Versículo em destaque
Atos 18:18 - Significado e aplicação
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Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E Paulo, ficando ainda ali muitos dias, despediu-se dos irmãos, e dali navegou para a Síria, e com ele Priscila e Áqüila, tendo rapado a cabeça em Cencréia, porque tinha voto. "
Atos 18:18
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
16 E expulsou-os do tribunal.
17 Então todos os gregos agarraram Sóstenes, principal da sinagoga, e o feriram diante do tribunal; e a Gálio nada destas coisas o incomodava.
18 E Paulo, ficando ainda ali muitos dias, despediu-se dos irmãos, e dali navegou para a Síria, e com ele Priscila e Áqüila, tendo rapado a cabeça em Cencréia, porque tinha voto.
19 E chegou a Éfeso, e deixou-os ali; mas ele, entrando na sinagoga, disputava com os judeus.
20 E, rogando-lhe eles que ficasse por mais algum tempo, não conveio nisso.
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Paulo volta a se movimentar, depois de passar algum tempo em Corinto, onde havia estado ocupado servindo a Cristo. Quer estivesse parado, quer viajando, o alvo dele era sempre o mesmo: fazer o bem. Ele só deixou Corinto depois de algum tempo decorrido desde a confusão que houve ali. Em outros lugares ele havia saído quando a perseguição começava, mas não aqui, porque em Corinto a tempestade logo se acalmou.
Ao partir, Paulo se despediu formal e afetuosamente dos irmãos. Deixou-lhes encorajamento, conselhos, orações e advertências necessárias, especialmente contra os enganos dos falsos apóstolos. Uma despedida assim ficaria gravada na memória deles e deixaria uma forte impressão.
Ele levou consigo Priscila e Áquila, porque eles desejavam viajar com ele. Parecem ter sido dispostos a mudar de lugar, em vez de permanecer muito tempo num só ponto; e um espírito assim pode nascer de um bom coração e produzir muito bem. Paulo havia formado uma amizade estreita com eles, por isso pediram para acompanhá‑lo quando ele partiu.
Em Cencréia, o porto próximo a Corinto de onde os viajantes embarcavam, ou Paulo ou Áquila — o texto não deixa claro qual dos dois — rapou a cabeça para concluir um voto de nazireu. O nazireu era alguém que se consagrava a Deus de modo especial e cerimonial, marcado, entre outras coisas, por não cortar o cabelo e por se abster de vinho e bebida forte. Quando o voto terminava, ou se fosse quebrado acidentalmente, a cabeça era rapada como parte da conclusão do ritual. Esperava‑se que os judeus da Judeia fizessem isso no templo, mas os que moravam fora podiam fazê‑lo em outro lugar.
Alguns pensam que tenha sido Áquila, por ser judeu e talvez observar mais costumes antigos do que o necessário. Mas não há problema em entender que tenha sido Paulo, já que Atos o mostra, mais tarde, fazendo coisas semelhantes (Atos 21:24, 26). Ele fazia isso em parte para se aproximar dos judeus por algum tempo, pois se tornara como judeu para ganhar os judeus (1 Coríntios 9:20). Ao mesmo tempo, o voto de nazireu tinha um sentido sério e devoto, de modo que era apropriado que essa antiga cerimônia estivesse entre as últimas a desaparecer.
Depois Paulo parou em Éfeso, a principal cidade da Ásia Menor e um porto movimentado. Ali ele deixou Priscila e Áquila. Isso não apenas porque eles tornariam sua viagem mais lenta, mas também porque poderiam servir ao evangelho ali. Paulo planejava passar um tempo em Éfeso mais adiante; deixá‑los ali era como enviar ajudantes adiante para preparar o caminho, assim como Cristo enviou discípulos à frente para os lugares onde pretendia ir.
Priscila e Áquila, sendo crentes sábios e maduros, podiam falar em particular com muitas pessoas e prepará‑las para receber bem a Paulo. Também poderiam ajudar as pessoas a entender melhor o ensino dele quando chegasse. Por isso Paulo mais tarde os chama de seus cooperadores em Cristo Jesus (Romanos 16:3).
De passagem, Paulo também pregou aos judeus na sinagoga. Ainda que estivesse ali por pouco tempo, não quis sair sem lhes anunciar o evangelho. Entrou como pregador, não apenas como ouvinte, e discutiu com eles. Embora os judeus em Corinto tivessem resistido e blasfemado, ele não deixou, por causa disso, de pregar em outras sinagogas. Não se deve julgar todo um grupo pela má conduta de alguns de seus membros.
Os judeus de Éfeso o receberam melhor do que os de Corinto. Pediram que ficasse mais tempo e lhes ensinasse mais sobre Cristo. Eram mais abertos e corteses, e isso mostrava que Deus não havia rejeitado totalmente o seu povo, mas ainda guardava um remanescente entre eles.
Mesmo assim, Paulo não ficou. Despediu‑se, pois ainda precisava ir a Jerusalém para a festa. Isso não porque julgasse que as leis das festas ainda o obrigassem, mas porque tinha assuntos a tratar ali que seriam melhor conduzidos quando muitos judeus estivessem reunidos. Não somos informados que festa era, embora provavelmente fosse a Páscoa, a mais importante. Ele também prometeu que, depois dessa viagem, voltaria a Éfeso, e o convite amável que recebera lhe dava esperança de que poderia fazer ali muito bem.
