1 Crônicas 3 - Significado, temas e aplicacao

Entenda os temas principais e aplique 1 Crônicas 3 na sua vida hoje

18 versiculos | Almeida Corrigida Fiel

Sobre o que e 1 Crônicas 3?

1 Crônicas 6 apresenta em detalhes a linhagem da tribo de Levi, destacando as famílias de Gérson, Coate e Merari, a linha sacerdotal de Arão e a sucessão de sumos sacerdotes até o exílio babilônico. O capítulo também registra os levitas músicos instituídos por Davi para o serviço do cântico, bem como a distribuição das cidades e seus arrabaldes dadas aos levitas em várias tribos de Israel, incluindo cidades de refúgio. O foco é mostrar a continuidade do sacerdócio, da adoração e do cuidado de Deus em prover lugar e sustento para aqueles que servem no santuário.

Temas principais em 1 Crônicas 3

Continuidade do sacerdócio levítico (versiculos 1–15, 49–53)

A genealogia de Arão e seus descendentes mostra uma linha contínua de sacerdotes que serviram diante do Senhor, desde Moisés e Arão até o tempo do templo de Salomão e o exílio. Essa continuidade reforça a seriedade da função sacerdotal e a fidelidade de Deus em preservar essa linhagem.

Versiculos-chave: 3, 10, 15, 49

Organização do serviço de louvor (versiculos 31–48)

Davi estabelece levitas para o ofício do canto, com genealogias que apontam Hemã, Asafe e Etã como líderes de coros levíticos. O louvor é apresentado como um ministério estruturado, ligado ao tabernáculo e depois ao templo, e não como algo improvisado ou secundário.

Versiculos-chave: 31, 32, 33, 39

Provisão de Deus para os que servem (versiculos 54–81)

As muitas cidades dadas aos levitas, incluindo cidades de refúgio, revelam que Deus providencia moradia, sustento e espaço de atuação para aqueles que se dedicam ao serviço espiritual de Israel. A distribuição por sorte mostra que essa provisão é ordenada pelo próprio Deus.

Versiculos-chave: 54, 57, 64, 65

Memória histórica e identidade do povo (versiculos 1–81)

A longa lista de nomes e locais não é mera formalidade, mas preserva a memória de famílias, funções e lugares. Isso fortalece a identidade de Israel como povo sacerdotal e ajuda a conectar o período pós-exílico com as promessas e estruturas estabelecidas desde Moisés e Davi.

Versiculos-chave: 10, 15, 31, 64

Santidade, expiação e presença de Deus (versiculos 49–53)

A função específica de Arão e seus filhos no altar do holocausto, no altar do incenso e no lugar santíssimo coloca a expiação e a santidade no centro da vida de Israel. O acesso à presença de Deus é mediado por sacerdotes separados e por um sistema sacrificial cuidadosamente ordenado.

Versiculos-chave: 49

Contexto historico e literario

1 Crônicas 6 faz parte de uma obra escrita provavelmente no período pós-exílico, após o retorno de Judá da Babilônia. O autor, tradicionalmente chamado de Cronista, dirige-se a uma comunidade que está reconstruindo sua vida religiosa em torno do templo em Jerusalém. Por isso, ele enfatiza a tribo de Levi, os sacerdotes e os levitas, pois eram essenciais para o culto, os sacrifícios, o ensino da lei e o louvor comunitário.

O capítulo reconstitui as linhagens levíticas a partir de Levi, passando por Gérson, Coate e Merari. A linha de Coate inclui Arão, Moisés e Miriã, com destaque especial para Arão, de quem descende a família sacerdotal. A lista de sumos sacerdotes chega até Jeozadaque, levado cativo por Nabucodonosor, mostrando a continuidade do sacerdócio até o exílio.

Davi aparece como figura central na organização do culto: é ele quem estabelece os levitas para o ofício do canto, ligando o serviço musical ao tabernáculo e, depois, ao templo de Salomão. A menção às cidades de refúgio e à distribuição de cidades aos levitas remete às instruções dadas em Josué e mostra como essas ordens foram implementadas na história de Israel. Ao registrar tudo isso, o Cronista orienta o povo pós-exílico a se ver em continuidade com a antiga congregação de Israel, reafirmando a importância do templo, do sacerdócio e dos levitas em seu presente.

