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2 Samuel 11:14 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E sucedeu que pela manhã Davi escreveu uma carta a Joabe; e mandou-lha por mão de Urias. "

2 Samuel 11:14

menu_book Versículo no contexto

12 Então disse Davi a Urias: Demora-te aqui ainda hoje, e amanhã te despedirei. Urias, pois, ficou em Jerusalém aquele dia e o seguinte.

13 E Davi o convidou, e comeu e bebeu diante dele, e o embebedou; e à tarde saiu a deitar-se na sua cama com os servos de seu senhor; porém não desceu à sua casa.

14 E sucedeu que pela manhã Davi escreveu uma carta a Joabe; e mandou-lha por mão de Urias.

15 Escreveu na carta, dizendo: Ponde a Urias na frente da maior força da peleja; e retirai-vos de detrás dele, para que seja ferido e morra.

16 Aconteceu, pois, que, tendo Joabe observado bem a cidade, pôs a Urias no lugar onde sabia que havia homens valentes.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Quando o plano de Davi para encobrir a gravidez levando Urias a deitar-se com Bate-Seba falhou, outro pensamento ainda mais perverso tomou o lugar. Com o tempo, Urias certamente descobriria o que lhe tinha sido feito, e Davi temia sua vingança. Assim, o diabo sugeriu ao coração de Davi que se livrasse de Urias, imaginando que, morto o marido, nem Urias nem Bate-Seba representariam mais perigo. Se não houvesse acusador, que acusação poderia haver? E, se Urias estivesse fora do caminho, Bate-Seba poderia, se Davi quisesse, ser sua para sempre.

O adultério muitas vezes leva ao homicídio, e um pecado então é encoberto por outro. Por isso os primeiros passos no pecado devem ser temidos, pois ninguém sabe onde irão terminar. Davi resolveu no coração — algo quase impossível de crer — que Urias tinha de morrer. Aquele homem inocente, valente, nobre, disposto a morrer pela honra do seu rei, teria de morrer pela mão do próprio rei. Davi pecou, Bate-Seba pecou, ambos contra Urias, e Davi concluiu que, por isso, Urias tinha de morrer.

Este é o mesmo homem cujo coração o acusou porque cortara a orla do manto de Saul? Como estava mudado. É o mesmo que antes fazia justiça a todo o seu povo? Como agora podia tramar algo tão perverso? Vê-se aqui como as concupiscências carnais, os desejos pecaminosos do corpo, guerreiam contra a alma e a arruínam nessa batalha. Eles embotam a mente, endurecem o coração, queimam a consciência e roubam do homem o senso de honra e de justiça. Quem comete adultério com uma mulher é falto de entendimento e destrói a si mesmo (Provérbios 6:32). E assim como o adúltero busca o segredo com seus olhos, o homicida o busca com suas mãos (Jó 24:14-15). As obras das trevas odeiam a luz.

Quando Davi, com coragem, matou Golias, fez isso às claras e se alegrou em contar o feito. Mas quando, vergonhosamente, tramou a morte de Urias, tudo teve de ser feito em segredo, porque tinha vergonha, e com razão. Quem faz algo que não ousa reconhecer como seu? O diabo, que primeiro agiu como uma serpente venenosa no coração de Davi, depois agiu como uma serpente astuta para lhe sugerir os meios de executar o plano. Davi não armou a morte de Urias como Absalão, seu filho, mais tarde matou Amnom, nem como Acabe matou Nabote, por meio de falsas testemunhas. Fez isso expondo Urias ao alcance do inimigo, um método que talvez parecesse menos odioso à consciência e aos olhos do mundo, visto que os soldados são frequentemente expostos ao perigo.

Se Urias não fosse colocado naquele ponto perigoso, outro o seria. Ele recebeu, por assim dizer, apenas uma chance de conservar a vida. Se lutasse bravamente, poderia escapar. Se morresse, seria no campo de honra, onde um soldado escolheria morrer. E, no entanto, nada disso muda o fato de que se tratou de homicídio deliberado, planejado com antecedência.

