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1 Samuel 18:12 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E temia Saul a Davi, porque o Senhor era com ele e se tinha retirado de Saul. "

1 Samuel 18:12

menu_book Versículo no contexto

10 E aconteceu no outro dia, que o mau espírito da parte de Deus se apoderou de Saul, e profetizava no meio da casa; e Davi tocava a harpa com a sua mão, como nos outros dias; Saul, porém, tinha na mão uma lança.

11 E Saul atirou com a lança, dizendo: Encravarei a Davi na parede. Porém Davi se desviou dele por duas vezes.

12 E temia Saul a Davi, porque o Senhor era com ele e se tinha retirado de Saul.

13 Por isso Saul o desviou de si, e o pôs por capitão de mil; e saía e entrava diante do povo.

14 E Davi se conduzia com prudência em todos os seus caminhos, e o Senhor era com ele.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Saul, na prática, tinha declarado guerra contra Davi. Primeiro, demonstrou ódio aberto ao atirar a lança contra ele. Agora o escritor mostra como esse ódio cresceu e como Davi reagiu aos ataques de Saul.

Em primeiro lugar, repare como Saul manifestou sua maldade contra Davi. Ele tinha medo de Davi (1 Samuel 18:12). Saul talvez fingisse temer que Davi tentasse tomar o trono à força. Pessoas que planejam o mal contra os outros muitas vezes querem fazer parecer que o perigo vem dos outros. Mas o fato de Davi se afastar (1 Samuel 18:11) mostrava claramente que ele não tinha esse tipo de intenção.

Mesmo assim, o medo de Saul era real, de modo parecido com o medo que Herodes tinha de João Batista (Marcos 6:20). Saul sabia que havia perdido o favor de Deus, enquanto Davi ainda contava com a presença do Senhor, e isso fazia Davi sobressair. As pessoas que realmente têm Deus com elas são as verdadeiramente grandes e dignas de respeito. Quanto mais sabiamente Davi se portava, mais Saul o temia (1 Samuel 18:15; 1 Samuel 18:29).

Muitos pensam que o medo nasce de ameaças e dureza. Isso pode assustar os insensatos, mas as pessoas sábias e boas acabam desprezando esse tipo de atitude. O melhor caminho para conquistar respeito e afeição é agir com sabedoria. A sabedoria confere honra à pessoa e faz com que os outros reparem nela.

Em segundo lugar, Saul tirou Davi da corte e lhe deu um comando militar fora dela (1 Samuel 18:13). Nomeou-o chefe de mil homens, para que Davi ficasse longe de sua vista, pois Saul odiava vê-lo. Também esperava que, assim, Davi não ganhasse o coração das pessoas que viviam na corte. Mas Saul lidou mal com a situação, porque isso deu a Davi oportunidade de conquistar o amor do povo, e o povo de fato o amava (1 Samuel 18:16). Davi passou a conduzir seus negócios, tanto civis quanto militares, e agradou a todos.

Em terceiro lugar, Saul empurrou Davi para combates perigosos contra os filisteus (1 Samuel 18:17). Ele falava como se quisesse honrar Davi e ajudá-lo a servir ao seu rei. Também dizia que isso seria em favor de Deus, pois Davi lutaria nas batalhas do Senhor. Saul ainda ligou essa proposta à promessa de casamento com sua filha mais velha, recompensa que Davi já tinha merecido ao matar Golias, o gigante filisteu (1 Samuel 17:25). Davi foi modesto e não exigiu o prêmio. Agora Saul usava essa promessa como isca, esperando que Davi morresse na batalha. Mas como Saul podia esperar isso, se via tão claramente que Deus era com Davi?

Em quarto lugar, Saul tentou provocar a ira de Davi quebrando a promessa e dando a filha a outro homem, quando ela deveria ter sido dada a Davi (1 Samuel 18:19). Isso foi uma afronta profunda, atingindo tanto a honra quanto o afeto de Davi. Saul pensou que Davi poderia reagir mal, em palavras ou atitudes, o que lhe daria pretexto para agir contra ele por meios legais. É assim que os ímpios procuram ocasião de conflito.