Estrutura de 1 Crônicas 3

O capítulo pode ser organizado em quatro grandes blocos literários:

1) Genealogia levítica geral e linha sacerdotal (vv. 1–15) - Início com os três filhos de Levi: Gérson, Coate e Merari (v.1). - Desdobramento da família de Coate, culminando em Arão, Moisés e Miriã (vv. 2–3). - Lista da descendência de Arão pela linha de Eleazar até Jeozadaque, no exílio (vv. 4–15). Esse bloco funciona como uma coluna mestra, mostrando a legitimidade e continuidade da linha sacerdotal.

2) Famílias levíticas e genealogia dos músicos (vv. 16–30, 31–48) - Repetição dos três ramos levíticos e detalhamento das famílias de Gérson, Coate e Merari (vv. 16–30). - Transição para o ministério de louvor instituído por Davi (vv. 31–32). - Genealogias específicas de Hemã (coatita), Asafe (gersonita) e Etã (merarita), líderes do canto (vv. 33–47). - Encerramento com a menção dos levitas em geral, responsáveis por todo o ministério do tabernáculo (v.48) e breve retomada da linha de Arão (vv. 49–53). Essa seção intercala listas de nomes com pequenas notas narrativas que contextualizam a função de cada grupo.

3) Distribuição das cidades aos sacerdotes filhos de Arão (vv. 54–60) - Introdução às habitações dos coatitas descendentes de Arão (v.54). - Descrição das cidades dadas na tribo de Judá, incluindo Hebrom, cidade de refúgio, e outras (vv. 55–59). - Cidades dadas da tribo de Benjamim, somando treze cidades no total (v.60). O estilo é geográfico e administrativo, indicando termos, arrabaldes e contagem de cidades.

4) Distribuição das cidades aos demais levitas (vv. 61–81) - Sorte das demais famílias coatitas (v.61). - Cidades concedidas a Gérson, em diversas tribos do norte e leste (vv. 62–76). - Cidades dadas a Merari, em Zebulom, Rubem e Gade, inclusive do outro lado do Jordão (vv. 63, 77–81). Essa seção organiza a informação por tribo e subtribo, mantendo o padrão de mencionar cidade e seus arrabaldes.

O capítulo combina listas genealógicas, notas históricas curtas e registros de distribuição territorial, compondo um quadro coeso do papel e da estrutura da tribo de Levi em Israel.

Significado teologico

Teologicamente, 1 Crônicas 6 destaca a centralidade do sacerdócio e da mediação na relação entre Deus e seu povo. A linhagem de Arão, cuidadosamente preservada, mostra que o acesso ao lugar santíssimo, à expiação e aos sacrifícios não era assunto aberto, mas regulado e confiado a uma família específica, de acordo com a ordem divina. A santidade de Deus exige ordem, vocação e responsabilidade.

O capítulo também realça o papel do louvor como ministério estabelecido por Deus. Davi não inventa o louvor, mas organiza o que está em consonância com o propósito divino: levitas especialmente separados para cantar diante do Senhor, dia após dia, junto ao tabernáculo e depois ao templo. Louvar, nesse contexto, é serviço sacerdotal, não apenas expressão subjetiva.

A distribuição das cidades e cidades de refúgio aos levitas revela dois aspectos importantes: primeiro, Deus cuida materialmente daqueles que se dedicam ao serviço espiritual; segundo, o ministério levítico está espalhado em todo o território de Israel, indicando que a instrução, o culto e a justiça (especialmente nas cidades de refúgio) deveriam alcançar todas as tribos. Assim, os levitas funcionam como uma espécie de “rede espiritual” no meio do povo.

Ao mencionar o exílio (v.15), o texto lembra que, apesar da fidelidade de Deus em preservar a linhagem sacerdotal, o pecado coletivo de Israel teve consequências históricas severas. Ainda assim, o fato de o Cronista recuperar essas genealogias após o exílio mostra que Deus não abandonou seu projeto de ter um povo santo, com culto ordenado e liderança espiritual legítima. A fidelidade de Deus se manifesta tanto na preservação da linhagem sacerdotal quanto na restauração do culto após o juízo.

Aplicacao restauradora e de saude mental

Lido com atenção, 1 Crônicas 6 oferece um tipo de consolo diferente: a segurança de que Deus trabalha por linhas longas, por gerações, em meio a mudanças, crises e até exílio. Nomes repetidos, famílias inteiras, cidades específicas: tudo isso comunica que a história diante de Deus não é anônima nem caótica.

