Versículo em destaque

2 Samuel 7:4 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" Porém sucedeu naquela mesma noite, que a palavra do Senhor veio a Natã, dizendo: "

2 Samuel 7:4

menu_book Versículo no contexto

2 Disse o rei ao profeta Natã: Eis que eu moro em casa de cedro, e a arca de Deus mora dentro de cortinas.

3 E disse Natã ao rei: Vai, e faze tudo quanto está no teu coração; porque o Senhor é contigo.

4 Porém sucedeu naquela mesma noite, que a palavra do Senhor veio a Natã, dizendo:

5 Vai, e dize a meu servo Davi: Assim diz o Senhor: Edificar-me-ás tu uma casa para minha habitação?

6 Porque em casa nenhuma habitei desde o dia em que fiz subir os filhos de Israel do Egito até ao dia de hoje; mas andei em tenda e em tabernáculo.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Aqui vemos uma revelação completa do favor de Deus para com Davi, e dos propósitos bondosos que estavam por trás desse favor. Deus enviou a mensagem por meio de Natã, o profeta que ele escolheu para levar essa longa palavra a Davi. O objetivo era afastar Davi do plano de construir o templo.

Deus enviou essa mensagem de maneira sábia. Ela veio pelo mesmo profeta que antes havia encorajado Davi, para que Natã não fosse desprezado nem insultado, e Davi não ficasse confuso, com um profeta o incentivando e outro o impedindo. E veio naquela mesma noite, para que Natã não permanecesse no erro por mais tempo, e Davi não continuasse enchendo a mente com planos que nunca foi destinado a realizar. Deus poderia ter falado diretamente com Davi, mas escolheu usar Natã para honrar seus profetas e manter Davi respeitoso para com eles. Embora Davi fosse o rei, os profetas eram os olhos pelos quais ele devia ver as visões do Todo-Poderoso, e a língua pela qual devia ouvir a palavra de Deus.

Aquele que deu a mensagem a Natã também o ajudou a se lembrar dela, para que a transmitisse completa e fielmente, exatamente como a recebera do Senhor. Nessa mensagem, o plano de Davi de construir uma casa para Deus é colocado de lado. Deus notou esse desejo, pois conhece o que há no coração das pessoas, e se agradou dele, como é dito depois (1 Reis 8:18): “Bem fizeste em ter isso no teu coração.” Ainda assim, Deus proibiu Davi de executá-lo, dizendo, em essência: “Edificarás tu uma casa para minha habitação? Não, tu não edificarás” (2 Samuel 7:5; 1 Crônicas 17:4). Havia outro trabalho determinado para Davi em primeiro lugar.

Davi era um homem de guerra, e precisava alargar os limites de Israel por meio de conquistas. Ele também era um salmista dotado, e prepararia cânticos para o uso no templo e organizaria os levitas, a tribo separada para o serviço do templo. Seu filho estaria mais bem preparado para construir a casa e teria também maiores riquezas para pagar por ela. Por isso, essa tarefa foi reservada para ele. Assim como cada um recebeu um dom, assim o sirva com esse dom.

Construir um templo seria uma obra que exigiria tempo e preparação, mas ninguém havia falado disso até então. Deus diz a Davi, primeiro, que até aquele momento nunca tinha tido uma casa construída para ele (2 Samuel 7:6). O tabernáculo, a tenda usada para o culto, até então havia servido, e poderia servir por mais algum tempo. Deus não valoriza o esplendor exterior em seu serviço. Sua presença estava tão seguramente com o seu povo quando a arca estava numa tenda quanto quando estaria em um templo. Davi se incomodava porque a arca repousava entre cortinas, numa habitação simples e móvel, mas Deus nunca disse que isso era pesado para ele.

Ele não habitava em um só lugar, e sim andava no meio do seu povo, e mesmo assim não enfraqueceu nem se cansou. Cristo, como a arca, viveu na terra em um corpo como uma tenda. Andava por toda parte fazendo o bem, e não morou em casa própria, até subir às muitas moradas na casa de seu Pai nas alturas, onde se assentou. A igreja, como a arca, também vive em uma tenda neste mundo. Sua condição presente é ao mesmo tempo de paz e de guerra, e sua cidade permanente ainda há de vir. Davi muitas vezes chamou o tabernáculo de templo em seus salmos (Salmo 5:7; Salmo 27:4; Salmo 29:9; Salmo 65:4; Salmo 138:2), porque ele cumpria o propósito de um templo, ainda que fosse apenas feito de cortinas. Pessoas sábias e piedosas não se apegam tanto à aparência quando possuem a realidade. Davi talvez tenha desfrutado de devoção mais profunda e comunhão mais doce com Deus em uma casa de cortinas do que qualquer um de seus sucessores na casa de cedro.