Em quinto lugar, quando o primeiro plano falhou, Saul ofereceu a Davi sua outra filha, Mical, que parece já amar Davi em segredo (1 Samuel 18:20), mas sua intenção era prendê-lo por meio do próprio casamento (1 Samuel 18:21). Talvez Saul esperasse que Mical permanecesse leal ao pai e o ajudasse a prejudicar Davi. Mais provavelmente, ele esperava que as condições do casamento levassem Davi à morte. Saul exigiu que Davi matasse cem filisteus e trouxesse prova disso, trazendo os seus prepúcios. Isso tinha o objetivo de humilhar os filisteus, que rejeitavam a circuncisão, sinal da aliança de Deus. Saul também esperava que Davi despertasse ainda mais a ira dos filisteus e os fizesse buscar vingança, que era o que ele realmente queria. Seu desejo era que Davi caísse às mãos dos filisteus (1 Samuel 18:25).

Aqui vemos as mentiras que os ímpios contam a si mesmos. A consciência de Saul não o deixava assumir abertamente o objetivo de tirar a vida de Davi, exceto quando o espírito maligno vinha sobre ele. Mesmo Saul não podia ignorar quão inocente e admirável Davi era. Por isso, dizia a si mesmo que expor Davi aos filisteus era diferente de matá-lo com as próprias mãos. Mas, diante de Deus, esse plano cheio de ódio era tão homicida quanto se o próprio Saul tivesse desferido o golpe.

Também vemos como os ímpios enganam os outros. Saul falava como se tivesse grande afeição por Davi, mesmo enquanto tramava a sua ruína. “Tu hoje me serás por genro”, dizia (1 Samuel 18:21), embora odiasse Davi amargamente. Davi provavelmente tinha isso em mente quando escreveu sobre um inimigo cujas palavras eram mais suaves do que manteiga, mas no coração havia guerra (Salmo 55:21). Saul então enviou seus servos para persuadir Davi a aceitar o casamento com Mical (1 Samuel 18:22), provavelmente porque temia que ele recusasse, depois do engano com a filha mais velha (1 Samuel 18:19), ou porque as novas condições eram duras demais.

Agora observemos o comportamento de Davi quando a ira de Saul se exaltou tanto. Ele agiu com sabedoria em todos os seus caminhos. Entendendo o ciúme de Saul, foi cuidadoso em tudo o que dizia e fazia. Não se queixou do tratamento injusto e não formou um grupo em torno de si para disputar poder. Em vez disso, cumpriu fielmente os seus deveres, como alguém que queria servir bem ao seu rei e ao seu povo. Viu sua elevação como oportunidade para servir, não como chance de buscar poder. O Senhor estava com ele e lhe dava êxito em tudo.

Davi pode ter atraído o desgosto de Saul, mas ganhou o favor de Deus. Podemos comparar isso com a promessa que o próprio Davi fez (Salmo 101:2), de andar com sabedoria. Ele cumpriu essa promessa aqui. A oração nesse mesmo salmo era para que Deus viesse a ele, e essa oração foi atendida: o Senhor estava com ele. Às vezes, o sucesso deste mundo parece favorecer os insensatos, mas é sobre os que andam com sabedoria que Deus derrama sua bênção.

Quando a oferta de casamento do rei foi feita, Davi a recebeu com grande modéstia e humildade, e isso mais de uma vez.

Quando Saul ofereceu pela primeira vez a filha mais velha (1 Samuel 18:18), Davi respondeu: “Quem sou eu, e qual é a minha vida?”. Depois, quando o oficial lhe falou da filha mais nova, ele não reagiu à desfeita de Saul ao ter dado a outra a um estranho. Conservou o mesmo espírito humilde e disse: “Parece-vos coisa de pouca monta ser genro do rei, sendo eu homem pobre e desprezível?” (1 Samuel 18:23).

