, não uma divisão pecaminosa, pois havia uma razão clara e um chamado claro para isso.

Ao se afastar dos judeus, Paulo levou consigo os discípulos e os separou daquela multidão obstinada, para preservá‑los de influências nocivas, assim como Pedro havia exortado seus novos convertidos a se separarem daquela geração perversa (Atos 2:40). Para proteger os crentes das palavras venenosas daqueles blasfemos, ele apartou os que haviam crido para que se tornassem o início de uma igreja cristã. Agora que já eram em número suficiente, podiam ser reunidos como um corpo, e outros se uniriam a eles à medida que cressem. Uma vez que Paulo se retirou, nenhuma outra separação se fez necessária; para onde ele fosse, eles o seguiriam.

Depois de deixar a sinagoga, Paulo passou a realizar reuniões próprias e discutia diariamente na escola de Tirano. Deixou a sinagoga judaica para poder prosseguir sua obra com maior liberdade. Continuou argumentando em favor de Cristo e do cristianismo, pronto a responder a qualquer um que se opusesse. Essa mudança lhe trouxe duas vantagens claras.

Em primeiro lugar, teve mais oportunidades de ensinar. Na sinagoga podia pregar apenas no sábado, mas agora discutia com eles todos os dias. Estabeleceu um tempo diário de ensino, aproveitando bem a oportunidade. Pessoas que não podiam ir num dia podiam ir em outro, e os que voltavam dia após dia eram bem‑vindos àquelas portas da sabedoria.

Em segundo lugar, seu auditório se ampliou. A sinagoga recebia apenas judeus e prosélitos, mantendo de fora os gentios. Mas na escola de Tirano, tanto judeus como gregos ouviam seu ensino (Atos 19:10). Assim, como Paulo depois descreveu Éfeso, uma ampla e eficaz porta se lhe abriu, embora muitos se lhe opusessem (1 Coríntios 16:8‑9).

Alguns entendem que a escola de Tirano fosse uma espécie de escola judaica de teologia, algo que as comunidades judaicas frequentemente mantinham em suas maiores cidades, além da sinagoga. Chamavam esse lugar de Bethmidrash, casa de estudo ou de revisão, para onde iam no sábado, após o serviço na sinagoga. Se era isso, mostra que Paulo saiu da sinagoga gradualmente e permaneceu o mais próximo possível dela, como já fizera antes (Atos 18:7).

Outros pensam que se tratava de uma escola de filosofia gentia, pertencente a um homem chamado Tirano, ou talvez um salão de palestras, pois a palavra pode indicar um lugar de ensino ou mesmo um retiro tranquilo. Pode ter sido algum recinto público que Paulo e os crentes puderam usar, gratuitamente ou mediante pagamento. Ali ele continuou trabalhando por dois anos, ensinando e debatendo diariamente.

Esses dois anos começaram depois dos três meses que passou na sinagoga (Atos 19:8). Após esse período, ele ainda pregou por algum tempo na região em redor. Assim, com razão, pôde contar todo esse período como três anos, como faz mais tarde (Atos 20:31).

O evangelho se espalhou amplamente por meio desse trabalho (Atos 19:10). Não apenas os habitantes de Éfeso ouviram a palavra, mas todos os que moravam em toda a província da Ásia, tendo Éfeso como cidade principal. Ásia, aqui, significa a Ásia Menor. Como muita gente vinha a Éfeso de vários lugares, por causa da justiça, do comércio, da religião e da educação, Paulo teve muitas oportunidades de fazer a mensagem do evangelho se espalhar por toda a região.

Todos ouviram a palavra do Senhor Jesus. O evangelho é a palavra de Cristo, porque fala de Cristo. Ao menos ouviram falar dela, e muitos, de diferentes grupos e lugares, tanto da cidade como do campo, a acolheram. Por meio deles, a mensagem alcançou outros, de modo que, assim, todos ouviram a palavra do Senhor Jesus, ou puderam tê‑la ouvido. É provável que o próprio Paulo também tenha feito viagens ao interior, ou enviado cooperadores que andavam com ele, e assim a palavra do Senhor se fez ouvir por toda aquela área.

Os que estavam em trevas viram uma grande luz.

Deus também confirmou o ensino de Paulo por meio de milagres, que despertavam a curiosidade, ganhavam a afeição do povo e o levavam a crer (Atos 19:11; Atos 19:12). É notável que Lucas não registre nenhum milagre de Paulo depois de ele ter expulsado o espírito maligno da jovem escrava em Filipos. Por que não operou milagres em Tessalônica, Bereia e Atenas? Ou, se os realizou, por que não são mencionados? Talvez a própria propagação do evangelho, sem milagres na ordem da natureza, já fosse um milagre de graça, e o poder que o acompanhava fosse prova suficiente de sua origem divina.

Sabemos que Paulo fez muitos milagres em Corinto, embora Lucas não os detalhe, porque o próprio apóstolo mais tarde afirma que ali foram manifestos os sinais do seu apostolado em prodígios e maravilhas (2 Coríntios 12:12). Mas aqui em Éfeso temos um relato amplo dos sinais que confirmavam sua missão divina.

Em primeiro lugar, eram milagres especiais, milagres que ultrapassavam o curso comum da natureza. Aconteceram coisas que não podiam ser atribuídas ao acaso nem a causas naturais. Não eram apenas fatos fora da ordem normal, como todos os milagres são, mas foram extraordinários até mesmo entre os milagres, maiores do que aqueles realizados por outros apóstolos. Os opositores do evangelho estavam tão endurecidos contra a mensagem que milagres comuns não os convenceriam, por isso Deus operou sinais que iam além do padrão usual.

Em segundo lugar, não era Paulo, em si mesmo, quem realizava essas obras. Em outro lugar ele pergunta: “Quem é Paulo? E quem é Apolo?” Era Deus quem agia por meio de Paulo. Paulo era apenas o instrumento; Deus é quem executava a obra.

Em terceiro lugar, Paulo não apenas curava os que eram trazidos até ele, ou aqueles a quem ele fosse levado. As pessoas levavam também lenços e aventais de Paulo e os colocavam sobre os enfermos, e eles eram curados. Alguns entendem que esses aventais eram os que Paulo usava enquanto trabalhava em seu ofício, e que, ao serem aplicados aos doentes, produziam cura imediata. Outros pensam que as pessoas traziam panos, cintos, bonés ou coberturas da cabeça pertencentes aos enfermos, deixavam-nos por algum tempo perto de Paulo e depois os levavam de volta aos doentes. A primeira interpretação é a mais provável.

Assim se cumpriam as palavras de Cristo aos seus discípulos, de que fariam obras maiores do que as que Ele mesmo fez. Lemos sobre uma pessoa que foi curada ao tocar a roupa de Cristo enquanto Ele a vestia, e Jesus sentiu que dele saíra poder. Aqui, pessoas eram curadas por meio das roupas de Paulo depois que já tinham sido tiradas dele. Cristo havia dado a seus apóstolos autoridade sobre espíritos imundos e sobre toda sorte de enfermidades (Mateus 10:1). Dessa forma, os que recebiam ajuda por meio do ministério de Paulo eram curados de duas maneiras: as doenças os deixavam, e os espíritos malignos saíam deles. Ambas as coisas apontavam para o grande propósito do evangelho e seu bendito efeito: a cura da enfermidade espiritual e a libertação das almas do poder e do domínio de Satanás.

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