As palavras de Paulo também ensinam uma lição útil. É bom ter em vista oportunidades futuras, para que, quando uma boa obra termina, estejamos prontos para outra. Mas ele acrescentou a condição correta: “se Deus quiser”. Nossos tempos estão nas mãos de Deus. Podemos fazer planos, mas é ele quem os dirige; por isso toda promessa deve ser feita em submissão à vontade de Deus. Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo. Paulo já havia falado de modo parecido antes, condicionando seus planos à permissão do Espírito (Atos 16:7), e o mesmo pensamento está incluído aqui.
Em seguida, Paulo fez uma breve visita a Jerusalém, por respeito àquela igreja, que de fato era como uma igreja‑mãe para as demais. Ele partiu de Éfeso e desembarcou em Cesareia, escolhendo o caminho do mar por ser mais rápido e mais seguro. Isso também lhe permitia ver as obras do Senhor e as suas maravilhas no abismo. Jope antes funcionara como porto de Jerusalém, mas agora Cesareia era usada com mais frequência, pois Herodes a havia melhorado, e o porto de Jope era perigoso.
Dali ele subiu e saudou a igreja, o que claramente significa a igreja em Jerusalém. Ela é chamada simplesmente de “a igreja” em um sentido especial, porque ali a igreja cristã começou (Atos 15:4).
Paulo sentiu que era justo visitá‑los, para que não pensassem que o sucesso dele entre os gentios o havia tornado orgulhoso ou distante. Não queria que julgassem que a honra que Deus lhe dera o fizera esquecer a honra que ele devia a eles. Sua visita para saudar a igreja em Jerusalém mostra duas coisas.
Primeiro, foi uma visita amistosa, feita em verdadeira bondade. Ele queria saber da condição deles e demonstrar sincera boa vontade. Novas amizades não devem nos fazer esquecer as antigas. É uma alegria para pessoas piedosas, especialmente para bons ministros, renovar antigas amizades. Os ministros em Jerusalém permaneciam ali constantemente, enquanto Paulo vivia em viagens, mas ele ainda assim mantinha contato próximo com eles. Eles podiam se alegrar na obra dele, e ele na obra deles, e assim se animavam mutuamente em seu chamado comum.
Segundo, foi apenas uma visita rápida. Ele subiu, os saudou, talvez com o ósculo santo, e não permaneceu muito tempo. Era para ser apenas um breve encontro, e ainda assim Paulo se dispôs a fazer uma longa viagem para isso. Este mundo não é o lugar onde devemos permanecer juntos para sempre. O povo de Deus é o sal da terra, espalhado e disperso, mas é bom que se vejam de vez em quando, ainda que por pouco tempo. Esses encontros fortalecem o amor, ajudam a manter a comunhão espiritual à distância e aumentam o anseio pela Jerusalém celestial, onde esperamos estar juntos para sempre.
Depois Paulo voltou pelos lugares onde antes havia pregado o evangelho. Passou algum tempo em Antioquia, entre os antigos amigos, na igreja de onde fora enviado pela primeira vez para pregar aos gentios (Atos 13:1). Foi para ali a fim de descansar na companhia dos ministros daquele lugar, e isso é um real refrigério para um ministro fiel. Assim como o ferro afia o ferro, assim um homem afia o seu amigo. A visita de Paulo a Antioquia certamente trouxe à memória dias anteriores, e essas lembranças o levariam a novos agradecimentos.
Dali ele viajou pelas regiões da Galácia e da Frígia, onde havia pregado o evangelho e plantado igrejas. Lucas menciona essa obra apenas de forma breve (Atos 16:6), mas foi uma grande obra, como o próprio Paulo demonstra em Gálatas 4:14‑15, quando fala da primeira vez em que lhes pregou e da acolhida calorosa que lhe deram, como se ele fosse um anjo de Deus. Eram igrejas espalhadas pelo interior, e não lemos sobre uma cidade em particular na Galácia onde houvesse uma igreja isolada (Gálatas 1:2). Paulo as visitou em ordem, conforme se localizavam, regando o que antes havia plantado. Ele fortalecia todos os discípulos.
A própria presença dele entre eles já era uma ajuda. Quando Paulo mostrava cuidado por eles, isso os encorajava. Mas fez mais do que isso. Pregou palavras que os firmaram na fé em Cristo, na decisão por Cristo e na afeição amorosa por ele. Os discípulos precisam ser fortalecidos, porque estão cercados de fraquezas. Os ministros devem fazer tudo o que puderem para fortalecê‑los, a todos, apontando para Cristo e ensinando‑os a viver dele. A força dele se aperfeiçoa na fraqueza humana, e ele mesmo é a força e o cântico de seu povo.
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Deste capítulo
Atos 18:1
"E depois disto partiu Paulo de Atenas, e chegou a Corinto."
Atos 18:2
"E, achando um certo judeu por nome Áqüila, natural do Ponto, que havia pouco tinha vindo da Itália, e Priscila, sua mulher (pois Cláudio tinha mandado que todos os judeus saíssem de Roma), ajuntou-se com eles,"
Atos 18:3
"E, como era do mesmo ofício, ficou com eles, e trabalhava; pois tinham por ofício fazer tendas."
Atos 18:4
"E todos os sábados disputava na sinagoga, e convencia a judeus e gregos."
Atos 18:5
"E, quando Silas e Timóteo desceram da Macedônia, foi Paulo impulsionado no espírito, testificando aos judeus que Jesus era o Cristo."
Atos 18:6
"Mas, resistindo e blasfemando eles, sacudiu as vestes, e disse-lhes: O vosso sangue seja sobre a vossa cabeça; eu estou limpo, e desde agora parto para os gentios."
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