Foram enviadas ordens a Joabe, comandante do exército de Davi, para pôr Urias na frente da batalha mais renhida e depois recuar, deixando-o entregue ao inimigo (2 Samuel 11:14-15). Este foi o plano de Davi para matar Urias, e funcionou exatamente como ele desejava. Muitos aspectos tornaram esse homicídio ainda mais grave.

Primeiro, foi cuidadosamente premeditado. Davi teve tempo de pensar, e, embora tivesse tempo para reconsiderar — já que escreveu uma carta sobre o assunto —, e mesmo depois disso ainda tivesse oportunidade de cancelar a ordem antes de ser executada, insistiu em levá-la adiante. Segundo, enviou a carta pelas mãos do próprio Urias, o que foi de uma crueldade e baixeza extremas, fazendo com que Urias carregasse a ordem de sua própria morte. Que coisa chocante, Davi odiar Urias e, ao mesmo tempo, confiar nele o bastante para lhe entregar cartas cujo conteúdo ele não podia conhecer.

Terceiro, Davi tirou proveito da própria coragem e lealdade de Urias ao seu rei e à sua nação, qualidades que deveriam tê-lo feito digno de grande honra e recompensa. Se Urias não estivesse tão disposto a se expor ao perigo, talvez fosse um homem importante demais para Joabe colocar com tanta facilidade na linha de frente. Usar contra ele mesmo aquele espírito nobre foi um ato odioso de ingratidão. Quarto, muitos outros foram envolvidos na culpa. Joabe, o comandante, que deveria prezar a vida de seus soldados, sobretudo dos melhores, foi levado a executar a ordem. Ele, e todos os que recuaram de Urias quando deveriam sustentá-lo, tornaram-se culpados de sua morte.

Quinto, Urias não morreu sozinho. Os homens sob seu comando estiveram em perigo com ele, e foi isso mesmo que aconteceu. Alguns do povo, até mesmo servos de Davi, como aqui são chamados para tornar o pecado de Davi ainda mais grave, pois ele se mostrou disposto a gastar a vida deles, caíram com Urias (2 Samuel 11:17). Pior ainda, esse plano perverso podia ter prejudicado todo o exército e até obrigado a levantar o cerco. Sexto, isso daria alegria aos amonitas, inimigos de Deus e de Israel, trazendo-lhes grande satisfação. Davi certa vez orou para que ele próprio não caísse nas mãos dos homens, nem fugisse diante de seus inimigos (2 Samuel 24:13-14); contudo, aqui ele entrega o seu servo Urias aos amonitas, embora Urias nada tivesse feito de errado.

Joabe cumpriu a ordem. No ataque seguinte à cidade, colocou Urias no lugar mais perigoso. Urias foi levado a esperar que, se o inimigo o repelisse, Joabe viria em seu auxílio. Confiando nesse apoio, avançou com bravura, mas nenhum socorro veio, a peleja se tornou intensa demais, e ele morreu na batalha (2 Samuel 11:16-17). É estranho que Joabe tenha feito algo assim apenas por causa de uma carta, sem nem saber o motivo.

Talvez pensasse que Urias tivesse cometido alguma grande falta, e que Davi o chamara para investigar o caso. Então, por não querer puni-lo publicamente, Joabe pode ter imaginado que esse era o modo de Davi lhe tirar a vida. Ou talvez Joabe, que já havia sido culpado de derramamento de sangue, tenha se agradado em ver Davi cair na mesma culpa, e se dispôs a servi-lo nisso para garantir a continuidade do favor do rei. Pessoas que fizeram o mal, muitas vezes gostam de ver outros, especialmente pessoas respeitadas, fazendo o mesmo, pois isso torna seu próprio pecado menos vergonhoso aos seus olhos. Ou Davi pode ter sabido que Joabe tinha alguma desavença com Urias e que se alegraria em vingar-se dele. De outro modo, Joabe sabia resistir às ordens do rei quando tinha motivo, como se vê mais tarde (2 Samuel 19:5; 2 Samuel 24:3).

