Versículo em destaque
2 Samuel 16:5 - Significado e aplicação
Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje
Tradução: Almeida Corrigida Fiel
" E, chegando o rei Davi a Baurim, eis que dali saiu um homem da linhagem da casa de Saul, cujo nome era Simei, filho de Gera, e, saindo, ia amaldiçoando. "
2 Samuel 16:5
Versículo no contexto
Entender os versículos ao redor evita interpretações incorretas:
3 Então disse o rei: Ora, onde está o filho de teu senhor? E disse Ziba ao rei: Eis que ficou em Jerusalém; porque disse: Hoje me restituirá a casa de Israel o reino de meu pai.
4 Então disse o rei a Ziba: Eis que teu é tudo quanto tem Mefibosete. E disse Ziba: Eu me inclino, que eu ache graça em teus olhos, ó rei meu senhor.
5 E, chegando o rei Davi a Baurim, eis que dali saiu um homem da linhagem da casa de Saul, cujo nome era Simei, filho de Gera, e, saindo, ia amaldiçoando.
6 E atirava pedras contra Davi, e contra todos os servos do rei Davi; ainda que todo o povo e todos os valentes iam à sua direita e à sua esquerda.
7 E, amaldiçoando-o Simei, assim dizia: Sai, sai, homem de sangue, e homem de Belial.
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Vemos aqui que Davi suportou muito melhor as maldições de Simei do que havia suportado a lisonja de Ziba. As palavras de Ziba o levaram a julgar mal outro homem, mas os insultos de Simei o ajudaram a julgar corretamente a si mesmo. Os sorrisos do mundo são mais perigosos do que suas carrancas.
Percebe-se primeiro quão ousado e irado Simei estava. Davi, em sua fuga, havia chegado a Baurim, uma cidade de Benjamim, e Simei morava ali ou nas proximidades. Ele era da família de Saul e, quando a casa de Saul perdeu o poder, Simei perdeu toda esperança de se elevar junto com ela. Isso o fez odiar profundamente a Davi, embora Davi só tivesse se tornado rei porque Deus o havia escolhido. Enquanto Davi era forte e próspero, Simei o odiava do mesmo jeito, mas não se atrevia a falar. Deus conhece o coração dos que se opõem a ele e ao seu governo, ainda que os governantes da terra não conheçam.
Agora, Simei sai e amaldiçoa Davi com toda palavra feia e todo desejo maligno que consegue inventar (2 Samuel 16:5). Ele escolhe esse momento por três razões. Primeiro, porque pensa que agora pode fazer isso em segurança, embora, se Davi resolvesse puni-lo, isso lhe custaria a vida. Segundo, porque deseja tornar ainda maior a tristeza de Davi, acrescentando dor à dor. A Escritura fala da crueldade dos que falam ao coração aflito daqueles a quem Deus já feriu (Salmo 69:26). Terceiro, porque imagina que os problemas de Davi são prova de que ele é um homem mau. Os amigos de Jó fizeram esse mesmo julgamento falso. Os que já estão sob a disciplina de Deus não devem estranhar se homens perversos se aproveitarem disso para zombar deles. Mas é um espírito vil e baixo aquele que pisa em quem já está caído.
Simei mostra sua maldade tanto em ações quanto em palavras. Ele atira pedras contra Davi (2 Samuel 16:6), como se o rei fosse um cão ou um criminoso. Talvez estivesse a certa distância, de modo que as pedras não alcançassem Davi ou seus homens, mas o seu coração ficava bem evidente. Ele também lança pó (2 Samuel 16:13), que provavelmente volta em parte sobre si mesmo, assim como suas maldições injustas retornariam sobre sua própria cabeça. Sua ira o torna odioso, e sua fraqueza o torna tolo. Os que lutam contra Deus não podem realmente feri-lo, embora o odeiem. Se alguém peca, que dano verdadeiro isso traz a Deus? (Jó 35:6)
Sua impiedade se mostra ainda pior porque Davi estava cercado de seus valentes, à direita e à esquerda, de modo que não era tão indefeso quanto Simei imaginava. Davi era perseguido, mas não desamparado. E Simei prossegue com ainda mais fúria porque Davi suporta tudo pacientemente. Lança palavras junto com pedras, em aberta desconsideração à lei de Deus que proíbe amaldiçoar um governante (Êxodo 22:28). Davi era um homem de honra e consciência, conhecido pelo que era justo e bom. No entanto, esse homem de boca impura não consegue achar nada contra ele, a não ser o que havia acontecido muito tempo antes com a casa de Saul, e mesmo isso apenas porque lhe havia trazido prejuízo.
Somos muito rápidos em julgar as pessoas a partir da forma como elas nos afetam. Costumamos concluir que alguém é mau se pensamos que essa pessoa nos prejudicou, ainda que esse juízo seja injusto. Esse tipo de interesse próprio é um guia muito ruim. Ninguém era mais inocente do sangue de Saul do que Davi. Ele poupou a vida de Saul mais de uma vez, mesmo quando Saul o caçava. Quando Saul e seus filhos foram mortos pelos filisteus, Davi e seus homens estavam bem longe e, quando souberam, prantearam. Ele também havia se inocentado no caso das mortes de Abner e Isbosete. Mesmo assim, Simei lança todo o sangue da casa de Saul sobre Davi.