Em segundo lugar, Deus lembra a Davi que nunca tinha dado ordem, direção ou sequer a menor insinuação a qualquer dos governantes de Israel, chamados de “cetros” em (1 Crônicas 17:6), a respeito da construção de um templo (2 Samuel 7:7). O culto só agrada a Deus quando ele mesmo o estabelece. Por que, então, Davi deveria planejar algo que Deus nunca havia mandado? Que ele aguardasse a autorização de Deus, e então o fizesse. Melhor uma tenda ordenada por Deus do que um templo inventado pelo homem.

Em seguida, Davi é lembrado das grandes coisas que Deus já havia feito por ele, para que soubesse que era amado no céu, mesmo que não fosse escolhido para essa tarefa. Isso também mostra que Deus não estava em dívida com Davi por causa de suas boas intenções. Tudo o que Davi pudesse fazer pela honra de Deus, Deus já tinha feito mais por ele primeiro (2 Samuel 7:8; 2 Samuel 7:9). Deus o ergueu de um lugar muito humilde, tirando-o dos apriscos das ovelhas. É bom que aqueles que sobem alto se lembrem frequentemente de seus pequenos começos, para que permaneçam humildes e agradecidos. Deus também lhe dera sucesso e vitória sobre seus inimigos, dizendo: “Fui contigo por onde quer que foste”, para guardá-lo quando era perseguido e fazê-lo prosperar quando ele perseguia outros. Deus eliminou todos os seus inimigos que impediam sua ascensão e segurança.

Deus o coroou não só com domínio e autoridade em Israel, mas também com honra e fama entre as nações em redor: “E fiz para ti um grande nome.” Davi se tornou conhecido por coragem, liderança sábia e grandes feitos, e foi mais comentado do que qualquer outro grande homem do seu tempo. Um grande nome é algo pelo qual se deve agradecer e que deve ser bem usado, mas quem não o possui não precisa invejá-lo. Melhor é um bom nome. Um homem pode passar pelo mundo em silêncio e ainda assim viver muito feliz.

Um futuro feliz e estabelecido é então prometido a Israel, povo de Deus (2 Samuel 7:10; 2 Samuel 7:11). Isso vem antes das promessas feitas ao próprio Davi, para que ele entendesse que o que Deus planejava para ele era para o bem de Israel. Isso lhe daria a alegria de ver paz sobre Israel, assim como é prometido ao homem piedoso que verá os filhos de seus filhos (Salmo 128:6). Um bom rei não pode se considerar feliz se seu reino não for feliz. As promessas que seguem dizem respeito à sua família e descendência, de modo que essas palavras sobre o estabelecimento de Israel também apontam para a felicidade do próprio reinado de Davi.

Duas coisas são prometidas. Primeiro, haverá um lugar sossegado: “Designarei um lugar para o meu povo, para Israel.” Aquela terra havia sido prometida há muito tempo, mas eles muitas vezes estiveram inseguros nela. Agora essa promessa seria cumprida, e Canaã seria claramente deles, sem mais expulsões ou perturbações. Segundo, haverá desfrute tranquilo desse lugar. Os filhos da perversidade, especialmente os filisteus, que por tanto tempo os haviam afligido, não os molestariam mais. Ao contrário, como nos dias em que Deus levantava juízes sobre Israel, ele daria a Davi descanso de todos os seus inimigos, continuando e completando esse descanso, de modo que a terra repousasse da guerra como fizera no tempo dos juízes.

Por fim, bênçãos são prometidas à família e à descendência de Davi. Davi havia planejado construir uma casa para Deus, e, em resposta, Deus promete construir uma casa para Davi (2 Samuel 7:11). Tudo o que fazemos por Deus, ou verdadeiramente intentamos fazer, mesmo que a providência nos impeça de realizar, não ficará sem recompensa.

Ele já havia prometido dar a Davi um nome (2 Samuel 7:9); aqui promete dar-lhe uma casa, uma linhagem que sustentaria esse nome. Seria um grande consolo para Davi, enquanto vivesse, ter a promessa infalível de Deus de que sua família continuaria depois da sua morte. Depois do bem de nossa própria alma e do bem da igreja de Deus, devemos desejar também o bem de nossos filhos, para que os que vierem depois de nós estejam louvando a Deus na terra quando nós o estivermos louvando no céu.

