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Zacarias 9:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" O peso da palavra do SENHOR contra a terra de Hadraque, e Damasco, o seu repouso; porque o olhar do homem, e de todas as tribos de Israel, se volta para o SENHOR. "

Zacarias 9:1

menu_book Versículo no contexto

1 O peso da palavra do SENHOR contra a terra de Hadraque, e Damasco, o seu repouso; porque o olhar do homem, e de todas as tribos de Israel, se volta para o SENHOR.

2 E também Hamate que confina com ela, e Tiro e Sidom, ainda que sejam mais sábias.

3 E Tiro edificou para si fortalezas, e amontoou prata como o pó, e ouro fino como a lama das ruas.

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auto_stories Comentário Bible Guided

Depois das ricas promessas do capítulo anterior, Deus passa agora a tratar dos povos que odiaram e oprimiram o seu povo, especialmente das nações vizinhas de Israel. Os sírios tinham sido vizinhos duros e cruéis, por isso Deus anuncia juízo contra eles. A “palavra do SENHOR” é chamada de peso sobre a terra de Hadraque, isto é, a região da Síria, ainda que não saibamos exatamente por que esse nome é usado. Damasco, principal cidade da Síria, é apontada como o lugar de repouso desse peso, ou seja, ali o julgamento ameaçado iria se estabelecer.

É uma miséria verdadeira estar debaixo do peso da palavra de Deus em juízo, viver sob a sua ira (João 3:36). É um fardo que ninguém consegue sacudir nem suportar em segurança. Deus pode fazer sua fúria repousar sobre pessoas e, quando sua ira marca alguém, certamente o alcançará. Quando o povo de Deus volta os olhos para ele, em fé e oração, buscando socorro e confiando nele contra seus inimigos, muitas vezes isso é sinal de que ele está prestes a agir de maneira notável em favor deles.

O sentido também pode ser tomado assim: o SENHOR tem o seu olhar sobre o homem e sobre todas as tribos de Israel. Ele é Rei das nações, bem como Rei da sua igreja; governa, portanto, o mundo inteiro, e não apenas o seu povo. Isso significa que ele punirá os pecados das outras nações, assim como os pecados de Israel. Deus é Juiz de todos, e todos terão de prestar contas a ele. Quando Paulo foi convertido em Damasco, ali pregou e discutiu com os judeus, pode-se dizer que, então, a palavra do Senhor repousou sobre aquela cidade, e os olhos de muitos, além de Israel, começaram a se voltar para o SENHOR (Atos 9:22).

Hamate, uma região ao norte de Damasco, é associada a ela nesse juízo. Faz fronteira com a Síria e participa do peso da palavra do SENHOR que cai sobre Damasco. Os judeus têm um provérbio: “Ai do homem ímpio, e ai do seu vizinho”, porque o vizinho pode participar tanto dos pecados quanto do castigo. Assim acontece aqui: ai de Hadraque e ai de Hamate, que confina com ela.

Em seguida, Deus chama Tiro e Sidom a prestar contas, como em outras profecias. Tiro é apresentada como cidade florescente, muito segura de si, pronta a desprezar os juízos de Deus. Julga-se muito sábia, como se pudesse superar até mesmo a sabedoria de Deus. Seus governantes eram, de fato, políticos habilidosos (Ezequiel 28:3), mas nenhum de seus planos pôde escapar ao juízo de Deus quando este veio com sua autoridade. Nenhuma sabedoria ou conselho pode prevalecer contra o SENHOR; é honra dele enredar os sábios na própria astúcia que imaginam possuir.

Tiro também é descrita como muito forte, protegida tanto pela natureza como pela habilidade humana. Construíra para si uma fortaleza e imaginava que nunca poderia ser abatida ou conquistada. Era também muito rica, e o dinheiro costuma ser sentido como uma defesa. É chamado de força na guerra (Eclesiastes 7:12). Pelo comércio, Tiro havia acumulado prata como pó e ouro fino como lama das ruas, isto é, em grande abundância, tão comum quanto a areia (Jó 27:16). Seria bom que todos pensássemos assim acerca do dinheiro, quando comparado com a riqueza muito maior da sabedoria, da graça e do proveito que delas vem.