Para quem se sente deslocado, sem lugar ou sem pertencimento, o capítulo mostra um povo organizado em torno de chamados, funções e moradias designadas. O serviço no templo, o louvor, a expiação e as cidades de refúgio apontam para um Deus que combina santidade com cuidado concreto: Ele não apenas exige culto, mas provê pessoas, estrutura e espaço para que esse culto aconteça.

Há também um aspecto de validação da rotina e do serviço silencioso. Muitos nomes aparecem apenas aqui; quase nada se sabe deles além de sua posição na genealogia. Ainda assim, foram lembrados e registrados. Isso ressoa com sentimentos de invisibilidade e cansaço: a espiritualidade bíblica contempla pessoas que servem em bastidores, que sustentam a fé comunitária sem plataforma ou destaque. A lembrança dos levitas espalhados por diversas tribos reforça a ideia de que o cuidado de Deus chega a lugares esquecidos.

Do ponto de vista emocional, o lembrete do exílio em meio a uma longa lista de fidelidade sacerdotal ajuda a lidar com frustrações históricas: mesmo quando a coletividade falha e colhe consequências duras, Deus não apaga aquilo que plantou ao longo do tempo. Sua obra é paciente, persistente e passa por fases de aparente silêncio, sem deixar de ser fiel.

warning Importante: maus usos comuns

Este capítulo é predominantemente descritivo, mas alguns aspectos podem ser mal interpretados por pessoas emocionalmente fragilizadas ou com histórico de culpa religiosa intensa:

1) Perfeccionismo espiritual: a ênfase na linhagem sacerdotal e nas funções específicas pode ser distorcida como uma exigência de perfeição ou de pedigree espiritual para ser aceito por Deus, o que não corresponde ao ensino geral da Escritura.

2) Sentimento de inferioridade: a centralidade dos sacerdotes e levitas pode ser lida como se apenas alguns tipos de serviço fossem espiritualmente relevantes, alimentando a ideia de que trabalhos simples ou seculares são de “segunda classe”.

3) Carga de culpa pelo passado familiar: pessoas que carregam histórias familiares difíceis podem sentir que, por não terem uma “boa linhagem” ou tradição religiosa, estão em desvantagem diante de Deus.

4) Rigidez religiosa: a forte ênfase em ordem, funções e distribuição territorial, sem a leitura do conjunto da Bíblia, pode ser usada para sustentar legalismo, controle excessivo ou estruturas religiosas opressoras.

Em contextos terapêuticos, é importante ressaltar que, na revelação bíblica completa, Deus chama e acolhe pessoas independentemente de sua origem, e que Cristo cumpre e transcende o sistema levítico, abrindo acesso direto a Deus.

Aplicacao pratica para hoje

1) Valorizar ministérios muitas vezes invisíveis: a longa lista de levitas e sacerdotes, muitos deles pouco conhecidos, encoraja comunidades cristãs a reconhecerem e honrarem aqueles que servem nos bastidores — na limpeza, organização, ensino das crianças, intercessão, administração e em tantas outras funções discretas.

2) Planejar o serviço a Deus com organização: Davi estabeleceu levitas para o canto de forma estruturada. Isso inspira igrejas e grupos a planejarem o louvor, o ensino e a diaconia com seriedade, responsabilidade e continuidade, em vez de depender apenas de improviso.

3) Cuidar dos que cuidam: as cidades dadas aos levitas ilustram que o povo era chamado a sustentar materialmente quem se dedicava ao serviço espiritual. Na prática, isso se traduz em investimento justo em obreiros, pastores, missionários e servidores da comunidade, evitando tanto o abuso quanto o abandono.

4) Reconhecer a importância do pertencimento: os levitas tinham lugar definido para morar e servir. A vida cristã saudável busca inserir as pessoas em comunidades concretas, com vínculos, responsabilidades e apoio, em vez de uma espiritualidade solitária e descomprometida.

5) Manter memória e gratidão pela história da fé: assim como Israel preservou genealogias e listas de cidades, comunidades de fé podem cultivar memória das pessoas, ministérios e momentos em que Deus agiu, fortalecendo a identidade e a perseverança nas gerações seguintes.

Perguntas frequentes

Por que 1 Crônicas 6 dá tanto destaque à tribo de Levi?