A inocência não nos protege da maldade e da mentira. Não devemos estranhar se as pessoas nos acusarem de coisas que tomamos todo o cuidado de evitar. É uma grande misericórdia o fato de os homens não serem nossos juízes finais. Deus é aquele cujo juízo é sempre verdadeiro. Simei acusa Davi do sangue da casa de Saul de três maneiras. Primeiro, usa isso para descrever o caráter de Davi, chamando-o de homem sanguinário e homem de Belial, servo do mal (2 Samuel 16:7). Segundo, diz que esse sangue é o motivo da aflição presente de Davi, como se Deus agora estivesse lhe retribuindo por causa da casa de Saul. Terceiro, conclui que Davi caminha para a ruína e não voltará ao trono. Ele chega a torcer a providência de Deus para sustentar sua própria ira. Mas é preciso muito cuidado para não abusar assim dos atos de Deus. A ira humana não produz a justiça de Deus, e a justiça de Deus não existe para servir à ira humana.
Depois vemos a paciência e a submissão de Davi debaixo desses insultos. Abisai, filho de Zeruia e um dos homens de Davi, está pronto para defender a honra do rei com a espada. Sua indignação é justa, e ele pergunta por que esse “cão morto” haveria de ser deixado amaldiçoando o rei (2 Samuel 16:9). Se Davi desse a ordem, Abisai estava pronto para silenciar aqueles lábios mentirosos e tirar a cabeça de Simei, pois atirar pedras contra o rei era prova aberta de intenção perigosa. Mas Davi não permite. Ele diz: “Que tenho eu convosco?” e acrescenta: “Deixai-o amaldiçoar”. Nisso, procede de modo muito semelhante a Cristo, que repreendeu os discípulos quando eles queriam fazer descer fogo do céu sobre uma aldeia que o havia rejeitado (Lucas 9:55). A primeira coisa que aquieta o coração de Davi é saber que ele merece aquela aflição.
Isso não é mencionado aqui diretamente, e com razão. Uma pessoa pode se arrepender de verdade sem precisar anunciar, em toda ocasião, todos os pensamentos tristes que tem. Simei acusa falsamente Davi quanto ao sangue de Saul. A consciência de Davi o absolve disso, mas ainda assim o lembra do sangue de Urias. Davi parece pensar: “A acusação é verdadeira demais, ainda que Simei a lance por motivo errado”. Um espírito humilde e sensível transforma insultos em correção, e assim tira proveito deles em vez de reagir com ira.
Davi também enxerga a mão de Deus em tudo isso. Ele diz: “O Senhor lhe disse: Amaldiçoa a Davi” (2 Samuel 16:10), e novamente: “Deixai-o amaldiçoar, porque o Senhor lhe disse” (2 Samuel 16:11). Isso não quer dizer que Deus aprovasse o pecado de Simei. A culpa de Simei vinha do diabo e do seu próprio coração perverso, da mesma forma que os que mataram Cristo pecaram, embora Deus tenha usado seus atos para cumprir o seu plano (Atos 2:23; Atos 4:28). Mas, quanto à aflição de Davi, ela vinha do Senhor, como uma das desgraças que Deus permitiu que caíssem sobre ele. Davi olha além do mensageiro humano para enxergar o supremo Governante sobre tudo. Jó fez o mesmo quando disse: “O Senhor o tomou”. Nada ajuda mais uma alma fiel a suportar o sofrimento do que ver a mão de Deus nele. “Fiquei calado, porque foste tu que fizeste isso.” Até o aguilhão das palavras duras está debaixo do governo de Deus.
Davi ainda se acalma pensando numa dor ainda maior (2 Samuel 16:11). É o próprio filho que procura tirar-lhe a vida; por que então se espantaria com o que faz esse benjamita? A tribulação forma paciência naqueles que Deus santificou. Quanto mais suportamos, mais preparados ficamos para suportar ainda mais. O que prova a nossa paciência também deve treiná-la. Quando nos acostumamos à adversidade, ela nos surpreende menos. Não se admire quando inimigos lhe fizerem mal, se até amigos podem ser duros. Não se espante quando amigos forem duros, se até filhos podem ser desobedientes.
Davi consola-se com a esperança de que Deus transformará esse sofrimento em bem. “O Senhor me pagará com bem pela sua maldição.” Se Deus permitiu que Simei o entristecesse, talvez seja para depois consolá-lo ainda mais profundamente. Davi está certo de que a misericórdia o aguarda e que essa provação o está preparando para recebê-la. Podemos confiar que Deus recompensará não apenas o nosso serviço, mas também o nosso sofrimento. Que outros amaldiçoem; que Deus abençoe.
Por fim, Davi chega a Baurim (2 Samuel 16:14), onde encontra algum alívio e fica abrigado dessa tempestade de palavras duras.
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Deste capítulo
2 Samuel 16:1
"E passando Davi um pouco mais adiante do cume, eis que Ziba, o servo de Mefibosete, veio encontrar-se com ele, com um par de jumentos albardados, e sobre eles duzentos pães, com cem cachos de passas, e cem de frutas de verão e um odre de vinho."
2 Samuel 16:2
"E disse o rei a Ziba: Que pretendes com isto? E disse Ziba: Os jumentos são para a casa do rei, para se montarem neles; e o pão e as frutas de verão para comerem os moços; e o vinho para beberem os cansados no deserto."
2 Samuel 16:3
"Então disse o rei: Ora, onde está o filho de teu senhor? E disse Ziba ao rei: Eis que ficou em Jerusalém; porque disse: Hoje me restituirá a casa de Israel o reino de meu pai."
2 Samuel 16:4
"Então disse o rei a Ziba: Eis que teu é tudo quanto tem Mefibosete. E disse Ziba: Eu me inclino, que eu ache graça em teus olhos, ó rei meu senhor."
2 Samuel 16:6
"E atirava pedras contra Davi, e contra todos os servos do rei Davi; ainda que todo o povo e todos os valentes iam à sua direita e à sua esquerda."
2 Samuel 16:7
"E, amaldiçoando-o Simei, assim dizia: Sai, sai, homem de sangue, e homem de Belial."
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