Contudo, Tiro cairá. Sua sabedoria, suas riquezas e sua força não a salvarão (Zacarias 9:4). O SENHOR a lançará fora da fortaleza em que confiava e a despojará de suas riquezas, conforme alguns entendem. Há muitos casos em que grandes riquezas descem à pobreza e fortunas imensas acabam em nada. Deus quebrará o seu poder no mar. Ainda que estivesse cercada de águas, isso não seria proteção. Ela será devorada pelo fogo e queimada até o chão. Tiro se assentava entre as águas; poder-se-ia esperar que fosse destruída por inundação, mas Deus escolhe o meio contrário. Muitas vezes ele traz ruína sobre seus inimigos por caminhos que eles menos esperam. Havia água de sobra ao redor para apagar as chamas, mas, ainda assim, ela será queimada, porque ninguém pode apagar o fogo que o sopro do Todo-Poderoso acendeu.

Deus volta-se então para os filisteus, com suas principais cidades e governantes, que viviam ao sul de Israel. Eles ficarão alarmados e apavorados quando a palavra do SENHOR cair sobre Damasco (Zacarias 9:5). Em tempos antigos, os desastres de Israel eram motivo de zombaria em Asquelom, e os filisteus se alegravam com isso. Mas agora Asquelom verá a ruína de seus aliados e terá medo. Gaza também verá e estará profundamente angustiada, e Ecrom entenderá que sua vez vem em seguida, como se o cálice de tremor fosse passando de mão em mão. Quando a casa do vizinho está pegando fogo, todos se perguntam o que será da sua própria. Eles haviam confiado em Tiro e Sidom como proteção de sua terra, mas, quando essas cidades fortes caírem, ficará evidente que essa confiança era inútil, como, no fim, se mostrarão inúteis todas as esperanças depositadas em coisas criadas.

Eles também serão arruinados e esvaziados. O governo será derrubado, pois o rei perecerá de Gaza, o que indica não apenas a morte do governante atual, mas o fim de qualquer sucessão estável. As cidades ficarão sem habitantes, porque Asquelom não será habitada; seus legítimos moradores serão expulsos, mortos ou levados cativos. Estrangeiros tomarão posse da terra e de suas riquezas (Zacarias 9:6). Um bastardo habitará em Asdode, isto é, um povo estrangeiro e ilegítimo tomará posse da herança que pertencia aos antigos moradores, não tendo mais direito a ela do que um filho nascido fora da família teria a uma herança legítima. Assim Deus cortará o orgulho dos filisteus, tudo em que confiavam: tanto sua força como sua riqueza, que alimentavam sua autoconfiança e seu desprezo pelo povo de Deus.

Essa profecia sobre a destruição dos filisteus, de Damasco e de Tiro cumpriu-se pouco tempo depois por meio de Alexandre, o Grande, que invadiu aquelas regiões com seu exército vitorioso, tomou as cidades e estabeleceu colônias ali.

Alguns entendem que isso se refere à pessoa ilegítima que habitaria em Asdode, pois a mãe de Alexandre, Olímpia, teria confessado que engravidara em adultério, ainda que atribuísse a Júpiter a paternidade. Mais tarde, os judeus passaram a prevalecer sobre os filisteus, os sírios e outros povos vizinhos, tomaram algumas de suas cidades e possuíram suas terras. Isso aparece nas histórias de Josefo e dos Macabeus, e já tinha sido anunciado antes (Sofonias 2:4 em diante; Obadias 1:20).

Alguns também entendem Zacarias 9:7 como uma promessa de que alguns dentre essas nações seriam convertidos e trazidos de volta para Deus por meio de seu evangelho e de sua graça. Isso significaria, em primeiro lugar, que Deus tiraria os seus pecados: o sangue e as abominações, sua crueldade e seus ídolos. Ele os separaria desses pecados aos quais se apegavam com tanta força e relutavam em deixar, como alguém que não quer largar o alimento que mantém na boca. Nada é difícil demais para a graça de Deus.