A tribo de Levi era responsável pelo serviço religioso de Israel: sacerdotes (descendentes de Arão) e levitas (das demais famílias) cuidavam do tabernáculo, do templo, dos sacrifícios, da música, da guarda e do ensino da lei. Como o livro de Crônicas foca no templo e no culto, faz sentido que dedique um capítulo inteiro para organizar e legitimar a linhagem levítica e mostrar como Deus os distribuiu entre as tribos.

Quem são Hemã, Asafe e Etã mencionados neste capítulo?

Hemã, Asafe e Etã são apresentados como líderes levíticos do ministério de música, estabelecidos por Davi para o ofício do canto. Hemã tem origem coatita, Asafe está ligado à família de Gérson, e Etã à família de Merari. Suas genealogias mostram que o ministério de louvor estava firmemente inserido nas famílias levíticas, associando música e adoração à vocação sacerdotal do povo.

O que são as cidades de refúgio mencionadas em 1 Crônicas 6?

As cidades de refúgio eram localidades designadas por Deus, administradas por levitas, onde uma pessoa que tivesse matado alguém sem intenção podia se refugiar para receber julgamento justo e proteção contra vingança. Em 1 Crônicas 6, algumas dessas cidades aparecem entre as que foram dadas aos levitas, como Hebrom e Siquém, reforçando o papel dos levitas na mediação da justiça de Deus em Israel.

Por que o texto menciona Jeozadaque e o exílio babilônico?

Jeozadaque, citado no versículo 15, foi levado cativo quando Nabucodonosor deportou Judá e Jerusalém. A menção ao exílio dentro da genealogia sacerdotal mostra que, mesmo em meio ao juízo e à destruição do templo, a linhagem sacerdotal continuou existindo. Para a comunidade pós-exílica, isso era uma prova de que Deus não havia abandonado suas promessas nem cancelado o papel do sacerdócio na história de Israel.

Que relação há entre esse capítulo e o culto cristão hoje?

Embora o culto cristão não siga o sistema levítico de sacrifícios e sacerdotes, 1 Crônicas 6 aponta princípios importantes: Deus valoriza a ordem no culto, estabelece pessoas e dons específicos para servir à comunidade, cuida materialmente dos que se dedicam ao serviço espiritual e não despreza o louvor organizado. Ao mesmo tempo, o Novo Testamento mostra que Cristo é o Sumo Sacerdote definitivo e que toda a comunidade de fé é chamada a ser um “sacerdócio real”, servindo e adorando a Deus em todas as áreas da vida.

Perspectivas dos nossos guias espirituais

Heart
Coração

Este capítulo, cheio de nomes e cidades, pode parecer distante, mas guarda um traço muito humano: ninguém é anônimo diante de Deus. Cada nome aqui representava uma história, uma família, um cotidiano com alegrias e dores. Mesmo sem sabermos seus detalhes, Deus os quis lembrados na Sua Palavra. Ao passar por períodos de cansaço ou sensação de irrelevância, é fácil achar que a própria vida não faz diferença. Em 1 Crônicas 6, no entanto, até quem só aparece uma vez na Bíblia é registrado como parte do cuidado de Deus com o povo. O serviço de muitos levitas era silencioso, repetitivo, cheio de rotina; ainda assim, foi fundamental para sustentar o culto e a fé da comunidade. Outro traço consolador é a lembrança do exílio em meio à genealogia. A história do povo teve momentos de ruptura, dor coletiva, perda de casa e de referências espirituais. Mesmo assim, Deus não apagou o que já tinha construído; Ele preservou a linhagem, manteve viva a memória e, depois, trouxe restauração. Isso mostra que fases de desorganização e sofrimento não são o fim da história, mas parte de um caminho mais longo em que Deus continua conduzindo. Há, ainda, o cuidado concreto de Deus em dar moradia aos levitas, espalhando-os por todo o território. Não é só um cuidado “espiritual”; é lugar para viver, cuidar da família, servir perto das pessoas. Em tempos em que muitos se sentem deslocados, sem espaço ou sem pertencimento, esse capítulo testemunha que Deus se importa com onde se vive, com o entorno, com a comunidade. A fé bíblica alcança a casa, a cidade, o bairro. Para corações sobrecarregados, 1 Crônicas 6 sussurra que o trabalho que não aparece, a fidelidade diária e a história familiar marcada por altos e baixos podem ser acolhidos por Deus. Ele vê o que passa despercebido, sustenta gerações, cuida do lugar de existir e, mesmo quando tudo parece ruir, segue escrevendo uma história que não termina no exílio nem no cansaço.

