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Zacarias 6:1 - Significado e aplicação

Entenda como este versículo fala com o que você está vivendo e como aplicá-lo hoje

Tradução: Almeida Corrigida Fiel

" E outra vez levantei os meus olhos, e vi, e eis que quatro carros saiam dentre dois montes, e estes montes eram montes de bronze. "

Zacarias 6:1

menu_book Versículo no contexto

1 E outra vez levantei os meus olhos, e vi, e eis que quatro carros saiam dentre dois montes, e estes montes eram montes de bronze.

2 No primeiro carro eram cavalos vermelhos, e no segundo carro, cavalos pretos,

3 E no terceiro carro, cavalos brancos, e no quarto carro, cavalos malhados, todos eram fortes.

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auto_stories Comentário Bible Guided

O profeta recebeu depressa essa visão. Como se a estivesse aguardando, ele se voltou, levantou os olhos e olhou. Embora essa fosse a sétima visão que ele via, não achava que já tinha visto o suficiente, porque quanto mais conhecemos verdadeiramente a Deus e à sua vontade, mais deveríamos desejar conhecê‑lo melhor.

Aqui ele viu quatro carros com cavalos de cores diferentes, e depois o sentido da visão é explicado em Zacarias 6:1-5. Ele não precisou olhar por muito tempo para ver algo digno de nota, algo que haveria de encorajá‑lo muito, a ele e a seus amigos, naquele tempo de trevas. Ainda hoje não temos certeza completa sobre o significado da visão. Alguns entendem que os quatro carros representam quatro impérios mundiais, e leem Zacarias 6:5 como “os quatro ventos do céu”, conectando com (Daniel 7:2), onde Daniel viu os quatro ventos do céu agitarem o grande mar, figura dos quatro impérios.

Nessa leitura, o império babilônico é representado pelos cavalos vermelhos, que depois não são mais mencionados porque esse império já havia terminado. O segundo carro, com cavalos pretos, representaria o império persa, que marchou ao norte contra Babilônia e apaziguou a ira de Deus na terra do norte, ao julgar Babilônia e libertar os judeus do cativeiro. Os cavalos brancos representariam então os gregos, que vieram depois e venceram os persas no norte. Os cavalos baios malhados (ou “grisados”) figurariam os romanos, que conquistaram o império grego, e são ditos ir em direção ao sul porque o Egito, ao sul da Judeia, foi a última parte do império grego que eles subjugaram. Os cavalos fortes, que estavam com os grisados e depois saíram sozinhos, são tomados por alguns como símbolo dos godos e vândalos, ou dos ramos selêucida e ptolomaico do império grego. Assim explicam Grotius e outros.

No entanto, a interpretação que me parece mais adequada entende a visão de forma mais ampla, como uma revelação de como Deus governa este mundo inferior por meio da sua providência, isto é, seu cuidado sábio e poderoso sobre todos os acontecimentos. Os anjos muitas vezes são chamados de carros de Deus, como em (Salmo 68:17) e (Salmo 18:10). No livro de Apocalipse, cavalos de cores diferentes são usados para representar diversas providências de Deus sobre nações e igrejas (Apocalipse 6:2; Apocalipse 6:4; Apocalipse 6:5; Apocalipse 6:8). Nessa linha, podemos notar vários pontos.

Em primeiro lugar, os planos e decretos de Deus são a fonte de todos os eventos, e são firmes e inabaláveis, como montes de bronze. Os carros saíam dentre dois montes porque Deus executa o que já planejou para nós. Suas determinações são o original; o que acontece na história é apenas a cópia. Ele faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade. Seria tão fácil para nós abraçar montanhas com os braços como compreender plenamente os planos de Deus em nossa mente limitada; e tão fácil mover montes de bronze como mudar qualquer propósito de Deus. Ele é um em seu desígnio, e quem o desviará? Tudo o que a providência de Deus traz até nós, na vida pública ou na vida particular, devemos ver como vindo “dentre montes de bronze”. Assim veremos quão tolo é discutir com a providência, e quão correto é submeter‑se a ela. Ninguém pode, com razão, dizer a Deus: “Que fazes?” ou “Por que ages assim?” (Atos 2:23; Atos 4:28).

Em segundo lugar, Deus executa seus decretos por meio das obras da providência, que são como carros. Ele “anda” neles como um príncipe que sai em público para mostrar sua glória ao mundo. Ele também neles cavalga como um conquistador em guerra, derrotando todos os inimigos de sua glória e do seu governo. Deus é grande e tremendo nas suas obras (Salmo 66:3), e por elas vemos os “percursos” do nosso Deus, do nosso Rei (Salmo 68:24). Suas providências se movem com rapidez e poder, como carros, mas todas são guiadas por sua perfeita sabedoria e vontade soberana, assim como os carros são guiados por seus condutores.