Significaria também que ele aceitaria um remanescente deles como seu: “o que restar será para o nosso Deus”. Deus preservaria alguns até mesmo dentre essas nações como sinais de sua misericórdia e graça, separados para si. A sua origem não os impediria de serem aceitos; um filisteu, em termos do evangelho, seria tão aceitável a Deus quanto alguém de Judá. E mais: seria como um governador em Judá. Um homem de Ecrom seria como um jebuseu, isto é, como um jebuseu convertido, tal como Araúna, o jebuseu (2 Samuel 24:16). Em Cristo Jesus não há diferença entre as nações; todos são um nele e igualmente bem-vindos.

Tudo isso também revela misericórdia para com Israel. Deus trataria com bondade as nações vizinhas, em benefício de Israel, para vingar os agravos passados e proteger seu povo no futuro. Alguns entendem o versículo 7 dessa forma: Deus arrancaria seu povo das mãos de inimigos violentos que os odiavam e os tratavam como coisa vil, justamente quando estavam para engoli-los e tê-los como presa. “Eu tirarei o seu sangue”, isto é, o sangue de Israel, “da sua boca”, como em Amós 3:12, quando os inimigos os devoravam com ódio, com avidez sanguinária.

Isso também quer dizer que Deus daria ao seu povo vitória e domínio sobre esses inimigos. “O que restar”, isto é, o remanescente de Israel, “será para o nosso Deus”. Eles seriam trazidos de volta ao favor de Deus, reconhecê-lo-iam e seriam reconhecidos por ele. Ele seria entre eles como um governador em Judá. Embora os judeus tivessem estado muito tempo em cativeiro, recuperariam a antiga honra e obteriam vitórias, como Davi e os demais governantes de Judá. Ecrom, representando os filisteus, seria como os jebuseus e demais nações que, em outros tempos, foram submetidas ao poder de Israel.

Ainda assim, o sentido simples de Zacarias 9:8 é que Deus tomará o seu povo sob uma proteção especial e, por isso, enfraquecerá os seus vizinhos, para que não possam lhes fazer mal. “Acampar-me-ei ao redor da minha casa por causa do exército.” A casa de Deus está no meio de território inimigo, e a sua igreja é como um lírio entre espinhos. Por isso o poder e a bondade de Deus aparecem com tanta clareza ao preservá-la em segurança. O arraial dos santos é apenas um pequeno rebanho, se comparado às muitas hostes das trevas ao seu redor, e certamente seria destruído se os anjos de Deus não acampassem ao seu redor, como acamparam ao redor de Eliseu para o proteger (Apocalipse 20:9; Salmo 34:7).

Quando os tempos são especialmente perigosos, quando exércitos vão e vêm e tudo parece se mover contra Sião, a providência de Deus parece redobrar a guarda ao redor da sua igreja. Ele faz isso por causa do que passa e do que volta, para que, quer retorne como conquistador, quer volte abatido, não cause dano algum. E, assim como nenhum que passa os ferirá, também nenhum opressor passará mais por entre eles. Já não terão um inimigo dominando-os com dureza, tornando a vida amarga com dura servidão, como no antigo Egito. Isso se cumpriu por um tempo depois das lutas dos macabeus, quando a Judeia tornou-se um estado livre e próspero. Pode-se ver algo disso também quando Alexandre, o Grande, movido por reverência ao sumo sacerdote Jadua, favoreceu os judeus e os protegeu, mesmo enquanto devastava as terras vizinhas.

A razão dada é esta: “Porque agora vi com os meus olhos.” Isto é, Deus fez com cuidado a distinção entre o seu povo e os demais, com os quais antes pareciam compartilhar a mesma sorte exterior. Ele tornou evidente que sabe quem lhe pertence. Isso corresponde ao que está em (Salmo 34:15): “Os olhos do SENHOR estão sobre os justos.” Agora, seus olhos, que passam por toda a terra, repousarão sobre eles de maneira especial, para lhes mostrar ternura e lhes dar forte apoio (2 Crônicas 16:9).

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