Mind
Mente

Do ponto de vista exegético, 1 Crônicas 6 é um dos textos mais importantes para compreender a estrutura levítica no período monárquico e pós-exílico. O Cronista não está apenas repetindo listas: ele reordena e complementa informações de outras partes do Antigo Testamento para construir um quadro coerente do sacerdócio e do serviço levítico. A genealogia de Arão, ligada à linha de Eleazar, culminando em Zadoque (vv. 4–8, 50–53), é teologicamente carregada. Zadoque representa a legitimação da linhagem sacerdotal que permanecerá associada ao templo de Jerusalém, em contraste com outros sacerdotes ligados a santuários rivais. Ao mencionar Azarias que “exerceu o sacerdócio na casa que Salomão tinha edificado em Jerusalém” (v.10), o texto ancora a genealogia na história do templo, reforçando sua centralidade. A referência a Jeozadaque (v.15) conecta a história sacerdotal ao exílio babilônico, criando uma linha cronológica que vai de Moisés e Arão até a queda de Judá. Isso mostra que o Cronista trabalha com uma macrovisão histórica: a legitimidade do culto pós-exílico não é uma inovação, mas continuidade de algo que atravessou inclusive o juízo divino. A presença de Hemã, Asafe e Etã, com genealogias cuidadosamente montadas (vv. 33–47), indica que o ministério de música não era um acréscimo opcional, mas parte orgânica da estrutura levítica. Cada um deles é vinculado a uma das três grandes famílias de Levi, o que sugere uma distribuição intencional de funções musicais entre os clãs levíticos. Isso ajuda a interpretar os títulos de muitos salmos atribuídos a Asafe e aos filhos de Coré, por exemplo. Quanto à distribuição das cidades (vv. 54–81), o texto ecoa e ajusta dados de Josué 21. A combinação entre sorteio (“por sorte”) e obediência às instruções dadas anteriormente reafirma que a organização territorial dos levitas é fruto de direção divina, não apenas de decisões políticas. A menção repetida aos “arrabaldes” indica preocupação com áreas agrícolas e pastoris ao redor das cidades, apontando para a subsistência dos levitas. No quadro global de Crônicas, este capítulo sustenta alguns eixos teológicos do autor: a centralidade do templo, a legitimidade davídico-zadoquita, a importância dos levitas no ensino e no louvor, e a continuidade entre o Israel pré-exílico e a comunidade pós-exílica. Ele serve como base para entender, nos capítulos seguintes, como o culto no templo se organiza e por que certas famílias têm funções específicas.

Life
Vida

1 Crônicas 6 toca em algo muito prático: ninguém servia a Deus de forma solta, sem contexto. Cada família levítica tinha lugar, função e responsabilidade, e isso organizava a vida diária. Esse princípio ajuda a enxergar o serviço cristão de forma concreta. Primeiro, o texto mostra que o serviço a Deus envolve tanto o que acontece “no templo” quanto o que acontece nas cidades. Os filhos de Arão cuidavam do altar e da expiação (v.49), enquanto outros levitas assumiam tarefas variadas no tabernáculo e, depois, espalhados por diferentes tribos. Hoje, isso inspira a distribuir responsabilidades: há quem sirva no culto público, há quem sirva na gestão, na assistência, no ensino, na visitação. A vida diária com Deus se fortalece quando funções são claras e partilhadas. Segundo, as cidades dadas aos levitas lembram que quem se dedica ao serviço espiritual precisa de base concreta para viver: moradia, sustento, vínculos locais. Na prática, isso se traduz em comunidades que planejam como apoiar obreiros e voluntários, evitando tanto a exploração (“sirva e se vire”) quanto o descompromisso (“cada um por si”). Planejamento financeiro, transparência e cuidado mútuo fazem parte de uma espiritualidade saudável. Terceiro, o ministério de música organizado por Davi (vv. 31–32) sugere que o louvor comunitário merece preparo. Ensaiar, estudar letras, buscar excelência proporcional aos recursos disponíveis, zelar pela teologia das canções: tudo isso é expressão de responsabilidade, não de frieza. Louvor bem cuidado é serviço amoroso à igreja e a Deus. Por fim, o capítulo convida a pensar em pertencimento e continuidade. As famílias levíticas sabiam de onde vinham, onde serviam e por que faziam o que faziam. Hoje, isso se traduz em cultivar memória comunitária (quem começou certos ministérios, o que Deus já fez) e em ajudar as novas gerações a entenderem seu lugar na história da fé. Planos de sucessão, formação de novos líderes e inclusão de jovens e novos convertidos na vida da igreja são maneiras muito concretas de honrar essa visão de longo prazo que o capítulo apresenta.