Em terceiro lugar, os santos anjos são servos da providência de Deus. Ele se utiliza deles, como exércitos do céu, para cumprir seus propósitos entre os habitantes da terra. Eles são os carros, ou os cavalos que puxam os carros, fortes em poder e força. Como o cavalo descrito por Deus em (Jó 39:19 e seguintes), estão revestidos de “trovão”, são impressionantes, mas nunca se atemorizam. São carros de fogo e cavalos de fogo, como aqueles que levaram um profeta ao céu e guardaram outro na terra. Estão tão prontos a fazer a vontade de Deus quanto cavalos bem treinados a obedecer ao cavaleiro ou ao cocheiro. Deus não precisa deles, mas se agrada em usá‑los, tanto para honrá‑los quanto para fortalecer nossa confiança na sua providência.

Em quarto lugar, os acontecimentos da providência assumem aspectos diferentes em épocas diferentes, e a face da história muda com frequência. Os cavalos do primeiro carro eram vermelhos, o que aponta para guerra e sangue, sangue que chega até os freios dos cavalos (Apocalipse 14:20). O segundo carro tinha cavalos pretos, indicando os efeitos sombrios e dolorosos da guerra. A guerra traz luto, devasta a terra, produz fome, doença e destruição, fazendo nações inteiras se arruinarem. O terceiro carro tinha cavalos brancos, apontando para o consolo, a paz e a prosperidade que retornam depois de tempos escuros. Ainda que Deus traga tristeza sobre os povos, também tem compaixão. O quarto carro tinha cavalos de cor misturada, grisados e fortes, malhados e baços, representando acontecimentos de diversos tipos misturados, com prosperidade e aflição lado a lado. O cálice da providência na mão do Senhor está cheio de mistura (Salmo 75:8).

Em quinto lugar, todos os instrumentos da providência, e todos os seus eventos, procedem de Deus e recebem dele suas ordens (Zacarias 6:5). “Estes são os quatro espíritos do céu”, ou, como alguns vertem, “os quatro ventos”. Os ventos parecem soprar para onde querem, de direções diferentes, mas Deus os segura em sua mão e os tira dos seus depósitos. Mais provavelmente, aqui se tratam dos anjos que estão diante do Senhor de toda a terra. Eles o assistem, o servem, contemplam sua glória no céu, o que é a alegria deles, e servem à sua glória na terra, o que é a obra deles. Estão diante dele como Senhor de toda a terra para receber suas ordens e prestar contas do seu serviço, pois toda a terra está sob o seu domínio. E, quando ele os envia, saem como mensageiros de seus propósitos e servos de sua justiça e misericórdia. Alguns entendem que até mesmo aqueles movimentos secretos e impulsos no coração humano, pelos quais os planos de Deus vão se cumprindo, são esses “quatro espíritos do céu”, enviados por Deus para realizar o que ele determina, visto que ele é o Deus dos espíritos de toda carne.

Há um belo equilíbrio na providência, no governo sábio que Deus exerce sobre os acontecimentos, de modo que um evento muitas vezes responde a outro (Zacarias 6:6). Os cavalos pretos saíram primeiro, levando consigo fatos escuros e tristes que deixavam tudo sombrio. Mas logo os cavalos brancos os seguiram, trazendo alegria aos que choravam e, por uma nova reviravolta das situações, fazendo as coisas voltarem a brilhar.

Assim Deus costuma agir com sua igreja e com o seu povo. Se os cavalos pretos saem primeiro, os brancos logo vêm atrás. Quando a tribulação aumenta, o consolo aumenta ainda mais. Deus não deixa seu povo sob o peso da tristeza para sempre.

O curso geral da providência também é misto e complexo. Os cavalos grisados e os fortes estavam ambos no quarto carro (Zacarias 6:3), e, embora primeiro tenham ido em direção à terra do sul, depois andaram “de um lado para o outro pela terra”, como lhes foi ordenado (Zacarias 6:7). Observando bem a vida, vemos que os atos de Deus não são todos escuros nem todos claros, mas um misto dos dois.

Esse é o mundo em que vivemos. O mundo que está adiante de nós não é misturado dessa forma. Aqui, misericórdia e juízo se unem, e devemos louvar a Deus por ambos (Salmo 101:1). Devemos ajustar nosso coração à vontade e ao propósito de Deus nesses tratos mistos, alegrando‑nos nas consolações como se não estivéssemos inteiramente alegres, pois elas não vêm sem alguma dor, e chorando nas tribulações como se não estivéssemos inteiramente abatidos, porque nelas há muita misericórdia misturada.

Deus se agrada de todos os desdobramentos da sua própria providência (Zacarias 6:8). “Estes aquietaram o meu espírito”, diz ele, referindo‑se aos cavalos pretos, que representam juízos severos, e aos brancos, que representam grandes livramentos. Ambos seguiram para a terra do norte, enquanto as providências mistas se espalharam pelo mundo inteiro.

Esses acontecimentos acalmaram o seu espírito na terra do norte, que ultimamente tinha sido o principal cenário da atuação de Deus em favor de sua igreja. Por esses singulares atos de providência, Deus executou sua ira contra os inimigos da igreja e concedeu favor à sua igreja. Ambas as coisas haviam sido muito tempo adiadas. Em ambas, Deus fez a sua vontade, cumpriu a sua palavra e, assim, ficou satisfeito e em descanso. O Senhor se agrada por amor da sua justiça e, como ele mesmo diz em (Isaías 1:24), encontra alívio.

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