Davi sabia que Mical o amava, mas não procurou usar o afeto dela para obtê-la sem o consentimento de Saul. Esperou que a oferta lhe fosse feita. Com isso, vemos o quanto ele valorizava a honra que lhe era oferecida e quão humildemente pensava de si. Embora Saul fosse um rei recente e, em sua origem, não fosse melhor do que Davi, ainda assim Davi falava do rei e de sua casa com devido respeito. A verdadeira religião não torna as pessoas rudes ou sem cortesia. Ela nos ensina a dar honra a quem a honra é devida.

As palavras de Davi, “Quem sou eu?”, não brotaram de um espírito fraco ou covarde. Quando necessário, ele demonstrou ter tão forte senso de honra quanto qualquer homem. Também não falou assim por suspeitar de Saul, embora tivesse motivos para temer algum perigo oculto. Suas palavras nasceram de genuína humildade. Davi tinha muitos motivos para se valorizar. Era de família respeitada em Judá, de boa aparência, sábio no governo, habilidoso na guerra e já tinha feito grandes feitos. Havia derrotado Golias e ganhado o coração de Mical. Sabia também que Deus o havia escolhido para governar Israel e, ainda assim, dizia: “Quem sou eu, e qual é a minha vida?”. É apropriado pensarmos humildemente de nós mesmos, por mais que Deus nos engrandeça. Quem se humilha será exaltado. E se Davi tanto valorizou a honra de ser genro de um rei terreno, quanto mais devemos valorizar a honra de sermos filhos, não por lei, mas pelo evangelho, do Rei dos reis! “Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai” (1 João 3:1). Quem somos nós, para recebermos tamanha dignidade?

Quando Saul colocou como condição para o casamento a morte de cem filisteus, Davi aceitou com alegria (1 Samuel 18:26). Antes mesmo de se cumprir o prazo, ele duplicou o número e matou duzentos (1 Samuel 18:27). Não agiu como se desconfiasse que Saul queria o seu mal, embora tivesse motivo de sobra para isso. Pelo contrário, portou-se como se Saul realmente quisesse honrá-lo. Isso era condizente com um soldado valente e um verdadeiro apaixonado, embora possamos imaginar a aflição que isso trouxe para Mical.

Davi também mostrou grande confiança na proteção de Deus. Sabia que o Senhor estava com ele e, por isso, não temeu cair em combate contra os filisteus, ainda que essa tarefa o expusesse a perigo real. Revelou também um forte amor pelo seu povo, pois se dispôs a servi-lo mesmo com risco de vida. E tinha o conceito correto de honra, que se encontra mais em merecê-la do que em apenas recebê-la. Davi se alegrou em tornar-se genro do rei especialmente quando o preço foi elevado, porque se importava mais em ser digno da honra do que simplesmente obtê-la. Ele não podia desfrutar daquela posição sem antes tê-la conquistado.

Mesmo depois de casado, Davi continuou servindo bem a Israel. Quando os príncipes dos filisteus se reuniram outra vez para a guerra, Davi estava pronto para se colocar contra eles e agiu com mais prudência do que todos os outros servos de Saul (1 Samuel 18:30). A lei permitia que um homem ficasse em casa, isento da guerra, durante o primeiro ano após o casamento (Deuteronômio 24:5), mas Davi amava demais o seu povo para usar esse direito em benefício próprio. Muitas pessoas se mostram dispostas a servir em público enquanto estão buscando promoção, mas, depois que conseguem o que querem, se afastam. Davi era diferente. Ele servia movido por motivos mais nobres.

Também vemos como Deus transformou o próprio plano de Saul em benefício de Davi. Saul deu sua filha a Davi como armadilha, mas esse casamento o ajudou de uma forma importante. Como genro de Saul, mais tarde pareceria menos ameaçador que Davi o sucedesse, especialmente depois de tantos filhos de Saul terem morrido com ele (1 Samuel 31:2). Saul também esperava que missões perigosas eliminassem Davi, mas esses mesmos esforços fizeram com que o povo o respeitasse ainda mais. Quanto mais ele lutava contra os filisteus, mais o povo o amava, e seu nome se tornava muito estimado (1 Samuel 18:30). Isso tornaria sua ascensão ao trono mais fácil. Assim, Deus faz até a ira humana servir ao seu louvor e a utiliza para cumprir seus propósitos bondosos em favor do seu povo.

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