Soul
Alma

No silêncio dos nomes e das listas, 1 Crônicas 6 revela uma espiritualidade profundamente ligada ao tempo e à eternidade. A linhagem de Levi, especialmente a de Arão, corre como um fio que atravessa séculos, templos, reis e até o exílio. A vida espiritual não se reduz a um momento intenso, mas a uma história longa em que Deus chama, sustenta, disciplina e restaura. A repetição das gerações de sacerdotes lembra que a aproximação de Deus, no Antigo Testamento, era mediada. Alguém precisava entrar no lugar santíssimo, alguém precisava oferecer sacrifícios, alguém precisava cantar diante do Senhor. Esses “alguéns” não surgiam do nada; vinham de uma história, de um chamado que passava de pai para filho. Isso aponta para a seriedade da presença de Deus: não se trata de uma experiência manipulável, mas de um encontro que pede preparo, vocação e temor. Ao mesmo tempo, a menção do exílio no meio da genealogia sacerdotal (v.15) relativiza qualquer leitura triunfalista. Nem mesmo a existência de uma linhagem consagrada impediu o juízo quando o povo se afastou de Deus. A vida espiritual autêntica não se apoia em tradições apenas; precisa de coração voltado ao Senhor. Porém, o fato de o Cronista retomar essas listas após o exílio mostra que Deus não rompeu sua aliança: Ele julga, mas também preserva e reconduz. As cidades de refúgio entregues aos levitas inserem na geografia de Israel um símbolo espiritual forte: há lugar para quem precisa de proteção e justiça misericordiosa. Ao redor dessas cidades, a presença levítica fazia lembrar que Deus é santo, mas também abriga o vulnerável. Em leitura cristã mais ampla, essa dinâmica prepara o olhar para Cristo como o Sumo Sacerdote que une, em si, sacrifício, intercessão e acolhimento. Espiritualmente, o capítulo convida a uma visão de vocação que ultrapassa o indivíduo. Cada nome participa de algo maior, um povo chamado a ser sinal da presença de Deus entre as nações. A pergunta subjacente não é tanto “qual o meu lugar isolado?”, mas “como minha vida se integra à longa história do que Deus está fazendo?”. A perspectiva eterna emerge justamente nessa integração: vidas breves, serviços discretos, cidades específicas — tudo isso se torna parte de uma trama maior, em que Deus conduz sua criação rumo à reconciliação plena consigo mesmo.

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Versiculos em 1 Crônicas 3

1 Crônicas 3:2

" Para que vos lembreis das palavras que primeiramente foram ditas pelos santos profetas, e do nosso mandamento, como apòstolos do Senhor e Salvador. "

1 Crônicas 3:3

" Sabendo primeiro isto, que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências, "

1 Crônicas 3:4

" E dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação. "

1 Crônicas 3:5

" Eles voluntariamente ignoram isto, que pela palavra de Deus já desde a antiguidade existiram os céus, e a terra, que foi tirada da água e no meio da água subsiste. "

1 Crônicas 3:7

" Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios. "

1 Crônicas 3:9

" O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se. "

2 Pedro 3:9 mostra que Deus não esqueceu o que prometeu; Ele espera com paciência, dando tempo para mudança de vida. Quando alguém enfrenta injustiças, …

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1 Crônicas 3:10

" Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão. "

1 Crônicas 3:12

" Aguardando, e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão? "

1 Crônicas 3:13

" Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça. "

2 Pedro 3:13 mostra que Deus promete um futuro totalmente renovado, onde a justiça domina e o mal não tem espaço. Essa esperança ajuda pessoas …

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1 Crônicas 3:15

" E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; "

1 Crônicas 3:16

" Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição. "

1 Crônicas 3:17

" Vós, portanto, amados, sabendo isto de antemão, guardai-vos de que, pelo engano dos homens abomináveis, sejais juntamente arrebatados, e descaiais da vossa firmeza; "

1 Crônicas 3:18

" Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém. "

2 Pedro 3:18 ensina que a vida cristã é um crescimento contínuo em relacionamento e aprendizado sobre Jesus. Isso envolve conhecer mais sua Palavra e …

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