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2 Tessalonicenses 3:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" No demais, irmãos, rogai por nós, para que a palavra do Senhor tenha livre curso e seja glorificada, como também o é entre vós; "

2 Tessalonicenses 3:1

menu_book Versículo no contexto

1 No demais, irmãos, rogai por nós, para que a palavra do Senhor tenha livre curso e seja glorificada, como também o é entre vós;

2 E para que sejamos livres de homens dissolutos e maus; porque a fé não é de todos.

3 Mas fiel é o Senhor, que vos confirmará, e guardará do maligno.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Nestes versículos, em primeiro lugar vemos que o apóstolo pede as orações de seus irmãos: “No demais, irmãos, rogai por nós” (2 Tessalonicenses 3:1). Ele sempre se lembrava deles em suas próprias orações, e não queria ser esquecido por eles, nem que fossem esquecidos seus companheiros de trabalho. Pelo contrário, desejava ser levado no coração deles diante do trono da graça de Deus.

Assim se mantém viva a comunhão dos crentes. Não é só orando juntos, ou uns com os outros, mas também orando uns pelos outros quando estamos separados. Dessa forma, pessoas distantes podem se encontrar, por assim dizer, ao pé do trono da graça. Até quem não pode fazer nem receber outro tipo de favor ainda pode dar e receber um grande e verdadeiro favor por meio da oração.

É também dever do povo de Deus orar por seus ministros, não apenas por seus próprios pastores, mas por todos os ministros fiéis. E os ministros precisam dessas orações, por isso devem pedi-las. Como era humilde esse grande apóstolo, e que bom exemplo ele dá. Embora fosse poderoso em oração, não desprezou as orações do menor dos cristãos, mas quis ter parte nelas.

Observe também pelo que ele queria que orassem. Primeiro, ele pede o êxito do ministério do evangelho: “para que a palavra do Senhor tenha livre curso e seja glorificada” (2 Tessalonicenses 3:1). Essa era a grande preocupação de Paulo. Ele se importava mais que o nome de Deus fosse honrado, que o seu reino avançasse e que a sua vontade fosse feita, do que com o seu próprio pão de cada dia.

Ele desejava que a palavra do Senhor corresse, isto é, avançasse, conquistasse terreno e se espalhasse rapidamente. O interesse da verdadeira religião no mundo deve seguir adiante, e não para trás; e não apenas avançar, mas avançar com rapidez. Todas as forças do inferno estavam então, e ainda estão, levantadas contra a palavra do Senhor, procurando impedir sua propagação e seu sucesso.

Por isso devemos orar para que todo impedimento seja removido, a fim de que o evangelho alcance os ouvidos, os corações e as consciências das pessoas. Devemos pedir que ele seja glorificado na convicção e conversão dos pecadores, em calar a boca dos que contendem contra ele e na conduta santa dos crentes. Deus, que deu honra à lei, também glorificará o evangelho e o tornará honroso, e, ao fazer isso, glorificará o seu próprio nome.

Bons ministros e bons cristãos se satisfazem em ser pequenos, ou até em nada serem, contanto que Cristo seja engrandecido e o seu evangelho seja honrado. Paulo se encontrava então em Atenas ou, como alguns pensam, em Corinto, e queria que os tessalonicenses orassem para que tivesse ali tanto êxito quanto tivera em Tessalônica, para que corresse igualmente bem com outros como correra com eles. Se os ministros foram úteis em um lugar, devem desejar ser igualmente úteis em todo lugar onde pregam o evangelho.

Em segundo lugar, ele pede a segurança dos ministros do evangelho: “e para que sejamos livres de homens dissolutos e maus” (2 Tessalonicenses 3:2). Ele não pedia promoção, mas proteção. Os que se opõem à pregação do evangelho e perseguem os pregadores fiéis são homens perversos e maus. Agem contra a razão e contra a religião, sendo culpados de grande loucura e grande maldade.

Há incredulidade não só no ateísmo e na falsa religião, mas também no vício, na imoralidade e, de modo especial, na perseguição. Aí se encontram a maior loucura e também o maior pecado do mundo. Os servos de Deus precisam tanto de proteção espiritual quanto de auxílio, porque são como porta-bandeiras, alvos principais dos ataques. Por isso, todos os que se importam com a causa de Cristo no mundo devem orar por eles.