Algumas dessas promessas se aplicam a Salomão, o sucessor imediato de Davi, e à linhagem real de Judá. Deus diz que levantaria Salomão ao trono. As palavras “quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais” mostram que o próprio Davi morreria em paz, e então Deus estabeleceria a sua descendência. Esse favor foi ainda maior porque Deus não fez o mesmo com Moisés, Josué ou qualquer dos juízes que levantou para governar o seu povo. O governo de Davi foi a primeira linhagem real que continuaria através de seus descendentes. A promessa feita a Cristo quanto ao reino se estenderia aos seus descendentes espirituais. Se somos filhos, então somos herdeiros.

Deus também diz que firmaria o trono de Salomão. “Estabelecerei o seu reino” e “o trono do seu reino” significam que seu direito de governar seria claro, sua pretensão não seria contestada, e seu governo seria estável. Deus também o usaria na boa obra de construir o templo, que Davi teve apenas a alegria de planejar. Salomão edificaria uma casa ao nome de Deus. A obra seria realizada, embora Davi mesmo não a executasse.

Deus também inclui Salomão na aliança de adoção, isto é, Deus toma uma pessoa como seu próprio filho. “Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho.” Nada mais é necessário para fazer a nós e a nossos filhos verdadeiramente felizes, além de Deus ser Pai para nós e para eles. Aqueles a quem Deus toma como seu, ele também os faz seus filhos pela graça, dando-lhes um coração de criança diante dele. Se ele é para nós um Pai atento, terno e generoso, então precisamos ser para ele filhos obedientes, ensináveis e prontos a cumprir o dever.

Essa promessa fala dos filhos de duas maneiras. Primeiro, o Pai o corrigiria quando necessário, pois que filho há a quem o pai não disciplina? O sofrimento faz parte da aliança, e combina com o amor paternal de Deus, chegando mesmo a fluir desse amor. “Se vier a cometer iniquidade”, como de fato Salomão cometeu mais tarde (1 Reis 11:1), “eu o castigarei” para trazê-lo de volta ao arrependimento. Mas seria com a vara dos homens, isto é, com uma disciplina que pessoas podem aplicar e suportar. Deus não lidaria com ele com dureza esmagadora, mas levaria em conta a sua fraqueza e o corrigiria com toda a ternura e compaixão possíveis, e apenas na medida necessária.

Segundo, Deus não o deserdaria. “A minha misericórdia não se apartará dele.” A misericórdia, aqui, é a herança dos filhos. A revolta das dez tribos contra a casa de Davi foi uma correção pelo pecado, mas a permanência das outras duas tribos com a casa de Davi preservou a linhagem real e mostrou a misericórdia de Deus à descendência de Davi, conforme essa promessa. Aquela família foi abatida, mas não eliminada, como tinha acontecido com a casa de Saul. Nenhuma outra família empunhou o cetro de Judá além da de Davi. Esta é a aliança de realeza celebrada no Salmo 89:3 e seguintes, e aponta para a aliança de redenção e graça.

Outras partes da promessa apontam para Cristo, que muitas vezes é chamado Davi e Filho de Davi, o Filho de Davi prometido, em quem essas palavras alcançaram o seu pleno sentido. Ele veio da linhagem de Davi (Atos 13:23). Deus lhe deu o trono de Davi, seu pai (Lucas 1:32), toda autoridade no céu e na terra, e o direito de julgar. Ele edificaria o templo do evangelho, uma casa para o nome de Deus (Zacarias 6:12, 6:13). A promessa “Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho” é aplicada diretamente a Cristo pelo apóstolo (Hebreus 1:5). E a promessa de que sua casa, trono e reino seriam estabelecidos para sempre só pode se cumprir plenamente em Cristo e em seu reino. A casa e o reino de Davi terminaram há muito tempo, mas o reino do Messias permanece para sempre, e o aumento de seu governo e da paz não terá fim.

A ideia de cometer iniquidade não pode ser aplicada ao próprio Messias, mas se aplica, de modo consolador, a seus descendentes espirituais. Os verdadeiros crentes ainda têm fraquezas, e podem esperar disciplina por causa delas, mas não serão rejeitados. Cada pecado cometido dentro da aliança não nos lança para fora da aliança. Natã transmitiu fielmente essa mensagem a Davi (2 Samuel 7:17). Embora primeiro tivesse proibido Davi de construir o templo e, assim, precisasse corrigir suas palavras anteriores, ele se dispôs a fazê-lo quando entendeu melhor a vontade de Deus. Deus também cumpriu fielmente essas promessas a Davi e à sua família no tempo devido. Davi falhou em construir uma casa para Deus, mas Deus não falhou em construir uma casa para Davi. Esse é o padrão da aliança sob a qual vivemos: embora nossa obediência muitas vezes falhe, as promessas de Deus jamais falham.

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