Então Joabe enviou notícia a Davi do que havia acontecido. Logo um mensageiro foi despachado com a informação dessa nova perda e dessa vergonha (2 Samuel 11:18). Para suavizar o relato, Joabe previu que Davi aparentaria indignação com a imprudência do ataque e perguntaria por que se haviam aproximado tanto do muro (2 Samuel 11:20). Não sabiam que Abimeleque morreu assim? (2 Samuel 11:21). A história já era conhecida desde (Juízes 9:53), e é provável que esse livro já fosse lido como parte da história sagrada nos dias de Samuel. Até os soldados conheciam a história bíblica e podiam rapidamente citar um exemplo das Escrituras para se advertirem a não repetir um erro que já se mostrara fatal.

Joabe instrui discretamente o mensageiro a suavizar o relatório acrescentando que Urias, o heteu, também estava morto. Essa forma de falar era ampla o suficiente para insinuar ao mensageiro, e por meio dele a outros, que Davi ficaria satisfeito com a notícia. Pois o homicídio oculto costuma vir à luz. Quem pratica tais coisas vergonhosas deve esperar zombaria e repreensão, até da parte de quem lhe é inferior.

O mensageiro transmitiu seu relatório exatamente como lhe fora ordenado (2 Samuel 11:22-24). Ele conta que os sitiados saíram ao campo contra eles, o que fazia parecer que os defensores foram valentes e firmes, enquanto o lado de Joabe os pressionou e os repeliu até a porta da cidade. Em seguida, conclui com uma breve referência aos homens abatidos pelas flechas disparadas do muro. Entre os mortos, menciona alguns dos servos do rei e, em especial, Urias, o heteu, um oficial de certa importância, que aparece à frente na lista dos mortos.

Davi recebe a notícia com secreta satisfação (2 Samuel 11:25). Não quer que Joabe se sinta incomodado, porque ele próprio não se incomoda. Não critica o juízo de Joabe, nem considera errado terem chegado tão perto do muro. Agora que Urias estava fora do caminho, Davi trata o resto como assunto encerrado. Minimiza a perda com uma desculpa: a espada devora tanto a este como àquele; é apenas o acaso da guerra.

Em seguida, manda dizer a Joabe que, da próxima vez, ataque a cidade com mais força, embora o pecado de Davi estivesse, na verdade, enfraquecendo a causa e atraindo o desagrado de Deus. Pouco tempo depois, ele se casa com a viúva. Ela guardou o tempo de luto apenas pelo período que o costume exigia (2 Samuel 11:26), e então Davi a trouxe para sua casa como esposa. Ela lhe deu um filho. A vingança que Urias poderia ter buscado foi impedida por sua morte, mas o nascimento do filho tão pouco tempo depois do casamento expôs o crime. O pecado traz consigo um modo próprio de lançar o pecador na vergonha.

Mas isso não foi a pior parte. O que Davi tinha feito foi mau aos olhos do Senhor. Tudo o caso de Urias, como é chamado em (1 Reis 15:5), incluindo adultério, mentira, assassinato e esse casamento final, foi inteiramente ofensivo a Deus. Davi pode ter agradado a si mesmo, mas desagradou a Deus. Deus vê e odeia o pecado em seu próprio povo. Na verdade, quanto mais perto as pessoas estão de Deus em sua profissão exterior, mais os seus pecados o ofendem, porque neles há mais ingratidão, traição e desonra do que nos outros.

Que ninguém desculpe o pecado apontando para o exemplo de Davi. Os que pecam como ele pecou também ficarão debaixo do desagrado de Deus, como ele ficou. Portanto, vivamos em santo temor e não pequemos, e especialmente não sigamos o padrão da sua transgressão.

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