“Porque a fé não é de todos” significa que muitos não creem no evangelho. Eles mesmos não o recebem, e não é de estranhar se tais pessoas se empenham em resistir ao evangelho, desacreditar o ministério e envergonhar os ministros da palavra. Muitos também não possuem verdadeira honestidade nem consciência. Não podemos confiar neles com segurança, e devemos orar para ser livres de pessoas que não têm consciência nem honra, e que não se importam com o que dizem ou fazem. Às vezes estamos em tanto ou até maior perigo por causa de falsos amigos do que por causa de inimigos declarados.

Em seguida, Paulo os anima a confiar em Deus. Não devemos apenas orar pedindo a graça de Deus, mas também confiar nessa graça e esperar receber aquilo que pedimos. Há duas bênçãos que podemos esperar da graça de Deus: ser firmados e ser guardados do mal. Mesmo os melhores cristãos precisam de ambas.

Ele ora para que Deus os firme. Já havia pedido isso por eles (2 Tessalonicenses 2:17), e agora os encoraja a esperar tal coisa. Não permanecemos de pé se Deus não nos sustentar. Se ele não firmar nossos passos em seus caminhos, nossos pés escorregarão e nós cairemos.

Ele também pede que Deus os guarde do mal. Precisamos da graça de Deus não só para começar a boa obra, mas também para continuar nela até o fim. O mal do pecado é o maior de todos os males, mas há ainda outros males dos quais Deus preserva os seus santos, incluindo o mal que há no mundo, e, de fato, de todo mal, até que os introduza em seu reino celestial.

A razão pela qual podemos depender da graça de Deus é esta: “Mas fiel é o Senhor”. Ele é fiel às suas promessas, e é o Deus que não pode mentir. Não voltará atrás no que falou. Uma vez que prometeu, é certa a sua atuação.

Ele também é fiel em todos os relacionamentos que mantém com o seu povo. É um Deus fiel e um amigo fiel, e podemos depender dele para cumprir tudo o que esses relacionamentos exigem. Devemos, então, cuidar de ser verdadeiros e fiéis em nossas promessas e em todos os relacionamentos que mantemos com esse Deus fiel.

Paulo acrescenta ainda outro fundamento de esperança de que Deus faria isso por eles, já que eles estavam fazendo, e continuariam a fazer, as coisas que lhes eram ordenadas (2 Tessalonicenses 3:4). Paulo tinha confiança neles, e essa confiança se baseava em sua confiança em Deus, pois no homem, por si só, não há confiança segura. A obediência deles é descrita como fazer o que ele e seus companheiros mandavam, o que, na prática, não era diferente de obedecer aos mandamentos do Senhor.

Os apóstolos não tinham outra comissão senão ensinar os homens a guardar tudo o que o Senhor havia ordenado (Mateus 28:20). E assim como a experiência passada de Paulo quanto à obediência deles lhe dava motivo para esperar obediência futura, assim também o fato de guardarmos os mandamentos de Deus nos dá razão para esperar que tudo quanto pedimos dele recebamos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que lhe é agradável (1 João 3:22).

Então Paulo eleva uma breve oração por eles (2 Tessalonicenses 3:5). É uma oração por bênçãos espirituais. Ele pede duas coisas de maior importância.

A primeira é que seus corações sejam conduzidos ao amor de Deus, de modo que possam amar a Deus como o Ser mais excelente e amável, o melhor de todos os seres. Isso não é apenas o mais razoável e o mais necessário para a nossa felicidade; é, em si, a própria felicidade. É grande parte da alegria do céu, onde esse amor será aperfeiçoado.

Nunca alcançaremos isso por nossas próprias forças. Deus precisa dirigir nossos corações por sua graça, porque nosso amor está sempre pronto a se desviar para outras coisas. Sofremos grande dano quando nossos afetos são mal empregados. É nosso pecado e nossa miséria fixar o coração em objetos errados. Se Deus endireita o nosso amor para si mesmo, o restante de nossos afetos também será colocado em ordem.

A segunda é uma paciente espera por Cristo, que pode ser associada a esse amor a Deus. Não há verdadeiro amor a Deus sem fé em Jesus Cristo. Devemos esperar por Cristo, isto é, crer que ele veio uma vez em carne e que virá outra vez em glória. Precisamos aguardar essa segunda vinda e cuidar em estar preparados para ela. Essa espera deve ser paciente, marcada por coragem e constância, suportando firmemente tudo quanto tivermos de enfrentar nesse meio-tempo.

Precisamos de paciência, e precisamos da graça de Deus para vivê-la. Essa é a paciência cristã, a “paciência de Cristo”, como alguns entendem a expressão. É paciência por causa de Cristo e segundo o exemplo de Cristo.

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